terça-feira, julho 19, 2005

O inimigo da Humanidade

Acabo de receber este artigo da fundação Atlas na Argentina. Também lá Bin Laden é considerado um herói e Bill Gates um vilão. O inimigo da humanidade para nostros hermanos na Argentina também é o capitalismo. Não estamos sós.


El enemigo de la humanidad


Gustavo Lazzari

www.atlas.org.ar



En el programa Hora Clave de Mariano Grondona emitido el Domingo 10 de Julio, se realizó un sondeo telefónico en el cual se preguntaba ¿Cuál es el peor enemigo de la Humanidad... el Terrorismo o el Capitalismo?


Seguramente puede cuestionarse la rigurosidad de la pregunta. Sin embargo el resultado de la compulsa es mas que preocupante. Según los argentinos que llamaron y respondieron esa encuesta el 62% considera que el principal enemigo de la humanidad es el capitalismo en tanto que sólo el 38% de votó por el terrorismo como la mayor amenaza.


Es digno de estudiar ¿qué nos pasa a los argentinos?.


Mas allá que la encuesta sea o no cuestionable desde lo técnico, el resultado no difiere mucho de la realidad . Según una encuesta de Gallup, la Argentina es el país donde los Estados Unidos tienen peor imagen. La globalización no gana adeptos y el comercio es visto como una amenaza.


De hecho, muchos personajes públicos, periodistas y formadores de opinión se alegraron públicamente cuando fue el atentado a las Torres Gemelas el 11 de Septiembre del 2001. Algunos de ellos, como Hebe de Bonafini, tiene acceso directo al Presidente de la Nación y es invitada infaltable en actos oficiales y viajes presidenciales. Incluso luego de desear y celebrar la muerte de Juan Pablo II en forma pública.


A la hora de explicar los atentados de las Torres Gemelas, Atocha y el reciente de Londres, muchos periodistas y analistas del “tercer mundo” desempolvan (con inocultable sonrisa) la teoría del “por algo será”.


En los estadios de fútbol se ven banderas de Irak (con los colores de los equipos), de Corea del Norte y svásticas nazis. Incluso la Asociación del Fútbol Argentino (AFA) tuvo que emitir una resolución para castigar con el descuento de puntos la aparición de svásticas nazis en las tribunas. En las fiestas de casamiento pululan las máscaras de Bin Laden y Sadam Hussein. Muchos se tatúan la imagen del Che Guevara como un signo “fashion” de una revolución tan desconocida como fracasada. En la TV oficial se emiten programas especiales resaltando las virtudes del Sandinismo en Nicaragua, de la dictadura Bolivariana y del Castrismo.


Los argentinos decimos que amamos la democracia y la libertad sin embargo nuestros ídolos populares son el Che Guevara, Bin Laden, Fidel Castro y el Coronel Chávez y su loro.


La encuesta de Mariano Grondona debe tomarse con seria preocupación. Si nos dieran a optar entre Bin Laden y Bill Gates, sin duda los argentinos elegiríamos por el terrorista antes que por el empresario.


El éxito en la Argentina está mal visto. El esfuerzo individual es motivo de burla y descrédito. Los ahorros suelen ser confiscados y las propiedades usurpadas. La palabra comerciante se utiliza como un insulto y muchos sueñan con un “mundo sin dinero”.


Nuestro país tiene ejemplos históricos de auténticos héroes capitalistas. Héroes creadores de riqueza, trabajo y oportunidades. Debemos refrescar y reelaborar nuestra categoría de ídolos. Es necesario desempolvar la historia y buscar los buenos ejemplos de emprendedores privados, creadores de riqueza que no dependieron del estado y que se la jugaron en un ambiente hostil.


Para la Argentina es imprescindible respetar a los creadores de riqueza del pasado y admirar y felicitar a los del presente. Desde Luis Piedra Buena, Federico Lacroze, Federico Braun, Juan Manuel Fangio, Goar Mestre, Robert Bagley, Eduardo Bradley, Jorge Newbery, Juan Fugl, Alberto Gainza Paz, Guillermo Kraft, Jacobo Peuser, Pedro Piccardo, John Parish Robertson, Jorge Temperley, Carlos Thays, William Wheelwright, entre otros muchísimos hasta los actuales, Marcelo Tinelli, Adrian Suar, Nito Artaza, Cris Morena, Grobopatel, entre otros menos conocidos.


Los capitalistas son personas que crean riqueza. El terrorismo son cobardes que asesinan y destruyen.


En la Argentina los atentados se festejan y las inversiones se espantan. Nuestra frustración resultante, es canalizada celebrando los asesinatos que los terroristas desconocidos hacen en lugares que envidiamos. El culto a la envidia está instalado en la sociedad argentina y ahora fogoneado desde el gobierno.


La Fundación Atlas 1853 defiende los valores de libertad, tolerancia, iniciativa individual, seguridad jurídica y paz. Esos valores permiten que personas privadas se conviertan en emprendedores y hacedores. Los países crecen gracias a esos valores. Hoy estamos perdiendo el debate por goleada. Pero el partido sigue y merece nuestro mayor esfuerzo.






Fundación Atlas 1853

Adherirte a la Fundación Atlas 1853. Porque el cambio es posible y de vos depende.

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segunda-feira, julho 18, 2005

Lula repete Delúbio e Valério

Cartnha enviada à ZH.

"Prezados:

Parece mesmo que ZH está firme em seu propósito de poupar o presidente Lula. E não é mais um fato isolado à Rosane Oliveira.
Na edição desta segunda, 18/07/2005, tratando da crise do PT, ZH evita a todo custo comentar a entrevista de Lula à Globo no Fantástico de 17/07.
No jornal sobram dúvidas sobre a veracidade da versão de Delúbio e Valério. Mas ninguém se atém ao fato de o próprio presidente confirmar suas versões de "crime eleitoral".
Conclusão: ZH está tão empenhada em defender Lula que evita até de comentar  ou  publicar suas próprias declarações.
ZH pensa, com razão, que tudo o que o presidente disser poderá ser usado contra ele. Por isso melhor esconder.

Envio então em anexo o teor da entrevista.


Íntegra da entrevista em que Lula repete Valério e Delúbio


1h29 - Leia abaixo a íntegra da entrevista de Lula transmitida no Fantástico de ontem à noite:
*
Numa entrevista concedida a uma jornalista brasileira que trabalha para a televisão francesa, o presidente Lula falou sobre a crise política que o Brasil atravessa. Disse que os escândalos de corrupção serão apurados até o fim. A entrevista à repórter Melissa Monteiro foi em Paris, sexta-feira passada, dia 15 de julho.
Em relação ao PT, Lula disse que o partido errou ao fazer, do ponto de vista eleitoral, o que, segundo ele, se faz sistematicamente no Brasil. O Fantástico não teve interferência na escolha das perguntas, mas comprou os direitos de exibição da entrevista.
Infelizmente o Brasil atravessa uma nova crise política, nós já atravessamos outras crises no passado, ligadas a corrupção. Quando é que o Brasil vai se livrar definitivamente dessa doença, qual é a cura definitiva?
Lula: De um lado você tem uma série de denúncias, naquilo que diz respeito a possibilidade de investigação de um governo, nós estamos fazendo mais do que já foi feito em qualquer outro momento da história do Brasil. E tem um problema grave, porque toda vez que você combate a corrupção, ela aparece mais na imprensa e passa para a sociedade que tem mais corrupção exatamente porque você está combatendo. Nesses 29 meses de governo mais de mil pessoas foram presas no Brasil, ou seja, presas de verdade, por sonegação, por prática de corrupção. E nós vamos continuar utilizando todo o potencial que o estado tem para fazer o que precisa ser feito no Brasil.
Meus adversários devem ter ficado um pouco indignados porque todas essas denúncias de corrupção, não chegaram ao governo. Pelo contrário, as últimas pesquisas mostraram que o governo teve um crescimento na opinião pública. Isso significa que o povo brasileiro está sabendo distinguir bem o que é denúncia verdadeira, o que o governo está apurando e o que é peça de discurso de pessoas que querem fazer discurso.  Ou seja, toda vez que alguém faz ilações sobre corrupção e não dá o nome concreto, fica difícil de apurar.
O Congresso Nacional tem uma CPI que vai funcionar até outubro. Portanto até lá nós vamos ter ainda muita gente sendo ouvida, muita denúncia. Algumas serão verdadeiras porque terão nomes e aí você terá como investigar. Outras serão ilações que você, muitas vezes, não tem como investigar. Depois que a CPI terminar o trabalho dela, ela vai ter que mandar isso para o Ministério Público e aí ele vai então decidir o que fazer com o resultado.
É importante lembrar que também não é a primeira vez que o Brasil tem uma CPI. Nós gostamos muito de CPI e elas são feitas sistematicamente e eu acho que isso faz parte do jogo democrático. O que é importante para mim é que eu gostaria que não acontecesse isso. Eu acho que o Brasil não merece isso porque ele está vivendo um bom momento na sua economia, o Brasil está vivendo um bom momento na geração de empregos e eu gostaria que tudo fosse diferente. Mas não é. Faz parte da política, nós temos que encarar isso com a tranqüilidade que um dirigente tem que ter e vamos ver se os nomes aparecem e se as provas aparecem para que as pessoas possam ser punidas.
O senhor acredita que há males que vêm para o bem?
Lula: A minha tese é que nós precisamos aproveitar esse momento que está acontecendo no Brasil para sermos mais duros, criarmos mais mecanismos de proteção do estado brasileiro e vamos fazer. Goste quem gostar, doa a quem doer, nós vamos continuar sendo implacáveis na apuração da corrupção e quem tiver que ficar bravo com o governo, que fique. Mas se tiver, nós vamos apurar. Esse é o papel da Polícia Federal, do Ministério Público, esse é o papel do governo. Mas o que nós precisamos é trabalhar com fatos verdadeiros para que possamos mostrar o resultado concreto das investigações para a sociedade.
Vossa excelência sente um peso muito maior hoje do que quando foi eleito Presidente da República?
Lula: Não, hoje eu tenho muito mais consciência do que é administrar um país como o Brasil. Na verdade, quando eu tomei posse tinha uma preocupação muito forte com a questão da política econômica, e isso foi resolvido por que tivemos paciência, não tomamos nenhuma atitude populista, porque soubemos esperar o tempo certo de fazer as coisas. E, agora, deveria ser o momento em que a gente estaria colhendo aquilo que plantamos em 2003 e 2004. Não estava previsto acontecer era nenhum erro político, nenhuma crise mais forte, mas aconteceu. E nós esperamos que, se cada instituição cumprir o seu papel, resolveremos isso. O Brasil não pode. De forma nenhuma, jogar fora uma oportunidade extraordinária como essa.
O Brasil é mais respeitado no mundo. Tem mais força nos organismos multilaterais, tanto na ONU, quanto na OMC, e nós precisamos fazer deste respeito que conquistamos uma conquista de benefícios para o povo brasileiro, seja no comércio, seja na política.
Sente saudades em que era sindicalista ou oposição?
Lula: Saudade não, até por que passei a vida inteira para chegar onde cheguei. Na verdade quando você é oposição tem mais facilidades, não tem a responsabilidade de fazer, só de cobrar. Eu sempre tento fazer analogia com coisas simples que as pessoas possam entender. Muitas vezes, dentro de casa, um filho ao pedir dinheiro para o pai, e que o pai nega, ele (o pai) pode estar sendo o mais verdadeiro dos seres humanos.  Mas o filho acha que o pai estava negando uma coisa que ele poderia fazer. Na política é a mesma coisa. Se você quiser ser sério, só poderá fazer aquilo que é possível fazer. Não pode inventar, gastar o que não tem, fazer populismo, prometendo coisas que você não vai conseguir fazer. Trabalhar com a verdade é muito fazer. A desgraça da mentira é que, ao você contar a primeira, passa a vida inteira contando mentiras para justificar a primeira. E a verdade não. Ela você disse ela hopje, daqui há cem anos vai dizer outra vez. Então, eu prefiro ser verdadeiro.
O senhor foi criador do PT. É impossível não associar a sua imagem à imagem do partido. Hoje ele comemora 25 anos e, infelizmente, está envolvido em todas essas denúncias de corrupção. Onde foi que o pai, Lula, errou?
Lula: Olha, eu tenho o PT como filho, por que eu ajudei, sou um dos fundadores do PT. Acho que o PT está sendo vítima do seu crescimento, ou seja, em 20 anos chegamos à presidência do Brasil, coisas que, em outras partes do mundo, muitos partidos demoraram 100 anos para chegar. A minha tese é de que o PT tem explicar para sociedade brasileira que erros cometeu. Na medida em que o partido trocou a direção e está fazendo uma auditoria interna, o Tarso Genro tem o compromisso de explicar para a sociedade onde e por que o PT errou, e o que vai fazer para consertar este erro.
O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente. Eu acho que as pessoas não pensaram direito no que estavam fazendo. O PT tem na ética uma de suas marcas mais extraordinárias. E não é por causa do erro de um dirigente ou de outro que você pode dizer que o PT está envolvido em corrupção. Eu acho que a nova direção do partido saberá explicar para a sociedade o que aconteceu com o PT e o que vai acontecer daqui para a frente.
Mas o senhor estima que alguma culpa nesta crise do PT e do país?
Lula: Não. Já faz tempo que deixei de ser presidente do PT. Fui presidente por três anos. Depois da presidência da República, não pude mais participar das direções do partido, das reuniões dos diretórios. O PT tem muita autonomia com relação ao governo. E o governo tem mais autonomia ainda em relação ao PT. Eu acho que o partido teve um problema que é a questão da direção. Houve um tempo em que os melhores quadros da política de esquerda no Brasil eram dirigentes do PT e depois que nós ganhamos prefeituras, governos estaduais, elegemos muitos deputados e eu ganheir a presidência, grande partes desses quadros vieram para o governo e a direção ficou muito fragilizada, enfraquecida, possivelmente por isso cometemos erros que outrora não cometeríamos.
Como o senhor vê o Lula, daqui a um ano e meio, em 2006, após as eleições presidenciais?
Lula: Eu não estou pensando ainda em 2006. Tenho ainda um ano e meio de mandato a cumprir e isso vai exigir de nós uma capacidade de trabalho muito grande. Nós temos muitas coisas acontecendo no Brasil e precisamos cumprir com o nosso primeiro mandato.
Não discuti ainda a questão da reeleição. Não tenho pressa de discutir. Eu tenho que cumprir um programa de governo que eu prometi ao povo brasileiro em 2002. Depois vamos pensar em 2006.
A perspectiva que tenho é que o ano de 2006 será muito melhor para o Brasil do que foi 2005, 2004, 2003. E acho que 2007 será melhor que 2006, que 2008 será melhor que 2007. Eu acredito no Brasil, num ciclo de crescimento sustentável duradouro, que possa durar 10, 15 ou 20 anos. Por isso eu acho que o Brasil está no caminho certo e não temos por que mudar de rota.


quinta-feira, julho 14, 2005

A Guerra dos Imundos


...Então eles chegaram. No início causaram algum espanto e até risos. Sua aparência, seus modos, sua fala, remetiam a algo completamente fora de época.

O espanto inicial casou medo e até apreensão. Diziam até que por trás daquela aparência simplória existia grande inteligência.

Muitos duvidavam de sua sobrevivência neste mundo, pois estavam acostumados a uma atmosfera muito diferente da que aqui encontraram. Não eram ameaça alguma.

Outros, no entanto, alimentavam boatos de que eram afeitos a hábitos indescritíveis. Canibalismo, por exemplo.

Mas o tempo foi passando e pouco a pouco eles foram sendo incorporados à paisagem. Tudo estava bem, desde que eles não saíssem de seu habitat natural. Todos os medos iniciais foram sendo dissipados, chegando ao ponto de serem apontados por grandes parcelas da população como exemplo a seguir.

Eram o contraponto a séculos de história de opressão, luta pelo poder e vaidade. Representavam a mudança, a utopia possível. Não eram somente o exemplo a seguir. Eram o próprio futuro.

E uma coisa que o futuro utópico detesta é o passado.

Nos ensinaram então a fórmula para chegar lá: a eliminação gradual e constante do passado, da cultura de nossos ancestrais menos evoluídos, pelo fim de nossa luta darwinista e suicida pela sobrevivência.

E tudo seguia o seu curso normal. A crítica ao passado havia se tornado uma revolta genuína contra o que tínhamos nos tornado. A sociedade estava pronta para a mudança. E ela veio. Os visitantes, numa manobra inédita, começaram a sair dos seus locais habituais de reprodução. Em grande número começaram a se misturar com a população em geral – mas já não causavam espanto, pois já confundiam-se com qualquer terráqueo. Talvez por que nós mesmos já não éramos os mesmos. Mesmo assim, nossos visitantes lançaram um manifesto explicitando suas mudanças. Confirmaram serem somente boatos o que se afirmava a respeito deles e que estavam empenhados a melhorar o que estava aí. Propunham uma convergência de interesses comuns rumo à felicidade.

Ninguém perguntou o por quê deste manifesto ou “carta” ter sido lido ao pé de uma engenhoca com aparência ameaçadora de uns 30 metros de altura. Deveria ser algum dispositivo de segurança pessoal, nestes tempos de desarmamento... A gerigonça, cuidadosamente montada durante o tempo de “quarentena” em seu ambiente inicial se parecia com um grande tripé, movimentando-se rapidamente.

Mas então, sem aviso, vieram os ataques. Dos imensos tripés saíram labaredas de fogo que imediatamente alarmaram toda a população.

O palácio do Alvorada foi o primeiro atingido, logo em seguida o congresso foi transformado em terra arrasada. Tentamos em desespero a ajuda do judiciário. Em vão. Já estava totalmente em ruínas.

Os imensos tripés então avançavam sem qualquer resistência. Metade da população nem sequer notou, achando se tratar de pura piroctenia, uma vez a casa da moeda não tinha sido afetada.

Outros como eu, procuravam algum lugar seguro para se esconder.

Mas subitamente, quando tudo parecia perdido, os imensos tripés pararam. Alguns ainda cambalearam sem direção antes de tombar. Um a um começaram a cair. Como dominós.

No denso silêncio que seguiu à sua queda, saí de meu esconderjo. O sol voltava à brilhar, iluminando os destroços de civilização e dos imensos tripés inermes.

Era o fim?

Algumas explicações foram lançadas pelos cientistas para o estranho fato. Listo aqui as mais significativas.

A) O extra-terráqueos tinha baixa resistência ao germes e bactérias de nosso ambiente. Rastreou-se a origem da contaminação e um provável vetor foi descoberto: o papel-moeda. Como se sabe, o dinheiro é uma das fontes inesgotáveis de contaminação. Neste caso , a contaminação teria acontecido nos corredores do congresso. Ironicamente parece que este foi o motivo da casa da moeda ter sido poupada inicialmente da fúria destruidora. O nome da bactéria foi descoberto: “mensalus_rex”, muito comum nos gabinetes dos congressistas.

b) Outra teoria dizia que o ataque estava condenado desde o início, por total falta de capacidade de organização e gerenciamento de nossos extra-terráqueos. Apesar da alta capacidade de mimetismoe planejamento, não lhes foi desenvolvida qualquer capacidade de execução. Então o plano de ataque fracassou por conta da falta de liderança e empenho, revelada por ordens contraditórias e ações erráticas. Isto deve ter sido acentuado após o triunfo inicial. Houve também denúncias de superfaturamento dos equipamentos, que estavam abaixo das especificações mínimas necessárias para o campo de batalha.

Apesar de tudo, uma pergunta se apresenta: Vencemos?

A única resposta que encontro é outra pergunta: como podemos ter vencido se não lutamos?

Isto significa que o perigo pode voltar a qualquer momento, se é que ele alguma vez tenha partido, pois seus seguidores ainda são muito numerosos. E agora de nossa própria espécie.



segunda-feira, julho 11, 2005

Plano "America Hiroshima" : Al-Qaeda tem armas nucleares nos EUA

Notícia chocante do World Net Daily

"According to captured al-Qaida leaders and documents, the plan is called the "American Hiroshima" and involves the multiple detonation of nuclear weapons already smuggled into the U.S. over the Mexican border with the help of the MS-13 street gang and other organized crime groups.
Al-Qaida has obtained at least 40 nuclear weapons from the former Soviet Union – including suitcase nukes, nuclear mines, artillery shells and even some missile warheads. In addition, documents captured in Afghanistan show al-Qaida had plans to assemble its own nuclear weapons with fissile material it purchased on the black market."

Isto prova o que muitos já sabiam: a ligação entre os ex-comunistas, al-qaeda e outros grupos terroristas em destruir os Estados Unidos.
Me parece que é apenas uma questão de tempo. Não há como impedir um processo tão avassalador sem aliados verdadeiros.

E nós, preocupados com o futuro do Brasil....

"God bless America".

sexta-feira, julho 08, 2005

Repercussão da saída do Olavo do Globo II

Este artigo de Richard Roberts no site do Nyquist cita nominalmente a saída de Olavo do Globo:
"This story from Richard Roberts fits in with the news that Olavo de Carvalho, the Brazilian conservative philosopher and columnist, was fired from his position at O Globo. 'With my dismissal, Brazilian big media becomes at last the conservative-free ambience it aimed to be,' Olavo explained. The revolutionary left marches on."

Repercussão da saída do Olavo do Globo I

A saída de Olavo do Globo está repercutindo. Recebi esta mensagem do Jeffrey Nyquist sobre o caso, me solicitando para repassar à todos que percebem o que está acontecendo, aqui e no mundo.
"Se possível, por favor fale ao Olavo que todos que escrevem sobre a mão invisível do socialismo revolucionário estão em perigo (N.T.: Céus - isto é comigo!!!). O mundo tem decaído para dentro de uma espécie de psicose. Isto afeta tanto os chamados conservadores americanos como os democratas (Liberals). A propaganda e as manobras enganosas de um ambicioso espírito totalitário tem agora o centro do palco. Ele avança sem ser notado, já que agora todos já estão habituados a aceitar conjuntos de mentiras cuidadosamente preparados. Um grupo de mentiras foi criado para a direita, um outro grupo de mentiras, para a esquerda. Todos aqueles que importam, que fazem a diferença estão sendo enganados. Aqueles que não estão, são varridos do jogo. Não há nada a fazer senão esperar e observar as forças de destruição preparar a operação final. A diminuição do papel dos Estados Unidos como potência econômica e militar é o objetivo maior, deixando todos os outros objetivos abertos a coerção e manipulação. O mundo tem de se virar contra a América, e isto está acontecendo bem diante de nosso olhos" - Jeffrey Nyquist.

terça-feira, julho 05, 2005

O sonho acabou : que comam brioches!!!

A Eliane Cantanhêde não se emenda na folha:
Eis aqui seu ultimo artigo e a resposta que enviei a ela...

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O Sonho Acabou - Eliane Cantanhêde


BRASÍLIA - O "muro" caiu há 15 anos, a União Soviética desmoronou, a China aderiu ao capitalismo do vale-tudo, a Albânia foi a última bóia do PC do B até despejar gente faminta e piolhos na Itália. Foi com certo atraso, pois, que uma onda soprada pela esquerda tentou chegar à América Latina no novo século.
E essa onda pode passar antes mesmo de chegar. Fidel envelheceu sob diferentes aspectos, Chávez orgulha-se do isolamento, Lula está dando nisso aí, Lagos é de centro, Kirchner não é ideológico, só intuitivo, Vázquez está verde. O elo é sobreviver à hegemonia esmagadora dos EUA.
Ao tomar posse, Lula admitiu que a derrota do seu governo seria a derrota das esquerdas. O que dizer agora? O partido da ética e da justiça social sucumbiu a uma prática política obsoleta e abjeta. E é suspeito de aperfeiçoá-la. Além de empresas privadas financiando campanhas, as públicas bancam partidos. Além do fisiologismo das emendas e dos cargos, a compra em espécie de deputados. E o presidente não vê. Aliás, não vê nada.
Foi-se o sonho, o que fica melancolicamente claro no relato de Laura Capriglione, na Folha de domingo, sobre o 12º encontro da esquerda latino-americana em São Paulo. Da tribuna, o anfitrião anunciava 106 delegados e 276 convidados de 42 países. Na platéia, 96 gatos pingados. Até aí o sonho era um, a realidade, outra.
A expectativa em relação ao governo de Lula e do PT era imensa. A desolação é ainda maior. A esquerda era pura, honesta, do bem. A direita era impura, desonesta, do mal. Agora, todos são do mal, com uma diferença: a direita é mais competente. Faz até os programas sociais que julgávamos patenteados pela esquerda.
O país parece dividido entre PT e PSDB, mas a grande vitoriosa é a direita. Nem precisou ganhar, porque a esquerda é que perdeu. Ou se perdeu.

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O sonho Acabou : que comam brioches!!! -

Prezada Eliane:

Seu texto é uma pérola: não parei de rir até agora!!
Chamar o "Foro de São Paulo" - velho conhecido da esquerda há mais de 15 anos - de "encontro das esquerdas" é demais. Não sabes que já da para falar com todas as letras "f-o-r-o-d-e-s-a-o-p-a-u-l-o"? Então repita comigo.

Outra: dizer que a esquerda é do "bem" e a direita é do "mal" é a coisa mais ridícula que uma pessoa adulta possa dizer. É a mesma coisa que dizer que a esquerda é "boazinha" e a direita "é boba", ou será que a coluna é direcionada para crianças em fase pré-escolar?

Pode ser ainda que se refira a uma tese muito difundida há muito tempo atrás: a do "bom selvagem"... Seria a esquerda uma tribo indígena, cara pálida?

Impressionante ainda ter gente que acredita nesta patacoada, de que ideologias ou partidos tenham adjetivos como este. "Bom" , "Mau" são adjetivos que só podem ser designados à pessoas. Ideologias não são intrisicamente boas ou ruins, podemos só mesmo julgar pelos seus resultados.
A da esquerda, por exemplo tem mais ou menos 100 milhões de mortos na suas costas.
Ainda assim tem gente como você que ainda acha possível a sua defesa.

Outra coisa: dizer que o PSDB é de direita é demais. Lula é uma cria de FHC.

E deixa de mentiras: "a direita" ganhou uma pinóia!!! Só se for a mão direita de Lenin ou de Gramsci, ou vais me dizer que não conheces estes também???

Vocês não passam de um bando socialistas-caviar. Como diz o meu título: que comam brioches!!

LA

Janer Cristaldo no MSM

O artigo do Janer no MSM "Taxado de Direita" é bom. Autobiográfico e tudo mais, até aparecer esta frase:

"Que vivam os ateus, estes seres estóicos que dispensam muletas para enfrentar a intempérie metafísica."

Engraçado: na minha definição, ateus são pessoas com visão perfeita mas que insistem em usar um tapa-olho...

segunda-feira, julho 04, 2005

Limpeza de Arquivo: Olavo não está mais no Globo

Tinha que acontecer: Agora que o "Foro de São Paulo" é assunto publicável na grande imprensa - é claro que subtraído de todo o significado original, restando algo como um clube de debates com alguns participantes mais ou menos "rebeldes" - as provas do seu verdadeiro fim têm de ser eliminadas.
Olavo é a maior prova disso.
Soube agora que não mais escreve nas páginas do Globo. Coincidentemente com a emergência do assunto Foro de São Paulo nos jornais brasileiros. Nada é por acaso.
Se o FSP fosse assim tão anódino, por quê então 15 anos de negações, websites com conteúdos filtrados, despistação explícita?

Mas isso vem de um pouco mais longe, este movimento de "lavagem" do FSP. Na Veja que  tocava no assunto da denúncia do deputado Alberto Fraga sobre a acusação de contribuição de campanha do PT pelas FARC,  o Foro de São Paulo era tratado como um clube de debates sem ao menos ter o seu nome citado . Leia aqui.
Parece que a situação entre março e julho de 2005 mudou radicalmente.
O Foro de São Paulo é assunto público.
Mas a contrariedade com Olavo de Carvalho falando do assunto permanece a mesma.
Conseguiram: Olavo não mais escreverá sobre o assunto "Foro de São Paulo". Pelo menos no Globo.
Eu concluia na época: "A nós pobres leitores, resta continuar ignorando o assunto "Foro de São Paulo" por completo".

Foi pior do que eu pensava: O Foro é oficial e público, mas sua identidade pública é de um alegre convescote de simpatizantes do socialismo, inofensivo e "democrático".


sexta-feira, julho 01, 2005

“My name is Jefferson, Bob Jefferson... (not Thomas Jefferson)”.

"My name is Jefferson, Bob Jefferson (not Thomas Jefferson)".

Lendo os artigos de Olavo de Carvalho ("Tristeza Pura" ) e de Sandro Guidalli para o MSM temos muito o que pensar.

O primeiro é um tapa-na-cara em nossa síndrome maníaco-depressiva de achar que qualquer escorregadela ocasional do PT pode se tornar o seu Nêmesis – e levá-lo a ser derrotado fragorosamente - ou ser a senha para a face obscura do PT voltar a se erguer, como o Anakin Skywalker finalmente se rendendo a Darth Vader, coroando de significado aquela imagem do Dirceu voltando ao congresso nos braços dos "movimentos sociais". Um Lenin redivivo voltando à Estação Finlândia.

Nem uma nem outra: A teoria de que temos de comemorar os feitos do "inimigo do nosso inimigo" não é nem um pouco sólida pois não sabemos se Jefferson pode ser considerado um realmente um "inimigo" do Planalto ou está simplesmente negociando um resgate maior.

Inegável é que o "affaire" mensalão pode ainda servir aos propósitos do PT, em aprofundando o clamor popular por um "salvador da pátria", por exemplo. Como este discurso é caro ao PT, fabricado cuidadosamente durante décadas, esta estratégia lhe dá vantagem natural. E quem poderia ser o "salvador" ? Ele mesmo ou de outro partido ungido por ele – como o PSOL – que invista no modelito. Ou seja: o PT pode se transmutar em outro PT mais puro, ético e "revolucionário" ainda. Um revolucionário de butique, na verdade, para manter acesa a chama do eleitorado e dos militantes mais radicais.

Então o outro lado, o "revolucionário" não existe? Não. A esquerda nacional – pelo menos a cúpula – já perdeu a crença no socialismo há décadas – mas não deseja que seus militantes o saibam. As vitórias eleitorais são fruto direto de uma militância idealista e aguerrida. Mas a cúpula – do PT e de todos os outros partidos ditos "revolucionários" – sabem que o capitalismo é o único sistema econômico coerente. A esquerda sabe disso mas tem de manter as palavras de ordem e as antigas bandeiras vivas pois não tem sobrevida eleteitoral após isso – vejam o que aconteceu ao PPS, por exemplo. Isto torna claro o caráter lúdico da volta de Dirceu ao congresso sob os aplausos dos seus movimentos sociais. Tudo encenação para manter a motivação da militância. Os únicos que acreditam nisso são os eleitores/militantes. E o MST...

Quanto à estratégia do Foro de São Paulo ser contrariada pelo atual governo, cabe uma boa análise: se de todas as resoluções do Foro – que são mais de dezena – apenas uma e somente UMA está sendo adiada por sua franquia local – o partido dos trabalhadores – isto não quer dizer que o governo brasileiro esteja rompendo com o Foro. Significa que o assunto "Foro" tem sido objeto de diversas reportagens mais abrangentes e que talvez não seja de bom alvitre lançar uma nova fase do plano em meio a tal confusão. Manter-se à direita de Chavez no contexto da América Latina é preciso, e para isso, pode-se atrasar algumas ações, estrategicamente, de modo a esperar por um momento mais adequado.

Ou seja: ficamos exatamente onde estamos. Mas isto não quer dizer que estamos seguros. Estabilidade num momento de quase guerra civil (hoje se mata mais no Brasil do que no Iraque, dizem as estatísticas), controle absoluto da sociedade e cultura pelo partido único (que se aparenta pluripartidário nas encenações que são nossas eleições) através do uso intensivo de tática gramsciana há mais de quinze anos, só quer dizer uma coisa: é a condenação à morte de milhões pela completa inoperância da iniciativa privada de um lado e da estrutura governamental de outro. O pior de dois mundos.

Como uma célebre frase do jogador Paulo Nunes – confundindo completamente o sentido original do ditado popular – "perdemos a guerra mas não a batalha". Mesmo assim, estas "batalhas" merecem alguma atenção.

Mesmo que tudo esteja perdido, que o Brasil tenha irremediavelmente tomado o rumo da insignificância mundial, que sejamos apenas um pequeno grupo de insatisfeitos perdidos no meio de uma multidão de imbecis lobotomizados e que não façamos muita diferença no final das contas, não deixa de ser prazeroso testemunhar que estas pequenas escaramuças entre criatura e criador tiveram o resultado de levar alguma verdade às primeiras páginas dos jornais ou à TV. Ao vivo.

LA

quarta-feira, junho 22, 2005

Considerações sobre a "Vontade"

Após a publicação da tradução do meu artigo sobre o filme "A Queda" ("Downfall"/"Der Untergang") no site Majority Rights, houve uma série de comentários sobre as origens do nazismo. Boa parte dele falando em termos de "consciência racial" e "vontade".

Estudando o material de Olavo de Carvalho sobre o "Manual de Dialética" de Lavelle pinçei algumas definições ou percepções sobre "vontade" ou "sentimento" versus "inteligência" que são a base destas considerações.

Fala Olavo (desta maneira ou mais ou menos parecida):
"O mau filósofo não apreende as limitações da realidade e da sua vontade. Fica a imaginar o infinito novamente como possível" ...

"A tarefa do filósofo é perceber a estrutura da realidade e o que é possível ou não. Isto o fará educar o seus próprios sentimentos e vontade, para ajustá-los ao que é real e factível."

A partir destas premissas podemos concluir que todo este papo sobre "vontade", não só está deslocado do tempo (era assunto nos anos trinta), mas também é uma falácia intelectual.
A questão principal é que deixar a "vontade" tomar o lugar que seria da inteligência no controle das ações do ser humano, o faz perder a correta percepção da realidade. Faz o ser humano agir de modo completamente descolado da realidade, como alguém que acha ser possível voar pela janela ou ter poderes de "super-homem".
Isto é o que explica o que aconteceu na Alemanha durante o nazismo. Pois tivemos uma exacerbação da "vontade" sobre a inteligência em nível de uma nação por inteiro.
Inteligência no sentido de "sabedoria" ou a apreensão da verdade é a busca do ser humano por milênios, desde Platão/Sócrates e Aristóteles, passando pela tradição Judaico-Cristão.

E o que é a vontade sem o controle superior da inteligência? Apenas irracionalidade.
Isto, a "vontade", junto com uma tal "consciência racial" reviveram no nazismo um universo mítico poético pagão, há muito derrubado por Sócrates na antiga Grécia.
O livre pensamento não tem nada a ver com "consciência racial" ou "vontade". Ele é fruto da correta apreensão da realidade.
E esta busca pela verdade que é o cerne do que chamamos de "pensamento conservador", seja Erich Voegelin, seja Olavo de Carvalho, que tenta trazer para o mundo de hoje o sginficado do livre pensar e suas responsabilidades. "Vontade" é outro nome para "destino", que é o oposto ao livre arbítrio.

Então conceitos como "Raça", "vontade" e "consciência racial" não são apenas temas de debate dos "anos trinta". Se analisar bem, pertencem a um universo pré-socrático.

segunda-feira, junho 20, 2005

Link: web-site do Ucho

Para quem quiser se informar melhor sobre o estado de coisas atual do Brasil, recomendo um site:

Missão de Dirceu: Chutar o Pau da Barraca!

Enquanto a maior parte do jornalismo independente cai no conto-do-vigário de que Dirceu "sai do governo" mas a crise não sai do governo, acabando com o projeto re-eleição , o Sr. José Carlos Graça Wagner vai diretamente ao ponto: Está acionado o Plano B para garantir os objetivos do Foro de São Paulo no Brasil.
A reunião entre Dirceu e os "movimentos sociais" liderados pelo Stédile é o início do processo.
Dirceu já pode deixar a barba crescer....

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MISSÃO DE DIRCEU: CHUTAR O PAU DA BARRACA

Por José Carlos Graça Wagner *

Frei Beto, irmão terceiro, depois do livro "Paraíso Perdido – Nos Bastidores do socialismo", afirmou, quando vivia no Planalto, "estamos no governo, mas não no Poder, mas só com o Poder podemos chutar o pau de barraca". A fala de Dirceu, aos "companheiros", vai na mesma direção: convoca para a luta entre "inimigos e amigos", que define como "luta de classes" e contra o que chama de elite política e financeira (esquece que setor financeiro é o único que ganha com a política econômica e que, na luta de classes, é a primeira barraca a ser chutada).



Assistiremos um "pega pra capar" entre Jefferson e Dirceu? Em outras palavras: Dirceu deixa o governo para assumir a revolução, para concretizar o plano B do Foro de São Paulo, fundado por Lula em 90, no Hotel Danúbio, com 48 organizações de esquerda da América Latina (agora com cerca de 150, das "moderadas" às mais radicais) inclusive a Farc, financiadora de toda a esquerda ali arregimentada?



Em 1997, na reunião do Foro, em Porto Alegre, com a presença do Sub-Comandante Marcos, do México, (por quê "sub"?), decidiu-se que o braço político, no Brasil, era o PT e o braço revolucionário era o MST. Este faria presença, mas se manteria em certos limites, enquanto o PT (o conhecimento desse esquema é mais da cúpula do que dos militantes e mesmo dirigentes "marginalizados"), estivesse em condições de alcançar o poder, dentro do sistema político, e, portanto, enquanto possível a reeleição de Lula, afim de tranqüilizar o esquema financeiro internacional.



Se, porém, o braço político falhar ou se tornar inviável, o MST entra com tudo, contra as elites, como é ensinado em todos os "cursos" do MST, inclusive em sua "universidade". A "marcha sobre Brasília" teve a finalidade de mostrar o poder de mobilização e de organização "paramilitar".



Stédile é o líder mais evidente, mas não faz nem fez nunca nada sem o conhecimento de Frei Beto e de Dirceu. Stédile também é sub-comandante.... Comandante mesmo é Fidel Castro, desde de que, em 8 de janeiro de 1989, em Havana, com a presença do próprio, mas de Lula, Genuíno e Frei Beto, além de Kroscho, Lula foi incumbido de formar a entidade que reunisse toda a esquerda latina-americana. Com a entrada no esquema do Cel. Chavez, este ficou como coordenador militar do Foro, enquanto Lula permaneceu como coordenador civil.



"Quem sabe faz a hora". É a tarefa de Dirceu, que conta com apreciável "experiência" nessa matéria e até curso "especializado". O que não se pode "esperar acontecer"? A perda do poder político como caminho para o poder total. Impõe-se a precipitação do decidido em 97, com todos os figurantes da "cúpula".



E Lula? A tarefa do presidente do "país de todos", é manter-se no governo, ainda necessário para que o MST, "o mais respeitável dos movimentos sociais", possa proceder sem uma resistência maior de parte de um governo hostil. Lula esteve presente a todas as reuniões do Foro de São Paulo  e aprovou todas as suas deliberações, inclusive a de Porto Alegre e sabe de tudo, como deve ter sabido do "mensalão", mas é conveniente que não saiba. Dentro da ideologia abraçada pelos "forenses", não é desonesto "desconhecer" o que convém não saber...



É, também, dentro da ideologia, natural usar a corrupção da "direita" para desmoralizar as elites, ou seja, os inimigos de classe. Por isso continuam de "mãos limpas"... e até respeitáveis "sem nenhum pecado"...



É de se lembrar que Lula "invejou" um presidente africano com mais de 30 anos de poder e candidato à reeleição...além do exemplo do seu amigo, e único com o título de comandante, dentro dos "bastidores do socialismo", que narra o que Frei Beto considera os erros que fizeram do comunismo, em muitos paises, um "paraíso perdido" , menos em Cuba, com quase 50 anos de poder totalitário... Paraíso sem pecados... Acresce a entrevista de Lula à "Granma", jornal oficial do PC de Cuba, na qual declara, em manchete, que "Cuba é exemplo para América Latina"...



Lógico que uma coisa são os esquemas de poder do Foro e do MST. Outra é dar certo. O Brasil é grande demais para tais planos. Será? A Alemanha, a Itália eram pequenos? Mas a URSS, antes do comunismo e da queda do Muro? E a China? O Brasil já teve até a ditadura de Getúlio Vargas, por revolução armada, por guerra civil. São outros os tempos? Parece que muitos países não sabem disto. Coitadinha da Bolívia. Pequena mas nos tempos atuais.



É bom não deixar ficar, para ver como fica. É bom defender a liberdade, enquanto é tempo. "O Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância". ..

 

José Carlos Graça Wagner - OAB-SP -9.151

(*) José Carlos Graça Wagner é advogado, coordenador de Estudos Internacionais do Instituto Tancredo Neves, ex-Conselheiro da Universidade de São Paulo, conselheiro de diversas Fundações de Estudos, da Associação Comercial de São Paulo, da Freedom Economic and Social Development, em Miami e de diversas entidades de formação de carentes.



 

Teste da presidência...

Recebi por e-mail e achei muito bom. Para descontrair um pouco (se é possível)

Teste da presidência: 10 maneiras de descobrir se o seu mandato acabará antes da hora

1 – Você manda um projeto de lei pro Congresso e recebe de volta uma tabela de preços.
2 – Toda vez que você pede um cafezinho pra secretária, ela responde: "Quanto é que eu vou levar nisso?"
3 – O Ricardo Kotscho atende o telefone, reconhece sua voz e diz: "Isto é uma gravação. Ao ouvir o sinal, deixe sua mensagem..."
4 – O Frei Betto não quer mais brincar de Rasputin com você.
5 – Você pede pro jardineiro fazer um canteiro em forma de estrela no jardim do Palácio e ele pergunta se não é melhor em forma de cifrão.
6 – Seu marqueteiro de campanha é processado com base na Lei de Defesa do Consumidor
7 – O Chico Buarque começa a lhe dar carrinho e canelada nas peladas da Granja do Torto.
8 – O Celso Amorim só consegue agendar viagens para países que não têm água encanada, serviço de esgoto e luz elétrica.
9 – Cada vez que você diz que sua eleição mudou a "história da humanidade sobre a face da Terra", a platéia rola no chão de tanto gargalhar.
10 – Você passa a ter medo do Roberto Jefferson.-

quarta-feira, junho 15, 2005

A Derrota da Vontade: uma análise sobre “A Queda”- O Filme

Há uma semana fui assistir ao filme "A Queda"("Der Untergang"/"Downfall"), magistral reconstituição dos últimos dias do regime nazista e de seu criador – Adolf Hitler. Atuações brilhantes de todo o elenco, destacando a performance do suíço Bruno Ganz como o Führer.

Queria ter escrito antes, mas este filme suscitou uma série de considerações – devo dizer "percepções" - que ficaram em gestação em minha mente durante vários dias, até que pudesse dar uma forma adequada a elas. Estas percepções simplesmente espocaram em meu pensamento como hyperlinks mentais, tive de segui-los, cataloga-los e definir o porque de minha mente ter me levado a eles.

Percepções a que me refiro foram "insights" e metáforas que percebi durante a sessão. Então quero dizer que o que escrevo são alusões aos signos e significados do regime nazista. Não procure por aqui causas eficientes ou materiais do nacional-socialismo. Simplesmente ouso escrever sobre, o que me pareceu, o que ele é.

A grande revelação deste filme para mim foi a percepção de que se os regimes socialistas/comunistas eram de alguma forma uma substituição da religião natural pela religião do estado, o nazismo seria a substituição do judaísmo, transformado numa espécie de "judaísmo de estado". Mas este "judaísmo de estado" teria tanto a ver com o judaísmo original como uma missa negra tem em relação à missa católica: de igual valor mas com sinal invertido. Uma contrafação satânica da primeira, como a versão robótica de "Maria" em "Metrópolis" de Fritz lang. E como esta, uma imitação que queria assumir por completo a identidade cultural e religiosa do modelo original, nem que a destruição completa deste modelo fosse necessária.

A Alemanha pós-Primeira Guerra precisava da mesma força que fez Israel se erguer perante seus captores no Egito e na Babilônia, que derrotou Hititas, e outros povos da região; da mesma força que fez Israel, seu povo e sua tradição tão longevo. Era esse o objetivo, com uma diferença fundamental: enquanto Israel tinha o favor de Javé para se manter unido, o deus do Terceiro Reich era o nacional-socialismo. Mas este também era um deus monoteísta, por isso não admitia nenhuma outra crença que não a sua própria. Esta é a chave.

Outro fato notável é que o nacional-socialismo se baseia no conceito de "raça". Tanto quanto se acreditava que os judeus formavam uma "raça" à parte. Se aos judeus foi dado o favor de Deus, somente a outra raça seria dado um favor semelhante. Estaria aí o significado do conceito racial no nazismo?

Nesta nova ordem, Hitler seria o "Führer" (líder). Seria na verdade uma encarnação do "Príncipe" de Maquiavel, pois botou em prática o ensinamento de eliminar os seus inspiradores – no caso os judeus. Este "príncipe" seria diferente, uma versão darwinista de Maquiavel.

Este é um elo quase recorrente. A firme crença nos valores do Darwinismo social dentro do nazismo é repetida a cada momento nas telas, numa prova cabal que tanto o comunismo quanto o nazismo não passam de irmãos siameses. No filme por exemplo, Goebbels condena o povo alemão à própria sorte (o que significava a morte de centenas de civis), pois o povo alemão tinha se mostrado fraco para impedir a invasão aliada, era fraco demais para merecer a glória do nacional-socialismo. Se você pensou na tautologia absurda do darwinismo ("somente os mais aptos sobrevivem, e se sobrevive é por que é o mais apto") , acertou. E frases deste tipo se repetem a cada cena. Com toda este background, não poderia ser diferente o destino dos criadores do nazismo. Estava provado que eles também não eram os mais "aptos" para a empreitada.

O fato de Hitler terminar seus dias num bunker, a dezenas de metros da superfície, longe da luz do sol é mais um signo. Na verdade, o nacional-socialismo viveu sempre dentro de um bunker, isolado da luz. Teve momentos que este bunker ideológico teve o tamanho da Europa, mas não era mais este o caso. Hitler pergunta, face à alternativa de fugir de Berlim "o que o Führer faria escondido numa vila". Claro que ele sabia: não existiria "Führer" num ambiente natural, sem todo o aparato imperial que o cercava. O bunker tinha se tornado real. E aí não havia mais escapatória.

Isto pode ser visto na cena mais significativa do filme – e que remete diretamente ao universo judaico. Falo da cenas relativas a Goebbels e sua família: Se no Gênesis Deus impede Abraão de sacrificar Isaque no último momento, para o deus do nacional-socialismo não havia outra saída senão o sacrifício final.

Uma pena que este sacrifício não serviu para extirpar por completo as raízes do nacional-socialismo do mundo de hoje: elas continuam ainda bem firmes e prestes a dar novos frutos. Diante de tudo isso, não se poder negar a sugestão de Norman Mailer "Sugiro que se aceite a existência do diabo como uma hipótese científica."

segunda-feira, junho 13, 2005

As Raízes do relativismo

O blog do meu amigo Júlio Belmonte teve um bela atualização. A primeira parte de um texto, refutando que a teoria da relatividade seria per se a origem do que se chama "relativismo moral", foi postada. Leiam este trecho: "Paul Johnson, em seu famoso livro “Tempos Modernos”, não hesitou ao falar, logo no primeiro capítulo de sua obra sobre o século XX, ser este o século do relativismo (moral). E sugere a data de 29 de maio de 1919, dia da confirmação da teoria de relatividade de Einstein, como o começo desta era.

Mas o que há de tão especial nesta teoria científica? Simples, a idéia de uma troca de paradigma na ciência. Há de se reconhecer que a ciência alcançou seus mais notáveis avanços práticos e empíricos depois da adoção da matemática como instrumento modelador da natureza. Este foi um pressuposto metafísico feito muito anteriormente, quando Platão, fortemente influenciado pelo desenvolvimento da geometria, especulou no seu livro “Timeu” a possibilidade de a natureza ser composta por agregados de 5 sólidos regulares: cubo, octaedro, tetraedro, dodecaedro e icosaedro. Mas foi somente no século XVII que Galileu deu início a este empreendimento declarando que: “Para entender o universo, você precisa conhecer a linguagem com a qual foi escrito. E esta linguagem é a matemática.”


Comentário: Brilhante. Muito bom. Isso é para aqueles que - por semelhança - acham que a "teoria da relatividade" seria a base teórica do relativismo. Na verdade a origem do relativismo é no psicologismo. Ele é que definiu o ser humano como o centro do universo, criando a idéia que todos os conceitos, crenças, valores e até a ciência são extensões de uma realidade psicológica que não existe de fato. Minha pergunta é : Até Paulo Johnson caiu nessa?
Outra observação é que Platão é uma referência em duplo-sentido, pois se ao mesmo tempo seu apego pela geometria fez incontáveis discípulos na era moderna, sua teoria do mundo das idéias com seus modelos perfeitos, comparativamente ao imperfeitos à nossa volta, o fazia achar absurdo procurar a essência das coisas pela amostragem empírica do universo táctil... O cientificismo de laboratório não teria a menor chance com ele..

Olavo rocks on!

Não sei o que é, mas o fato é que os últimos artigos do Olavo estão indo direto ao ponto. Como os leitores já perceberam, sempre levantei esta questão do discurso liberal ser sempre só econômico.
Olavo dá outra dimensão a esta percepção, como só ele. Este artigo "Debate Assimétrico" é perfeito:
"Como a estratégia socialista jádesistiu faz tempo da estatização total da economia, admitindo a necessidade de reservar pelo menos algum espaço para as empresas privadas, a defesa da economia de mercado é facilmente absorvida e instrumentalizada pelo establishment esquerdista, que pode repetir ipsis litteris cada palavra do ideário econômico liberal sem com isso fazer nenhum mal a si mesmo. Desprovido de sua substância cultural, moral ou religiosa, o discurso liberal pode tornar-se nada mais que uma forma inconsciente de colaboracionismo."

sábado, junho 11, 2005

Sobre a audiência do blog (2)

Outra referência que não poderia deixar de informar é que a Atlas Foundation - fundação que incentiva a liberdade individual e econômica em todo o mundo, tem u blog com uma seleção de "notícias e análises de vozes independentes de todo o mundo".
O "Swimming Against the red Tide" está lá:
"Luís Afonso Assumpção of Porto Alegre offers a blog on the culture and politics of Brazil from a free-market point of iew."

sexta-feira, junho 10, 2005

Audiência do meu blog em inglês

Após eu publicar a versão em inglês do fantástico texto do Olavo "Raízes do Novo Mundo" no meu blog (http://againstred.blogspot.com) percebi um grande aumento de audiência. Outros artigos publicados por lá também tiveram uma grande aceitação na blogosfera.
Aqui alguns dos blogs e páginas que me linkaram:

http://www.no-pasaran.blogspot.com - Página muito critica do euro-socialismo, social-democracia e da União Europeia , da França
http://finnpundit.blogspot.com - Outro crítico da social-democracia , da Finlândia.
http:////www.findory.com - Uma página de clipping.
http://www.theglitteringeye.com - Outro bom blog crítico.

Agradeço especialmente o famoso blogger australiano John Ray, que iniciou isso tudo publicando alguns textos meus e também ajudando na tradução e adaptação ao inglês corrente dos textos em vários de seus sites ou blogs onde escreve:
http://dissectlef.blogspot.com
http://www.theglitteringeye.com/
http://ofint2.blogspot.com/
http://www.majorityrights.com/

Por último , ao apoio de Jeffrey Nyquist, que me enviou a seguinte mensagem::

"Many thanks for writing. I am glad that you are trying to alert people" - JRN

É bom saber que meu trabalho está sendo apreciado por tanta gente. Mas isso também coloca um peso maior de responsabilidade no que é publicado por aqui...

domingo, junho 05, 2005

O Agente Invisível

Este é o artigo publicado no Mídia Sem Máscara como concebido no original...

O agente invisível


A única mão invisível que existe hoje em dia não é do mercado mas do neo-comunismo que sufoca silenciosamente democracia, o capitalismo e a liberdade sem ser notado. (eu mesmo)


Há muito a humanidade persegue alguns objetos mágicos: o santo graal, a pedra filosofal, a arca da aliança. Nos tempos modernos, embalados pela revolução industrial e a "science fiction", novos objetivos são adicionados à lista: viagens espaciais, as viagens no tempo e o dom da invisibilidade.
Dessas novas utopias, muitas acabaram em realidade: viagens espaciais a partir dos anos cinqüenta com o russo Yuri Gagarin; Viagem no tempo nos três episódios de “De Volta Para o Futuro” e finalmente a invisibilidade, em uso pelos soviéticos (principalmente) desde 1991. Afinal para onde vocês acham que foram todos os comunistas desde então?
Desculpem pela introdução “bizantina” ao assunto, mas considero que nos dias que correm, não podemos mais falar da realidade exatamente como ela é. Se assim fizermos, seremos descartados imediatamente como mais um “paranóico delirante” a acreditar em comunistas. “Só falta acreditar que eles comam criancinhas” era uma frase típica destes céticos em resposta aos meus argumentos.
E não estou falando aqui de socialistas, neo-comunistas ou simpatizantes das teses da esquerda não. Falo de pessoas que, pelo contrário, apóiam o sistema capitalista democrático e a liberdade econômica como chaves para a geração de riqueza no mundo.
Então este artigo, antes de qualquer mal entendido, tem uma finalidade objetiva: tentar explicar de maneira lúdica - já que a realidade definitivamente virou “demodée” no Brasil de hoje - o que significou realmente a "queda do muro de Berlim" e a conseqüente dissolução do partido comunista soviético após a tentativa de "golpe" ao governo “democrático” de Yeltsin na URSS em 1991.
Meu público alvo são todos aqueles que não conseguiram entender a real dimensão do que acontece no mundo de hoje. Nada de novo em essência. São fatos, insights e teorias que são discutidas há décadas, e com alto grau de contra-provas positivas . Falo das excepcionais obras de Anatolyi Golitsyn ("True Lies for Old" e "Perestroika Deception"). Falo dos artigos de Nyquist, de outros aqui no Brasil mesmo, no Mídia Sem Máscara.
Qual é o resumo da ópera: a estratégia do mundo comunista mudou radicalmente desde os anos cinqüenta. Motivo: os comunistas reconheceram o fracasso da economia planificada. Diagnóstico: somente com a eliminação/neutralização dos Estados Unidos – e seus aliados – é que o socialismo ou comunismo poderia voltar ao rumo de dominação mundial a que estavam acostumados. Esta guinada no curso estratégico foi muito baseada nos ensinamentos de Lenin ( "New Economic Policy" ou NEP) e foi iniciada nos anos cinqüenta com Kruchev. Pelo cronograma, estamos no que se previu como a “fase final” em que o próprio comunismo se mimetizaria ao ambiente capitalista para destruí-lo por dentro. A estratégia era demonstrar ao mundo uma falsa "derrocada" do comunismo enquanto que, fora do campo visível dos seus oponentes, criava condições para uma vitória inconteste da visão socialista sobre o mundo, até a vitória final.
Agora vamos ao que significa: Esta submersão dos comunistas até seu aparente “desaparecimento” foi na verdade uma simulação. Foi como se os comunistas tivessem descoberto a fórmula da “tinta evanescente”. Se tens mais de quarenta (e menos de 10) deves lembrar de vários episódios de “Tom e Jerry” protagonizados pelo uso da tal tinta evanescente. Esta permite ao seu usuário a obtenção da invisibilidade total. Jerry faz uso dela para atormentar Tom de tal maneira que ele fica completamente maluco.
Como isso acontece? Jerry – invisível – incita o grande buldogue contra Tom. Este sem saber de onde partem os ataques acredita ser Tom o responsável e parte para cima do velho Thomas. É exatamente isso que nossa turma de comunistas-invisíveis executam incansavelmente sob o manto produtor da invisibilidade.

O paralelo é esse mesmo: nossos comunistas, usando os poderes da tinta evanescente, estão criando caos nas sociedades democráticas. E o fazem exatamente como Jerry fazia para atormentar o Tom: eles avançam sobre cada um dos componentes da sociedade de um determinado país e incitam uns contra os outros. O negro, por exemplo, recebe sorrateiramente um sopapo na orelha. Nosso afro-descendente então sem achar o verdadeiro agente provocador, acaba denunciando os “culpados” de sempre – os brancos. Isso acontece também com mulheres, homossexuais, índios e muitos outros que acabam entrando nesta mesma confusão . Até os muçulmanos são chamados para participar dos "rounds" nesta luta.
Então , quando toda a sociedade estiver imersa num ambiente de confronto na busca de seus “direitos” obrigatórios nossos invisíveis comunistas estarão celebrando às gargalhadas os seus feitos.
Esta é a realidade que tentamos explicitar. A recusa em considerar estes fatos faz com que nossos heróis, imaginando debater proposições coerentes com a realidade, acabem desperdiçando energia em assuntos laterais, enquanto estas as forças invisíveis agem livremente no seio da sociedade. Distraídos em seus assuntos, há de chegar um dia em que o barulho ensurdecedor desta sociedade agora em conflito mortal não mais permita a continuidade dos debates. Muito tarde perceberão nossos heróis que ao invés de um mundo livre onde a realização do ser humano dentro de uma sociedade democrática e capitalista é possível, quem estará batendo à porta finalmente não é aquela “mão invisível do mercado” que tanto falava Adam Smith, mas a “mão invisível” dos comunistas, que depois de enfeitiçar toda a sociedade com suas palavras de ordens politicamente corretas, a encaminha para eliminar os seus inimigos imaginários: os defensores do mercado, do capitalismo e de democracia. Exatamente os liberais.
Tudo por culpa da “tinta evanescente”.

terça-feira, maio 31, 2005

Raízes do Mundo Novo

Este artigo do Olavo de Carvalho é obrigatório para entender o "novo mundo".
Fukuyama estava completamente errado. Eis o que enfrentamos...

Raízes do mundo novo - Olavo de Carvalho (O Globo - 26/05)


A primeira metade do século XX presenciou a ascensão da economia planificada; a segunda, a sua queda, seguida do surgimento de um esquema de dominação ainda mais ambicioso: a cultura planificada. A cultura transcende e abarca a economia: inclui o orbe inteiro das criações humanas, a linguagem e a imaginação, os valores e sentimentos, a vida íntima e os reflexos inconscientes. A ampliação do objetivo mostra que a intelectualidade ativista tirou da experiência de oito décadas uma conclusão inversa à dos economistas liberais: estes acreditaram que o fracasso do socialismo provava a loucura intrínseca do Estado gigante; aqueles, que o Estado gigante fracassou por não ser gigantesco o bastante.

O objetivo final do socialismo, como observou Hannah Arendt, é a modificação da natureza humana. A geração de Lenin, Stalin e Hitler imaginou que a economia socialista produziria o novo tipo de homem. Os pensadores socialistas mais profundos Gramsci, Lukács e os frankfurtianos viram nisso um perigoso erro economicista. A alma do ?homem novo? não nasceria do socialismo, mas deveria antecedê-lo e criá-lo. Essa idéia pareceu herética à ortodoxia marxista da época (embora, no outro lado do espectro socialista, não fosse de todo estranha aos teóricos do nazi-fascismo), mas só se disseminou nas últimas décadas, dando margem a uma formidável expansão do esquerdismo internacionalista, que sobreviveu mesmo à derrocada da economia soviética, alcançando seu nível máximo justamente nos anos que se seguiram à dissolução da URSS. O socialismo internacional de hoje busca menos a criação de regimes socialistas do que a implantação de um complexo global de mutações na sociedade civil, na moral, nas relações familiares. À mudança da ordem de prioridades correspondeu uma troca de estratégia e a escolha de novos meios. Antes a ferramenta essencial do movimento revolucionário era o partido ideologicamente monolítico. Hoje, é uma variedade de partidos de esquerda aparentemente inconexos, é a rede internacional de ONGs, são os ?movimentos sociais?, são os grandes organismos internacionais. Sua unidade de ação só pode ser apreendida de fora por quem esteja ciente das sutilezas da luta cultural, infinitamente mais complexa do que o velho confronto aberto de partidos pró-comunistas e pró-capitalistas.

Uma vez captado o fio da meada, torna-se fácil rastrear as forças em jogo, desde a confusão aparente dos debates públicos até a sua origem comum em escritórios de planejamento estratégico invariavelmente ligados à ONU e a certo número de fundações bilionárias que lhe estão associadas, bem como a alguns Estados nacionais que, discretamente e não sem ambigüidades, dão respaldo ao processo. Não há hoje uma só ?causa?, um só slogan de luta revolucionária ou de ?transformação social? que não tenha se originado em comitês técnicos e consultivos fora de todo controle popular e eleitoral, sendo em seguida espalhado pelas várias nações como produtos espontâneos do movimento histórico impessoal, se não da providência divina. Revolta feminista, abortismo, quotas raciais, movimento gay, revolução agrária, indigenismo, ecologismo, antitabagismo, liberação das drogas pesadas todas as bandeiras de luta que se agitam no mundo podem ser rastreadas desde o cenário público até sua origem discreta nos círculos do internacionalismo iluminado. E para disseminá-las não há somente as ?redes?, estendendo-se até o infinito, mas todo um sistema burocrático milionário: a ONU tem mesmo cursos universitários para formar técnicos em ?criação de movimentos sociais? no Terceiro Mundo. Movimentos populares espontâneos, é claro, e por espontâneo milagre harmonizados na concepção integral de uma nova ordem da civilização.

A bibliografia a respeito traz documentação mais que probante, mas, protegida pela indolência intelectual das massas, levará alguns séculos para se tornar objeto de conhecimento comum. E então a Humanidade já não terá interesse em conhecer sua origem: pois será a ?Humanidade nova?, embriagada da ilusão de haver-se criado a si mesma pela força espontânea do progresso e das luzes.

sábado, maio 21, 2005

("I found that essence rare") - Minha descoberta racional do conservadorismo

Novo texto meu no Mídia sem Máscara:

Eis abaixo o texto integral: com o título original - uma citação de música da "Gang of Four" (que se diziam socialistas...) uma homenagem às avessas e mais a citação da paralaxe cognitiva com seu criador, Olavo de Carvalho...
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"I found that Essence Rare" - Minha descoberta racional do conservadorismo

Sempre imaginei o ser humano como resultado concreto e final de um exercício de criação divino.

Isso pode ser um pouco religioso ou metafísico demais para um mundo que se acostumou a nivelar tudo por baixo, que simplesmente finge que o que não entende "não existe", mas é ainda a melhor explicação para o ser humano.


"Melhor" por quê? Oras porque não somos de maneira alguma "animais". Talvez a classificação do ser humano como representante do reino animal – feita pelo próprio ser humano – seja o único caso em que a famosa "paralaxe cognitiva"* Olaviana seria de fato autêntica. Explico: o simples fato do homem ser o único ser que tem a capacidade de classificar dentro de uma estrutura racional de significados todos os outros animais o deveria colocar automaticamente fora desta mesma classificação – afinal, nenhum dos animais analisados é capaz de tal façanha. Então o homem, quando classifica todas as espécies animais em filo, gênero e espécie, se coloca evidentemente numa visão superior a todos os animais. E o faz por estar fora desta mesma classificação. Foi nada menos do que uma tragédia o fato de que ao final do processo tenha ele mesmo se auto-classificado junto aos primatas, com um título nada animador de "animal racional". Nem o cargo de "rei dos animais" nos sobrou.


Pois bem, esta percepção de que estamos acima do reino animal em todos os aspectos, menos no "construtivo", é derivada de um senso comum. E a origem deste "senso comum", descobri agora há pouco, tem a ver com uma tradição conservadora.

Encontrei num dicionário na web uma definição de “conservador” absolutamente perfeita: “é o sujeito otimista com relação ao passado e pessimista com relação ao futuro”. É exatamente isto. E ainda acrescento que o pessimismo em relação ao futuro se dá na exata percepção de avançamos no tempo perdendo a cada dia pedaços ainda maiores de nossa própria humanidade. Num futuro não muito distante talvez nem o título de animais “racionais” possamos usar. O racionalismo é conservador.

Mas de onde surge esta sensação de perda? Não é nostalgia. Para mim é o simples ceticismo que acompanha qualquer análise minimamente racional da atualidade.

Descobri que o meu modo de funcionamento era mesmo este: sempre desconfiar de qualquer explicação inovadora ou "revolucionária", daquelas tipo "esqueça tudo o que você já viu sobre...". O fato é que não dá para esquecer, não podemos partir do zero a cada pseudo revolução. Este é o ponto. Se a “novidade” é inconsistente, prefiro ficar com a última explicação.



Este é o por quê do meu apego pelo capitalismo: não é que eu morra da amores por ele (já escrevi até que o "odeio" em post anterior), mas é o único sistema econômico que funcionou até hoje. E o que mais respeitou a liberdade individual e econômica , quando atrelada ao regime democrático.


O binômio capitalismo (liberal) de um lado e a democracia de outro são dois dos pilares básicos do que eu chamaria de "realismo" político/econômico. Considero como "realismo" tudo o que se pode estabelecer como verdade absoluta ou pelo menos a coisa mais próxima dela. No caso do capitalismo e a democracia ainda têm a vantagem de serem verdades perfeitamente mensuráveis: não há outro regime que possa ser considerado mais justo e mais eficiente em produzir riquezas e gerar satisfação material às pessoas.

O fato de haver milhares de pessoas lutando por ditaduras e pela implantação de alguma forma de comunismo hoje em dia, só me faz ver que existe outras verdades absolutas: a burrice e a apatia mental dos tempos atuais são incontestáveis.


Mas faltava alguma coisa: eu tinha elementos realistas para embasar minha defesa da liberdade política e econômica mas não para um sistema de valores morais ou "humanistas", em que se baseia o conservadorismo.

Mas havia a certeza de que o binômio democracia/capitalismo só pode existir num ambiente social no qual as pessoas compartilhem a mesma visão e os mesmos valores morais. É o que chamam de sociedade de confiança.

Voegelin observou como o “senso comum” era um grande diferencial nas sociedades britânicas e americanas. Um senso comum tão arraigado que "blindou" estes países às influências mais perversas do século vinte: totalitarismo nazi-fascista e comunista. O senso comum é também a minha base de avaliação do mundo. É uma percepção intuitiva de conservadorismo.

A base deste conservadorismo não é só a “nostalgia” do passado ou a manutenção de tradicionalismos. Significa que determinados valores não podem ser colocados de lado em favor de outros "mais evoluídos" simplesmente pela razão de que a "evolução" nunca ter sido provada.


A compreensão de que minha simpatia pelo passado era muito mais do que simples "nostalgia", mas a intuição de que elas abarcavam definições muito mais completas e complexas da própria humanidade, veio com o estudo dos filósofos clássicos.



A isto eu devo imensamente ao meu mestre Olavo de Carvalho: antes de tudo Olavo é um grande divulgador da tradição filosófica conservadora, traçando uma linha que vai dos antigos gregos até o judaísmo-cristianismo. Ao conhecer a história do pensamento filosófico, acabei por conhecer os fundamentos teóricos do conservadorismo.

Com isso pude enfim somar mais um sustentáculo – o mais importante – ao edíficio do capitalismo liberal e democrático. Sem uma base de defesa de valores conservadora, o edifício não se sustenta.

No mundo de hoje, isso é especialmente dramático.pois o curso do pensamento conservador acabou assoreado por toneladas de relativismos, pós-modernismos entre outros, que transformaram a filosofia num grande supermercado de idéias, sem que nenhuma contradiga outra.

Os tempos atuais avançam até para dizer que o conservadorismo, o realismo não passam de mais um relativismo...

Tomo como exemplo a obra do "filósofo" Charles Feitosa "Filosofia com arte" em que sob o capítulo "vantagens e desvantagens do relativismo" afirma que o realismo ( e os realistas) querem impor a "sua" visão a todos os outros. Cita como exemplo de "realista" o nacional-socialismo alemão... Do outro lado temos o relativismo, que é uma maravilha, pois "respeita" a todos os tipos de pensamento..

O autor só não explicou como "realistas" puderam relativizar até mesmo a existência de seres humanos como fizeram nazistas e comunistas...

Para finalizar: a descoberta da tradição filosófica na qual se baseia o conservadorismo foi para mim como se encontrasse, no fundo de uma caverna esquecida, um tesouro, uma essência rara. Nossa obrigação é a de guardar e espalhar esta boa nova às novas gerações.

*- “paralaxe cognitiva” é o fenômeno pelo qual o observador se coloca fora do campo de ação do fenômeno “universal” que pretende explicar. Exemplos: Marx explicando que à classe trabalhadora e não à burguesia pertencia o futuro da humanidade (Marx era um burguês); Maquiavel defendendo que o príncipe deveria em primeiro lugar eliminar os seus apoiadores e influenciadores, dando a entender que ele mesmo, Maquiavel, deveria ser uma das primeiras vítimas de sua invenção.

terça-feira, maio 17, 2005

2+2 são cinco!!!

Marcelo Amorim, num artigo demolidor, compara matematicamente a ditadura castrista e o regime militar no Brasil:
"A ditadura de Fidel, tão defendida pelos intelectuais socialistas brasileiros matou, em 50 anos, aproximadamente 17000 pessoas (segundo organizações que defendem os direitos humanos). Sendo a população cubana de 11 milhões de habitantes, pode-se dizer que a cada 1000 pessoas, mais de 1 foram mortas pelo governo totalitarista da ilha caribenha".

Chega à conclusão:
"Por que, então, os nossos acadêmicos continuam defendendo o regime de Castro? Porque num país de ignorantes como o Brasil, fazer parte da elite intelectual não quer dizer ser inteligente, basta ser menos inepto que a média.(..)Nossos intelectuais são forjados no exterior, e adoram seguir modismos, principalmente europeus. Um continente que, em menos de um século, foi berço do fascismo e do comunismo, não pode ser considerado o nascedouro ideal de idéias libertárias".

Vou ainda mais longe, meu caro Amorim, se a matemática é "reacionária", ainda vão criar uma versão politikamente korreta da mesma. Seria algo como multiplicar é burguês e egoísta enquanto dividir é "do bem", já que presume uma igualdade, uma divisão igualitária...
Imagine então a exponenciação: coisa de capitalista selvagem!!

segunda-feira, maio 16, 2005

Olavo de Carvalho sobre o Fórum da Liberdade

O mais recente artigo do Olavo na ZH, sobre o fórum da liberdade, "Mico Rápido", que reproduzo abaixo, tece o mesmo comparativo entre Oded e Betinho que escrevi no meu post de 04 de maio : uma feliz coincidência de pontos de vista! :)
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"Mico rápido
OLAVO DE CARVALHO/ Filósofo

O 18º Fórum da Liberdade parece ter obtido até mais repercussão do que os anteriores, mas o desequilíbrio continua: nem em recursos financeiros, nem em apoio oficial, nem em espaço na mídia nacional e internacional, o corajoso empreendimento de um pequeno grupo de empresários gaúchos liderados por Jorge Gerdau pode competir com o show bilionário do Fórum Social Mundial.

Também não se compara com ele no espírito e na conduta: o FSM é uma apoteose de autoglorificação socialista que não dá a mínima chance para vozes discordantes, enquanto o Fórum da Liberdade leva a liberdade a sério e, organizado por liberais e conservadores, faz questão de convidar sempre seus adversários esquerdistas para que ali digam o que bem entendam ou - como é de seu costume - não entendam.

Não é de hoje que os pobres repartem seu pão enquanto os ricos lambem até as migalhas para não deixá-las a ninguém. A única novidade é que, na farsa pirandelliana da mídia brasileira, a pletora de dinheiro global do FSM, suficiente para entupir toda uma rede de propinodutos, posa oficialmente como representante dos pobres e oprimidos, enquanto a modéstia dos recursos inteiramente locais do Fórum da Liberdade personifica a odiosa classe dominante internacional que explora e suga os coitadinhos.

Desta vez, por exemplo, coube a mim, cujos bens somam dois hidrolotes na Ilha Comprida e um cartão de crédito estourado, representar o opressor capitalista contra a massa dos humilhados e esfarrapados que ali se materializou na pessoa do senhor Oded Grajew.

O senhor Grajew é aquele empresário que, condoído de que os esquerdistas tivessem de se virar com os lucros das Farc e do MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria, do Chile), com as contribuições da Comunidade Européia, da ONU, das fundações Rockefeller, Ford, MacArthur e George Soros, além dos dízimos do PT e incontáveis subsídios federais, criou o Instituto Ethos para socorrê-los em tão difíceis circunstâncias, juntando para isso o apoio de mil empresas, a quarta parte do PIB, e tornando-se destarte a encarnação viva da bondade socialista no mundo cruel e desumano do mercado.

Com regularidade notável, o Brasil produz a cada geração um novo empreendimento dessa ordem, condensando-o simbolicamente na figura de um benfeitor carismático que, até ser esquecido por completo, consta para todos os fins como o ápice das virtudes humanas. Antes era a Campanha do Betinho. Agora é a Campanha do Odedinho.

A sigla "Ethos" parece que quer dizer, no idioma luliano, "Êu Tamêim Hezíjo Os Subzídiu".

Entre outras iniciativas meritórias, a organização que leva esse nome distribui às empresas brasileiras um educativo formulário que lhes permita avaliar se estão em dia com as exigências da moral politicamente correta ou se permanecem em pecado, distribuindo empregos pela ordem de chegada dos candidatos em vez de fazê-lo, como é decente, pelos critérios odédicos de raça e predileções eróticas.

À estupefata platéia do Fórum, o senhor Oded explicou que as eleições brasileiras são viciadas pelo financiamento privado das campanhas, que favorece os candidatos direitistas. Indagado pela mediadora Ana Amélia Lemos sobre como então o candidato esquerdista apoiado por ele na última eleição presidencial conseguira obter a maior quantia em dinheiro de campanha - não havendo mesmo candidatos direitistas para embolsar contribuições por mínimas que fossem -, o senhor Oded não julgou que isso fosse assunto digno da sua atenção.

Convocado a debater com ele, não pude no entanto explicar ao palestrante o que pensava de seus atos e opiniões, já que, após expor à platéia os méritos inumeráveis da sua campanha e as maldades do capitalismo, o referido se ausentou instantaneamente do plenário do Fórum, alegando compromissos súbitos e optando assim pela forma mais rápida e indolor de pagar o mico".

quinta-feira, maio 05, 2005

O Fórum Social da Liberdade Econômica

Estou escrevendo sob o calor do que vi e ouvi durante os dois dias do Fórum da Liberdade aqui em Porto Alegre. Evento com foco no liberalismo econômico e que se tornou uma espécie de contraponto ao Fórum Social Mundial.

Neste ano – não assisti aos anteriores – tivemos novamente a variedade ideológica como tônica.

No evento de abertura, com o tema “O Futuro do Trabalho”, César Maia, Ricardo López Murphy (ex-ministro da economia da Argentina) e Roberto Freire formavam uma estranha trinca num evento liberal. Quando ouvi Freire afirmar que o “neo-liberalismo já tinha sido implantado sem sucesso em toda a América Latina”, dei meia volta. Compreendi que tinha coisas mais importantes a fazer. César e Freire estavam fazendo o óbvio num ano pré-eleitoral como este, aproveitando todo o espaço disponível para ocupá-lo. Faltou ainda Geraldo Alckmin que acabou não comparecendo no evento de abertura (compensado no dia seguinte).

No segundo dia acompanhei com interesse as exposições de Gianetti e Jorge Gerdau sobre a natureza auto-realizadora do trabalho. Gianetti salientou o estrangulamento pelo excesso de regulamentação e carga tributária em que a iniciativa privada se encontra no Brasil.

Em outra palestra, o embaixador americano John Danilovich, abusando da diplomacia, se derramou em elogios ao governo Lula, acreditando que as negociações da Alca se concretizarão em acordos de promoção efetiva do livre comércio entre todos os países da América Latina e o Estados Unidos.

O próximo painel foi o mais importante para mim: Olavo de Carvalho, Oded Grajew e o economista indiano Suri Ratnapala. O professor Suri surpreendeu com a defesa firme (Lockeana, por assim dizer) dos contratos de trabalho livremente estabelecidos entre empregados e empregadores em contraposição às estruturas estatais ou culturais que privilegiem o “status quo”. Descreveu também como a globalização e a imigração mudaram a face do trabalho na Austrália (onde mora) de modo muito mais positivo do que as preocupações das associações de classe / sindicais poderiam prever. Explicou que tentar manter uma sociedade estática é a pior alternativa à globalização.

Depois disso, tivemos a explanação tati-bitati do criador (auto-intitulado) do Fórum Social Mundial, Oded Grajew, de como os malvados capitalistas deveriam a ajudar a minimizar os efeitos de seu mal dando dinheiro para sua Fundação Ethos implantar o controle externo nas empresas pelo programa de “responsabilidade social”. Ante a perplexidade da platéia com as conclusões primárias que emitia a partir da apresentação de estatísticas sobre a desigualdade social brasileira, comunicou ao final, que não poderia ficar para o debate pois tinha agenda comprometida. Levou na hora uma pergunta de Olavo de Carvalho sobre quais seriam o financiadores do FSM. Ignorada pelo palestrante.

Ao final tivemos Olavo de Carvalho, que desnudou o que as ações e estratégias apresentadas por Grajew são e o que representam na realidade.
Foi o mais aplaudido do dia.

É claro que não há que negar a importância de um evento como este. Como ressaltado pelo Lucas Mendes em sua coluna, existiram muitas coisas positivas nesta edição do Fórum. Como em todas as outras já realizadas.

Mas eu me senti estranho. Alguma coisa não fechava por ali. Aquele ambiente de debates não pertencia ao Brasil real. Se estivéssemos na Inglaterra, seria natural haver um ambiente de debates “plurais” como este, pois estaria inserido numa sociedade democrática na qual as forças em questão têm um equilíbrio.

Não é o caso do Brasil. Os eventos do Fórum aconteceram na mesma semana que o governo federal, por exemplo, divulgou a sua cartilha com os termos da língua portuguesa que devem ser evitados em conversas, jornais , revistas e na mídia em geral por serem “preconceituosos”. Alguns meses antes este mesmo governo federal foi envolvido em denúncia de que as Farc doaram recursos para campanha de Lula publicada em matéria de capa da revista Veja.
Alguma coisa destas foi comentada no Fórum? Não.

O Fórum da Liberdade, desde o seu nascimento , sempre teve como tema principal a defesa da liberdade econômica. Isto deve mudar. Estamos no meio de uma guerra não declarada aos valores tradicionais como moral, ética e até da própria língua, portanto não podemos nos ater somente aos temas econômicos. É preciso fazer a defesa dos valores conservadores.
E tirar da tribuna os esquerdistas. Eles já tem espaço demais em nossa mídia.

Sem isso, o Fórum pode ser classificado como um sofisticado programa de “redução de danos” que o socialismo impinge aos liberais deste país: com o arremedo de debate democrático podemos fingir, durante alguns dias, que o confronto de idéias ainda é possível. Isto nos faz aturar estoicamente a dominação esquerdista do país de modo homeopático. Tal qual o programa de redução de danos original, que não tem o objetivo de livrar o individuo das drogas, mas apenas de minimizar os seus efeitos no usuário, o Fórum da Liberdade não pretende combater o esquerdismo dominante.

A minha opinião é de que esta postura acaba criando um sentimento ambíguo no espectador. Enquanto Grajew saiu de fininho do Fórum, sendo acusado de fugir do debate, na vida real ele é o único vencedor, pois seu instituto leva contribuições das maiores empresas do país. Ao vencedor do debate – Olavo de Carvalho – a realidade brasileira conduz à outro destino: está deixando o país, definitivamente.

quarta-feira, maio 04, 2005

Grajew, o "Betinho" do novo Milênio???


Nos anos 90 dois movimentos tomaram conta do noticiário político e cultural no país: o movimento de “ética da política” e a campanha da fome do Betinho.
Não é necessário dizer que os dois movimentos “espontâneos” tiveram a mesma origem político-partidária. Foi a entrada em cena triunfal do elemento gramsciano de hegemonia cultural dentro da estratégia de tomada do poder pelas esquerdas.

Herbert de Souza, o Betinho, foi o personagem criado especificamente para este fim. Soro positivo e em pleno desenvolvimento da doença, parecia perfeito para liderar a campanha do fome zero. Quem poderia ser contra tal campanha tendo o Betinho à frente? Pois foi exatamente por causa de seus excepcionais atributos que foi destacado pelo partido para esta grandiosa, mas segura missão no ocaso de sua existência.
Por qual outro motivo Herbert, que nunca demonstrou interesse outro que não pela política, teria tomado tanto gosto pelas ações sociais e filantrópicas?

Pois bem, a campanha foi um sucesso. Betinho quase foi canonizado. A vitória do novo partido-príncipe teria sido completa em sua dominação de corações (campanha da fome) e mentes (campanha da ética na política) se este movimento de pinça social tivesse agarrado o seu merecido prêmio em 1994: a presidência da república. Mas aí tivemos FHC...

Corte: 2005. Fórum da Liberdade. Assisto à apresentação de Oded Grajew e suas crias, o movimento da “responsabilidade social das empresas”, o instituto Ethos e seu mais famoso rebento , o “Fórum Social Mundial”.

Com tal currículo era de se esperar alguém com um comentário crítico dos conteúdos econômicos e estruturantes desenvolvidos no fórum , como desregulamentação, flexibilização e mercado de trabalho. Nada disso: Oded levou ao fórum um conjunto de platitudes e declarações bobocas, acompanhadas de conclusões simplórias a partir de dados estatísticos mostrados em telão.
Enquanto no site do Ethos é possível encontrar justificativas mais articuladas a estas políticas (“Falar em pobreza é argumentar sobre a incapacidade de uma sociedade de assumir como tarefas cívicas obrigatórias a redução das desigualdades, o aumento das oportunidades e a redistribuição das riquezas. Hoje o problema não está em descobrir o que causa e está em descobrir o que causa e gera pobreza, mas em identificar os múltiplos fatores, sejam culturais, econômicos ou sociais, que estão impedindo sua
erradicação -- e agir sobre eles" ) é estranho que o “dono” da idéia não possa fazê-lo com mais propriedade.

Mas isso não muda o cerne principal: a tal “responsabilidade social” não passa de um conjunto de ações pretensamente compensatórias, auto-impingidas pelas empresas, para “corrigir” todo o mal que o capitalismo, este malvado, impõe à sociedade.

Novamente aqui temos o mesmo “movimento das tesouras” - articulado exatamente como no caso da ética+fome dos 90: de um lado, após décadas da denúncia de que o capitalismo “selvagem” amplia o fosso social no Brasil, as empresas e empresários acreditam mesmo que são os vilões da história. De outro a tática da “responsabilidade social” faz os mesmos empresário buscar a redenção aos seus “pecados” nas mãos do seu maior algoz: Grajew também é o criador do Fórum Social Mundial. Esta informação final dá profundidade e dramaticidade ao cenário.

Mas algo não fecha: como protagonista principal, Oded parece vacilante demais. Não parece estar à vontade no papel.
Relembrando Betinho, cheguei finalmente a conclusão final: Grajew não “criou” nada disso. Ele apenas foi o escolhido pelo partido para ser o homem de frente de um plano previamente traçado. Digo por que:
O responsável por um programa como o de “responsabilidade social” teria de ser um empresário. Nenhum capitalista iria investir um dólar furado numa iniciativa estatal. Oded foi escolhido por seu perfeito “phisique du role”.
Idem ao Fórum Social Mundial: com a “idéia” partindo de Grajew, o partido “lava as mãos” pela sua criação.

Ou seja, tenho os elementos para acreditar que estamos diante, não de um empreendedor ousado e persistente, mas de um funcionário, um agente destacado pelo partido para desempenhar um papel preciso: emular um capitalista preocupado e dedicado à tarefa de conter a “barbárie” globalizante.

Sua fuga ao término da exposição no evento do Fórum da Liberdade, quando por razões de agenda evitou debater com Olavo de Carvalho, confirmaram minhas suspeitas: Exatamente como Betinho há dez anos, Grajew não passa de mais um “laranja” do PT.

terça-feira, abril 19, 2005

Porque odeio o capitalismo

Hoje eu faço uma revelação bombástica: odeio o capitalismo!!

Reconheço que a crítica da esquerda contra o sistema capitalista é completamente justa.

Realmente, o capitalismo foi um filhote bastardo da escravidão: direta ou indiretamente foi gerado pelos excedentes mercantilistas baseados no tráfico de escravos ou no uso intensivo de mão-de-obra escrava.

Concordo que a gênese do capitalismo se deu com a exploração de seres humanos em trabalhos ultrajantes, que se mantém até hoje ainda em muitos lugares no mundo.

Não nego que a geração de riquezas no capitalismo é sempre desigual, aumentando a distância entre os ricos e os mais pobres.

Tenho consciência de que na essência, o capitalismo acaba por destruir os valores familiares/tradicionais, fazendo as pessoas esquecerem de Deus e -por exemplo - se voltarem a bobagens como celulares com tons polifônicos e TV a cabo com 150 canais;

É inegável que aliado ao seu co-irmão, a democracia ocidental, o capitalismo consegue aumentar ainda mais seu poder de destruição, pois dar a pessoas consumistas e superficiais o poder de escolher os seus próprios governantes é quase suicida.

Além de tudo, o capitalismo deforma os valores culturais, massificando o que é medíocre e eliminando o essencial, em função da uma tal “vontade popular”.

Por fim, o meu ódio ao capitalismo se dá por causa de uma última razão: vamos ter de conviver com ele por muitos e muitos séculos ainda. Sou obrigado a reconhecer que ele é o único sistema econômico que deu certo (até hoje). E não foi por falta de tentativas.

Como teria sido bom que a experiência comunista tivesse dado certo em sua tentação em recriar o ser humano em novas bases. O surgimento do novo homem, o homem social, o homem-coletivo ou qualquer que fosse seu nome, pensando em seus irmãos e em sua espécie mais do que em si mesmo teria sido perfeito. Teríamos acabado com o egoísmo. Nem precisaríamos mais nem de Deus a nos ajudar.

Como teria sido bom também que as ditaduras teocráticas tivessem dado certo em sua luta para obrigar o homem a louvar a Deus. Espontâneamente. Nada pode ser mais ofensivo do que, digamos, um muçulmano exibindo orelhas de Mickey Mouse!!

Como seria bom se tivéssemos ao menos ditaduras onde ao invés de nos queixarmos da programação decadente da tv tivéssemos o poder de proibir o que pudesse ou não ir ao ar.

Enfim tudo isso poderia ter dado certo, e olha que não se pode dizer que não tenhamos tentado o bastante. Cem milhões de seres humanos acredito que seja o suficiente para provar o erro... Posso dizer que tudo poderia ter dado certo... Se não fôssemos simples humanos.

Ah! Os seres humanos, pregando o desapego e a justiça em retórica brilhante, para no momento seguinte proceder exatamente ao contrário em causa própria.

Tudo poderia ter dado certo... Se não tivessem estas coisas gerado injustiças ainda muito maiores do que aquelas contra as quais se levantou. Temos que reconhecer a natureza humana do jeito que ela é. Isto é mais do que um reconhecimento, é uma rendição incondicional. O binômio democracia-capitalismo é o melhor sistema já inventado pelo homem. É desigual sim, mas gerar riquezas ainda é melhor do que distribuir miséria.

O pior desse sistema é saber que nós mesmos somos responsáveis por nossos atos, pela educação de nossos filhos (e não a televisão, por exemplo) e que temos que tomar decisões todos os dias, todas as horas sobre o que é melhor ou não para nós e nossas famílias. Não existem muitas facilidades.

Enfim: a vida sob a democracia capitalista é dura. Tão dura que além de batalhar o nosso pão de cada dia (que não anda nada fácil) e da educação de nossos filhos, temos que zelar para manter à distância aqueles que podem acabar com tudo isso: os estatólatras, que só sabem pensar o estado como o “bem-feitor” e o condutor da sociedade (subtraindo do indivíduo esta qualidade) e os metacapitalistas que querem monopolizar os mercados (e nossas possibilidades de escolha) em troca de benefícios com os primeiros.

Enfim isto é o que mais odeio no capitalismo: temos de tentar salvá-lo até dos próprios capitalistas, que ao tentar congelar sua posição no mercado acabam se aliando estratégicamente aos profetas do estado-grande. Enquanto ficam eles neste fausto convescote, nós ficamos com o desemprego, sub-emprego, os altos impostos e a falta de segurança.
Nossa única esperança é continuar lutando para fazer a democracia-capitalista-liberal ser implantada algum dia, pelo menos em nosso país. E a luta, em face de todas estas dificuldades é longa.

Ah, como eu odeio o capitalismo...