quinta-feira, janeiro 20, 2005
Até a última bala...
Se para ser diplomata nem é necessário saber língua estrangeira, bastando ter “caspa nos ombros”, para a segurança pessoal o governo Lula caminha para a mesma linha minimalista-suicida.
Desde o ano passado é proibido à população em geral a posse de qualquer arma de fogo, conforme previsto no “estatuto do desarmamento”. Assim mesmo, foi concedido a possibilidade de posse de armas para casos especiais (militares, seguranças, entre outros). Pois bem, agora nem mesmo os casos em que se libera a posse de armas terão assegurado o seu direito à segurança: foi aprovado um outro decreto que limita a posse de munição a, pasmem, cinquenta projéteis ao ano!!!
Quer dizer que o governo federal definiu o número máximo de bandidos – aos que ainda podem portar armas – contra os quais podem se defender. Aos bandidos, sabendo exatamente quem tem posse de armas, cabe contar. Ao final do quinquagésimo disparo, podem enfim praticar impunemente seus crimes.
Uma notícia tão aterradora, até kafkafiana, para o meu espanto ainda maior, recebe um tratamento completamente amorfo e anódino de nossa imprensa e opinião pública.
Além de impedir a completa possibilidade do cidadão proteger o seu patrimônio, a sua vida e a de sua família,somos brindados ainda com o impossibilidade de usá-las, caso sua posse seja concedida.
Este é ou não é um prenúncio de algo maior? Qual seria a intenção de um governo que impede, primeiro pelos meios constitucionais – não atacando o crime organizado, liberalizando os critérios de concessão de condicionais, descriminalizando o tráfico de drogas, tudo dentro de um rótulo de “debate com a sociedade” em que se faz tudo, menos debater com esta sociedade – depois pelos meios ilegais e de intimidação do indivíduo – estatuto do desarmamento – a possibilidade mínima da sociedade ser defendida e de se defender por conta própria?
As possibilidades de realização de um governo que tem o congresso nas mãos, o controle do judiciário e a garantia de não-reação popular são infinitas.
A nossa última garantia contra um governo autoritário seriam os militares. O problema é que eles estão anestesiados, esperando a Amazônia ser invadida pelos americanos.
O que resta? Se houver mesmo um avanço do governo federal nesta direção – a de um totalitarismo “light” à la Chavez, que vai se endurecendo gradativamente – não há chances dentro de uma estrutura legal. A definição do que é legal ou permitido vai ser continuamente encolhida, até que estejamos fora da sua linha demarcatória. Restarão então três saídas: a resistência compulsoriamente “ilegal” ou a saída do país.
Ah, esqueci da terceira. Esta é mais simples: é uma sugestão a todos aqueles que ainda tem a possibilidade de usar armas de fogo de que não gastem todos os 50 projéteis de sua “libreta de racionamiento” de munições. Guardem esta última bala. Ela pode ser o passaporte para a única saída possível.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Presidente revela nova regra para diplomatas no Brasil: sai o inglês, entra o "caspa? Eu??"
O ministro Celso Amorim foi escolhido como titular do Ministério de Relações exteriores do Brasil “porque tem caspas sobre os ombros e isto é povo”, proclamou o Presidente da República.
Recomendo urgentemente aos laboratórios locais que coloquem no mercado o produto definitivo para os aspirantes à carreira diplomática: um xampu "pró-caspa".
Mas sem instruções em inglês, plís!
terça-feira, janeiro 18, 2005
Pedro Bial e Olavo de Carvalho
"Eu gosto de algumas pessoas que até tenho medo de dizer e ser apedrejado... Por exemplo, acho o Olavo de Carvalho da maior importância, ele às vezes diz coisas que têm de ser ditas."
Nunca gostei muito deste cara, ainda mais sendo apresentador da coisa mais chula da TV brasileira que é o BBB.
Mas o cara assumir que gosta de Olavo de Carvalho, tem de ter peito...
Pontos para ele. Mas ainda está no vermelho...
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Quem anda linkando o "nadando"
Uma das coisas que me chamou a atenção é a audiência portuguesa ao meu blog. Muitas páginas dedicadas ao liberalismo de além-mar tem meu blog linkado a elas.
Descobri agora um Site em francês sobre blogs portugueses , que coloca o "nadando" entre os melhores blogs na lingua de Camões.
Segundo eles "Voici le TOP BLOG Portugalmania, dans lequel figurent les blogs portugais jugés de qualité"
Só tem de explicar que o meu blog é em português mas não é de Portugal, ora pois!!!
Mas os co-irmãos do lado de lá do Atlântico são sempre bem-vindos....
Novo Blog: Livre Pensamento
Muito bom!
O Luiz faz - na apresentação do seu blog - uma definição bem clara dos assuntos a tratar: nada de assuntos pessoais, somente dissertação sobre o foco de atenção - a disseminação dos conceitos liberais em economia, mais cultura e filosofia.
Admiro quem consegue fazer esta diferenciação: eu fico mais á deriva, assuntando o que me vem à mente.
Como os leitores devem perceber os assuntos pessoais acabam aflorando por aqui de vez em quando.
Mas só a pontinha do iceberg, de modo a torná-los uma pouco mais abrangentes.
Outra coisa que me chamou a atenção é que o meu blog (com as devidas autorizações, certo) está linkado como "Nadando contra a maré vermelha:liberalismo e bom humor"...
Nunca tinha pensado que meus escritos eram bem-humorados.
Eu, que imaginava meus últimos posts meio lima-limão (aquilo que começa docinho e depois deixa um sabor amargo persistente ao final), que bom que alguém tenha encontrado algum bom humor debaixo do ácido....
domingo, janeiro 16, 2005
Novo Blog do Caio Rossi
E começa bem!!
evanessenciaS: "
Trechos da primeira aula do Curso de Filosofia do
professor Olavo Carvalho em POA
21 de agosto de 2004, sala 07, sede da Advb, Porto Alegre
Partes removidas: [...]
Meus comentários inseridos: [ ]"
O Cristão e o Tsunami
No fundo, no fundo, lá no fundinho mesmo, a esperança de todo ateu é de que Deus seja muito mais misericordioso do que admitem os crentes. E é isso que os mantém vivos.
O mais interessantes são os comentários de ateus e cristãos , principalmente sobre o Tsunami Asiático.
Uma delas diz que os cristãos, por força de sua crença, teriam de ser protegido pro Deus da fúria do Tsunami.
Ou que curasse membros amputados de cristãos.
Eu sou menos exigente: se Deus pelo menos concedesse aos cristãos que não tivessem os pneus de seus carros furados numa noite de chuva no meio do nada, estava bom.
Mas o ponto não é este: para mim Deus não é o gênio da lâmpada com pedidos ilimitados. Quantos cristãos foram atirados aos leões durante o Império Romano?
Aliás do que adiantaria salvar alguns cristãos de uma morte trágica se a morte ainda lhes seria garantida, em qualquer ponto no futuro?
O compromisso de Deus para com a vida eterna em quem acredita em suas palavras vai bem mais longe do que isso. A morte não é um obstáculo a ela, para quem a entende. Mas também não é um caminho para ela.
Deus pode estar agindo sim nestas manifestações de ferocidade natural dos últimos dias, mas não terá como "salvar" todos os cristãos de cada parte afetada do globo. A salvação será garantida de outras maneiras...
Então, o jeito é cada um resistir às intempéries como pode...
sábado, janeiro 15, 2005
Língua Inglesa (Editorial Estadão)
infantil do anti-americanismo que domina as discussões sobre a
política externa do governo Lula.
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EDITORIAIS O ESTADO DE S.PAULO
Quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
O fator 'senso de ridículo'
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, diz que a
decisão de excluir o inglês das provas eliminatórias para ingresso na
carreira diplomática pretendeu remover um "fator elitista". Segundo o
chanceler, "foi uma decisão democratizante" porque a exigência
favoreceria candidatos ricos e filhos de diplomatas - como se milhões
de jovens brasileiros que não são uma coisa nem outra não precisassem
estudar inglês, e não o estivessem fazendo, para subir na vida.
Doravante, no exame de admissão para o Instituto Rio Branco (IRB), o
inglês apenas contará pontos, a exemplo do francês e espanhol. Diz
mais o ministro: "Prefiro um diplomata que conheça bem o português e a
história do Brasil a outro que saiba falar bem o inglês. Qualquer um
pode aprender uma língua em três anos."
Se assim é, o conhecimento de idiomas estrangeiros deveria ser
simplesmente banido do vestibular para o curso que forma os quadros do
Itamaraty, transformando-se o IRB numa escola em boa parte dedicada a
ensinar línguas - quando de seu currículo, de nível de pós-graduação,
fazem parte disciplinas que desde logo exigem razoável familiaridade
com os principais idiomas, a começar do inglês, em que está redigida a
literatura a ser dominada. E o que dizer da esdrúxula antinomia, de
duvidosa boa-fé, produzida pelo chanceler? Desde quando os diplomatas
brasileiros se dividem entre aqueles que conhecem bem o português e a
história pátria e os que falam bem o inglês? O que impede que nossos
diplomatas exibam todos esses predicados?
Haja disciplina profissional para considerar tais argumentos
coisa séria antes de rebatê-los.
Este jornal critica freqüentemente o prisma ideológico que
passou a orientar a diplomacia brasileira no governo Lula, a começar
pela diplomacia comercial. Nesse caso, há um confronto de posições
diante de uma questão substantiva. O Estado condena o anacronismo da
linha terceiro-mundista da atual política externa que voltou aos
tempos do "pragmatismo responsável" do governo Geisel, inventado pelo
chanceler Azeredo da Silveira. De todo modo, trata-se de um debate de
idéias. Já em relação ao tema deste comentário, qualquer coisa que se
pareça com uma discussão de fundo é flagrantemente impossível. Pois o
que acabou de fazer a cúpula do Itamaraty, a partir de um
indisfarçável antiamericanismo, movido, por sua vez, a complexo de
inferioridade, foi demonstrar ter perdido o senso de ridículo. É
assustador.
Deixar de exigir dos aspirantes ao serviço diplomático uma base
em inglês, que, antes de mais nada, lhes permita se prepararem
adequadamente para as funções que os esperam, sugere algo
inconcebível: que os responsáveis pela tacanha iniciativa ignoram que
de há muito o inglês substituiu o francês como língua franca das
negociações internacionais - para não mencionar a universalização do
uso do inglês nas ciências e na atividade econômica. Pergunte-se aos
chineses - de quem Lula e Amorim ingenuamente tanto esperam -- qual o
idioma mais exigido de seus diplomatas, profissionais liberais,
pesquisadores e empresários. A China, que sabe muito bem quais são os
seus interesses, não comete patriotadas do gênero. No Chile, o governo
socialista quer que toda a população entenda inglês falado e escrito
no prazo de uma geração.
Essa manifestação de nativismo ressentido não é a primeira na
gestão do chanceler Amorim e do idiossincrático secretário-geral
Samuel Pinheiro Guimarães, cuja aversão a tudo que lembre os Estados
Unidos tem todos os sintomas de uma paranóia. Em 2003, quando
Washington passou a exigir a tomada de fotos e digitais de cidadãos de
numerosos países, entre os quais o Brasil, no desembarque em
território americano, o Itamaraty reagiu como se a Nação tivesse sido
afrontada e levou o governo a dar o mesmo tratamento aos naturais da
América aqui chegados. Amorim previu que isso induziria os EUA a
receber os brasileiros da mesma forma que os portadores de passaportes
cujas nacionalidades os dispensam de visto de entrada (o que não é o
nosso caso). Obviamente, nada mudou - e o Brasil apenas conseguiu
provar a sua desimportância para os gringos.
Mas, o pior é que, à parte o caráter infantil dessa retaliação
e a ridicularia do rebaixamento do inglês no exame do Rio Branco, não
se pode negar a coerência do Itamaraty. Todas as suas decisões estão
impregnadas da mesma visão irrealista das relações internacionais e do
papel que o País será chamado a desempenhar na ordem mundial.
terça-feira, janeiro 11, 2005
Os Mestrandos "skinheads"
Entre as muitas anomalias da universidade brasileira - escrevi então - estão os mestrandos quarentões. Aquela iniciação à pesquisa, pela qual o candidato deveria optar tão logo terminasse o curso superior, é adiada para uma idade em que do acadêmico já se espera obra consolidada. Pior mesmo, só os doutorados de terceira idade. Marmanjos de cinqüenta e mais anos, em idade de aposentar-se, postulando um título que só vai servir para pendurar junto com as chuteiras. (...) Mestrado não é para carecas.
Tem de se analisar a questão sob um ponto de vista mercadológico. Acredito que nem todas as pessoas que cursam um mestrado pretendem apenas pendurar o troféu numa parede antes de se aposentar.
Situar que somente jovens podem cursá-lo é um exagero em minha visão. Há que situar a questão dentro do universo do mercado de trabalho brasileiro.
Existem pessoas que sempre quiseram fazer determinada especialização, mestrado mas nunca tiveram ou condições financeiras ou tempo disponível para sua consecução. Estas pessoas finalmente conseguem a união destas condições em uma idade avançada. Fazer o quê? Abandonar um objetivo acalentado durante décadas pelo motivo da idade?
Outro questionamento é se a busca pelo conhecimento é um fim em si mesma ou deve gerar obrigatóriamente um retorno para a sociedade? Seria bom que fosse, mas o fato de haver mestrandos em idade provecta não significa que não haverá pesquisa.
As restrições do mercado é que podem produzir aquelas pérolas citadas como o fato de haver motorista de táxi com pós-graduação e ascensorista com ensino superior. A falta de empregos na mesma taxa de crescimento da população gera processos de seleção cada vez mais Darwinistas, cada vez mais excludentes. Isto gera critérios absurdos de desempate na luta pelo emprego, "diferenciais" como "porteiro com conhecimento em word e excel" acabam desempatando os processos de seleção mais acirrados.
A falta de um mercado vendedor de empregos é a "mãe" de todas as distorções. E isto só se resolve com políticas econômicas liberais.
Esta mesma falta de vagas, agora para os recém-formados faz com que inúmeros talentos para a iniciativa privada escolham desperdiçar anos em cursos de pós-graduação e mestrados em que não tem a mínima intenção de se aprofundar, somente para ganhar mais títulos para eventuais critérios de "desempate" numa futura dsiputa por um lugar ao sol no mercado de trabalho.
De qualquer forma, para evitar o rótulo de "mestrando careca" vou providenciar uma peruca quando efetivar minha intenção de complementação curricular...
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Uma pérola do Ministro da Educação
Foi reportado que não houve preenchimento até o momento de 14% da 112 mil vagas do programa Universidade para Todos (ProUni).
Um dos impeditivos é que somente são selecionados os alunos que tenham no mínimo 45 pontos (numa escala de 1 a 100) no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
O Sinistro da Educação , Tarso Genro, "se mostrou surpreso com a debilidade estrutural da educação básica no Brasil, cuja consequência direta seria a sobra de vagas no ProUni, em especial dentro do sistema de cotas."
O ministro Tarso faz parte de um governo que já está em seu terceiro ano. Tarso está há muitos meses no ministério também.
Como pode um ministro se mostrar "surpreso" com a situação do ensino médio??
Isto só pode ser uma piada!!!
O quê tem feito nestes meses no ministério?
A incompetência destes elementos só é igualada à sua retórica oca em apoio à qualquer enrolação "politicamente correta". Exatamente como o programa fome-zero se descobre que os reais problemas do Brasil passam ao largo das prioridades do governo.
Este senhor deveria ser imediatamente demitido do cargo, após tal demonstração de ignorância e incompetência.
Tsunami ou "Tsu-zilla": para Al-jazeera maremoto foi causado pelo homem, como o Godzilla
Depois das terríveis ondas de 26-12-2004, uma outra onda varreu o globo: a ajuda humanitária.
Mas para os radicais de sempre isto não conta. Preferem dar vazão à ataques sem propósito, continuando a investir tempo de esforços não na união dos povos - que seria o adequado a uma tragédia tão intensa quanto a verificada na Ásia - mas na distribuição de ódios variados.
O World Net Daily publica duas notícias interessantes nesta linha.
WorldNetDaily: Para a Autoridade Palestina, "os EUA e os Judeus causaram o Tsunami". A relação entre os eventos parece inverossímil mas seus autores conseguem a proeza de dizer que o Tsunami foi um castigo de Allah aos fiéis que se envolvem com os americanos e judeus... Se fosse assim tão simples, por quê Allah não enviou esta tragédia para Israel e os Estados Unidos, diretamente??
Outro artigo chega a ser cômico:
Al-Jazeera's tsunami conspiracy theories: Arab news service reports chatter about plots, India-Israel nuke test implicated
Desta vez o próprio terremoto que originou o Tsunami foi "fabricado" ou por testes nucleares submarinos ou por armas de pulso eletromagnético. Adivinhem que teve participação nisto? É claro, os Estados Unidos e Israel.
O artigo acima refuta uma a uma as tais "teorias" mas leva a uma questão: quando o objetivo é atacar os inimigos de sempre (EUA/Israel) quão longe irão seus detratores?
Não sei, mas lendo esta última matéria, parece-me que a inspiração destas teorias não foram a ciência mas uma outra fonte também americana:Hollywood. Em "Godzilla" de 1998, o lagartão é gerado por uma mutação genética em função dos experimentos nucleares da França no atol de Mururoa (lembram-se disto? Chirac ocupou o posto de inimigo mundial neste ano) . O bicho cresce, aparece e vai atacar.... Nova Iorque.
Estas teorias amalucadas parecem ter sido inventadas por algum roteirista de filme B. O pior é que acabam sendo veiculadas como "verdade" para uma boa parcela da população, já sofrendo o bastante com a tragédia.
Apesar de não ter atacado os Estados Unidos, sugiro que a Al-Jazeera, para ser fiel às suas teorias, se refira ao trágico acontecimento não mais como "Tsunami" mas como "Tsu-zilla"...
sexta-feira, janeiro 07, 2005
Luísa: 6 anos depois

Seis longos anos se passaram entre a primeira imagem e a segunda. E estes seis anos de experiência como pai me levaram a uma reflexão:
O que seria a vida das pessoas sem a experiência da paternidade?
Encontro muitos amigos ou conhecidos que decretam, no auge da sua juventude, que nunca irão ter filhos. Alguns vão mais adiante, dizendo que nem mesmo irão casar.
Acho tudo muito divertido, a princípio, pois estas opiniões coincidem com as de minha filha Luísa a respeito. Lulu fala que não vai casar, que não quer ter filhos e tudo mais. Para logo em seguida dizer que gostaria de uma "irmãzinha"...
Mas ela tem uma vida toda pela frente e a perspectiva sobre maternidade de uma criança de 6 anos é completamente diferente de um adulto.
Aos seis anos estamos muito preocupados com nosso bem estar imediato, colocando em primeiríssimo lugar como prioridades do dia-a-dia a aversão a qualquer tipo de dor ou mal estar. Por exemplo: estou há dias tentando convencê-la a me deixar arrancar seu segundo dente-de-leite, prestes a cair, sem o mínimo de resultado. "Vai doer papai!!" é o veredito final. Nem a fada dos dentes conseguiu me ajudar nesta empreitada...
Voltando ao ponto: me parece que a preocupação da juventude com seu próprio bem estar imediato é muito semelhante a uma criança de 6 anos. Quando vejo jovens cada vez mais preocupados com seu próprio corpo, com detalhes de sua aparência tomando cada vez mais tempo e atenção de suas vidas, não posso deixar de observar que para esta juventude hedonista, o corpo - seu e dos outros - tomaram o lugar das brincadeiras e folguedos infantis.
Nesta visão a maternidade/paternidade é por definição "deformadora": a mulher deixará de ter a sua aparência usual que poderá retornar ou não. O homem por seu turno deixa de ter o grau de liberdade desejado.
Outra fonte é o próprio trabalho: atualmente a preocupação com uma carreira, um "lugar ao sol" faz com que muitos casais prolonguem, se não eliminem o universo paternal de suas vidas.
Ficamos então entre dois fogos: os muito jovens (ou com cabeça de) não pensam em filhos e evitam a todo o custo a maternidade (mas não a sexualidade, o que torna a opção de não-maternidade abortiva, em minha opinião) já os casados acabam evitando a experiência da paternidade por motivos mercadológicos.
De qualquer forma é uma experiência fascinante. Tenho aprendido muito com a Lulu. O aprendizado que um filho proporciona é tremendo. Para ambas as partes.
O que eu aprendi:
PACIÊNCIA! Acho que é o maior aprendizado que os pais podem obter com seus filhos. O mundo agitado de hoje, a ansiedade de ver resultados rápidos, tudo isso fica em segundo plano no relacionamento pai-filho. Pensar duas, três vezes antes de agir é fundamental.
CONSISTÊNCIA. Este foi mais doloroso. Se tu dizes que vai fazer alguma coisa, tomar uma atitude se a criança desobedecer tu terás que fazê-lo. Então muito cuidado com que vais falar. Pesar muito o tipo de reação prometida. Isto é fundamental. O pior para a criança é os pais dizerem que vai acontecer determinada coisa, dependente do comportamento, e ela não acontecer, não importando o que ela tenha feito.
PAI É PAI. AMIGO É AMIGO. Nunca pensei em ser "amigo" de minha filha. A tarefa que me foi designada por Deus foi a de pai. Pais tem atribuições muito mais dolorosas para com o filho do que um amigo apenas. De uma certa maneira o amigo é como o consultor de empresas. Te dizes o melhor caminho , mas a decisão é sua. Pais não podem agir como "consultores de comportamento" de seus filhos. Educar muitas vezes quer dizer que os pais sabem muito bem como o filho tem de agir em determinada situação e eles não tem de entender todas as razões dos seus pais para agirem de determinada maneira. O diálogo é importante, mas existem coisas e razões dos pais que são "inexplicáveis" para garotinhas de seis anos.
TEMPO. Ninguém consegue ser pai, mãe ou qualquer coisa importante para a criança não dedicando tempo para estar ao seu lado. A experiência de compartilhar o crescimento do seu filho é fundamental. Talvez esteja colocando em alguma medida a necessidade dos próprios pais estarem ao lado dos filhos muito mais do que a necessidade deles estarem com seus pais, mas não dá para delegar a tarefa de paternidade. Pode-se dizer que os pais não precisam estar o tempo todo ao lado dos filhos, somente nos mais importantes. OK, mas quais serão os momentos importantes?? No mundo atarefado de hoje muitos pais - eu mesmo também - acabam querendo compensar a falta de tempo ou disposição com presentes: é necessário evitar isso. Fazer as crianças começar a vê-lo como um Papai Noel ao invés de um simples Pai pode gerar consequências desastrosas.
DIZER NÃO. Este é fundamental. Se não é não, então a resposta é "não". Crianças devem enfrentar as negativas, as frustrações de não ter todos os seus desejos atendidos o tempo todo . Nossa vida não é assim, por quê então criar um mundo virtual?
BRINCAR. Ter tempo, mas não participar do que ela gosta de fazer pode ser desanimador para a criança. Tive estes insights quando levava Luísa religiosamente ao supermercado no fim de semama. Ela achava ótimo, um programa divertido até, mas acabava sendo o único programa infantil do dia. Criança tem de brincar como criança e se possível acompanhe-a nisso. Depois ela pode te ajudar nas outras tarefas do dia a dia...
Ih! Isto aqui acabou parecendo um manual de auto-ajuda...
O objetivo não era isso.
Era só agradecer a Deus a vinda de minha filha Luísa que nesses seis anos (completados ontem) tem me ensinado muito mais coisas do que eu provavelmente ensinei a ela.
Feliz Aniversário Luísa!!
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Breves pinceladas sobre uma coisa chamada "amor"
Às vezes só se pode comentar sobre um assunto a uma distância segura do mesmo. Se este assunto é o amor então, não dá para - estando à beira da praia - achar-se seguro o bastante para arriscar-se nesta seara. Ondas de 20 metros poderão varrer a praia de modo avassalador, jogando por terra toda e qualquer sensação de segurança do provável observador.
Mas aqui estou, sem colete salva vidas e sem protetor solar a provar que os tolos sempre fazem o menos provável. Ou seguro.
Bem, afinal das contas o que é o "amor"?
É o produto mais procurado do mercado das emoções, o mais comprado, mas também o mais subavaliado por seus vorazes consumidores...
Devo desapontar aos poetas, principalmente ao nosso "poetinha", que dizia que o "amor é eterno enquanto dure". Esta frase talvez seja a maior falácia sentimental que alguém possa acreditar pois em minha avaliação ela tem uma incrível semelhança com aquela outra de Andy Warlhol que dizia que no futuro todos seriam famosos....Por quinze minutos. O que Vinícius de Moraes prega é uma espécie de celebração amorosa "eterna" em seus quinze minutos de fama....
Isto não pode ser amor. Não pode haver num ciclo curto de tempo chance alguma do verdadeiro amor florescer. O giro necessário para que ele se revele em sua plenitude passa muito longe do ciclo das paixões avassaladoras. É preciso que a paixão ardente e cega se acomode para que o verdadeiro amor possa então requisitar seu lugar de direito em nossas vidas.
É nestas horas em que se percebe a diferença entre o menino e o homem e da menina e a mulher.
Como disse, o amar vem depois da paixão, vem depois do "tsunami" dos sentidos. É quando o homem e a mulher se descobrem - vitimados por tal maremotos - rotos, nus e solitários em uma praia deserta, não tendo mais nenhum lugar para ir ou para se esconder. Não há mais escolhas nem fugas. É quando tem de olhar um ao outro nos olhos, sem disfarces e decidir a transformarem-se de amantes em amigos, companheiros, confidentes e ...amantes. O homem e a mulher foram feitos para serem "uma só carne" e este é o momento crucial desta decisão.
O que isto significa?
Em uma certa dose, significa a perda de parte de sua identidade individual e grupal para dentro de outra, nova identidade. O homem e a mulher devem abandonar suas familias, seus pais, seus irmãos e até mesmo seus amigos em um determinado grau e assumir uma nova postura perante a vida .
Não, não quero dizer que o casal deve se isolar do mundo, mas quero dizer que haverá uma nova identidade para o homem-mulher perante o mundo.
É o momento em que o homem e a mulher deixam de ser seres-metade (como explicava Platão em "O Banquete") para serem novamente seres completos. Mas isto custa-nos demasiado. E tem de ser de parte a parte.
É neste momento crucial que se definem as diferenças que apontei lá encima.
Muitos garotos correm assustados dessa hora da verdade, voltando à segurança da casa paterna como um guri que quebrou a vidraça da vizinha.
E muitas e muitas mulheres desistem.
Para conhecermos esta coisa chamada amor não há escapatória senão uma entrega incondicional. E devemos estar prontos para isso, pois significa muito mais um "se doar" do que efetivamente receber ou ganhar de outrem.
O problema é que às vezes quando tu pensas que estavas nesta experiência de modo definitivo - "para valer" - o outro lado estava apenas brincando de casinha, e sai, procurando por outro brinquedo mais interessante. Aí nos perguntamos "Vale a pena?".
Não sei mas é esta uma de nossas missões como seres humanos.
A chave, como dizia Valter Franco é que "tudo é uma questão de manter a linha reta, a espinha ereta e o coração tranquilo". Às vezes parece que fraquejamos ou desistimos, e nossa disposição acaba num meia disposição, num olhar meio de otimimismo-bittersweet ou um romantismo-pé-no-chão.
Apesar de tudo a espera (ou esperança) é fundamental...
Enquanto isso
"Smile though your heart is aching
Smile even though it's breaking
When there are clouds in the sky, you'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for yousmile" (Chaplin/ Turner/Parsons)
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Tsunami: um balanço.....
A dor das imagens televisionadas, impressas, "interneteadas", enfim compartilhadas por milhões de pessoas em todo o mundo desde o dia 26/12 têm gerado repercussões que podem ser descritas como um doloroso retrato das falsas percepções introduzidas no seio da opinião pública nestes tempos de manipulação midiática orwelliana.
Em primeiro lugar, aqui vão alguns links para vídeos aterrorizantes das gigantescas ondas que atingiram o sudoeste asiático.
- Vídeo do Eden Resort- Sri Lanka
- Vídeo do Kambala Beach Hotel - Phuket
- Vídeo de Patong Beach
- Vídeo do Sri Lanka
- Vídeo da Indonésia
Os fatos:
Vaticano acusa falsamente Israel em negar ajuda
O Vaticano divulgou um primeiro comunicado acusando Israel de negar ajuda à Sri Lanka alegando uma única preocupação de Israel "com a guerra". Parece que o anti-semitismo reinante fez o comunicado sair antes de ao menos a notícia original ter sido lida com mais atenção: na verdade o Sri - Lanka que recusava ajuda de Israel... Vá entender o por quê ajuda humanitária ser recusada.
Um segundo comunicado do Vaticano corrigiu o primeiro, mas deixou um mal estar generalizado, com a óbvia "partidarização" da notícia.
Hoje em dia, qualquer notícia envolvendo Israel já traz à mente o arquétipo de que sejam sempre "o bandido" na estória.
Contra os Estados Unidos: Foi divulgado com indignação o fato de o sistema de satélite americano ter visto com antecedência os prováveis desdobramentos dos terremotos submarinos e não ter "avisado". É claro que o fato de os países atingidos não terem NENHUMA ESTRUTURA de mobilização ou defesa civil preparada para estes acontecimentos foi devidamente sub-avaliada. Teve uma matéria na Zero Hora de domingo que comparou a tragédia imprevista no sudoeste asiático com as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.... Haja anti-americanismo!!!
Lembram-se do caso do ciclone Catarina, quando nos foi alertado pelos americanos da formação de um furacão e nossa defesa civil e foi desmobilizada pelo anti-americanismo de nossos meteorologistas???
Lula diz que maremoto na Ásia é alerta para que se preserve a natureza
As qualidades de nosso presidente podem explicar esta declaração desastrada, mas não é só isso: o Greenpeace, logo após a tragédia tratou de continuar batendo na tecla de que o Tsunami poderia ser resultado de anos de agressão à natureza.....
A pergunta é : como o homem pôde agredir as placa tectônicas a quilômetros de profundidade da superfície terrestre? Desodorante spray??
Ou talvez as "placas" tenham tomado as dores da atmosfera....
De qualquer modo, isto retrata muito bem a nossa época, em que a burrice maniqueísta parece ter sido elevada à categoria de "conhecimento"....
Pobre de nós...
Antigamente se culpava a Deus pelas tragédias....
segunda-feira, dezembro 27, 2004
::: Madrugada no shopping atrai 500 mil pessoas www.estadao.com.br
::: Madrugada no shopping atrai 500 mil pessoas www.estadao.com.br
Dizem que o RS tem o povo mais politizado. Só se for em política-partidária. Estamos tão afundados em partidarismo que não conseguimos mais pensar racionalmente.
É a vitória final do conceito de estado para os estatólatras e funcionários públicos: nós contribuimos somente na hora das eleições e quando temos que bancar a incompetência de governichos como este do senhor Rigotto.
Dois anos de inoperência e chás-de-banco em salas de espera em Brasília só poderiam dar nisso: não existe alternativa ao trabalho árduo, sr. Rigotto, lembre-se disso.
Eu não esquecerei.
quinta-feira, dezembro 23, 2004
As duas pragas do Brasil: o nacionalismo e o socialismo. Ou seria "nacional-socialismo"?
Nesta semana, por exemplo, Lula contestou a pesquisa do IBGE que mostra que existem mais brasileiros obesos que passando fome. Segundo o presidente, os esfomeados “tem vergonha” de dizer que passam fome. De minha parte também teria vergonha. Teria vergonha de dizer que Lula é nosso presidente.
Mas aí tem um ponto interessante. Olhem só: se for usado na questão obesidade/fome os mesmos critérios usados para discutir a questão da divisão da riqueza/pobreza na economia nacional, em breve os obesos passarão de vítimas da balança a vilões da fome.
Explico: os socialistas acham que a economia é um sistema adiabático (fechado) em que o total de riquezas disponíveis é limitado. Cada vez que alguém ascende na escala social e passa a consumir mais riquezas, o seu lado da balança começa a pender, distanciando do equilíbrio ou “igualdade”. Com isso o outro lado da balança então começa a sofrer uma escassez desta mesma riqueza, gerando a famosa desigualdade e a pobreza.
Se esta concepção for usada para explicar a fome, chegaremos à mesma conclusão: se a riqueza nacional é limitada por que o número de calorias também não o seria? É claro que sim! Neste caso os brasileiros obesos não seriam meras vítimas da gula e da falta de equilíbrio alimentar, mas eles mesmos os causadores da falta de proteínas e calorias dos famélicos cidadãos na outra ponta da escala social. Nesta conta, quanto maior o número de obesos, maior o número de pessoas sub-nutridas.
Este é um paralelo interessante para se discutir a pobreza de idéias que os socialistas trazem ao debate sobre a geração de riqueza e eliminação da pobreza no país. Se for usar para outros aspectos como a inteligência por exemplo, vemos muito bem como o discurso socialista é tão simplista quanto enganador impedindo a verdadeira discussão das causas da pobreza no país.
Outra tragédia nacional é o discurso nacionalista. Enrolar-se em bandeiras, destilar o ódio a qualquer manifestação estrangeira – especialmente se a nação estrangeira for os Estados Unidos – é o esporte nacional. Há décadas, o espírito de inveja ao país da América do Norte tem sido o alvo preferencial de nossa cultura da aversão ao sucesso alheio. Tudo movido pelo mesma explicação “socialista” das desigualdades explicada nos parágrafos anteriores: se existe alguém rico é por que o fez à custa da exploração dos mais pobres.
Este espírito de vingança a tudo o que representa o estrangeiro / americano foi o que empurrou mesmo os mais ferrenhos nacionalistas anti-comunistas nos braços, ou no bolso, dos movimentos socialistas ou secretamente financiados por eles, como fantoches “idiotas úteis” em sua luta contra o capitalismo.
Deixem-se esclarecer que o nacionalismo que combato é aquela coisa infatilizada, radical do tipo “ame-o ou deixe-o”. Amar um país não significa odiar aos outros. Nem deixar de apontar as mazelas de nosso próprio país. E produtos culturais, por exemplo, não tem atestado de qualidade baseado em local de origem. Britney Spears e Amado Batista são tão ruins tanto quanto um pagode “de raiz”, assim como Mozart e Pink Floyd podem ser bons.
O nacionalismo imbecil do “melhor do Brasil é o brasileiro” só prova uma coisa: pior do que o nacionalismo de almanaque e o socialismo rasteiro isolados são os dois juntos. O pior é que temos os dois hoje bem representados no governo de Luís Inácio Lula da Silva....
Pensando bem, Nacionalismo e Socialismo já se encontraram muitas vezes na história. No encontro mais ruidoso, o filhote parido levou o nome dos pais : "Nazismo", ou melhor, vindo do "Partido Nacional-Socialsta dos Trabalhadores Alemães"....
Feliz Natal.... (?)
segunda-feira, dezembro 20, 2004
Hiper-realidade e normalidade
Sabíamos que nada estava "normal", pois o Zorro ou algum bandido estava prestes a agir e a aparente tranquilidade do povoado iria sumir em questão de minutos.
Pois é exatamente a imagem que me vem à cabeça quando leio inúmeras manchetes de jornal, reportagens aclamando o “melhor momento” da economia desde 1994, dos índices de aprovação do governo e muitos outros etc.
À luz destas notícias e manchetes, parece que o Brasil nunca esteve tão bem, parece que o país é uma nau navegando em águas tranquilas rumo a um futuro promissor.
O país pensa exatamente isto hoje. Enquanto isso, nós – os paranóicos - continuamos a dizer que, pelo contrário, a situação do país é ameaçadora.
Nossos críticos nos acusam de usar uma lente de aumento, de aumentar ou exagerar fatos e informações que corroborem com “nossas” crenças, ao passo que menosprezamos os fatos que a contradizem. Fizemos então uma leitura hiper-realista dos fatos, uma espécie de visão política “expressionista” acentuando os os traços escuros desta aparente normalidade. Com isso ficamos bem destacados no contraste com o fundo pastel-ensolarado da normalidade “impressionista” da paisagem Brasileira. Somos personagens saídos de um romance “noir” de Dashiel Hammet a assombrar os pacatos cidadãos do fictício “povoado de Los Angeles”.
Será que estamos mesmo dentro de uma hiper-realidade?
Vejamos o que temos.
Uma verdade é inegável: hoje o Brasil sofre de uma censura auto-imposta de informações jamais vista em tempo algum de sua história. Mesmo no tempo do regime militar, em que havia censura sistemática às notícias não havia restrições à circulação de idéias e livros. Ou seja, a censura noticiosa e do entretenimento (cinema, novelas) não impediu o livre fluxo dos livros e idéias principalmente em nosso meio universitário e intelectual.
O que acontece hoje é muito pior: com redações e mentes empapuçadas de ideologia vendida como “senso comum”, os meios de informação auto-mutilam suas mensagens, seja eliminando a notícia completamente seja “interpretando-a” dentro do seu arcabouço ideológico.
Isto causa uma contradição entre a realidade e a ficção nacionais incríveis. Como justificar e entender a vitória de Bush nos Estados Unidos se temos a impressão de que o americano médio (pelo menos os “letrados”) o odeiam? Constatação assegurada pelas próprias matérias dos jornais americanos reproduzidas por aqui como também pelos livros sobre o tema disponíveis no Brasil. A conclusão só pode ser uma: os americanos que elegeram Bush são caipirões iletrados, reacionários, violentos e perigosos. Isto é só um exemplo de muitos outros.
A nossa avaliação (a “paranóica”), por outro lado, é baseada em outros fatos e análises, notícias que não são veiculadas normalmente pela nossa imprensa. Estou falando de informações de sites como World Net Daily (www.wnd.com) , New Max (ww.newsmax.com) e centenas de blogs de diversos países (EUA, Austrália, Iraque, Venezuela). Há também livros de autores vindos por detrás da antiga cortina de ferro como Anatolyi Golitsyn & Ladislav Bittman por exemplo.
Tudo isso nos dá conta da profundidade e extensão dos programas de desinformação implementados pelos países comunistas (ou antigamente conhecidos como comunistas) para enganar o mundo ocidental e as ameaças que pairam sobre o mundo judaico-cristão neste início de milênio.
Nos damos conta da frenética tentativa de maquiar o passado. Também de como políticas como a do desarmamento civil e descriminalização das drogas podem levar. Sabemos da extensão e profundidade da influência do Foro de São Paulo nas ações deste governo. Se analisarmos o que já aconteceu (no exterior, no passado ou presente) quando estas técnicas foram usadas comparando com o que está acontecendo no Brasil, o prognóstico é sombrio.
Será que somos nós os errados? Será que somos tão paranóicos ao ponto de não enxergar o que acontece de verdade – a tal realidade – preterindo-a por uma “hiper-realidade” auto-impingida?
Não acredito. Mas tenho pelo menos a humildade de aceitar esta pecha, pois seria um efeito colateral mínimo e até desejável. Se nossas preocupações ajudarem de alguma forma a desmontar a bomba, então o preço de ser um “paranóico” seria pequeno. A obrigação moral que sobrevêm a todos que tem posse destas informações, é brutal e antecede a todo o resto.
Melhor ser conhecido com o “paranóico” profeta de uma catástrofe que não aconteceu do que o detentor da sabedoria aristocrático-afetada do “não digam que eu não avisei...”
Brasil: Um país rico..... em calorias pelo menos.
Mas lembro de alguns fatos importantes sobre este novo dado do IBGE.
- Ao invés de provar o fracasso do fome-zero o governo pode alegar o contrário: em menos de dois anos o programa teve um sucesso tão estupendo em resolver o problema da fome que agora temos outro problema: a obesidade...
- Di Calvancanti estava certo! Que Gisele Bundchen que nada. Nosso bio-tipo esteve sempre mais para Preta Gil... Sargentelli já sabia disso há 40 anos....
- Pode ser consequência do sucesso das telas do Fernando Botero ou da Fat Family...
- Papai Noel nunca mais será o mesmo neste país....
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Resposta a um "rebelde" sem pausa
Os jovens brasileiros estão cada vez mais se transformando em cópia caricata da alienada, drogada, idiotizada, consumista, degradada e fútil juventude estadunidente. pequeno-burgueses dos jovens estadunidenses.......Prove com FATOS.
A primeira prova é o seu comentário: exatamente igual à opinião de 99% desta juventude que "atacas".
Segundo: Se os jovens brasileiros pensasem de modo semelhante aos jovens dos EUA, George Bush não teria os maiores índices de reprovação mundial NO BRASIL, ou ele não teria ganho as eleições nos EUA com o recorde de 60 milhões de votos.
O jovem brasileiro pensa exatamente o que a grande mídia americana e brasileira querem que ele pense: “culpem os Estados Unidos primeiro”.
Só que lá não tem tanto sucesso como aqui.
O maior centro de irradiação do anti-americanismo são os Estados Unidos, exatamente os 48% que foram derrotados nas eleições. Os filmes, músicas e tudo o mais aqui reproduzidos são os do lado “anti” dos Estados Unidos.
Os americanos alienados e tudo o mais que tu te referiste são meias-verdades : existem mas não são – graças da Deus – a maioria. Por isso , se existe alguma esperança de algum país reverter a tendência entrópica mundial, este país não será o Brasil: serão os Estados Unidos, que ainda tem a uma porção não apodrecida (melhor dizer “desconstruída”).
A sociedade americana experimentou um renascimento conservador que agora emergiu por completo. O número de pessoas que tem alguma religião e a praticam nos Estados Unidos é igual ao número de votos que GWB teve nas últimas eleições. O quadro que você pinta dos americanos, na verdade são o retrato acabado do que são os europeus neste começo de século: uma embalagem vazia, pronta a receber o recheio ideológico preferido dos controladores de mente...
O fato de brasileiros gostarem de Big-Mac (minha filha adora) e tudo o que de moderno (e foi gerado em sua maior parte nos EUA) demonstra uma esquizofrenia bem marcante: influenciado pelos meios esquerdistas de comunicação ele “odeia” os americanos da boca para fora, mas não consegue viver sem eles. Pois só uma sociedade como a americana poderia ter as condições de crítica a ela mesma...Se os meios de comunicação parassem de orquestrar sua lavagem cerebral, perceberiam no ato a contradição de seu anti-americanismo...
"Depois afirma que nunca aceitou imposições de "grupos" e procurou sempre buscar uma identidade própria. Acreditaremos em você se nos provar que jamais pagou para assistir os debilóides filmes americanalhados, nunca pôs os pés naquela espelunca chamada Mc Donalds, nunca entrou em um "shopping center" para fazer comprinhas de natal, nunca usou tênis ou roupas de grifes estadunidentes, nunca assistiu desenhos de Walt Disney, nunca quis conhecer o Mickey, nunca ouviu músicas de origem inglesa, etc. Se você já vivenciou uma ou mais das situações descritas acima você não é e nem nunca foi "inconformado" mas sim igual a todos os jovens que você mesmo acusa serem mentecaptos! ha ha ha."
Ir ao shopping center or usar a internet me filia a algum grupo? Também uso creme dental, isso me filia a algum outro grupo ideológico, a alguma matilha?
Se creditas ao Olavo de Carvalho o responsável por sua visão de mundo então estás completamente míope!
Sim! Eu sou míope -uso óculos - mas não sou “idiota coletivo”, ehehehe
Com certeza achas que o gramscismo "tomou conta" de nossas universidades, que os jornalistas esquerdistas estão à soldo de Fidel Castro. Que Cuba pretende invadir o Brasil, que existe uma conspiração secreta para instalar uma ditadura comunista no Brasil engendrada por intelectuais, psicólogos e donas de casa; que o Chavez está articulando uma mega-coalização de países "socialistas" na América Latina, que Bill Clintou foi agente do PC da China... Esta é a visão "carvalhesca" que você tem do mundo.
Estás com a razão: quem visita semanalmente Fidel Castro, ajuda Chavez, perdoa dívidas do ditador do Gabão, visitou Kadafhi e prometeu asilo político ao Saddam Hussein foi o .... Olavo!!!
Se você acha a direita no Brasil "outsider" vá morar no Nordeste. Lá você vai obeceder ao "coronél" de direita dono de terras que manda na cidade, conviver com milhões de pessoas que passam fome e ainda agradecem a Deus, pedir bênçãos ao painho direitista ACM, ir à missa todo domingo cercado por beatas velhas direitistas e ter uma imagem de padre Cícero em casa.
Desde quando Coronél é direita? Só é se considerar Maluf, ACM e outros de direita.
Esta é a prova de nosso completo status de outsider: não temos nenhum tipo de representatividade, pois os partidos políticos no Brasil só representam a eles mesmos e não a um ideal ou plataforma política. Tirando os partidos de esquerda, extremamente fiéis a sua ideologia, os partidos de “direita” são facções para tirar dinheiro dos mais incautos!!
Maluf direitista ? Que nada, Maluf é malufista!
ACM direitista? É carlista!
E assim por diante. Os coronéis são “coronelistas” !!!
Nosso caráter outsider é que somos completamente contra o que está aí. Muitas vezes queremos salvar o capitalismo até dos próprios capitalistas, que não fazem nada diferente de vestir a carapuça entregue pela esquerda e reafirmar o modelito Justo Veríssimo.
Sobre os rebeldes, você pode ser considerado um rebelde "sem pausa": atira ao menor sinal do "inimigo" real ou imaginário, SEM PAUSA, nem para pensar. Acaba atirando no próprio pé...
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Rebelde Com Causa: Minhas percepções sobre o florescimento da direita sobre o cadáver do socialismo-caviar
É exatamente a mesma reação que obtemos quando nos declaramos de direita. A diferença é que o personagem de Willis era obrigado a isso, enquanto nós o fazemos de espontânea vontade.
Por quê disso? Masoquismo?
Seria tão fácil ser mais um da maioria silenciosa, que vê o desenrolar dos acontecimentos deste país como um espectador de alguma uma tragédia grega, sofrendo reservadamente em frente ao seu home teather tomando uisquinho de 12 anos para relaxar...
No meu caso, não poderia me conformar com este papel de espectador. Não quando se está no próprio Titanic sabendo-se de seu desastre iminente.
A razão de escrever - seja na internet seja para as colunas “do leitor” nos jornais - é uma inquietação interior que já não pode ser represada.
Esta inquietação é uma revolta contra a paisagem atual deste país e especialmente da juventude.
A origem disto é que me considero um “outsider”. Desde criança nunca suportei a pressão de turminhas de escola, ditando regras de como se comportar ou como vestir. Decidi ser eu mesmo. Nunca precisei de ninguém para certificar minha própria “identidade”. E este forte sentimento devo a minha família, que sempre foi unida o bastante para que eu não tivesse que buscar esta identidade grupal fora dela. Bem ao contrário de hoje em dia, em que bandos de adolescentes perdidos criam falsas “famílias” enquanto desprezam as suas próprias – usadas como uma espécie de equipe de copa ou cozinha de algum hotel de luxo.
Meu desprezo por “turmas” e mais um forte sentimento de “faça você mesmo” sem esperar por outros é o que me move. E uma curiosidade quase mórbida em conhecer cada vez mais coisas, idéias, arte, cultura e o que há por trás disso. A necessidade desta busca incessante me fez seguir adiante, procurando sempre por respostas não prontas e relações inesperadas entre fenômenos conhecidos.
Devo confessar que minha opção direitista se deve muito mais a um “senso comum” do que a leituras ou estudos mais profundos. Mas a exata percepção da realidade, as várias camadas de sub-realidades que a compõe me foi apresentada há dois anos quando descobri o trabalho do filósofo Olavo de Carvalho.
Seus artigos primeiramente me causavam espanto e acessos de risos. Comecei a aguardar cada novo artigo para ver até onde aquela aparente “paranóia anti-comunista” tão anacrônica - como um filme B de ficção científica americano dos anos cinqüenta - iria chegar. Me intrigava que Olavo entregava o destino mas não o caminho percorrido. Teria de ler mais para chegar aos pressupostos de suas conclusões. O que foi feito quando me caiu nas mãos um exemplar de “O Jardim das Aflições”.
Este livro é para mim um dos mais influentes que já tive o prazer de desfrutar. O coloco na minha galeria de livros que ajudaram a formar a minha personalidade e minha forma de ver o mundo. Nesta fórmula-galeria coexistem nomes e obras como Hermann Hesse (Demian e O Lobo da Estepe), George Orwell, Dostoiveski (Crime e Castigo, O Idiota) e entre outros. O nome de Olavo nela determina o tamanho da pancada, da porrada intelectual que foi a leitura de sua obra.
Tudo isso só me reforçou sentimentos que já eram bastante fortes, mas sem uma base intelectual mais consistente, baseado mais no senso comum do que outra coisa. O principal é o valor do indivíduo, que é a menor e também a maior medida da humanidade possível. Não existem sistemas, regimes, regras ou doutrinas “humanas”. Existem regimes , sistemas, regras e doutrinas criadas por humanos.
Não existe coletivo. E sim um conjunto de individualidades.
Deus nos criou como únicos, com qualidades distintas e potenciais definidos. O desenvolvimento destes potenciais para melhorar nossas vidas e dos que nos rodeiam é a nossa única dívida com o criador.
Cada homem é um artista em potencial. E artistas fazem obras únicas para a admiração de seus pares. A obra do artista também é única. É a expressão de sua individualidade.
Por isso não acredito em coletivismos, coletivistas, socialismo e todos os regimes que tentam capturar a humanidade e a individualidade do homem em favor de uma suposta igualdade que não existe. A igualdade é um totem, um “neon god” que ninguém pode prestar devoção sem subtrair em alguma dimensão à sua própria substancialidade humana.
Mas o discurso coletivo é avassalador. Todas as virtudes que os seres humanos podem ter parece que foram sugadas para dentro da definição do socialismo. Ser contra o socialismo acaba sendo contra a humanidade seqüestrada por ele. E por isso ser de direita é tão outsider no mundo de hoje.
A direita é autenticamente outsider, verdadeiramente contra o stablishment cultural predominante do mundo atual. Somos os verdadeiros “punks” da cultura política. E o “stablishment” de hoje é o socialismo. Falando em “punks” gosto de ressaltar que o que eles fizeram foi uma revolução completamente individualista. O “do it yourself” era um slogan totalmente direitista, decidido e radical. Seu nihilismo os aproximava também de um anarquismo anti-totalitário. Pena que por falta de um mínimo de percepção ao mundo que os rodeava acabaram ajoelhando diante do altar do coletivismo mais raso como vaquinhas de presépio.
O que se vê no Brasil não difere muito: jovens semi-idiotizados por décadas de propaganda anti-capitalista, acabam caindo no apoio ao totalitarismo imbecilizante sem qualquer alternativa..
O choque destes indivíduos quando encontram um direitista na vida real é fatal: Só restam palavras de ordem ocas repetidas ad-nauseam como um mantra, quando não ações mais agressivas. Exatamente o que um “rebelde” receberia do “sistema”. Estes jovens não sabem que eles são o próprio sistema contra o qual tanto se rebelam.
Enfim, os verdadeiros outsiders, os rebeldes dos dias de hoje não são os ícones de butique vendidos pela mídia, mas os muitos “Winstons” (de “1984”) que tem coragem de sair pelas ruas reais ou virtuais mostrando sua identidade direitista à todos – não importando quantas provocações e insultos irão receber – pelo simples dever de mostrar que o rei está nu, ou melhor está morto, apodrecendo e levando uma boa parte da juventude com ele.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
A Solução Final
O governo trabalha com pelo menos três vetores nas mudanças tributárias que quer introduzir: 1) equalização do ICMS cobrado no RS, adotando como parâmetro o pico do Estado que mais cobra. 2) antecipação de impostos devidos para o ano que vem. 3) supressão tópica de renúncias fiscais e suspensão de repasses dos incentivos aos exportadores.
Há uma semana este mesmo jornalista destacou a experiência mineira, onde Aécio Neves, com apoio de consultoria de gestão empresarial, reduziu o custo da máquina e pode, a partir do seu segundo ano de governo, navegar em águas mais tranquilas.
Nosso "Risotto", ao invés de arregaçar as mangas e tentar fechar a sangria nas contas públicas criadas pelo governo desastroso de Olívio Dutra (40 mil novos servidores, expulsão de empreendedores e emprego, etc.)ficou dois anos esperando uma solução mágica de Brasília. Levou neste tempo somente chá-de-banco.
E agora mostra sua solução final: mais um aumento de impostos, e maior taxação aos segmentos produtores e exportadores. É a vítima sendo castigada ainda mais para suportar um estado ineficiente e agigantado.
Não é para isso que os governadores são eleitos. Eles não são meros administradores de folhas de pagamento..
Não devem penalizar a todos para o privilégio de alguns...
Dentro deste cenário, era a hora no RS de se cortar a "carne" do setor público, mas o que acontece é o contrário.
Está se sufocando ainda mais o setor privado, a título de melhorar a arrecadação...
Está provado por experiências mundias (Bush) além de nacionais (Alckmin) que as reduções de alíquotas no Brasil funcionam como catalisadores do desenvolvimento e da arrecadação de impostos.
Mas parece que por aqui, nossos governantes ainda não passaram do nível básico de economia...
Talvez a pior forma de burrice seja a burrice diplomada, pois esta nunca aceita a sua própria condição de burrice...
E os burros, estes de carga, acabam sendo todos nós.
terça-feira, novembro 30, 2004
Liberdade econômica, desenvolvimento e empregos também são direitos humanos!!
Mas os tais “direitos humanos” como o conhecemos, se preocupam com os direitos fundamentais do homem mas esquecem uma dimensão fundamental: a liberdade econômica.
Muitos criticam o capitalismo por ser uma espécie de terra de ninguém com todos lutando contra todos, numa “barbárie” sem fim. Também atacam a pretensa liberdade do capitalismo, uma vez que ter liberdade e não ter o quê comer invalidaria completamente este conceito de liberdade.
Esta é a porta de passagem para o que chamam de “direitos sociais” dos regimes socialistas / comunistas. Direitos sociais significam a eliminação de alguma grau de liberdade (se não todos) em troca de alguma política estatal assistencialista como zero, saúde “dez”, educação “vinte” e outras coisas. O que não explicam é quem ninguém nunca pediu para trocar a liberdade por um prato de comida. Além do mais, a dimensão humana de liberdade não pode ser trocada por outros benefícios, da mesma maneira que ninguém trocaria uma mão por um pé , por exemplo. No final o resultado de tais práticas é a transformação do cidadão em massa bovina de manobras para algum ditador de plantão.
Por outro lado, aquela visão cinza do capitalismo é compartilhada por pensadores e intelectuais há séculos. Por exemplo, Oscar Wilde, famoso escritor e dramaturgo irlandês que vivia no seio de uma sociedade opulenta, defendia a abolição da propriedade privada como a forma de libertar o espírito humano. Em “A alma do homem sob o socialismo” perguntava se era digno um homem ter como ocupação varrer uma esquina imunda no East-End londrino sob um frio inclemente para ter acesso a um prato de comida... É claro que a visão de Wilde tinha por objetivo um tal de “Socialismo Individualista” que não se soube muito bem o que fosse, mas a crítica ao capitalismo era a mesmíssima que originou o marxismo.
Pois quero dizer que esta visão de liberdade do capitalismo extremamente limitada. Quando se fala em liberdade econômica se fala muito na liberdade de criar ou gerar novos negócios e criar novas empresas. A liberdade econômica fica então bem caracterizada como uma facilidade empresarial. Não desce ao nível do indivíduo. E aí é que está o erro. A dimensão de liberdade econômica do capitalismo tem de alcançar o nível do indivíduo. Um indivíduo somente é livre se consegue os meios de realizar o seu potencial de modo pleno.
O ponto onde estas duas liberdades se encontram é quando um indivíduo resolve abrir uma empresa ou vender os produtos do seu trabalho. Mas nem sempre existe um mercado para absorver os produtos que o indivíduo pretende produzir. Por falta de mercado ou pelo fato de o mercado não ser tão visível assim (quanto existe de demanda para novos escritores no mercado, por exemplo?). São atividades que requerem muito tempo para deslanchar e que fazem que seu postulante tenha de ter uma outra ocupação preparatória até ter a massa crítica (conhecimento, investimento, produto) suficientes para então entrar oficialmente neste mercado. Até lá provavelmente trabalhará em algum emprego remunerado que possa bancar a preparação para esta nova dimensão. Terá de haver demanda de empregos em nível suficiente para que exista esta possibilidade de realização.
Por outro lado o fato de muitos aceitarem empregos aviltantes se deve à falta de empregos melhores.
Então podemos dizer que a liberdade econômica individual pressupõe a existência de um mercado ativamente empregador, de modo que as pessoas possam escolher qual atividade queiram executar, conforme suas capacidades. E um mercado empregador é um mercado em desenvolvimento.
A falta de desenvolvimento gera recessão e desemprego. Desemprego é uma supressão a um direito de liberdade básico do ser humano. Não estou falando de desemprego ocasional, estou falando em depressão econômica ou crescimento abaixo do crescimento vegetativo da população. Exatamente o que o Brasil vem experimentando há anos.
Reclama-se que hoje é necessário ter diploma de segundo grau até para ser ascensorista. A origem disto é a falta de empregos, que faz que para cada vaga existam centenas de candidatos. Assim, os critérios de desempate começam a galgar a escala do impossível, privilegiando quem tenha mais experiência ou capacitação, mesmo que não tenham nada a ver com o cargo em questão.
E qual seria a origem do baixo desenvolvimento? Se olharmos nossa brutal carga tributária, nossa opção crônica pela não-abertura comercial (há quanto tempo não se ouve mais falar em queda de impostos de importação?) , nossas políticas sociais equivocadas, sabemos o resultado. O Brasil é um dos países com mais baixas pontuações na escala de liberdade econômica mundial, ficando atrás de muitos países aqui mesmo, da América Latina. O México por exemplo, passou há dois anos o Brasil como o maior PIB da AL, após o acordo de livre comércio com os EUA...
Resumindo: O tamanho do Estado brasileiro necessita de tanto oxigênio que sufoca todos ao seu redor. E quanto maior o Estado menor a liberdade de seus cidadãos.
Quem precisa realmente perder peso é o Estado Brasileiro, hein presidente???
segunda-feira, novembro 29, 2004
A empresa nacional: a irresponsabilidade social da falta de gerenciamento
Uma das facetas menos visíveis da escassez de cultura que assola o paísís vem de onde ela deveria ou parecia florescer: o empresariado.
Se alguém olhar em qualquer lista dos mais vendidos não-ficção vai encontrar diversos exemplares de livros sobre gerenciamento empresarial. Em nossas empresas é muito comum que as "modas" de gerenciamento "varram" de modo quase que totalitário as salas dos gerentes e diretores das empresas brasileiras, como um pensamento único. Se fala em "reengenharia", "cinco-S", "teoria da restrições", "sincronização" como palavras de ordem num tom quase político-ideológico.
Mas tenho notado que o interesse em conhecer novas técnicas de gerenciamento é inversamente proporcional a nossa capacidade de implementá-las. Aquela mesma premissa - a da falta de cultura e educação, que fez de nossos estudantes os piores do mundo em recente competição mundial - pesa na hora de alavancar a competitividade do setor privado.
Esta incapacidade em absorver o mínimonecessárioo de novos conceitos para sua correta implementação afeta não só as empresas, mas as empresas que as primeiras recorrem para ajudar na implementação destes conceitos: os consultores empresariais. No fim das contas, tudo que se escreve pelos Michael Porters, Drucker, etc.. acaba sendo simplificado até a um esqueleto básico de vagos conceitos, receitas "infalíveis" e resultados duvidosos.
Isto não é problema se o que a empresa busca é uma certificação qualquer. O objetivo visível é alcançado ( o tal certificado) mas não o objetivo que aquele primeiro simboliza. Em resumo, as empresas nacionais se satisfazem com os signos mas não com seus reais significados.
Tudo isso seria um sério problema em empresas com real interesse em aumentar sua capacidade gerencial e portanto em sua capacidade de resolver problemas e interagir em um mundo cada vez mais interdependente. Mas não é problema para a maioria das empresas nacionais. Seus reais interesses residem em outras esferas.
As empresas nacionais são organizações que passam mais da metade do tempo tentando achar um meio de pagar menos impostos, sendo o restante ocupado pelos jogos de poder.
Para que perder tempo com atividades estressantes de "estudar" novos conceitos e formas de gerenciamento? Se for para ganhar mercado tudo bem, se "faz de conta" até se obter o que se deseja. E se volta às tarefas habituais logo em seguida...
O resultado disto tudo é previsível : milhões de reais são desperdiçados em ações e programas tão sem resultado que se fosse em uma empresa normal, o responsável por elas seria sumariamente demitido. Como por aqui quem banca é o próprio presidente a coisa muda de figura.
Apesar de tudo esta simulação de modernidade tem um lado bom: existem pessoas que acabam acreditando nisso tudo e aprendendo. Mesmo que saiam da empresa, vão levar um conhecimento de classe internacional consigo, o que vai valorizar o seu próprio trabalho.
Mas existe uma ameaça no horizonte, até mesmo para esta busca cosmética de competividade: a "responsabilidade social". Como este tema virou moda, não há revista empresarial, indicador de performance que não inclua hoje algum índice de "responsabilidade social".
Enquanto deveriam estar pensando em garantir efetivamente a sobrevivência da empresa e o emprego para seus funcionários, os empresários se dedicam cada vez mais a atividades inócuas de algum tipo de apadrinhamento, esquecendo suas vocações básicas. O pior que isto serve para fixar ainda mais a imagem de culpado que pesa sobre a classe empresarial, afinal não estão dando de graça, mas simplesmente devolvendo o que "roubou" antes...
Em tentando ser mais justo e politicamente correto, o empresário acaba cometendo a maior irresponsabilidade social que lhe é cabível: a falta de gerenciamento empresarial.
sexta-feira, novembro 26, 2004
U2´s new "Bomb": Unforgettable Fire
No longínquo ano de 1987 eu comprei o LP *era assim que se falava na época, "Long Playing"* de uma das minhas bandas favoritas, o recém lançado "The Joshua Tree" dos irlandeses do U2.
Quando eu ouvi pela primeira vez, eu descobri finalmente o que queria dizer a expressão "clássico instantâneo" com o qual o crítico
André Mauro mais tarde definiu.(alguém sabe onde anda este cara? Ele escrevia naquelas revistinhas de violão na década de 80 dedicadas ao rock).
Eu nunca tinha ouvido um disco que na primeiríssima audição tivesse me tocado te forma tão forte. A sequência inicial "Where the streets..." + "I Still Haven´t found..." + "With Or Without You" era simplesmente espetacular..
O resto do álbum também.
Nunca mais algum disco do U2 causou o mesmo efeito.
Até este. "How to Dismantle an Atomic Bomb" é o melhor trabalho do U2 desde "Joshua"! É claro que este eu tive que escutar pela segunda vez para perceber sua grandeza.
Apesar do início ruim ("Vertigo" é péssima!!!) temos um pequeno milagre logo após. "Miracle Drug" - música feita em em homenagem ao escritor irlandês Christopher Nolan, nascido com paralisia e que consegui chegar ao reconhecimento de "gênio" graças ao esforço de sua mãe que o educou em casa - é digna do cargo de "novo clássico". Tem mais, "Sometimes You Can´t Make it on your own" também é digna do cargo.
Enfim no mínimo quatro músicas tem um apelo sutil que cresce a cada audição....
Para mim, o clima deste álbum remete aos heróicos tempos dos anos 80, com uma sonoridade parecida com "Unforgettable Fire" e honestidade a toda prova. O U2 cansou do jogo de máscaras dos 90...
Bem vindos de volta à casa. HTDAAB is "a Sort of Homecoming"...
Aqui vai a letra de Miracle Drug
Por que nunca serei "Progressista"
O Reinaldo Avezedo escreveu no Primeira Leitura de hoje outras boas razões para evitar as tais posições políticas mais "progressistas".
"Não. Não assistiremos a marchas em Londres contra o despotismo putinista ou chinês. Os progressistas de Nova York e São Francisco não sairão às ruas, em marchas alegres, contra a fraude nas eleiçôes na Ucrânia. Boa parte dos progressistas de carteirinha nâo acredita que a China mereçaa uma mobilização de protesto contra o flagrante e permanente despeito aos direitos humanos. Ao contrário: a ditadura sem face de Pequim e a autocracia de Putin são consideradas aliadas objetivas na luta contra a Besta norte-americana. Eis a verdadeira droga pesada da militância dita progressista no mundo: antiamericanismo."
O bom e saudável é manter uma boa distância destes tipos. Que acabam defendendo a tese do inimigo útil: se é inimigo do meu inimigo é meu amigo, mesmo com as mãos sujas de sangue inocente....
A verdade sobre Fallujah
Resolvi colocar na internet, para todos.
Leia o que foi descoberto por lá.. Aterrorizante!!
Veja este Clique PowerPoint Presentation
quarta-feira, novembro 24, 2004
Mídia Sem Máscara: MSM 's unplugged
A única maneira de conhecer melhor o que passa no Brasil e no mundo não é mais da maneira tradicional.
A grande mídia, nacional e internacional, estão fazendo uma experiência de manipulação (consciente ou não) e submetendo a todos nós leitores a ela.
Isto é muito bem feito e fica muito difícil, numa dieta tradicional de notícias, conseguir perceber a manipulação.
Ainda bem que existem alguma iniciativas heróicas como o Mídia Sem Máscara. Só com alternativas como esta é que podemos finalmente saber onde estamos e nos desplugar da grande Main Stream Media Matrix.
Tenho orgulho de poder auxiliar neste esforço!
Longa vida ao MSM e que não seja um esforço isolado.
Parabéns ao Olavo de Carvalho e sua família e aos editores Edward e Paulo.
segunda-feira, novembro 22, 2004
DESPESAS DO LULA SEGUNDO O SIAFI
estão indo...
Fome - Zero?
Primeiro emprego?
Este talvez sim, afinal é o primeiro emprego de nosso presidente em décadas....
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Custo da Presidência
Publicação: Isto é - DINHEIRO
Os dados foram coletados para DINHEIRO por consultores que tem senha
de acesso ao SIAFI- Sistema Integrado de Administração Financeira. É
lá que estão detalhadas as despesas do Orçamento da União.
Em 1995, o gabinete presidencial gastou R$ 38,4 milhões.
Em 2003, primeiro ano de Lula, as despesas foram R$ 318,6 milhões.
Em 2004, está previsto o desembolso de R$ 372,8 milhões, R$ 1,5
milhão por dia útil.
Itamar Franco deixou o Palácio do Planalto com 1,8 mil funcionários.
FHC, por sua vez, enxugou-o para 1,1 mil.
No governo Lula, há 3,3 mil funcionários trabalhando diretamente na
Presidência.
Uma das descobertas da equipe diz respeito ao uso crescente dos
cartões de crédito corporativos para cobrir as despesas das
autoridades, utilizando o nome de funcionários do Planalto. Em 18
meses, já foram gastos R$ 6,4 milhões com os cartões.
Procurados insistentemente pela DINHEIRO, assessores do Planalto, da
Secretaria de Comunicação, da Casa Civil e o porta-voz presidencial
não responderam as questões formuladas pela reportagem.
A máquina presidencial vem inchando .... A ação mais cara é o chamado
apoio administrativo. Trata-se da gestão direta dos três Palácios
presidenciais: Planalto, Alvorada e Torto. Para 2004, o Orçamento é
de R$ 140,8 milhões para a administração dos palácios.
Também estão sendo gastos R$ 3,8 milhões para a remuneração de
militares que fazem a segurança do presidente e de sua família há
equipes em São Paulo, Florianópolis e Blumenau cuidando dos filhos de
Lula.
OS MISTERIOSOS CARTÕES DE CRÉDITO DO PLANALTO
As compras começaram modestas, mas logo tomaram volume.
Em 2000, primeiro ano dos cartões de crédito: R$ 761,7 mil.
Em 2002, último de FHC, estavam em R$ 2,4 milhões.
Com Lula no Palácio o uso dos cartões de crédito virou uma febre.
Em 2003, o governo foram R$ 3.811.259,48.
Em 2004, somente até 15 de junho, R$ 2.665.977,20.
No governo FHC, as faturas foram enviadas ao TCU com a discriminação
de cada compra, com a respectiva nota fiscal em anexo. O governo Lula
não tem feito o mesmo. Neste ano, na sua primeira prestação de contas,
o governo informou somente o valor total das faturas. A lista das
autoridades que receberam cartões virou um segredo de Estado.
Em abril, Dirceu foi flagrado em São Paulo pagando um hotel com seu
cartão corporativo. Mas seu nome nem o de nenhuma outra autoridade não
consta nas faturas. Na maior parte das ordens de pagamento, não há
referência ao verdadeiro dono do cartão.
É a Secretaria de Administração da Presidência, subordinada ao
ministro José Dirceu, que emite os cartões e paga as faturas.
OS TITULARES DOS CARTÕES
Despesas das autoridades são feitas em nome de funcionários cujos
nomes aparecem tanto nas faturas quanto no Siafi. Estão encarregados
de suprir todas as necessidades do presidente, de sua família e dos
ministros palacianos. Trabalham com agilidade e compram sem
licitação.
Alguns chegaram ao Palácio com Lula, como Roberto Freire Soares,
antigo companheiro de São Bernardo. A maior parte, contudo, está no
Palácio há uma década ou mais. São eles os ordenadores oficiais de
despesas, são chamados de "ecônomos".
Clever Fialho, cujas faturas em cartões somam R$ 641.225,54.
Anderson Aguiar, com faturas que somam R$ 192.400,62.
Josafá F. Araújo, em despesas do presidente, pagou R$ 185.770,46
Adhemar Paoliello, em cujo nome, há faturas de R$ 79.235,21, é da
nova safra do partido.
quinta-feira, novembro 18, 2004
Por que os Estados Unidos não devem deixar o Iraque
Leiam este trecho: "A Associaçao dos Docentes Muçulmanos lançaram orientações de que se deve chamar as forças de segurança iraquianas de 'apóstatas', por que 'iraquianos não deveriam lutar contra iraquianos num país sob ocupação'. Estas orientações implicam que se a ocupação acabasse amanhã então estaria tudo bem em iraquianos matarem-se uns aos outros, como tem occorrido durante as últimas três décadas."
Fica claro então que, se os EUA se retirassem do país neste momento, a guerra civil no Iraque começaria de imediato, com níveis de violência maiores do que os até agora registrados, pois a fúria dos "rebeldes" se voltaria para seu próprio povo.
Para terminar: Outro blogger iraquiano, Easmon de Iraq&Iraqis comenta o resultado da últimas eleições americanas a ofensiva contra Fallujah.
"Para mim, como iraquiano, fiquei muito feliz e agradecido pelos resultados das eleiçoes nos EUA por que eu não poderia encarar uma nova política para o Iraque feita por um outro partido que pensa que as coisas aqui no Iraque deveriam ficar por conta da ONU. Conhecemos muito bem o quão corrupta é a ONU por aqui. A justificativa para minha defensiva em relação à ONU foi a carta do secretário geral da ONU para o primeiro ministro Alawy no dia 6 de novembro, alertando o governo iraquiano para que não atacasse Fallujah.. Ok, então não se ataca ; Qual o plano então? Na tal carta, nenhuma resposta"
Sem comentários...
Por quê Israel tem de negociar com os palestinos?
Esta matéria de Steve Shamrak no Brookesnews coloca um pouco de luz na questão de um peso, duas medidas na questão.
De acordo com qualquer especialista em contra-terrorismo não se pode em hipótese algum "negociar" com estes elementos. Negociar significa validar seus métodos de persuasão e servem para aumentar o que tentam diminuir.
É por isso que nenhum governo negocia com rebeldes terroristas - mesmo com intenções legítimas de independência como os bascos, curdos, chechênos. Nem a ONU apoia tal tipo de ação.
Por outro lado, em se tratando do palestinos, tudo muda de figura. O mundo praticamente obriga Israel a negociar e aceitar os termos em que terroristas negociam.
Ao mesmo tempo não obrigam por exemplo a China a negociar sua retirada do Tibete. A causa?
Shamrak entrega : "The idea of Palestinian people was born in the mid of 1960s, after Arab states realized that it was impossible to destroy Israel using military force. The plan for destruction of the state of Israel through political manoeuvring, propaganda campaign and diplomatic arm-twisting was drawn and put to action."
quarta-feira, novembro 17, 2004
O Pensamento (confuso) do pacifista-mor Dalai Lama

Dalai Lama, supostamente a reencadernação de Buda, o inspirador mundial do pacifismo zen, mostra todo o seu (confuso) pensamento sobre pacifismo, armas, e -surpreendemente - pre-emptive war.
A entrevista foi publicada no penúltimo número da revista Seleções.
Seleções: O senhor tem um animal preferido?
Dalai: Talvez os pássaros. Alimento os mansos. Não sou violento, amas, se aparece um falcão quando os estou alimentando, pego a espingarda de ar comprimido
Seleções: O senhor tem uma arma de ar comprimido?
Dalai: Tenho , mas só atiro para assustar os falcões
Seleções: De quem mais o senhor apreciou a companhia?
Dalai: Vaclav Havel, o papa, Willy Brandt – que aprendi a admirar durante a guerra fria. Apesar das dificuldades ele ganhou a confiança dos líderes soviéticos sem muito prejuízo aos direitos de seu país. É a maneira certa. Defender seus direitos, seus valores, e ao mesmo tempo ser um bom amigo.
Seleções: Alguém mais?
Dalai: O presidente Mao. Nosso primeiro encontro foi formal e eu estava muito ansioso. Depois, poem, nos jantares oficiais, ele me fazia sentar ao seu lado e me tratava como filho, chegando a dar comida em minha boca! Como ele tosia muito, eu tinha medo de pegar uma doença! (risos) Ele dizia que era muito bom eu não fumar. Ele não conseguia parar. Gostei da maneira como admitiu isso para mim e acho que criamos uma bela amizade. Eu também o respeitava muito. Sem dúvida alguma ele foi um grande revolucionário. Mas, ao mesmo tempo, seus modos sempre foram os de um camponês.
Seleções: Há mais de quarenta anos, o senhor foi obrigado a deixar a sua terra natal. Desde então, a cultura do Tibete foi suprimida e muitos tibetanos morreram em fuga. O senhor deve sentir raiva ou ódio dessa situação.
Dalai: Raiva, acho que às vezes. Ódio, quase nenhum. Aprendemos a não sentir isso. Não faz muito tempo conheci um velho monge tibetano que passou quase 20 anos num gulag chinês. Enquanto me falava de seu sofrimento, ele mencionou que enfrentou situações difíceis. Imaginei que fosse algum risco de morte, mas ele explicou que havia enfrentado o perigo de perder a compaixão pelos chineses. Sabia que estava sofrendo por causa de suas vidas passadas, deseu carma. E agora essas pessoas que lhe causavam sofrimento criavam novo carma e teriam de enfrentar conseqüências negativas. E isso é motivo para nos preocuparmos com elas. Conter a raiva não significa ceder. Lutamos por nossos direitos, pela justiça, massem rancor. O verdadeiro sentido da luta sem violência não é só a ação, mas também a motivação . Numa de suas vidas anteriores, Buda, para salvar 499 pessoas, matou uma. Essa pessoa pretendia eliminar e roubar 499 companheiros. Então Buda raciocinou que, se aquele indivíduo fizesse isso, não apenas 499 pessoas morreriam, como aquela pessoa cometeria um pecado. Buda aceitou o pecado de matar uma pessoa e salvar 499 outras, exclusivamente por compaixão.
Seleções: Como monge, que experiências de uma pessoa comum o senhor acha que perdeu?
Dalai: Obviamente perdi esta experiência aqui [ele aponta para a própria virilha e ri].
Comentário: começo a achar que a causa do pacifismo universal a qualquer preço é talvez o que mais tenha afastado o mundo deste objetivo. Quando Dalai fala de Mao, parece que a figura do "presidente" não teve nenhum responsabilidade sobre a violência que se abateu sobre o seu amado Tibete. Dizer sobre Mao que "acho que criamos uma bela amizade" é algo completamente descolado da realidade. Por quê não usou então esta "bela amizade" para evitar o sofrimento e a morte de tantos colegas monges nos gulags? A simpatia com que o Dalai fala de líderes comunistas como Havel e comunistas-ma-non-troppo como Brandt é patética: Brandt ganhou a "confiança dos soviéticos" em meio a guerra fria, num país como a Alemanha Ocidental só queria dizer uma coisa: traição, pois os soviéticos não estavam interessados em "paz mundial" coisa nenhuma.
Apesar de tudo fiquei intrigado com a referência à ação preventiva do antigo Buda, matando um suposto ladrão assassino para poupar a maioria. Não é isso que Bush se propôs nos casos do Afeganistão e Iraque, com a diferença que houveram mais 2.000 mortes a justificá-las?
Pelo menos o Dalai usa arma - de pressão - mas usa. Provavelmente no Brasil teria que entregar a sua arma ao poder público.... Irônico.
Mas fiquei com a - quase - clara impressão de que o representante de Buda que precisávamos para esta época não seria este, mas sim o outro citado pelo Dalai na entrevista.
terça-feira, novembro 16, 2004
Antropofagia: Oswald de Andrade, partindo da "auto-estima" até a morte da cultura nacional.
Oswald, além de escritor, foi um dos inspiradores da “Semana de Arte Moderna de 22” - movimento chamado por Monteiro Lobato de “paranóia ou mistificação” - como também foi um membro ativíssimo do Partido Comunista Brasileiro. Esta última função deu estofo e conteúdo às outras atribuições do artista.
Mas o que mais chamaria a atenção de Lula foi o movimento antropofágico lançado por Oswald em 1928 – chamado de “Pau Brasil”. O movimento tinha uma base teórica tão rasa quanto o roteiro de uma novela mexicana: usava-se a figura do índio antropófago, cujas tribos no Brasil pós-descobrimento eventualmente devoraram alguns europeus, como símbolo da nova arte brasileira. Seria uma arte novíssima surgida da fagocitose do elemento estrangeiro metabolizado e miscigenado com os elementos nacionais. Uma arte de exportação para o mesmo estrangeiro que de alguma forma a inspirou. Também faziam parte do manifesto antropofágico a recuperação de elementos marginais na cultura brasileira, ofuscado pela busca dos “clássicos” e do “conservadorismo”.
Estava aí criada a base teórica de nosso atraso cultural. Não precisávamos mais evoluir culturalmente nem aprender nada de novo com os estrangeiros. O movimento pregava uma falsificação cultural : embalar o que de mais tosco existia na arte nacional com o apelo fácil da ”modernidade”. Oswald deve ter percebido muito bem em suas andanças pela Europa no início do século que a tal “modernidade” (aliás chegamos atrasados: o que Oswald trouxe na bagagem era a “pós-modernidade”) era um embuste: qualquer débil mental poderia criar “obras” como aquelas. Até mesmo brasileiros.
A arte “moderna” que Oswald apreciava, o cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo entre outros “ismos” não eram arte de verdade. Eram movimentos anti-arte, pois estavam plenamente engajados na desconstrução do que antigamente se chamava “arte”. E todos os participantes destes movimentos também eram ativos comunistas. Na verdade todos estes movimentos eram como um cavalo de Tróia a destruir “por dentro” os valores da sociedade ocidental. Tal era a “avant-garde” européia do início do século. E a qual resultado poderia se chegar na apropriação de elementos tão pobres como matéria prima para o “novo”?
As evidências estão aí até hoje. Oswald e seu pau-brasil foram precursores de um outro movimento chamado “tropicalismo” nos anos sessenta. Este movimento pregava que a “modernidade” consistia em recitar um poema concretista de Augusto de Campos ou uma letra lacrimejante de Vicente Celestino ao ritmo de tamborim e guitarra elétrica, vestindo roupinhas de plástico. Esta é a modernidade da qual o Brasil não consegue livrar-se há décadas: os dois líderes do movimento, Gil e Caetano foram elevados à categoria de “intelectuais”, sendo muito influentes nos destinos da cultura do país. Um deles é o ministro de cultura do governo Lula. Há mais de trinta anos o fantasma do tropicalismo-pau-brasil assombra em quem pensa em cultura no país.
O resultado do movimento foi o de onseguir transformar a cultura nacional na “geléia geral” que seus líderes tanto apregoavam. O sentido do aprendizado cultural acabou. Na visão tropicalista todo o brasileiro pode ser superior a qualquer estrangeiro por suas qualidades intrínsecas: tocador de tamborim, de caixa de fósforo, compositor em guardanapo de papel. Não há necessidade nenhuma de haver algum refinamento desta “arte”. Ela já é a expressão mais autêntica do povo brasileiro.
Mas o que não se percebe é que este polaroide dos anos sessenta está amarelado demais, como Caetano mesmo dizia em 1968, ser tropicalista ainda hoje é como tentar “matar o velhinho que morreu ontem”. Não existe no Brasil nenhum tipo de cultura vagamente conservadora para se fazer frente. Nem mais o tipo de vanguarda que Oswald encontrou no início do século passado para se inspirar. Quero dizer que a própria vanguarda de hoje é pior ainda...
No fundo, esta “arte”, bem como as intenções governamentais de melhorar a “auto estima” nacional não passam de mentiras. Mentiras para um país acreditar que ele é mesmo belo, que é grande, mesmo sem estudar, mesmo sem desenvolvimento, mesmo tendo índices de educação e violência muito piores de outros países economicamente mais atrasados do que o nosso.
Mas existe alguma esperança quando se verifica em nível mundial, uma reação, uma revalorização do pensamento clássico/conservador. Pena que jamais chegará ao Brasil, pelo menos enquanto o império da incultura tropicalista mantiver seu reinado.
O que acontece no país é que a hegemonia da visão tropicalista ainda vigente – sem um conservadorismo a atacar – acaba por devorar o próprio rabo. A síntese da falta de uma real cultura de um lado e a elevação de qualquer tosca manifestação ao nível de arte do outro foi a recente turnê européia da “rapper” MC Tati Quebra Barraco: patrocinada por entidades feministas, Tati mostrou o “novo feminismo” nacional com obras (?) do quilate de “Eu tô podendo pagar motel pros homens”, “Sou feia mas tô na moda” e “Dako é bom” (referência de duplo sentido a uma marca de fogões).
Analisando em perspectiva, Oswald errou propositalmente em falar de “antropofagia”. O que importamos da Europa para deglutir não era realmente arte. Não passava de lixo. Então não houve uma antropofagia. E o nível em que se encontra a cultura nacional não se pode mesmo falar em antropofagia, temos que nos referir a ela com outro desvio alimentar/fetichista:“coprofagia”.
terça-feira, novembro 09, 2004
A imparcialidade da Mídia Nacional
Engraçadíssimo!!
"Segunda-feira, 1 de novembro de 2004
Lá: Memos say that Bush failed to show up for his physical in the War.
Aqui: Documentos comprovam que Bush não compareceu ao exame médico na guerra.
Lá: Memos are fake!
Aqui: Cientistas descobrem que formiga africana acasala 5 vezes por ano.
Lá: Explosives disappeared under american guard in Iraqui.
Aqui: Explosivos sob responsabilidade do Bush desapareceram no Iraque.
Lá: U.S. Team Took 250 Tons of Iraqi Munitions.
Aqui: Tamanduá-bandeira com cores raríssimas encontrado em acampamento de escoteiros é batizado de Ronaldinho."
Reencontrando a nobreza
A feira do livro de Porto Alegre proporcionou-me um reencontro realmente inesquecível: O príncipe Mishkin
Encontrei-o ontem mesmo em uma edição caprichada mas-não-tão-cara-assim.
Faziam quase vinte anos de nosso último encontro. Ele não mudou um tantinho que seja, enquanto eu mais pareço o espelho do Dorian Gray (ooops, este é outro personagem).
Abrir uma nova edição desta obra é reencontrar um velho amigo. Para mim o mais devastador personagem de Dostoiveski. Pelo menos o mais Quixotesco e verdadeiro...
O importante é que esta obra ainda exerce o mesmo fascínio em mim quanto há vinte anos ....
Vida eterna ao príncipe!!!
sábado, novembro 06, 2004
Carta para Paulo Santana, de Zero Hora
Seus comentários sobre a vitória de Bush do dia 04/11 são o típico produto da desinformação fomentada pelos nossos jornais e televisões democratas sobre as eleições norte-americanas.
O primeiro argumento de que Bush mentiu sobre as armas de destruição em massa é risível: a "mentira" então foi fabricada pela própria ONU,uma vez que sua resolução 1441 fala exatamente sobre isso: O Iraque teria de apresentar provas da destruição das armas ou....
Bush simplesmente completou os pontinhos - exatamente como Clinton, aquele presidente que só mentia sobre suas aventuras sexuais ou sobre o uso de maconha para consumo próprio. O problema é que a ONU esperava que os pontinhos fossem "esperar até que Saddam tenha paciência de nos
atender"... Bush achou que era "ou nós vamos invadir a sua praia".
A acusação de gostar da Guerra é ridícula: se for verificar que o único país em que, numa eleição virtual mundial para presidente dos Estados Unidos, Bush venceu foi o Iraque. Exatamente o país o qual os seus "defensores" - defensores dos terroristas , bem lembrado - diziam que os EUA haviam invadido e que a "resistência" era justa...
O seu comentário , em resumo, é um amontoado de besteiras e mentiras que a mídia predominantemente democrata dos Estados Unidos (e aqui a totalidade) tentou impingir ao mundo inteiro. Nos Estados Unidos,felizmente não conseguiu.
Lá existem os meios alternativos de informação: programas de rádio conservadores como o de Rush Limbaurgh, sites de informação como o de Matt Drudge e centenas, milhares de blogs e grupos de discussão na internet que conseguiram furar o bloqueio de desinformação democrata.
Para cada paquidérmico Michael Moore haviam dezenas de pessoas esforçadas e comprometidas com a VERDADE! Se tu por acaso assisitires ao FahrenHYPE 911 (DOCUMENTÁRIO que refuta todas as mentiras do gorducho) vais saber como é.
Houve também "UNFIT FOR COMMAND" o livro dos veteranos de guerra companheiros de Kerry revelando a verdadeira natureza de sua passagem pelo Vietnã: covardia e traição.
Havia muito mais. Mas o mais importante é que a família americana compreendeu a natureza diversa dos candidatos: um é pró-familia, anti-aborto, anti-casamento gay, que sabe que existe o certo e o
errado e que ditadores são bons só quando não se vive abaixo de um....
Esta é a grande verdade....
Santana, para tu te informares mais e melhor sobre o mundo e sobre os acontecimentos que o cercam sugiro que não vá tão longe: Leia as colunas do filósofo Olavo de Carvalho, aí mesmo na Zero Hora,
quinzenalmente aos domingos.
Começará a compreender do por quê a sociedade americana rejeitou em peso a candidatura Kerry...
PS.: Incluo uma foto de um refugiado do Sudão mostrando a verdadeira natureza do mandato de George Bush.
SDS,
Luís Afonso
terça-feira, novembro 02, 2004
domingo, outubro 31, 2004
Eleições nos EUA : Parcialidade de ZH faz "Scola"
"Prezados:
Quarta cartinha desta semana sobre o mesmo tema.
Hoje vocês se superaram, hein? Depois de dois dias como diabo foge da cruz - e talvez por causa de algum escrúpulo jornalístico residual em saber que tinha dado capa a uma mentira do New York Times sobre os estoques sumidos do Iraque - hoje ZH volta à sua forma habitual.
O "correspondente" Daniel Scola mente ou pelo menos esconde novamente a informação de terça-feira da NBC de que as armas sumiram ANTES da chegada dos americanos em Bagdá.
Qual a utilidade mandar alguém aos Estados Unidos "cobrindo" a eleição desta forma?
Eu, daqui do Brasil sei muito mais do que este indivíduo sobre a eleição americana e sobre este caso das armas no Iraque.
Hoje sexta feira, já se sabe com algum grau de certeza que foi a Rússia, antes da tomada de Bagdá quem levou as armas para a Síria.( http://frontpagemag.com/Articles/ReadArticle.asp?ID=10111)
Se o repórter não sabe disso, me permito atualizá-lo.
Media Disgrace - artigo de Thomas Sowell -(http://www.townhall.com/columnists/thomassowell/ts20041029.shtml)
Artigo da própria CBS de abril de 2003, mostrando que as armas já tinham sumido antes da chegada dos americanos, refutando a corrente história da própria CBS e do NYT
(http://www.cbsnews.com/stories/2003/04/04/iraq/main547667.shtml)
Isso sem falar nos na intenção da CBS em mostrar a reportagem no 60 min, dois dias antes das eleições....
Parcial eu?
Com tudo isso nas costas o "repórter" ainda faz questão de lançar dúvidas sobre o New York Post de Rupert Murdoch.
Uma semana atrás o NYT lançou oficialmente o seu apoio à Kerry. Há um mês Dan Rather da CBS acabou com sua carreira por um falso documento relativo à carreira de Bush.
Agora o NYT dá capa para mais uma mentira...
Falando em parcialidade, a presente edição de ZH mostra três fotos de Kerry, sendo uma na contracapa, contra uma de Bush, cita textualmente longos trechos do discurso de Kerry sendo que há apenas duas linhas que são concedidas a uma pobre eleitora de Bush...
Esta é a imparcialidade de ZH e do repórter , que ainda tem coragem de insinuar que os veículos de Murdoc h ão "parciais"?
Olha, sinceramente, ao invés de mentir aos eleitores, ZH poderia fazer como na quarta e na quinta, dias em que se omitiu de comentar o assunto.
Hoje a convição de qua ajudar Kerry de qualquer maneira parece ter voltado ao seu pico. Como se as eleições fossem por aqui ou o Brasil tivesse algum peso na disputa.
A falha em retratar o verdadeiro debate sobre as eleições americanas fará de ZH uma vítima lateral na fatal exploão do BombGate - como agora está se chamando nos EUA o caso da farsa das armas "sumidas" - exatamente no colo dos seus criadores, junto com a própria candidatura Kerry....
Até quarta... Se nenhuma nova Oktober Fest democrata roube o resultados das eleições...
Talvez seja me mesmo publicar receitas culinárias no lugar da "cobertura" das eleições americanas.
De quebra poderia ajudar no Fome Zero" ...
Luís Afono