sábado, setembro 04, 2004
Quebrando um mito da esquerda: A mobilidade social no Brasil é altíssima
"Nosso elevador Social Funciona
Uma pesquisa recente derrubou o mito : o de que o Brasil é um país
onde não há espaço para a escenção social. O trabalho, de autoria dos
sociólogos José Pastore e Nelson do Valle Silva, mostrou que
a mobilidade social no país foi, durante o século vinte, maior até
mesmo do que em alguns países da Europa.
Desde os anos 70, quase 87% da população conquistou uma condição de
vida mehor ou igual a de seus pais, enquanto pouco mais de 13%
perderam posições nos estratos sociais"
Antonio Neto - Superinteressante
sexta-feira, setembro 03, 2004
London's Burning
Hoje, depois de mais de 14 anos voltei a ouvir um disco que marcou minha vida: "London Calling" do Clash.
Conheci a obra em 1981, quando entrei na faculdade.
Bueno, sei que eles não passavam de um bando de esquerdistas. Pior, bancando os mais "letrados" da cena punk inglesa. Mas o importante é que atrás da atitude havia música - e versos poderosos. Foram os primeiros a unir o reggae com o punk.
Ouvir The Clash em 1981 era um alívio: música seminal, cantando as dores das vidas das ruas, uma realidade palpável. Bem distante dos "platinum disks" colecionados pelos medalhões do rock de então , como Rod Stewart e os Eagles que cantavam as delícias de ser...bem, um rock star...
Por aqui a coisa era pior ainda: ouvir Chico Buarque e Ivan Lins em mais uma metáfora rebuscada sobre ditadura ("não lavei as mãos / é por isso que eu me sinto / cada vez mais limpo" - Ivan Lins) dava no saco. A alternativa era pior ainda ouvir Maria Bethânia em mais um sambolero derramado do Gonzaguinha celebrando as alegrias de ser mulher possuída pelo seu macho era demais..
A questão central era que o punk não tinha letras e ou atitudes que "queriam dizer" alguma coisa: elas simplesmente diziam!!!
Apesar de ter uma conotação totalmente anti-stablishment o punk nasceu de uma campanha de marketing poderosa... Acho que pode ser um exemplo típico de "nihilismo de mercado".
O Clash foi um produto típico deste desvairio: eram cultuados pela comunidade punk original, para serem logo taxados de "vendidos" quando assinaram o seu primeiro contrato para gravar um LP (é o que se dizia na época, folks..). Vá entender... Enquanto isso Malcom McClaren ganhava os tubos com os Sex Pistols (sinceramente, para mim os caras eram muito, muito ruins)..
Tudo isso para dizer que os sentimentos que este disco ainda me trazem são algo poderoso: uma nostalgia irada, uma inquietação nostálgica, lembranças da primeira trepada, angústia adolescente, os anos perdidos sob pilhas de livros (será que foram perdidos?), ouvir "The Card Cheat" enquanto devorava as páginas de "Demian" do meu eterno Hermann Hesse foram momentos de revela~ção marcantes para mim...
A música do Clash trazia os mesmos sentimentos despertados pela literatura de Hesse...
Enfim este é um disco fundamental."When they kick at your front door /How you gonna come? / Put your hands in your head / Or in the trigger of your gun" permanece atual...
Apesar de esquerdistas, meus agradecimentos eternos a Joe Strummer(in memoriam) e Mick Jones.
terça-feira, agosto 31, 2004
Esquerdismo letrado não passa de desonestidade intelectual !!
Como os ditos "intelectuais" de esquerda acabam transformando sua obra em propaganda disfarçada, usando seu intelecto para distorcer a percepção da realidade a fim de moldá-la aos seus ideais.
Pegue qualquer jornal, ou melhor, qualquer revista. Ou ainda, tente ir ao cinema. Não, não veja filmes nacionais - por demais ideológicos - veja os filmes da última safra Hollywoodiana. Ou deixe tudo isto de lado, compre um livro ou vá ouvir música.
O resultado será o mesmo: se você não quer saber de política nem se interessa pela eleições dos Estados Unidos, não terás escapatória. Em qualquer uma das situações acima descritas você estará em muitos casos não adquirido uma obra de arte ou uma informação que previamente se escolheu. Levarás de lambuja, escondida ou nem tanto assim um conteúdo para o qual não estava esperando: propaganda política das mais rasteiras.
E não estou falando de Michael Moore.
Atualmente, qualquer produto cultural traz embutido uma mensagem política. Nem se pode dizer que seja mensagem subliminar, uma vez que são bem explícitos os seus efeitos. Por "mensagem política" leia-se propaganda descarada esquerdista. Esquerdismo traduzido e travestido em suas palavras de ordem-mantras: "justiça social", "igualdade", "pacifismo", "politicamente correto", "cidadania" entre outros.
O ardor em que as tropas de elite desta guerra cultural (que já considero vencida, infelizmente) se empenham em fazer de cada evento cultural apenas um fundo, um cenário cuidadosamente planejado para que os atores da farsa desenvolvam sua propaganda travestida de arte é doentio.
É uma lástima que tantos "intelectuais" deixem de fazer uso do próprio intelecto em defesa de ideologias fracassadas e assassinas, mas que usem seu talento ao máximo para distorcer a realidade de modo a tornar tais ideiais não só críveis mas também desejáveis e perfeitamente justificáveis, ao passo que distorcem ao máximo as intenções do seu inimigo de classe de modo a obter uma reprovação total.
Mentira e desonestidade intelectual é o que praticam.
No Brasil temos também o caso inverso: além de intelectuais que emburrecem quando se trata de política, temos burros ou jumentos dotados de talento que - pela defesa dos mesmos ideiais retrógrados - ganham a aura de "intelectuais" de peso.
Estes artistas - vamos chamá-los assim pois é esta sua habilidade - tem o seu ofício muito característico. Não fazem arte. Fazem simples "trompe l'oleil".
"Trompe L´Oleil" pode ser traduzido ao pé da letra como "golpe de olho" ou "golpe de vista" e pode ser definido como uma forma de enganar a percepção. Os usos mais comuns desta forma de expressão é transformar superfícies planas em simulacros de objetos tridimensionais. O genial artista holandês MC Escher levou esta técnica ao estado da arte. Combinou o velho "trompe loeil" com uma precisão matemática criando obras enigmáticas e quebra-cabeças visuais.
Nossos intelectuais e formadores de opinião são os "anti-Escher" nesta jogada: tentam transformar seus ideais totalitários unidimensionais em realidades virtuais que resultam num atestado de traição à lógica e de sua própria inteligência no processo.
Pena que não temos críticos de arte em profusão neste país para denunciar o uso rasteiro de tais técnicas.
Como a obra de MC Escher reproduzida neste artigo, tais "condutores" das massas querem nos fazer acreditar que avançamos continuamente rumo ao "progresso" e "igualdade", sem nos deixar perceber que na realidade estamos há décadas andando em cérculos , que não vamos a lugar algum e que o prédio está prestes a desabar...
segunda-feira, agosto 30, 2004
Olavo de Carvalho no Primeira Leitura: algo a comemorar?
Se o primeiro, "A arte do Porcumentário", uma ácida crítica ao "Fahrenheit 9/11" de Michael Moore, pode ser considerado como um ensaio à recepção do autor neste veículo - afinal não era um artigo típico de Olavo, foi disponibilizado somente na versão impressa e teve o título modificado para um anódino "Tiros na Lógica" - este vem com tudo o que Olavo conhece como ninguém: a deníncia da estratégia gramsciana de longo-termo da esquerda nacional para a tomada do poder.
Considerando o direcionamento do "Primeira.." , deve ter sido um choque para o leitor médio o artigo "Tubo Cortado", bombasticamente prefaceado pelo Reinaldo Azevedo.
Este acontecimento pode ser descrito de duas formas: um reconhecimento tardio ao trabalho do Olavo nestes últimos anos e também uma evidente mudança de postura na linha editorial da revista, o que é preocupante.
O reconhecimento é mais do que bem vindo pois Olavo de Carvalho é o pensador mais lúcido do Brasil atual, prevendo com muita antecedência, especialemtente durante a campanha de 2002, tudo o que os jornalistas agora "lamentam" no governo Lula. O mesmo que eles ajudaram a eleger com o maior engajamento e parcialidade. Não podemos, é claro, reconhecer também o papel de FHC (o nosso Kerensky) na vitória de Lula.
Por outro lado é preocupante a mundança da linha da revista. Preocupante pois revela um posicionamento mais crítico para com a esquerda dita revolucionária, aquela mesma com quem tem simpatias mais do que ocasionais.
O seu novo posicionamento revive o que historicamente aconteceu aos sociais-democratas europeus no século vinte. Um vai-e-vem de alianças e apoios que se moldavam ao gosto dos acontecimentos e da anti-propaganda comunista da época.
Isto acontece por causa da própria natureza da social-democracia, um meio caminho entre a economia de mercado e o controle estatal mas que só poderia nascer dentro de uma sociadade liberal e democrática. Os seres sociais-democratas são assim como um "elo perdido" entre a democracia liberal e o dirigismo estatal socialista. Esta ambiguidade se revela a todo o momento em suas atitudes: morrem de simpatia pelos ideais socialistas mas são eternamente gratos aos democratas liberais/conservadores pela própria existência..
As posições sociais-democratas mudam conforme os "humores" do momento: na segunda guerra se aliaram ao ocidente, com um viés anti-comunista fortíssimo; Já na deténte das décadas de 60 e 70 foram os primeiros a criticar o ocidente e a estender o tapete vermelho para os então "pacíficos" comunistas. E assim tem sido desde então. Quanto mais "reformista" é o regime comunista, maior o apoio dos sociais-democratas. Mas ao menor sinal de que o perigo "
vermelho" não está no pretérito perfeito e voltou ao presente do indicativo, levantam a ponte levadiçaa e aprofundam o fosso com os socialistas "radicais" enquanto voltam às boas com seus velhos aliados.
Parece exatamente com o caso atual.
Se até Olavo de Carvalho - um intelectual vigorosamente liberal e conservador - está nas páginas do "Primeira Leitura", devemos estar realmente à beira do abismo. Ou a uns cinquenta metros do chão.
quinta-feira, agosto 26, 2004
WorldNetDaily: Alice Cooper: roqueiros Anti-Bush agem como traidores idiotas
WorldNetDaily: Alice Cooper: Anti-Bush acts treasonous morons
Neste artigo do Worldnet daily Alice Cooper desce uma lenha nos roqueiros comprometidos na campanha pré-Kerry:
"Se você está escutando um rock-star para saber em quem votar, você um idiota muito maior do que nós. Por quê somos rock-stars? POr que somos uns idiotas. Dormimos o dia inteiro, tocamos todas as noites e muito raramente temos tempo de sentar e ler o Washigton Journal"
"Além disso," ele diz, "quando vejo a lista de pessoas apoiando Kerry.. Se eu não era um apoiador de Bush eu imediatamente trocaria de lado. Linda Ronstadt? Don Henley? Por favor... é uma boa razão para se votar em Bush."
Comentário: O velho Alice ainda não teve o cérebro totalmente derretido pelos excessos... Bravo, Alice!!!
segunda-feira, agosto 23, 2004
Curso Filosofia - Prof. Olavo de Carvalho 21/08 - Porto Alegre
Depois de muitas dificuldades, correrias, atropelos e muita, muita ansiedade, finalmente no dia 21/08 tivemos a aula inaugural do Curso de Filosofia com o professor Olavo de Carvalho em Porto Alegre.
Olavo é o pensador com a visão mais lúcida e abrangente sobre a realidade político-cultural brasileira.
Visão que infelizmente nos é negada pelo ensino oficial neste país. Em país de cegos quem tem olho é rei ?
Pois está na hora de acabar com esta monarquia absolutista...
Se a guitarra do compositor socialista Woody Guthrie era uma "máquina de matar fascistas", o curso do Olavo pode ser comparado como uma motoniveladora pronta para derrubar nosso "Muro de Berlim" ideológico/cultural.
quinta-feira, agosto 19, 2004
The Modern Library - Os 100 melhores romances
- Atlas Shrugged e The Fountainhead estão em primeiro (Para quem não sabe, Atlas foi lançado no Brasil como "Quem é John Galt?").
No lado da comissão , ficam:
1) Ulysses - Joyce
2) O Grande Gatsby - Fitzgerald.
Até mais...
terça-feira, agosto 17, 2004
O coletivismo e a razão
Neste fim de semana tive a oportunidade de conhecer a extensão do pensamento coletivista no Brasil.
Participei de um evento sobre liberdade e livre iniciativa onde os conceitos e teses coletivistas disfarçados de "justiça social" foram os mais ouvidos e debatidos.
Isso me levou a pensar que nós, os liberais, temos um trabalho árduo a fazer. Costumamos pensar que as teses e os conceitos liberais por si mesmos, pela simples apresentação de sua base conceitual e de suas premissas poderiam realizar a grande transformação alquímica de transformar e converter coletivistas em aliados. Pensávamos que ideais tão elevados como a liberdade humana em toda a sua extensão fossem por si próprios auto-explicáveis.
Ledo engano.
O coletivismo já penetrou tão fundo na psique nacional que as pessoas com naturalidade já começam a defender até mesmo o fim da liberdade e do livre-arbítrio como necessárias para a obtenção da tão sonhada "igualdade".
Ultrapassamos um ponto perigoso. Os bons sentimentos originais já justificam medidas totalitárias com a maior desfaçatez do mundo. Coisas como "imposto progressivo", "limitação do consumo de supérfluos", "controle de preços" saem da boca das pessoas da forma mais natural e singela possível. E não falamos de militantes. Falamos de pessoas comuns expostas à doutrinação incessante da mídia, ensino e até de setores religiosos.
A simples demonstração de um egoísmo pessoal, de querer e ter o direito de desfrutar os benefícios do próprio trabalho sem que ninguém interfira é visto como uma coisa "condenável".
Ou seja: preferimos entregar ao governo de forma compulsória os recursos para ele "praticar o bem" mesmo prejudicando toda a população enquanto condenamos qualquer demonstração de egoísmo pessoal que não prejudica ninguém, pelo contrário - como já dizia Adam Smith - pode se transformar em bem comum quando satisfaz as necessidades da população.
Nosso grande trabalho é então mostrar sempre que possível a face amarga desta terrível doença nacional que é o culto ao estado.
Aqui vai a minha contribuição a este debate. Se refere a coisas que ouvi ultimamente. Vejam só:
"A utopia socialista é melhor do que a utopia capitalista" - este é uma inversão completa da realidade. O capitalismo aqui parece que foi urdido em meio a reuniões secretas de alguma seita obscura com o intuito de explorar e subjugar as pessoas. Exatamente o que foi o socialismo. Séculos de evolução tecnológica, mais as oportunidades surgidas de um mundo cada vez menor levaram ao refinamento da prática capitalista. Ela nunca foi "utópica". Ela é a realidade. É um erro pensar que o capitalismo seja utópico. Sobre o ponto de que o socialismo seja "melhor", basta estudar o que foi feito, ou melhor, o número de vítimas inocentes do socialismo para tentar descobrir no que ele pode ser melhor.
· "Só devemos adotar o liberalismo depois que as desigualdades forem minimizadas" - este discurso é geralmente associado a quem se diz liberal, mas acha que sua prática impossível no Brasil sem algumas premissas básicas. As premissas estão dentro do conceito liberal ao meu ver e não fora. O conceito Estado Mínimo não significa a ausência de regras e o "cada um por si". O acesso à saúde, educação e manutenção da segurança nacional são tarefas do Estado. Que deve continuar a mantê-las. Achar que o liberalismo só poderá ser implantado sem as desigualdades atuais da sociedade brasileira leva a pensar que alguma outra coisa que não o liberalismo, irá fazer a mágica de diminuir as desigualdades. O que seria? Não consigo pensar em nenhum outro sistema econômico que comprovadamente faça de forma competente a distribuição das riquezas dentro de uma sociedade do que o liberalismo. Ou existe?
· "O imposto progressivo é a solução para distribuir renda" - Tenho uma aversão de berço para com tudo o que tenha "progressivo" no nome: Igreja "progressista", Partido "progressista" e até mesmo o rock dito "progressivo" são tudo, menos progressistas. Eles na verdade escondem práticas caducas, totalitárias até (rococó no caso do rock) como sendo "modernas". Imposto progressivo então é o símbolo da pilhagem que os coletivistas querem fazer sobre aqueles que tem alguma competência para gerar riquezas. Seria o símbolo da parasitagem tributária em sua mais perversa versão. Parte da premissa falsa de que só se consegue sucesso no Brasil tirando de alguém. Os impostos seriam uma forma justa de devolver o que foi tirado indevidamente a alguém. Quer dizer: se eu trabalho muito e consigo com isso uma boa renda, devo ser penalizado por isso. Outra premissa embutida é de que se tirando dos mais ricos se poderia dar aos mais pobres. Nem uma coisa nem outra: o estado não consegue dar aos pobres nada diferente do que assistencialismo. O que os pobres necessitam é de desenvolvimento, acesso ao mercado, empregos. Que os mais ricos poderiam prover, se tivessem lucros suficientes para investir no próprio negócio. Ou mesmo parado num banco, possibilitando alguém obter um empréstimo para gerar mais emprego e desenvolvimento. Na realidade o que se consegue ao invés de dar aos pobres, é tornar todos mais pobres.
· "Os preços devem ser fiscalizados" - esta é antiga e o Brasil a praticou com resultados desastrosos por mais de duas décadas. Controlar os preços é mais ou menos como tentar tratar da febre colocando o termômetro na geladeira. Preços não são um sintoma de desajuste, são o ajuste possível para normalizar o mercado. Pela lei da oferta e da procura (incrível mas esta lei é a única que nunca foi regulamentada em nossa constituição "cidadã"), quando um item se torna escasso ele adquire um valor maior. Com o aumento natural de seu preço, esta escassez seria ajustada. Pois o preço por si mesmo faria esta mágica. De modo natural, sem intervenções. Numa sociedade com real competição não faltarão agentes que aproveitaram a ocasional alta de algum produto como uma oportunidade de negócios para outras alternativas. O mercado não ficará sem uma solução por muito tempo.
· "O governo deve confiscar mesmo, pois com dinheiro de sobra ninguém doaria mesmo" - é o sofisma mais cruel. Digamos que eu não seja caridoso nem tenha boas intenções. Por isso não faço caridade mesmo que tivesse os recursos para isso. E então delego ao estado/governo que o faça de modo compulsório. Quer dizer: eu não confio nem em mim, mas confio plenamente nas mãos do estado para fazer "o bem"... É um paradoxo brutal. O estado - formado por pessoas - tem qualidades superiores ao conjunto das pessoas que o forma.... Citei este caso como sendo uma espécie de "terceirização do altruísmo" em um comentário anterior.
Enfim, o que fica no final é que mesmo confrontadas com a razão as pessoas acabam radicalizando o modelo "social" e até justificando medidas ditatoriais e totalitárias em troca de um utópico - e mentiroso - "bem comum". O custo? Perder o próprio conceito de humanidade no trajeto...
É. Estamos bem piores do que eu imaginava....
terça-feira, agosto 03, 2004
Auto-definição dos liberais democratas americanos
"Você aprende como se tornar a favor de qualquer assunto : pró-aborto, trabalhista, a favor dos advogados (em função de John Edwards). Você aprende a se tornar ambientalista. E você termina, neste processo, com nenhuma base filosófica mais abrangente. Você acaba sem idéias sobre segurança nacional. Você acaba sem idéias sobre história americana e sobre teoria política. Você acaba, falando francamente, sem idéias sobre macroeconomia ou política econômica, nada mais do que assustador"
Leia em Dissecting Leftism:
Ativistas Obesos protestam contra a "ind�stria da magreza"
E s� poderia ser nos Estados Unidos, onde a luta pelos "direitos" ganhou dimens�es �picas.
Ou seria mais um efeito contr�rio ao "politicamente correto"?
Talvez os dois: a luta pelos direitos de express�o dos politicamente incorretos...
N�o sei bem como enquadrar este fato.
Leia na �ntegra FOXNews.com - U.S. & World - Fat Activists Lash Out at Thinness Industry
Trecho: ""We're living in the middle of a witch hunt and fat people are the witches," said Marilyn Wann of San Francisco, a militant member of the National Association to Advance Fat Acceptance (search). "It's gotten markedly worse in the last few years because of the propaganda that fatness, a natural human characteristic, is somehow a form of disease."
No Brasil algu�m poderia imaginar os "movimentos" que poderiam surgir?
segunda-feira, agosto 02, 2004
O que ando ouvindo... "Tudo a ver"
Of a man who's been hurt a little too much
And I've tasted the bitterness of my own tears
Sadness is all my lonely heart can feel
I can't stand up for falling down"
Elvis Costello and The Attractions (1981- "Get Happy!")
Tudo O Que Voc� Queria Saber Sobre Amor e Casamento e Nunca Teve Coragem de Perguntar - Li��o 1
sexta-feira, julho 30, 2004
Desinforma��o na ZH sobre o Sud�
Mas, como � t�pico em esquemas de desinforma��o, o faz pela metade. Em nenhum momento � comentado o fato de que os civis que est�o sendo assassinados covardemente s�o crist�os e seus algozes mu�ulmanos.
� o tema mais importante sobre o que acontece no Sud�o.
Na mesma edi��o no caderno de variadades � feita uma resenha sobre o novo filme de Philip Noyce ("Gera��o Roubada") denunciando uma tentativa governamental australiana da d�cada de 30 em eugenia - que consistia em segregar crian�as abor�genes para que aprendessem ingl�s e a cultura ocidental. Toda a �nfase foi dada pelo fato de o algozes terem sido "freiras" e "guardas".
N�o se trata de mentir. Simplesmente omitir fatos importantes e destacar outros. O efeito � o mesmo: o cristianismo � um "radicalismo" perigos�ssimo.
Ali�s a edi��o est� caprichada: "Kerry discursa como l�der"....Haja torcida.
segunda-feira, julho 26, 2004
Considera��es sobre Filantropia e Caridade
Uma das coisas que aprecio � a liberdade de pensamento.E noto que o livre pensar tamb�m leva ao livre-criticar . Principalmente quando a sua opini�o se contrap�e a alguma verdade "estabelecida".
Por verdade estabelecida hoje em dia significa simplesmente o que a maioria pensa. Mas contrapor ao estabelecido em face de conhecimentos novos adquiridos n�o � o dever de quem verdadeiramente quer entender as coisas como elas s�o e n�o o que elas representam? Acredito que sim. Este � o dever de quem se prop�e a buscar a verdade.
Mas �s vezes o conflito � inevit�vel. E se revela em coisas impens�veis.
Noto rea��es violentas sobre minhas opini�es sobre "caridade" e "filantropia", por exemplo. Est�o assim mesmo, entre aspas, pois h� muito deixaram de ter a motiva��o para as quais foram criadas.
Hoje em dia, estes termos s�o vistosos chamarizes de capas de revista tipo "Quem" ou "Caras". Um simples adendo - ou melhor um "adere�o" - adequado ao social-fashion deste in�cio de s�culo. Para qualquer um engajado a entrar no seleto rol do "beautiful people" � absolutamente obrigat�rio a participa��o em eventos e a��es de fundo social.
Antigamente os rich and famous disputavam com glamour o posto de dono do "maior iate do mundo" ou maior diamante, ou qualquer coisa do g�nero. Hoje em dia o t�tulo parece ser sobre quem poderia ser "o maior filantropo" do mundo. Disputa acirrad�ssima entre Gates e Turner.
Triste �poca em que os bons sentimentos se medem pelos cifr�es envolvidos.
Mas a verdade � que a diferen�a entre a primeira disputa e a segunda para os donos do dinheiro n�o assim t�o relevantes: a meta � gastar dinheiro da forma mais vis�vel poss�vel. E se hoje a notoriedade � dada para os filantropos, que se obtenha ent�o o t�tulo de o maior deles, o �nico t�tulo que vale a pena.
� claro que existem pessoas que o fazem por bons motivos - aqueles h� muito j� esquecidos como solidariedade, humanismo e genu�no amor fraternal - mas, esses via de regra n�o tem nenhuma necessidade publicit�ria sobre estes fatos.
Outro componente perverso deste sistema � que a caridade e a filantropia passam a ser quase compuls�ria - ou tu �s considerado um p�ria; Ou melhor um "ego�sta desprez�vel que s� pensa em suas nas suas necessidades e em acumular riquezas"
Sob esta �tica posso ser considerado um "ego�sta" que s� "pensa em suas necessidades e desejos". Pena n�o ser assim t�o simples. Criticar a filantropia-fashion n�o � ser contra ela. O problema no Brasil � que as pessoas pensam de forma bin�ria: ou � "1" ou � "0".
Em minha vis�o muitas vezes os que estas celebridades-filantr�picas fazem � o oposto: no intuito de "incluir" os necessitados, acabam por sufoc�-los ainda mais mais sob o r�tulo de uma pobreza irresolv�vel.
E erram o alvo duplamente, pois com suas atitudes acabam passando a id�ia de que a pobreza e a doen�a no terceiro mundo s�o chagas que o capitalismo nunca ir� resolver. Ou at� o contr�rio: eles acabam refor�ando a id�ia de que o capitalismo GERA A POBREZA. Ent�o se pode ler estes arroubos filantr�picos tamb�m com liberadores e absolvedores da "culpa" capitalista por ser respons�vel pelo aumento da pobreza do mundo.
Como se os pa�ses do terceiro mundo fossem capitalistas. E que a pobreza fosse o resultado natural deste processo.
Ledo engano.
O pior � que o filantropo-celebridade acaba se transformando em um Midas de sinal invertido. Quando ele resolve ajudar em algum assunto, por sua dimens�o midi�tica rouba tal assunto para si e acaba com qualquer chance de um debate honesto sobre o tema e a sua solu��o - afinal qualquer cr�tica ao filantropo-fashion acaba colocando seu autor contra os pobres exclu�dos.
Outra consequ�ncia � transformar problemas complexos em problemas totalmente insol�veis - tipicamente o tipo de problema suavizado pela filantropia. Na minha escala de resolvibilidade dos problemas , eles tem o seguinte ciclo : passam da solu��o emp�rica para a solu��o desp�tica ("fa�am do meu jeito" para depois passar pela fase racional - onde a maior parte dos problemas s�o resolvidos. Quando todo o racionalismo � esgotado, ent�o se pode tentar resolver pela ajuda humanit�ria. O problema � que muitos problemas acabam sendo "resolvidos" pela via humanit�ria sem ter nunca tentado uma solu��o racional - e justa - para o assunto. Mas quando chega ao n�vel humanit�rio n�o h� mais volta. Se o problema est� sendo resolvido na base da caridade e da filantropia, est� feito. Para que desenvolver outros programas, fortalecimento do mercado, da democracia e da educa��o se "n�o funcionaram"?
Insisto no tema que o maior bem que os capitalistas podem fazer ao mundo � levar as suas obras e seus neg�cios aonde eles s�o necess�rios.
A explos�o da filantropia-fashion ent�o tem duas vertentes: o narcisismo de seus praticantes e a isen��o da "culpa" pelos pecados do capitalismo.
A primeira � moralmente reprov�vel a segunda � resultado de uma doutrina��o gramsciana totalmente enganadora que efetivamente acaba atrapalhando a verdadeira solu��o: a institui��o de livres mercados acompanhados de democracia onde sejam necess�rios, pois capitalismo e livre mercado geram riqueza sim.
Ah! Mas n�o pensem que eu seja contra a caridade e a filantropia. Sou a favor. Mas � decis�o e a��o a ser tomada pelos indiv�duos. E de prefer�ncia de maneira discreta (caridade midi�tica n�o passa de "investimento em imagem" e n�o verdadeiro altru�smo).
Tudo bem, v�o dizer mas Bill Gates n�o tem o direito de gastar o seu dinheiro da maneira que bem lhe aprouver? Sim. Pode.
Mas, pelo amor de Deus, que isto n�o sirva de modelo nem uma obriga��o n�o escrita de "expia��o de culpa" capitalista.
Como dizia Oscar Wilde "Charity creates a multitude of sins."
quarta-feira, julho 21, 2004
Suécia, Welfare e eugenia
Fui acusado recentemente de ter "mentido" no artigo publicado no MSM sobre o welfare sueco. Na verdade o que houve foi um problema de tradução apressada e errada.
Onde se lê: "Nenhum novo emprego tem sido criado no setor privado sueco desde 1950." troque por "Nenhum novo emprego líquido tem sido criado no setor privado sueco desde 1950." Onde se lê: "...mais de 1 Milhão de pessoas estão sem trabalho e por volta de 4 milhões não tiveram emprego em 2003.." troque por "...mais de 1 Milhão de pessoas de um total de 4 milhões não tiverem emprego em 2003.."
Feito o registro, fica claro que o sentido do texto não foi alterado ou seja, a Suécia sofre com alto desemprego e baixa criação de novos empregos "líquidos".
Pesquisando sobre o modelo sueco e mais abrangentemente o conceito do welfare state, descobri uma notícia publicada em 1997 mas que foi aparentemente "esquecida" pelos meios de comunicação: a denúncia de um longo programa de esterilização em massa na Suécia, baseado na pseudo-ciência da eugenia. De 1935 até 1975 mais de 60.000 mulheres foram compulsoriamente esterilizadas.
A palavra eugenia nos remete diretamente à campos de concentração, Auschvitz e nacional-socialismo, não é mesmo?
Mas vamos aos fatos:
A denúncia - em 1997 era tornada pública a informação sobre o extendo programa de esterilização sueco "O painel dos investigadores determinou que 63.000 pessoas, a maior parte mulheres foram esterilizadas entre 1935 e 1975. Muitas das quais foram objeto deste procedimento por que foram consideradas racialmente inferiores ou mentalmente deficientes. Menores de idade, mentalmente retardados, epiléticos e alcoolizados estavam entre aqueles que foram submetidos à esterilização.." (fonte)
O autor - o autor da denúncia foi o jornalista Maciej Zaremba, que após um extenso estudo sobre o caso publicou a história no maior jornal sueco o Dagens Nyheter . ".. Zaremba leu tudo o que pode sobre esterilização na Suécia e em outros países (uma obra de referência foi "Eugenics and the Welfare State" do sueco Gunnar Broberg nunca editado em seu país de origem) - incluindo os EUA, onde esterilização forçada de pessoas mentalmente desabilitadas, certos tipos de criminosos entre outros foi legalizada em diversos estados desde 1907 e continuados até os anos 60. Na Suécia, no entanto, Zaremba aprendeu que o programa de esterilização foi baseado no estudo da eugenia, uma pseudo-ciência devotada a criação de uma 'raça superior'. Mas o programa foi expandido em 1941 para incluir qualquer sueco que exibisse um comportamento julgado pelo estado como 'anti-social'" (fonte)
As conseqüências - no mesmo ano de 1997 o caso foi oficialmente reconhecido pelo governo sueco e - depois de alguma hesitação - foi instituido um programa de compensação às vítimas. Na ocasião a ministra do social affairs, Margot Wallstrom , primeiramente fez pouco caso das denúncias: "Não havia nada de secreto sobro o programa de esterilização. Ele foi conduzido à luz do debate público num tempo que o suecos acreditaram que estivessem criando uma sociedade que seria objeto de inveja ao olhos do mundo". Suas declarações - depois da repercussão da história - mudaram para "O que aconteceu foi uma barbárie e os Sociais Democratas são parte de uma culpa coletiva que inclui a todos".
A extensão - Pela pesquisas, apesar de diversos países terem adotado a eugenia - especialmente a esterelização forçada -, é fato se notar que nenhum outro regime, com exceção da Alemanha Nazista tenha implementado um programa que tenha afetado um percentual tão alto da população como na Suécia. Ou seja, em termos per capita o programa eugênico sueco só perdeu para o modelo nazista. Se considerarmos no entanto somente a prática da esterilização forçada - uma vez que o regime nazista usou ainda de outros métodos como abortos, eutanásia além da simples eliminação dos "mais fracos" - vemos que o caso Sueco em termos percentuais é o maior de todos. Vejam:
Suécia - 0,70% da população afetada (62.000 de uma população de 8,9M)
Alemanha - 0,49% da população afetada (400.000 de uma população de 82M)
Estados Unidos - 0,02% da população afetada (64.000 de uma população de 288M)
Social-democracia e eugenia - foi alegado que o programa iniciou em 1935 na Suécia e que SOMENTE em 1950 os sociais democratas subiram ao poder. Errado. Os sociais-democratas tomaram a maiorias das duas casas no parlamento sueco em 1932. A participação dos outros partidos foi minoritária. O componente eugênico era parte fundamental do programa de governo social-democrata, pois apenas dois anos após sua subida ao poder o programa foi implementado.
Welfare e eugenia - Outra alegação é de que outros países adotaram a eugenia e não eram sociais-democracias. Certo. Mas o que está em questão não é exatamente o social-democracia , mas seu componente central o welfare. Todos os países que adotaram algum tipo de controle eugênico mantinham algum tipo de benefício ao estilo welfare. Incluindo os Estados Unidos, por exemplo.A explicação é brilhantemente explicada por Nick Gillespie , editor do "Reason magazine" no artigo "O Alto Custo do Bem Estar Social" "[As recentes revelações] mostram como um supostamente estado de bem-estar social, em que a Suécia tem sido longamente considerada como o exemplo primordial, ao final acaba criando uma sociedade fechada que deve se livrar de qualquer um que possam representar um gasto inútil de recursos públicos. De fato, a simples lógica explica por que a social-democracia sueca pôde ao mesmo tempo construir um modelo de estado de bem estar social e executar um programa de esterlização em massa".
As diferenças - diferentemente das práticas eugênicas em outros países - que receberam apoio científico e popular, este último em grande parte como uma forma de proteger os laços de família e tradições da invasão pela imigração e que eram basicamente aplicadas em casos criminais e deficiência mental - a eugenia dentro do welfare tinha o componente de engenharia social. Nos casos levantados durante os quarenta anos de sua prática foram catalogados como alvo da prática de esterilização forçada os considerados ou portadores dos "males" de inferiores, indesejados, portadores de deficiências (como falta de visão lateral), psicopatia, vagabundagem, baixo Q.I.( jovens que não tinham bom desempenho escolar poderiam ser objeto do programa de esterilização), aborto (em alguns casos a esterilização era obrigatória para se obter permissão da execução de um aborto "legalizado"), "criminosos" (gurias de 15 anos foram esterilizadas pelos crimes de ir a bailes ou pertencer a grupos de motociclistas bem como jovens rebeldes também entraram na lista por não terem "boa capacidade de julgamento"), orfãs (muitas foram esterilizadas sob a promessa de liberação das creches comunitárias ou de escolas especiais , num evidente caso de chantagem oficial).
Num outro programa, notável pela sua bizarrice e perversidade, o governo forçou centenas de deficientes mentais a consumir balas e outros tipos de doces de modo a estudar seus efeitos na progresssiva deterioração dos dentes ("Pensávamos que estávamos fazendo uma boa ação", um dentista explicou).
O motivo - além das razões pecuniárias existia outro motivo para a aplicação da eugenia como o fator chave no modelo do welfare state: a reforma total da sociedade. Outro dos objetivos laterais da eugenia era a supressão dos traços burgueses na formação da família sueca. Moldar um país com apenas 8,9 milhões de habitantes parecia uma tarefa visionária a ser obtida com as políticas do welfare. O governo em todos os seus níveis assumiu então um caráter paternalista da sociedade. Allan Carlson, citando um oficial do governo sueco (escrito em maio,1990) "Eu gostaria de abolir o conceito de família como um meio de sustento e de convivência das pessoas, deixar os adultos serem economicamente independentes um dos outros e dar à sociedade um maior responsabilidade pelas crianças". Carlson em "The Myrdals and the Interwar Population Crisis" (Transaction Books, 1990).
Abrangência - somente países não católicos implementaram políticas eugênicas. A reprovação à eugenia entre os católicos tem a mesma raiz na condenação do aborto e ao uso de técnicas abortivas de interrupção da gravidez dos dias atuais.
Conclusão: A prática da eugenia era um componente estrutural nas políticas de welfare implantadas em qualquer lugar do mundo. Como na Suécia e nos países nórdicos a aplicação "conceitual" do welfare foi conduzida de modo mais longevo e profundo, a consequência notável foi a aplicação em sua total extensão das ferramentas e programas "científicos" que o embasaram.
Concluindo novamente com Nick Gillespie: "Os apoiadores do welfare state gostam de dizer que 'impostos são o preço a pagar pela civilização'. Eles argumentam que a única maneira de criar uma sociedade justa é financiando os gastos com saúde, educação, aposentadorias e deve ser feito através de dinheiro público.
Mas com as recentes revelações da Suécia, isto nos lembra que o tal 'preço' a pagar é frequentemente muito alto. De fato, às vezes custa a própria civilização".
quinta-feira, julho 15, 2004
As aventuras de um pai de fim-de-semana
Estou passando por algumas transforma��es pessoais sendo que a
consequ�ncia maior delas foi a altera��o da minha condi��o de pai
"full-time" para pai "part-time".
Nesta nova condi��o comecei a encontrar algumas dificuldades sobre
temas que at� ent�o eram resolvidos com a ajuda de terceiros (ali�s
"de primeiras") e agora tive que come�ar a resolver all-by-myself.
Especialmente se tu �s pai de uma garotinha de cinco anos.
Os temas em quest�o, com escala de complexidade crescente e que at�
agora nunca tinha prestado a devida aten��o, s�o de aplica��o complexa
e exigem uma abordagem adequada. Participa��o em festas infantis e a
compra de uma botinha infantil feminina exigem aten��o e t�cnicas
compat�veis com os resultados desejados.
No mundo de hoje, com manuais de auto-ajuda (que devem servir para
quem tem autom�vel, em minha parca experi�ncia "t�cnica"), livros
sobre t�cnicas gerencias (encontrei at� um novo sobre
"trash-management": ensinamentos do "Jornada nas Estrelas" aplicadas
aos neg�cios) e outros tantos que eu pensei que houvesse algum que
pudesse ensinar t�cnicas de gerenciamento e coordena��o de projetos
para esta nova classe de de "part-time fathers".
Infelizmente n�o encontrei...
Portanto resolvi escrever o meu pr�prio livro, o "part-time father -
uma abordagem pr�tica" ou "como ser respons�vel SOMENTE nos fins de
semana"...
Os primeiros cap�tulos est�o aqui....
Atividades de dif�cil conclus�o:
1) Compra de botinhas infantis - para menina: A m�e de minha filha me
deu a seguinte miss�o - comprar uma nova botinha para minha filha. Mas
teria que ter algumas carater�sticas especiais: solado baixo e cano
baixo, pois minha filha queria poder correr e brincar livremente com
elas. A princ�pio n�o entendi mas decidi enfrentar a tarefa...
Quase uma hora depois, depois de passar por "N" lojas descobri o
seguinte: a ind�stria cal�adista acha que gurias de 5 anos s�o
vocalistas de bandas teen estilo "Spice Girls" ou tem algum talento
inato para equilibrismo circense. Todos os modelos que achei tinham
mais de 8 cent�metros de salto e cano alto at� o joelho. Dificuldade
de tirar e colocar alt�ssima, sem chance para poder correr e brincar
livremente. Gurias de 5 anos devem ter interesses diversos... Mas n�o
a minha!
Sempre achei que os capitalistas pudessem preencher os desejos do
mercado (meus desejos) com produtos compat�veis. Descobri que neste
mercado os fabricantes fazem produtos para atender os desejos da...
Xuxa, Sandy e Ang�lica.
Quase tive que recorrer a uma botinha masculina.... Mas fui salvo por
uma santa lojista. Que por acaso tem filhas da mesma idade que a minha
e a mesma dificuldade em encontrar produtos compat�veis...
Primeira miss�o cumprida.
2) Festinha infantil - fatalmente elas acontecem no fim-de-semana. E
ter� de ser voc� o respons�vel para comprar o presente para o
aniversariante e de levar sua filhota na festa. Na hora de comprar o
presente, n�o d� bola para os conselhos de terceiros: entre na
primeira loja de 1,99 (supermercado tamb�m vale) e compre o presente
mais pr�ximo dos R$10,00 pelo limite inferior: o aniversariante vai
ganhar muitos e melhores presentes de parentes. O importante � ele n�o
se desmanchar antes da abertura do pacote.
Outro ponto muito importante � ler DETALHADAMENTE o convite de
anivers�rio, se poss�vel decorar o endere�o.
No fim-de-semana �ltimo quase aconteceu uma trag�dia.
Tive que levar minha filha a um evento social deste tipo e n�o me
detive a estes detalhes. A festa em quest�o era de uma colega de van -
companheira de viagem de minha filha ao col�gio - que estava de
anivers�rio. O resultado foi que ao inv�s de ir ao endere�o oficial eu
fui num alternativo - na mesma rua s� que a umas 10 quadras do local.
O pior � que s� fui me dar conta depois de mais de meia hora no local.
Neste meio tempo eu entrei no local, cumprimentei uma senhora na
entrada ("Eu sou o pai da Lu�sa"), entreguei o presente assinado pela
minha filhota, que foi colocado num cesto gigante na entrada e
finalmente cpassamos �s brincadeiras: cama el�stica, depois pula
pula.. Neste meio tempo fui conseguir um refrigerante e um
cachorro-quente. Como sabia que n�o ia conhecer ningu�m na festa
estava tudo bem.
Quando ent�o, de mini hot-dog e "refri" na m�o passei em frente � mesa
com o bolo de anivers�rio e toda decorada.... com motivos dos
"Super-Amigos"... Isto � decora��o de anivers�rio de guri!!!
Puxei o convite de anivers�rio. O motivo era "Hello Kitty"....
Houston, temos problemas.
Mas nada de p�nico. Li a rua e o n�mero no convite. Chamei um
funcion�rio e perguntei qual era o n�mero daquele local: totalmente
diferente!!
Imediatamente chamei a Lulu: "Venha aqui r�pido!" disse "P�e as tuas
botas e teu casaco e n�o fa�a barulho algum". "Este n�o � o
anivers�rio de tua amiga"... Ela disse: "OH! Bem que eu vi que este
era anivers�rio de guri!".
Calcei sua botinha, coloquei o seu casaco e fomos para a sa�da. Uma
d�vida me atormentava: o que diria para a senhora que estava na
recep��o (tia? Av� do aniversariante?).
Felizmente a recep��o estava VAZIA. Barra limpa!!
Ops! E o presente? Se deixasse, o aniversariante seria brindado com
uma boneca, que ele nem usaria, e a verdadeira aniversariante ficaria
sem presente algum...
Humm, observei que a cesta de brinquedos estava l�, intocada...
Olhei para os lados e observei que o pacote do nosso brinquedo se
destacava negativamente dos outros (pacote feito por mim e assinado
pela minha filha: "�nico"). Depois de outra olhada em volta, meti a
m�o fundo no cesto e consegui tirar nosso pacote sem despertar aten��o
alguma. Escondi o pacote em meu casaco e conseguimos nos safar da
festa.
Dez minutos depois est�vamos na festa certa. Pena que perdemos o bolo
de anivers�rio. Mas tudo bem.
Na sa�da uma promessa: "Lu�sa, tu N�O contas para a tua m�e sobre
isso, ok?" "Certo, papai!!!"
Ufa! Miss�o cumprida.
Pelo menos at� o pr�ximo fim-de-semana...
quarta-feira, julho 07, 2004
Olavo de Carvalho, Lobos e Rinocerontes
Pois aqui fa�o minha humilde vers�o, reconhecendo a refer�ncia direta da den�ncia na obra do nosso fil�sofo com os "Rinocerontes" de Eugene Ionesco.
A similaridade da den�ncia social de Ionesco - baseada no espanto provocado pela convers�o generalizada de tantos pensadores livres aos ideais fascistas antes, durante e depois da segunda guerra mundial- e da den�ncia Olaviana de que vivemos num pa�s em que a elite intelectual de livre e espont�nea vontade tamb�m escolheu o mesmo caminho � impressionante.
O processo de imbeciliza��o coletiva preconizado nos artigos e livros de Olavo - principalmente no "Imbecil Coletivo", de 1996 - tem o seu precursor na not�vel obra teatral de Ionesco "Os Rinocerontes".
Nosso imbecil coletivo pode ser descrito como um primo muito pr�ximo dos rinocerontes Ionesquianos. Minha desconfian�a � que o imbecil seja o estado larval imediatamente anterior ao rinocerantismo. Com o mesmo teor absurdo.
A obra de Ionesco era baseada no sentimento do absurdo al�m da compreens�o sobre como a ra�a humana, especialmente a elite da elite - os intelectuais da Europa - pessoas livres e bem pensantes poderiam se dedicar a defender atrocidades totalit�rias em nome e em troca de abstratos "bons sentimentos".
A mesma situa��o se aplica ao cen�rio nacional. Mas Olavo n�o teve a mesma recep��o de sua plat�ia. Enquanto a obra de Ionesco at� hoje � cultuada como um vigoroso protesto contra os totalitarismos e o processo de boviniza��o do seres humanos, tal qual "1984", a den�ncia de nosso "Imbecil Coletivo" n�o teve o mesmo destino. Ao inv�s de desnudar o processo de imbeciliza��o �s massas, de modo cristalino e factual, o que se seguiu aqui foi a eleva��o de seu autor � categoria de celebridade com sinal invertido.
Se visitarmos alguns sites na internet ou f�runs de discuss�es iremos encontrar toneladas de palavras vazias e iradas contra a obra de Olavo. Muitas opini�es baseadas em outras opini�es, que s�o ainda criadas em laborat�rio pelos nossos engenheiros sociais.
Algumas vezes nosso fil�sofo parece ter se tornado n�o uma figura de carne e osso, mas mais uma "lenda urbana" que infestam a internet ("Olavo n�o existe" � um dos temas recorrentes nestes f�runs). Outras vezes � pintado como uma vers�o daquilo mesmo que est� a denunciar: um fascista, um nazista....
Quando as emo��es, os tais "bons sentimentos" vazios, destitu�dos de sentido mais amplo, dominam os argumentos de quem se pretende mudar o pa�s, s� posso chegar a seguinte conclus�o: Olavo, chegaste tarde demais!!
A imbecilidade coletiva j� se elevou ao "state of the art" neste pa�s. � quando o imbecil, encontrando seus pares em tal elevado n�mero se acredita poderoso o suficiente para definir o que seja "verdade". Para eles, a verdade n�o se revela no rec�ndito secreto de sua pr�pria consci�ncia. N�o, a verdade � o consenso do grupo. A vers�o atual de realidade, neste contexto pode ser definida como uma grande vota��o num reality show: o importante � "acertar" o que a maioria ir� decidir. Ficar com a maioria. Fazer parte do grupo. That�s reality...show.
Aos poucos que conseguem enxergar o processo - ao longe, tais como lobos solit�rios (pois � necess�rio uma dist�ncia profil�tica desta manada para evitar o cont�gio)- verificam a transforma��o do nosso jovem em imbecil, e finalmente de imbecil em rinoceronte.
A figura do rinoceronte � muito feliz nesta analogia: contra uma manada de rinocerontes enfurecida n�o h� nada que possa ser feito.
Chegamos tarde: os imbecis j� est�o em franco processo de rinoceriza��o. S� resta a n�s solit�rios lobos da estepe, o momento certo de correr....
terça-feira, julho 06, 2004
A trai��o de Hollywood aos valores americanos
"Estou t�o contente em conhecer sua fam�lia" disse uma mulher isl�mica a um visitante americano. "'N�s pens�vamos que os americanos n�o tinham valores, que eles eram materialistas e s� pensasem neles mesmos. Pens�vamos que n�o havia compromisso com as crian�as e suas fam�lias, que todos viviam na imoralidade. � t�o maravilhoso ver que estas coisas n�o s�o verdade!' E de onde vem esta imagem da Am�rica? Se algu�m planejasse criar uma poderosa estrat�gia de propaganda para desacreditar completamente os valores americanos, n�o teria pensado em nada t�o efetivo quanto os produtos made in Holywwod mostrados � bilh�es de pessoas todos os dias".
Realmente se pode dizer que a ind�stria do cinema e da m�dia em geral Norte-Americana � o maior promotor do anti-americanismo e at� da Jihad, pois promovendo os valores que s�o o contr�rio dos verdadeiros valores da sociedade americana, atraem a ira dos fundamentalistas para com os n�o-fi�is.
N�o tinha me dado conta, mas o fato de que Holywood tenha sido o primeiro (e maior) foco de "invas�o" e coopta��o do Partido Comunista Sovi�tico dentro dos Estados Unidos n�o pode ser por acaso.
Leio alguns textos que a estrat�gia da tomada de Hollywood s� foi tentada ap�s a primeira e fracassada investida direta no meio sindical americano.
Olhando deste ponto de vista, � fundamental ter um servi�o de propaganda negativa funcionando e financiado inteiramente pela pr�pria "v�tima"...
segunda-feira, julho 05, 2004
Socialismo: a "terceiriza��o" do altru�smo...
ou o comunismo - ou qualquer outra ideologia coletivista - t�m tanto apelo no subconsciente coleti�vo nacional.
Por exemplo: o 'novo' partido do rebeldes do PT. � claro que tinha que ter 'socialismo' obrigatoria�mente no nome, e se sa�ram com um nome digno de Ionesco:'Partido do Socialismo e da Liberdade', ou simplesmente P-Sol. Parece nome de doen�a capilar.. 'Livre-se da 'P-Sol'-r�ase!'
Retornando: A causa primordial � a estrat�gia gramsciana de ocupar os espa�os, emulando uma
sociedade "socialista" em toda a sua express�o cultural. Isto explica o atual estado das coisas e � percebido pelo uso da linguagem como arma de transforma��o social. Este esquema mental � t�o poderoso que at� not�rios pensadores liberais e conservadores acabam, em algum ponto, escorre�gando no discurso f�cil de "justi�a social" e cidadania, por exemplo.
Mas isso n�o poderia por si s� exercer tanta atra��o sobre por��es t�o grandes de nossa popula��o.
Por qu� o socialismo agrada tanto aos ouvidos das massas?
A minha opini�o � por que existe um outro componente: o discurso do desapego "material" e da caridade, contrabandeados sorrateiramente do universo crist�o para dentro do socialismo.
O altru�smo e a caridade s�o fortes elementos nas doutrinas crist�s, s� que o ator principal - dentro de sua concep��o - � o indiv�duo. A responsabilidade por tais atos pertence ao indiv�duo. Os conceitos de caridade e altru�smo n�o podem ser coletivizados. Mas isso n�o � considerado ou levado em conta e como o discurso se casa com o do igualitarismo, acaba projetando �s massas que a responsabilidade por ajudar os mais pr�ximos N�O � de responsabilidade do indiv�duo, mas do 'MODELO ECON�MICO'.
Dentro desta vis�o, a maldade impl�cita do modelo capitalista fica evidente, pois os elementos ou o 'mercado' n�o pensa no coletivo.Ent�o o modelo socialista � '�ticamente' superior ao modelo capitalista.
Com o socialismo como 'mocinho' e o capitalismo como 'bandido' neste tele-catch farsesco montado pela esquerda, n�o � de estranhar que a plat�ia tor�a entusiasticamente pelos primeiros.
Isto � particularmente atraente, principalmente entre a popula��o mais jovem, que acabam associando as responsabilidades pela caridade ou altru�smo ao Estado. O socialismo da "inclus�o social" e do igualitarismo seria ent�o a solu��o ideal para aqueles que se preocupam com os mais necessitados mas n�o querem perder tempo com tarefas relacionadas a isso. Como o igualitarismo � uma tarefa do Estado, eu - pessoa f�sica - n�o precisaria me preocupar com tais detalhes.
O Estado faria a sua parte, levando o bem-estar e os "direitos sociais" �s faixas mais carentes da popula��o. Simples, sem envolvimento pessoal, sem obriga��es .
O pre�o a pagar, na forma de altos impostos (embutidos em todos os bens e servi�os obtidos ou contratados pela popula��o) seriam uma justa medida, haja visto o n�mero aberrante de pessoas vivendo "abaixo da linha da pobreza" e a brutal desigualdade social neste pa�s.
O efeito colateral seria ainda mais ben�fico: resolvidas as responsabilidades sobre quem deve agir - no caso, o Estado - as pessoas, tranquilizadas (eu diria "entorpecidas") de que "algu�m"
estaria fazendo "a sua parte", estariam liberadas ent�o para se dedicarem ao que lhes � mais caro e importante - segundo a �tica dos formadores de opini�o deste pa�s - o seu pr�prio umbigo.
Na sociedade brasileira atual isto � terrivelmente vis�vel. Enquanto se espera do governo que gere o desenvolvimento, que resolva os problemas da "fome", da sa�de, da educa��o de toda a popula��o,
o que se espera dos indiv�duos?
Aos indiv�duos, resta o conforto de se preocupar com o que o Estado permite que sejam decis�es pessoais, que se resumem no que consumir, em que quantidade ou que frequ�ncia. Com o que sobrar.
Resumindo: O socialismo representa uma esp�cie de "terceiriza��o do altru�smo", no qual as pessoas acreditam por que a contrapartida tamb�m � vantajosa: libera as pessoas de terem de se preocupar com seu semelhante, afinal tal 'tarefa' caberia ao Estado. Mesmo a um pre�o alt�ssimo.
Esta tamb�m � uma das raz�es do sucesso do discurso coletivista em nosso pa�s.
Artigo: Olavo de Carvalho - Evolu��o e Mito
"As discuss�es correntes sobre evolucionismo e criacionismo, ci�ncia e f�, espiritualismo e materialismo, s�o em geral bem pobres de compreens�o filos�fica, em compara��o com a riqueza de dados e argumentos que p�em em jogo. Se eu metesse minha colher no assunto, seria apenas no intuito de chamar a aten��o para algumas precau��es b�sicas que t�m sido a� bastante negligenciadas.
� que o ser humano s� tem tr�s linguagens para dar forma ao que apreende da realidade: o mito, que expressa compactamente impress�es de conjunto; a ci�ncia experimental, que descreve e explica grupos particulares de fen�menos segundo um protocolo convencional de m�todos e aferi��es; a filosofia, que faz a transi��o entre as duas anteriores. Qualquer conhecimento satisfat�rio das origens escapa necessariamente �s possibilidades da ci�ncia, j� que a descoberta delas seria apenas mais um cap�tulo do mesmo processo c�smico que se pretende explicar e n�o um miraculoso arrebatamento da mente cient�fica para fora e para cima do processo. Um evolucionismo conseq�ente teria de explicar-se a si mesmo como etapa da evolu��o, mas para isso seria for�ado a abdicar da pretens�o de veracidade literal e consentir em ser apenas mais um s�mbolo provis�rio depois de tantos, sujeito, como todos eles, a converter-se no seu contr�rio mais dia menos dia. A �nica verdade do evolucionismo � a de uma contrapartida dial�tica do criacionismo, assim como nenhum criacionismo pode existir sem deixar aberta alguma brecha evolucionista.
A intelig�ncia humana tende na dire��o de um conhecimento explicativo das origens e dos fins e sente por ele uma atra��o que � elemento constitutivo e essencial da sua estrutura; mas uma tend�ncia n�o � e n�o ser� jamais uma realiza��o. O ideal da ci�ncia como conhecimento universal apod�ctico � ao mesmo tempo uma miragem inalcan��vel e o princ�pio efetivo que d� estrutura e validade ao esfor�o cient�fico. � algo simultaneamente real e irreal ? exatamente como o significado dos mitos, que brilha na dist�ncia mas se furta a uma decifra��o cabal. Toda ci�ncia, nesse sentido, � ritual: cont�nua reencarna��o c�nica de um sentido inaugural (e ao mesmo tempo �ltimo) que nem pode desaparecer por completo do cen�rio vis�vel nem manifestar-se por inteiro dentro dele, pela simples raz�o de que o abarca e transcende. ?Nele vivemos, nos movemos e somos?, dizia o Ap�stolo.
Por isso a busca incoerc�vel e insaci�vel do conhecimento apod�ctico, tal como o conhecimento potencial que nela j� se insinua, s� � apropriadamente expressa na linguagem mitol�gica, e isso � tanto mais verdade quanto mais essa tend�ncia se amplia para abarcar a ?totalidade?. Toda teoria cient�fica ou especula��o filos�fica das origens desemboca, em �ltima inst�ncia, no mito, e acus�-la de mito n�o �, por isso, uma obje��o s�ria. Tanto o evolucionismo quanto o criacionismo s�o mitos, isto �, narrativas anal�gicas, insinua��es finitas de um conte�do infinito, separadas do seu sentido por um hiato t�o imensur�vel quanto esse mesmo sentido.
Todos os mitos giram em torno de dois modelos b�sicos: o criacionismo b�blico e o casualismo epicuriano. Entre esses dois, n�o se trata de escolher o mais "cient�fico", o que seria apenas uma confus�o de planos, uma "met�basis eis allo gu�nos" (troca de g�neros), e sim de averiguar qual o mais apropriado � express�o da estrutura da realidade existencial e portanto ao adequado posicionamento do homem no processo c�smico. Como esta estrutura � observada desde dois pontos de vista -- a confian�a dos crentes num Deus bondoso e o sentimento gn�stico de abandono --, sem que um possa suprimir o outro, de vez que ambos constituem elementos estruturais da mesma condi��o humana que se desejaria expressar, o debate deve ser transferido do terreno das pretens�es cient�ficas para o da adequa��o existencial. � no autoconhecimento, e n�o em especula��es cosmol�gicas despropositadas, que se descobre, quando se pode, a efic�cia maior e a maior legitimidade intelectual do criacionismo, o que n�o nos d� evidentemente os meios de "refutar" o casualismo, mas apenas o de desmascar�-lo como mentira existencial. Menrira existencial porque, n�o podendo explicar-se a si mesmo como etapa do processo, n�o reconhece essa sua impot�ncia constitutiva e em vez disso se refugia num arremedo de transcend�ncia, a pretens�o de certeza cient�fica final habilitada a exorcisar para sempre todos os mitos. "
Olavo de Carvalho � professor de filosofia,
diretor do Semin�rio de Filosofia do Centro Universit�rio da Cidade (RJ)
e autor de "O Imbecil Coletivo:Atualidades Inculturais Brasileiras"