terça-feira, fevereiro 21, 2006

As charges da Dinamarca e "O Nome da Rosa"

Algo de incomum: As razões que levaram o personagem Jorge de Burgos a esconder o "Livro do Riso" de Aristóteles - e a cometer uma série de assassinatos - descoberto por Guilherme de Baskerville em "O Nome da Rosa" (Umberto Eco), são as mesmas da fúria muçulmana contra os cartunistas Dinamarqueses.

O site - MONTFORT explica: "Qual o segredo escondido no 'Finis Africae'? Era o livro de Aristóteles sobre o riso, que o místico Jorge de Burgos não queria que fosse lido, porque, por meio dele, o racionalismo destruiria, segundo Jorge, toda a Fé. Só ri aquele que compreende. O riso é próprio do ser racional. O entendimento obtido de modo inesperado e muito claro dá uma tal satisfação ao intelecto que o homem ri.

Se o racionalismo passasse a usar de modo filosófico a arma do riso - de que trataria o suposto livro do Estagirita - o último limite estaria transposto e chegaria o fim dos tempos. A Fé seria destruída."

O riso pode realmente ser revolucionário...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

O mundo anda tão sensível.. Ou não?

Na Dinamarca, uma charge tão ingênua como essa abaixo provoca protestos em todo o mundo muçulmano, além de pedidos de desculpas de quase todas as democracias ocidentais.


Que coisa estranha. Por aqui por mais que o partido dos trabalhadores tenha criado o maior esquema de corrupção da história do país (1 bilhão de reais), seja suspeito na morte de dois ex-companheiros (Toninho do PT e Celso Daniel), Lula ainda é cotado para a reeleição.

Enquanto isso o novo presidente do Irã promete aniquilar Israel do mapa... Nenhuma reação.

Ou eu estou ficando doido ou a capacidade de analisar o mundo e o país criticamente acabou há muito tempo. Ou todo mundo já virou rinoceronte - como previa Eugene Ionesco - menos eu!!!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Aviso de férias

Aos meus milhares de leitores, aviso que voltarei após 26/02 por motivo de FÉRIAS!
Até lá!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Citações sobre a Rússia: Golitsyn estava certo!!

O sensacional blog Once Upon a Time in the West , cita muitas declarações que revelam o verdadeiro papel da Rússia nos dias de hoje. Leiam !!

"There is no such thing as a former KGB man".
-- Vladimir Putin, Russian Federation President, 2005

"Russia has ceased being a free and democratic country".
-- Andrei Illarionov, Putin's former economic advisor, 2005

"It stretches credulity to its absolute bounds to think that suddenly, overnight, all those who were Communists will suddenly adopt a new philosophy and belief, with the result that everything will be different. I use this opportunity to warn the House and the country that that is not the truth".
-- Christopher Gill, British parliamentarian, 1995

"In October 1917 we parted with the old world, rejecting it once and for all. We are moving towards a new world, the world of communism. We shall never turn off that road"!
-- Mikhail Gorbachev, General Secretary, CPSU, 1987

"Yet it was, in reality, one of the shrewdest pieces of international hoodwinking in historical record . . . So the Comintern was dissolved [in 1943], and the misguided democratic world rejoiced . . . A glance at your newspaper will show that the former Comintern officers had little difficulty in finding new employment. The Comintern was never dissolved . . . Military Intelligence took over the old chores of the Comintern. It became an active part of the Soviet Fifth Column in democratic countries".
-- Igor Gouzenko, This Was My Choice, 1948

"Can the Ethiopian change his skin, or the leopard his spots [then] may ye also do good, that are accustomed to do evil".
-- Jeremiah 13:23

terça-feira, janeiro 24, 2006

A Decadência do Ateísmo

Não. Não é uma reação da "direita conservadora-religiosa" contra a razão e a ciência. É a simples constatação de que os assuntos que influenciaram a razão e a ciência nos últimos 150 anos estão com sua credibilidade seriamente abalada.

Durante este prazo, o ateísmo correu solto, convencendo o mundo (e ofuscando qualquer tentativa de demonstração do contrário) de que Deus não existe e que não passamos do produto do encontro fortuito de seres unicelulares e mutações genéticas.


Nestes 150 anos podemos conhecer os frutos do ateísmo: Darwinismo, Marxismo, Nazismo e Relativismo. Todos estes elementos, de uma forma ou outra, levaram a humanidade aos maiores desastres da sua história: as duas guerras mundiais e às milhões de mortes vinculadas às revoluções comunistas pelo mundo.


O pêndulo parece estar lentamente dando a volta ao centro. E quem dá indícios disso é precisamente o que primeiro anunciou a sua morte: a ciência. Nos últimos tempos muitas novas considerações da ciência estão levantando dúvidas aos pressupostos do ateísmo. Sim senhores: a culpa da decadência do ateísmo não é de George Bush - e de seu "radicalismo religioso" como dizem seus detratores – mas da própria ciência.


Talvez as vozes dos cientistas que hoje defendem o design inteligente ou mesmo a teoria do Big Bang (1) tenham atualmente a força que não tinham antes em função da maré conservadora. Até há pouco qualquer citação de uma possível confirmação da possibilidade de Deus em algum artigo faria este mesmo artigo e seu autor serem ignorados por qualquer revista científica "séria". A maré conservadora nos Estados Unidos possibilitou essas vozes de se erguerem de modo a derrubar pelo menos parcialmente as "Muralhas de Jericó" do ateísmo científico.


Por isso os ateístas estão tão histéricos atualmente. Quando lemos artigos destes cientistas literalmente espumando de raiva contra alguma das teses anti-ateístas pode ter certeza que a raiva é por sentir o chão desaparecendo sob seus pés. Em mais de 150 anos, os maiores feitos desta turma – pelo menos os mais vistosos – não passaram de grandes farsas (Piltdown (2), Nebraska (3), Haeckel (4), dentre outros). Estas farsas nunca foram refutadas ou mostradas pela classe científica da mesma maneira – grandiosa e colossal ("A Teoria de Darwin provada verdadeira" foi a manchete do New York Times ao tempo da 'descoberta' do Homem de Piltdown) como foram apresentadas ao público, fazendo pensar que diabos de ciência é essa tão rápida em provar a verdade de Darwin e tão lenta em restabelecer a verdade (no caso de Piltdown foram 40 anos!!).


Outra coisa notável e que começa a desmoronar é a crença que uma verdadeira ciência só poder ser produzida por homens ateus. Esta idéia errônea leva muitos a acreditar que a ciência exige este atributo como premissa básica do cientista. Sem ela toda a ciência produzida por este indivíduo está condenada. Quem professa esta crença não quer que o grande público saiba que os maiores gênios da ciência de todos os tempos foram homens crentes em Deus. Deus não é inimigo da ciência e não se contrapõe a ela. Desta lista podemos citar Robert Boyle, Sir Isaac Newton , Michael Faraday, Louis Pasteur e Werner Von Braun.


O fato é que o prazo de validade do ateísmo começa a vencer e o cheiro começa a invadir a sala. Pena que no Brasil, a tropa de elite do ateísmo militante ainda goza de imenso prestígio nos meios intelectuais e midiáticos. Não poderia deixar de ser diferente. Um país ainda empapuçado de visões científico-socialistas como o nosso não teria mesmo condições de perceber os novos ventos sem automaticamente condenar os "radicais religiosos" de Bush. 


A possibilidade científica de nossa origem divina começa a florescer. Os militantes do ateísmo nunca pensaram que o antídoto poderia surgir de dentro da própria comunidade científica. Mas não se enganem. O renascimento de Deus no mundo de hoje não será indolor. Os ataques do grupo ateísta-científico serão cada vez mais histéricos.

Mas não há treva que sempre dure nem como esconder a luz do sol por tanto tempo.



  1. A teoria do Big Bang oferece um início ao universo numa forma quase bíblica: de um único ponto de foi formado todo o universo conhecido.


  1. O Homem de Piltdown: O pretenso "elo perdido" - uma falsificação que unia um crânio humano com maxilar de macaco foi encontrado na Inglaterra entre 1908 e 1912. Mais de quarenta anos passaram – com a aplicada ajuda de grande parte da sociedade científica - antes da fraude ser descoberta.

  2. - O Homem de Nebraska : Um dente encontrado em 1922 nos EUA deu origem a mais um "elo perdido". Anos depois se constatou que o dente pertencia a uma espécie de porco já extinto.

  3. - Ernst Haeckel: "Provou" que a evolução era demonstrada pelas várias fases dos embriões humanos, que 'passavam' pelos mesmos estágios evolutivos dos seres vivos. Tudo não passava de uma fraude: Haeckel adulterou desenhos de embriões humanos para que parecessem com peixes, anfíbios e assim por diante.


sexta-feira, janeiro 20, 2006

O Capitalista Cretino, o Imbecil Coletivo e o futuro do Brasil

Os dois textos reproduzidos no Mídia, um de Olavo de Carvalho ("Capitalistas Cretinos") e de João Costa ("Carvalho, Drucker e o Anjo Maldito") são excelentes. E acho que tem algo ainda a ser comentado sobre o assunto.


A pergunta a ser respondida é por quê nossos capitalistas bem-sucedidos não lutam pelos valores de fundo – básicos portanto - que os ajudaram a chegar no atual sucesso empresarial.


É o que Olavo fala em saber guiar o carro mas não ter a mínima idéia de como ele faz para andar.


Numa metáfora podemos dizer que o carro brasileiro está precisando de reparos urgentes. Mas como dizer isso e se fazer entender se o motorista acha que colocando gasolina e pisando fundo ele sempre vai chegar a qualquer lugar? Falar em bateria, radiador, Injeção eletrônica e troca de óleo para eles é como falar grego. Irão responder que tudo o que é necessário é colocar combustível e pronto (nesta metáfora o combustível seria a taxa de juros).


Então fica estabelecido que a visão do que é o capitalismo, sua raiz, sua origem, o cerne e seus fundamentos está completamente fora da sintonia de nossos capitalistas.


A pergunta é : e deveria?


Muitos dizem que o papel de um capitalista é gerar riquezas, é criar oportunidades e atender às necessidades de um mercado. Pedir mais do que isso está completamente fora de questão. O capitalismo, na visão destes, é agir de forma pragmática – quando não egoísta. O capitalismo não necessita de idealismos.


Poderia dizer que isso é verdade. Mas uma verdade parcial. Um capitalista só pode ser pragmático se existir uma opção para isso, ou seja, se houver uma outra escolha possível "não pragmática"como contraponto da opção "pragmática". Assim, tendo esta última ganho o jogo de decisões mentais de nosso bravo personagem., podemos dizer que houve uma escolha pragmática.

Mas não é isso que temos no Brasil. Pode ser verdade em alguma outra cultura, mas não na brasileira. Não há outra escolha possível, tendo o agravante de que a cultura social brasileira ainda influencia mais nosso "capitalista" (neste ponto tenho de começar a usar aspas – no ambiente brasileiro há tão poucos reais capitalistas que temos de nos referir aos que se consideram como tal desta forma)a ser "pragmático".

Explico: Imagine uma criança que cresce numa família de criminosos. Que tipo de ação "pragmática" será sua opção natural no futuro? A de considerar o crime como uma opção viável, oras. Imagine um capitalista vivendo no Brasil. Que tipo de capitalismo sairá dali? Um mezzo-pizza socialista, que acha que achacar o estado e tirar vantagem de políticos corruptos é o que há. É a 'realidade' para ele.


Enquanto o nosso sistema socialista-totalitário travestido de capitalismo de estado vai se afirmando cada vez mais (quando foi a última vez que se falou em redução de alíquotas de importação e privatização? Alguém lembra?), com o que se preocupam nossos "capitalistas"? Com as últimas modas de gerenciamento importadas do exterior.

Não tenho nada contra se pagar milhões para um charlatão como um Michael Hammer destruir o que havia ainda de racional em nossas empresas em função de uma reengenharia qualquer (quando tento recordar quanto embolsaram Juran e Deming – responsáveis pelo renascimento da manufatura – comparado com um Hammer da vida, vejo o quanto o capitalismo decaiu em seus valores). Acontece que nos países mais industrializados, o estrago é sempre menor pois existem redes de segurança culturais contra este tipo de aventura.

Por aqui não. A "destruição criadora" (bah, como isso parece com o programa político-partidário de esquerda, gente!) acabou sendo mais um capítulo de auto-destruição em nosso capitalismo mambembe.

Ou seja, o que resta de capitalismo no país encolhe a cada dia e nosso capitalistas fazem o quê? Pagam os tubos por modas de gerenciamento que só funcionam onde existe capitalismo real, como isso acaba não funcionando, se viram com o que podem.


Quando o último resquício de "capitalismo" for varrido da nossa sociedade, será que ele estará praticando "capitalismo"? Não. Simples troca de favores clientelistas - que será o capitalismo "pragmático" de então.

Não podemos ser tão condescendentes com nossos capitalistas, de deixar que sejam pragmáticos em tempos como esse. Do jeito que está, são uma emulação perfeita ao "Imbecil Coletivo"(apud Olavo de Carvalho em "O Imbecil Coletivo") em versão capitalista, com ambos rumando para um futuro cinzento.


Numa sociedade como a nossa, à beira de um totalitarismo 'simpático', nossos capitalistas – pelo menos os que ainda têm algum recurso para lutar contra a Hidra - não podem se dar ao luxo de ser tão cretinos.




sábado, janeiro 14, 2006

Tentativa de acabar com o número 2 da Al-Qaeda: 17 mortos

A Guerra contra o Terror precisa ser melhor gerenciada. Segundo a Fox, a CIA estava errada quando ordenou o ataque: Al-Zawahiri não estava na vila de Damadola quando ela foi atacada.

Por outro lado, muitos inocentes morreram, informa a Fox . Um dos sobreviventes declara que toda a sua famíla foi assassinada e não sabe quem é o culpado. Finaliza "Eu só busco a justiça Divina".

É claro que protestos contra o "terrorismo" americano espocaram por todo o Paquistão, colocando o presidente Musharraf numa situação delicada - ele é um dos apoiadores de primeria hora da Guerra contra o Terror de Bush.

São ações como essa - erros como esse - que devem ser evitados. A perda de vidas humanas inocentes é irreparável e quando acontece só aumenta a pressão anti-americana no mundo.


Vamos aguardar os acontecimentos.

Submarino : anti-americano até debaixo d'agua!

O colunista mais pop-cultural do Mídia Sem Máscara, Daniel Santanna encontrou mais um insuspeito ninho de anti-americanismo : o site de e-vendas nacional "Submarino" . Ele tentou enviar um comentário crítico ao dvd do filme de Michael Moore, "Fahrenheit" com os seguintes resultados: "Por semanas, enviei comentários assinados em meu nome para o site Submarino, tentando alertar os visitantes de que o filme deveria ser visto, no mínimo, com cuidado e desconfiança, visto que todas as suas teses haviam sido derrubadas, posteriormente, por pesquisadores sérios nos EUA. Lancei mão de humor, sem jamais, contudo, desrespeitar as regras para publicação de opiniões na loja virtual, (...) Apesar disso, minhas resenhas com opinião desfavorável ao filme não foram publicadas. Resolvi então fazer um teste e enviar, com e-mail de origem diferente e nome fictício, uma resenha com opinião francamente favorável a “Fahrenheit – 11 de Setembro”. Para minha surpresa, esse comentário ridículo foi quase que prontamente publicado pelo site."

Bemvindo ao clube. Comigo aconteceu o mesmo - mas com o site Internet Movie Database (IMDB): Tentei várias vezes enviar um comentário desvendando a verdade sobre o 'documentário' do Jorge Furtado , "Ilha das Flores" ao site e nunca foi publicado também. Para variar somente opiniões favoráveis ao filme aparecem por lá. Comentei isso no meu blog em inglês, o swimming against the red tide.

Parece que o submarino está adotando a mesma política externa do presidente Lula: Prefere rasgar dinheiro, perdendo eventuais clientes do que manter uma postura transparente com o seu público. O mesmo se pode dizer do IMDB. Em ambos os casos a resposta deve ser só uma: ignorar solenemente tais bodegas virtuais.


terça-feira, janeiro 10, 2006

Serviço de utilidade pública: A lista dos jornalistas petitas de Mainardi

O jornalista Políbio Braga sumariza a lista dos jornalistas Lulistas em atividade no país. É claro que não é definitiva. De qualquer modo, estes nomes ajudaram a eleger isto que está aí.
Olho neles!!


A lista de Mainardi: "Diogo Mainardi classificou os seguintes jornalistas como 'lulistas' ou ideologicamente ligados a algum partido ou movimento de esquerda e que ajudaram na ascensão do Governo Lula.

* Tereza Cruvinel, do jornal O Globo
* Kennedy Alencar
* Franklin Martins
* Eliane Cantanhêde
* Luiz Garcia
* Vinicius Mota
* Alberto Dines
* Alon Feuerwerker
* Paulo Markun, da TV Cultura
* Paulo Henrique Amorim
* Ricardo Noblat
* Leonardo Attuch
* Mino Carta
* Fernado Morais
* Gilberto Dimenstein
* Marcelo Beraba
* Juca Kfouri
* Nelson de Sá
* Mario Rosa
* André Singer
* Ricardo Kotscho
* Eugenio Bucci"

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Uma das ameaças à democracia brasileira: o "politicamente correto"

Publicado nos sites www.votebrasil.com.br e midiasemmascara.org

"Ano novo, vida nova" , é um dito popular de passagem de ano, mas pode se transformar numa realidade palpável no panorama político de 2006 – um ano eleitoral, além de tudo.


Muita análise foi feita sobre os possíveis desdobramentos dos acontecimentos políticos do ano – a saber : a implosão - "de dentro para fora" - daquilo que se chamou das "bandeiras históricas" do partido dos trabalhadores e do resultado surpreendente do referendo sobre a proibição do comércio de armas no Brasil. Boa parte delas concluía o resultado do referendo das armas como uma espécie de plebiscito do governo, revelando uma reprovação ao desmoronamento do discurso do partido vencedor em 2002. Ou seja, uma reprovação tópica de forte cunho político-partidário.


Esta é uma visão parcial dos acontecimentos. Na verdade a derrota do "sim" no referendo é o que se pode chamar de primeiro indício de que uma corrente muito maior – maior até do que as escolhas político-partidárias – foi derrotada. Esta corrente é o pensamento 'politicamente correto'.


O "politicamente correto" pode ser definido como uma espécie de 'wishful-thinking' que se auto-realiza pela repetição mântrica de palavras de ordem. As palavras são cuidadosamente escolhidas para adjetivar de modo diferenciado a realidade tendo assim o poder de, modificando a maneira de pensar sobre ela, por fim modificar a própria realidade. A premissa fundamental é de que a 'realidade' é subjetiva, sendo portanto um bem exclusivamente pessoal. Modificando-se esta visão pessoal da realidade pelo condicionamento pavloviano de repetição, se modificará por fim a própria realidade – que afinal não passa de um conjunto de realidades pessoais.


Inicialmente recebida como uma esquisitice pseudo-intelectualizada , ela foi – pela disseminação cuidadosa a partir de um núcleo denominado como 'elite cultural' – contaminando os ambientes por onde circulava. Sua chegada aos discursos de campanha e às redações das principais jornais do país marca sua proeminência no mercado das idéias políticas 'que vendem'. De onde nunca mais saiu. A partir deste ponto – definido temporalmente na década de noventa – não havia mais matéria jornalística, política ou não ou discurso político que não incorporasse componentes 'politicamente correto'. Ou não fosse incorporado por ele.


A percepção errada sobre sua verdadeira natureza levou a classe política em peso a adotá-la, não importando siglas, programas de partido, visão política e história. O resultado é que chegamos a um ponto onde todos queriam parecer e soar 'pc' (politicamente corretos). Neste processo todas as opções político-eleitorais perderam completamente a sua identidade. Partidos ditos conservadores, liberais, sociais-democratas ou socialistas passaram a ter perante o eleitorado o mesmo cheiro, cor e sabor.


A falta de "persona" político eleitoral teve o seu auge na eleição presidencial de 2002, onde todas as opções pareciam ser absolutamente iguais, restando ao eleitorado escolher critérios de desempate entre gravatas, ternos e penteados. A aparente convergência de pensamento era tão evidente que foi uma conseqüência previsível o fato de que todos os 'adversários' de 2002 acabaram formando a base de apoio do novo governo em 2003. Esta falta de identidade política causada pelo sucesso avassalador do politicamente correto é uma ameaça à democracia brasileira. A falta de um espectro amplo de opções político-partidárias é um erro que deve ser corrigido. Quando falo em opções político-partidárias, não me refiro ao número de partidos – que considero um absurdo no Brasil – mas às suas colorações políticas.


A conclusão é de que, por força do discurso politicamente correto, os partidos se transformaram em uma massa anódina de chavões e palavras de ordem, alienando-se em boa parte ao mundo real dos eleitores. O resultado do referendo foi então um aviso à classe política, para evitar os excessos do 'pc' e darem mais atenção ao mundo real.


Apesar de um aparente apoio popular ao politicamente correto, a fórmula parece esgotada. O discurso floreado cheio de boas intenções revelou afinal a sua maior vítima: a classe política. O feitiço em boa parte se voltou contra o feiticeiro. O público percebeu que por trás das boas intenções do discurso, a intenção real poderia ser bem diversa, numa re-edição à brasileira do 'duplipensar' Orwelliano. A vitória consagradora do 'não' no referendo das armas é a expressão deste esgotamento. Nunca apelos emocionais tiveram tão pouca receptividade. E nunca se falou tanto em valores como 'liberdade' e 'direitos individuais' neste país.


Que seja o símbolo de uma nova etapa da democracia brasileira. Aguardo ansiosamente pelos próximos capítulos.


Feliz Ano Novo.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Abaixo a lógica II - a volta

Depois de meu último artigo, me dei conta de que nesta semana completei longos 19 anos desde que eu me formei na faculdade de Engenharia Mecânica da UPF (Universidade de Passo Fundo). Portanto a lógica matemática é parte fundamental da minha trajetória profissional.

Uma bela ocasião para acertar as contas com esta velha conhecida. Afinal juntado aos seis anos de preparação, somam-se 25 anos de convívio com os esquemas lógico-racionais da engenharia. Sempre uma convivência bi-polar.

Como aqui revelei minha área de atuação profissional - a engenharia - não tenho como não deixar de falar sobre os arquétipos mais conhecidos do engenheiro:

  • Estão sempre no mundo da lua, aliás no mundo dos cálculos e especulações matemáticas.

  • Têm um pensamento 'cartesiano' por excelência.

  • Pouco ou nenhum interesse pelas ditas 'ciências humanas' tais como línguas, (a não ser um inglês macarrônico nível técnico 1 yázigi – especializado em leitura de manuais) história ou filosofia.

Apesar de minhas eternas diferenças com o curso (confesso: escolhi a engenharia pelo meu gosto pelo desenho!) acabei descobrindo a beleza da lógica matemática. Principalmente quando descobri que ela poderia ser tão abstrata quanto uma pintura de Kandisky.


Mas a maior contribuição da engenharia para mim – fora a beleza inata de uma equação de Navier-Stokes (a mecânica dos fluídos foi a coisa mais genial que aprendi na universidade) – uma vez que ela me proporcionou o ingresso à universidade, foi a descoberta da porta da biblioteca.


Não me entendam mal mas o curso me obrigava a passar horas e mais horas enfurnando na biblioteca a buscar bibliografia para solucionar equações. Para relaxar um pouco do cálculo, eu me aventurava pelas outras estantes.


Foi ali que eu pude reencontrar minha própria história intelectual – depois de um hiato de 10 anos perdidos em leituras de coisas como "Mad" e "Homem-Aranha" - quando buscava na biblioteca da escola por obras do Monteiro Lobato e Júlio Verne. Mas agora meu apetite era outro: História das idéias, Bauhaus, Le Corbusier, Jack Kerouac, Kafka, Orwell, Albert Camus e os meus favoritos Dostoievski, Hesse, Wells e Wilde. E também um panorama dos movimentos de arte vanguardistas do princípio do século vinte como dadaísmo, futurismo, pontilhismo, cubismo, fauvismo, surrealismo, todos detonados com a ascenção irresistível do impressionismo no século anterior.

Mas todo este movimento de fluxo e refluxo de influências, entre o dever da matemática e o prazer sensorial intelectual da literatura e da pintura, acabou por esculpir-me um perfil híbrido, uma construção arquitetônica atípíca onde o onde equilíbrio é fundamental.


Mas para isto devo muito à minha metade 'engenheiro' e sua visão utilitarista da lógica. Esta mesma influência da lógica pode ter efeitos muito benéficos no tempo. Uma delas – a mais notável – é que o ensino da engenharia ainda está livre da influência marxista. Ainda não foi criada uma "engenharia social" pelo menos não nestes termos, apesar de toda prática do socialismo dito científico ser rotulado como 'engenharia social' sua similitude com a prática de engenharia termina por aí.


Outro fato importante é que – por mais que tentem dizer o contrário – o número de engenheiros formados em cada país é considerado um indicador confiável da tendência de crescimento econômico deste país. Ironicamente, apesar de muitos notórios esquerdistas serem engenheiros, no final os engenheiros são, pela própria natureza de sua 'praxis', um sólido alicerce à sociedade industrializada que é, por sua vez, é o sustentáculo maior do capitalismo. Capitalismo sem indústria não existe. E para uma indústria existir...


Talvez esteja aí um dos fatores que me levaram a ficar longe das teorias mais coletivistas. Sinto que a lógica teve papel central nesta conseqüência. Mas ela somente não faz milagres. Sem uma boa base de valores e sem a preocupação com equilíbrio das partes ela sucumbiria ao mundo sensível, ficando subjugada a ele. A lógica por si só não estabelece as premissas, e se deixarmos ela chegar à tanto, só vai estabeler premissas que possam ser perfeitamente medidas e avaliadas , o que resultaria num reducionismo pueril.


Um episódio ilustra a influência da engenharia em desfazer a hipnose coletivista. Tive a grata surpresa de encontrar meus antigos colegas e professores dos tempos da faculdade recentemente. Um de meus professores - coincidentemente o que era responsável pela disciplina de mecânica dos fluídos com seu Navier-Stokes – era conhecido ao tempo da faculdade como "comunista". Havia sido detido pelos serviços de inteligência do regime militar. Ao aproximar-me dele veio a pergunta fatal: "Continuas comunista?" e a grata resposta: "Não! Não sou comunista desde 1983. A esquerda perdeu totalmente o rumo . Aprendi que não é pela política que se muda a sociedade e sim o indivíduo, sua família e a manutenção de valores positivos é que podem mudar a sociedade. O sentido do movimento é inverso. Não é do social para o indivíduo; É do indivíduo para o social." Continuou: "Hoje o ensino no país está arruinado Dou graças a Deus em poder lecionar um assunto técnico, sem influência do esquerdismo. Tenho pena dos que hoje tem de cursar alguma faculdade na área de ciências humanas e ter de agüentar ideologia vendida como educação. As pessoas desaprenderam a pensar".


O que eu posso concluir é que meu antigo mestre trilhou o caminho do bem, mas só seria possível numa faculdade como a de engenharia. Qual seria o impacto de tal transformação se o mestre lecionasse história , por exemplo? Provavelmente enfrentaria grandes conflitos, pois é uma disciplina que tem seu tour-de-force em Marx e Hegel.


Apesar de tudo, a lógica ainda é um caminho de saída do vícios mentais, mas na exata medida em que ela mesma não se transforme em outro vício. Talvez a grande descoberta ainda oculta sobre a natureza do universo não seja a da infalibilidade da matemática newtoniana ou mesmo pós-newtoniana, mas a percepção de que o arranjo universal das coisas segue sobretudo uma 'lógica' artística.


Talvez por isso mesmo que eu goste muito mais de um M. Escher ou William Turner com suas obras que despertam a mesmo tempo a curiosidade e o prazer sensorial intensos do que um projeto de desenho mecânico no AUTOCAD 2006 for windows XP.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Abaixo a Lógica!!

ou A Revolta dos Dândis - parte um

Quero fazer aqui um manifesto. O manifesto de um homem só cansado de explicações infindáveis sobre tudo: Abaixo a lógica.
 
Depois de tentar durante muito tempo procurar argumentos lógicos para minhas percepções, de criar proposições  que pudessem explicar as minhas intuições de uma forma clara, objetiva e portanto, 'irrefutáveis', cheguei à conclusão de que é em alguma medida um esforço inútil a quase um desvio na busca da verdade mais objetiva.
 
O cerne da questão é que minhas percepções vem 'a priori'. Minhas conclusões já nascem prontas e então - como se elas por si mesmas não bastassem - fico a procurar esquemas mentais que mais encaixem numa explicação lógica para tentar demonstrar estas percepções de forma objetiva.
 
Acontece que a natureza das percepções são diametralmente opostas as das racionalizações: uma nasce no escuro mais recôndito de minha mente, agindo por si a estabelecer ligações entre eventos aparentemente desconexos e a tirar de sua cartola mágica conclusões ready-made, enquanto que a outra é o seu oposto. A lógica -se bem usada -  serve como caminho para a busca da verdade. Então explicar o que lhe veio de forma intuitiva através de um modelo lógico-racional, pode transformar o que era verdade numa espécie de jogo mental.  
 
Esta forma de pensamento 'impressionista' age mais ou menos como um Marcel Duchamp a encontrar significados novos para objetos de pensamento e eventos aparentemente banais. Tentar fazer a a 'engenharia reversa' da intuição não leva a lugar algum. Ou a um lugar pior ainda.
 
Por mais brilhante que a demonstração do 'cálculo' seja ela sempre vai repousar sobre dois pilares: a lógica e seu primo-irmão, a matemática. E estas duas nos levam a um mundo material de demonstrações obrigatórias a cada ponto.
 
Com isso, tudo vira táctil. E o táctil é o mundo da economia e das sensações. Tentar explicar as motivações humanas por fatores unicamente sensoriais e econômicos sem levar em conta a real natureza do espírito humano é uma redução formidável.
 
Como explicar Deus em termos lógicos? É claro que é possível catalogar pistas e enumerar evidências sutis de sua existência usando estes caminhos, mas estas demonstrações, por mais evidentes que sejam,exigem do seu interlocutor um talento inato para a abstração quase na mesma medida de seu proponente.
 
Por tudo isso minha auto-definição como "liberal-conservador" é muito mais um cacoete mental - de tentar catalogar minhas crenças em algo palatável e razoavelmente sabido -  do que uma explicação real.
 
Acredito que todo o ser humano e em especial o seu pensamento sejam inclassificáveis por natureza. Todo mundo é uma ilha. Mas num mundo como o atual em que alguns valores tomaram o lugar do todo - como o esquerdismo militante - este rótulo serve muito mais como uma demonstração inequívoca de contrariedade.
 
Uma antiga música dos Engenheiros do Hawaii dizia "eu me sinto um estrangeiro, passageiro de algum trem que não passa por aqui". A definição pode ter brotado involuntáriamente do autor mas é realmente a expressão da verdade.
 
Minha auto-definição como "liberal-conservador' é antes de tudo uma declaração de guerra. E ao mesmo tempo uma declaração de fé no equilíbrio. Um liberal e conservador só pode sobreviver se as suas duas partes puderem conviver num arranjo equânime. "Tudo na sua justa medida" como dizia Aristóteles. Este é o real segredo. E guerra às definições fáceis, aos jogos mentais que levam muitos ao esquerdismo mais pueril ou ao econimicismo radical - ambos lados da mesma moeda.
Como 'moeda' é um assunto puramente econômico, fico de fora desta questão.
 
A ser continuado.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Liberais da Argentina dizem não ao protocolo Kyoto


Como todos já sabem, mas fingem que acreditam só para colocar os Estados Unidos como vilão mundial, a Fundação Atlas da Argentina se pronuncia também pelo 'não' ao controle de emissões pretendido pelo protocolo.
Tal como a Russia, que já havia considerado impraticável o 'Kyoto' (não antes de trombetear aos quatro cantos a "recusa" americana") os Argentinos chegaram ao óbvio:
Controlar emissões poluentes em países em desenvolvimento só trará mais pobreza. Os custos de energia ficarão mais altos, dificultando o desenvolvimento.
Como todos sabem, não é com políticas coletivistas que se combate a pobreza. É com desenvolvimento.
E é com desenvolvimento também que se chega a forma mais limpas de energia.
Ou seja. A melhor equação para proteger o meio ambiente é ..Desenvolvimento industrial.

Trecho do comunicado --Brilhante:

"El desarrollo económico en países como Argentina llevará a la adopción de formas más limpias de energía. Los países ricos también son los más sanos y limpios. Las naciones pobres necesitan hacer la transición de la pobreza a la prosperidad con el fin de mejorar el bienestar humano y proteger el ambiente".

Leiam a transcrição original do comunicado da Atlas Foundation Argentina:


Comunicado de Prensa

Montreal, 9 de diciembre del 2005

 

No canten por mí, dicen los argentinos

Control de emisiones empobrecería aún más a la Argentina

 

Montreal/Buenos Aires—Algunos gobiernos y grupos ambientalistas sostienen que las economías en desarrollo—como argentina—deben participar en los esfuerzos de control climático mediante la imposición de restricciones a las emisiones de gases de efecto invernadero. Un centro de estudios políticos argentino afirma que esto tendría consecuencias nefastas sobre los países en desarrollo.

 

Durante la Conferencia sobre Cambio Climático (COP-11), la Unión Europea y otros gobiernos han propuesto un sistema obligatorio de control de emisiones que entraría en vigencia a partir del 2012, año en que el Protocolo de Kyoto expira. Este sistema incluiría a las grandes economías en desarrollo como Argentina, México, China, India y Brasil, y obligaría a estos países a reducir su consumo de combustibles y electricidad.

 

Martín Simonetta, Director Ejecutivo de la Fundación Atlas 1853 en Buenos Aires, señaló que dicho control de emisiones haría más daño que bien para una Argentina ya de por sí golpeada. Explicó que "Argentina ya cuenta con innumerables problemas internos como para que las ONG's argentinas e incluso nuestro mismo gobierno vengan a decirnos que tenemos que participar en un régimen de control del clima que encarecerá los costos de la energía que consumimos".

 

Simonetta añadió que "Hoy en día el costo de la vida continúa aumentando para los argentinos. Esta propuesta de control climático es una estafa: perjudicaría al argentino al disminuir el crecimiento económico y su ingreso, lo que extenderá la pobreza en nuestro país".

 

Juan Carlos Hidalgo, vocero de la Sustainable Development Network, considera que la idea del control climático es inherentemente contradictoria: "Durante estas dos semanas hemos escuchado que los países pobres son los más vulnerables a los efectos del cambio climático. Sin embargo, la solución propuesta no es la de eliminar la pobreza, sino la de imponer más obstáculos al crecimiento económico de los países pobres, en particular al aumentarles el costo de la energía".

 

De acuerdo con Hidalgo, el control climático afectará nuestra habilidad de proteger el ambiente. Indicó que "El desarrollo económico en países como Argentina llevará a la adopción de formas más limpias de energía. Los países ricos también son los más sanos y limpios. Las naciones pobres necesitan hacer la transición de la pobreza a la prosperidad con el fin de mejorar el bienestar humano y proteger el ambiente".

 

Para mayor información contacte a la Fundación Atlas 1853 (Argentina): Lic. Martín Simonetta, msimonetta@atlas.org.ar, 011.15.5119.6640 (celular). Juan Carlos Hidalgo (Montreal), jchidalgo@sdnetwork.net, 001.212.495.9597 (celular) 

 

Sobre la Fundación Atlas 1853:

La Fundación Atlas1853 es una organización apartidaria sin fines de lucro suya misión es liderar el cambio hacia una sociedad abierta basada en la defensa de la libertad individual, la existencia de límites institucionales a la acción del gobierno, la economía de mercado, la propiedad privada, la libre empresa, y el estado de derecho. Sitio en Internet: www.atlas.org.ar

 

Sobre la Sustainable Development Network:

La Sustainable Development Network es una coalisión de individuos y organizaciones no gubernamentales que sostienen que el desarrollo sustentable consiste en darle mayor poder a las personas, promover el progreso, eliminar la pobreza y alcanzar la protección ambiental a través de las instituciones de una sociedad libre. Sitio en Internet: www.sdnetwork.n


terça-feira, dezembro 06, 2005

segunda-feira, dezembro 05, 2005

A revolução Gramsciana no Brasil está em declínio?

Na coluna de Olavo de Carvalho no Jornal do Comércio, uma nova leitura do processo revolucionário gramsciano do Brasil.
Será que quarenta anos de hegemonia cultural vão acabar por auto-combustão espontânea?

Acho que não é tão espontânea assim. A mudança da opinião pública não foi assim automática. Existe influência sim. De todos os que se mobilizaram para denunciar a farsa democrática brasileira, principalmente pós-2002.

Mas a batalha não está ganha. Não é só com o vislumbre de Gandalf montando Scadufax contra o horizonte que vai dar a vitória quase impossível aos bravos resistentes no Abismo de Helm. Não, ainda falta muito. Mordor continua governando todo o resto.

Mas é uma esperança. Uma nova esperança.


Ah! O final do texto é ótimo:
"Aquele velhinho maluco com a bengala, em Brasília, não era o Yves Hublet. Era eu. Não saí da Virginia, mas, juro, era eu. Esse prazer ninguém me tira. E acho que alguns milhões de brasileiros sentem o mesmo."

Muitos brasileiros sentem o mesmo, caro Olavo, muitíssimos mesmo.

Feliz 2006 (adiantado)

Trecho:

"Ao contrário do que aconteceu nos EUA, onde a revolução cultural entrou em refluxo sob os golpes de uma intelectualidade cristã e conservadora diligente e criativa, no Brasil quarenta anos de maquiavelismo gramscista estão sendo abortados simplesmente desde dentro, pela mágica inexplicável da burrice. O problema é que, quando a força hegemônica se extingue a si mesma, sem um único adversário para sequer remover o seu cadáver, o mau cheiro da sua decomposição pode se impregnar por muito tempo no campo de batalha vazio."


DANDO (FINALMENTE) NOME AOS BOIS

Diogo Mainardi cansou de codinomes ("bananão dos bananões"). Para descrever o mundo vermelho-rosa do jornalismo petista deu literalmente nome aos bois and girls.

Divirtam-se.

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OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Diogo Mainardi (Veja)

Os lulistas reclamam da imprensa. Não entendo o motivo. Lula já teria sido
deposto se jornais, revistas e redes de televisão não estivessem tomados por
seus partidários.

Eu acompanho todo o noticiário político. Minha maior diversão é tentar
adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista. Não sou um
grande especialista no assunto. Não freqüento o ambiente jornalístico. Tenho
apenas quatro ou cinco amigos no ramo. E nunca fui de esquerda. Não sei
direito quem é quem dentro do PT. Esses pelegos me parecem todos iguais. Mas
tenho um bom olho para reconhecer o jargão lulista. Não preciso de mais de
uma frase, perdida no meio de um artigo, para identificar um governista
infiltrado.

O Globo tem Tereza Cruvinel. É lulista do PC do B. Repete todos os dias que
o mensalão ainda não foi provado. E que, de fato, José Dirceu não deveria
ter sido cassado. Cruvinel aparelhou o jornal da mesma maneira que os
lulistas aparelharam os órgãos públicos. Quando ela tira férias, seu
cunhado, Ilimar Franco, assume sua coluna.

Kennedy Alencar foi assessor de imprensa do PT. Ele continua sendo assessor
de imprensa do PT, só que agora de maneira não declarada, em suas matérias
para a Folha de S.Paulo. Ele é o taquígrafo oficial de André Singer,
secretário de Imprensa de Lula. Singer dita e Kennedy Alencar publica.

Franklin Martins é José Dirceu até a morte. Eliane Cantanhêde é da turma de
Aloizio Mercadante. Luiz Garcia é lulista, sem dúvida nenhuma, mas não
consigo identificar sua corrente. Vinicius Mota é do grupo de Marta Suplicy.
Quem mais? Alberto Dines é seguidor de Dirceu, e só se cerca de seguidores
de Dirceu. Alon Feuerwerker, do Correio Braziliense, é do partidão, e apóia
quem o partidão mandar. Paulo Markun, da TV Cultura, tem simpatia por
qualquer um que seja minimamente de esquerda. Paulo Henrique Amorim é
lulista de linha bolivariana. Ricardo Noblat era lulista ligado a Dirceu,
mas pulou fora no momento oportuno.

Leonardo Attuch, da IstoÉ Dinheiro, é subordinado a Daniel Dantas. Quando
Dantas está satisfeito com o governo, Attuch é governista. Quando Dantas
está insatisfeito com o governo, Attuch vira oposicionista. Mino Carta, por
outro lado, é subordinado a Carlos Jereissati. Tem a missão de atacar
Dantas. E de defender a ala lulista representada por Luiz Gushiken.

Os jornalistas que não pertencem à área de Dirceu, Gushiken, Mercadante,
Suplicy ou Rebelo em geral pertencem à área de Antonio Palocci. Nunca houve
um político tão protegido pela imprensa quanto ele. Palocci tem defensores
influentes em todos os veículos, sobretudo em O Estado de S. Paulo e Valor.

Nem mesmo VEJA escapa do tribunal macartista mainardiano. Os lulistas
costumam definir a revista como tucana, mas eu desconfio que ela esteja
cheia de lulistas. Não posso revelar seus nomes por puro corporativismo. E
porque não quero perder aqueles quatro ou cinco amigos na profissão.




quinta-feira, dezembro 01, 2005

Forum de São Paulo rides again: Lula apóia Evo Morales. Alguma surpresa?

Será que para alguém é surpreendente o apoio de Lula ao cocalero Evo Morales? Eles são parceiros no Foro de São Paulo há quinze anos!!!

Para os idiotas úteis, que aind acham que o Foro de São Paulo é só 'um grupo de debates' o discurso do presidente é -mais uma vez - revelador. Leiam os trechos das notícias:

Na folha on line de hoje

"Olha o que significou a eleição do (Hugo) Chávez na Venezuela. Imagine o que significa se o Evo Morales ganhar as eleições na Bolívia. São mudanças tão extraordinárias que nem mesmo os melhores cientistas políticos dos nossos países poderiam ter escrito."


 
O Globo de Hoje

"Lula apóia candidatura de Morales na Bolívia


PUERTO IGUAZÚ, Argentina. A menos de três semanas das eleições presidenciais na Bolívia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou ontem, publicamente, sua preferência pelo deputado e líder cocaleiro Evo Morales. Num improvisado discurso, na cerimônia de encerramento da reunião entre os presidentes do Brasil e da Argentina, Néstor Kirchner, para comemorar os 20 anos do nascimento do Mercosul, Lula assegurou que a eventual eleição de Morales no próximo dia 18 de dezembro significaria uma mudança extraordinária na região".


Final : Para os  crentes na versão clube de canastra, oops, 'grupo de debates' do FSP, faço uma  aposta: me mostrem  uma declaração , apoio, ou intenção de nosso presidente  que seja contrária  a  qualquer diretiva ou outro integrante do  FSP. Se houver isso, me rendo às evidências. E vou jogar meu baralhinho também.



quarta-feira, novembro 30, 2005

Rock The Casbah! - A intifada francesa e o punk-rock


White riot - I wanna riot / a riot of my own
Black people gotta lot a problems / But they don’t mind throwing a brick
White people go to school / Where they teach you how to be thick”
(“White Riot” - The Clash)



Já vou logo avisando que uma das coisas que mais gosto de fazer é encontrar relações entre eventos aparentemente desconexos, criar pontes imaginárias ligando estes pontos distantes.

Pois aqui estou fazendo uma crônica sobre o movimento da intifada francesa. Mas com um enfoque diferenciado.

Muito se tem falado da cobertura errônea da imprensa local e mundial sobre a natureza dos eventos na França. A maioria da imprensa – comprometida com o socialismo rosa-choque da social democracia e o welfare state – acha que os acontecimentos foram uma clara demonstração de falta de compaixão e cuidado da sociedade francesa e o estado francês para com os imigrantes, especialmente da África e Oriente Médio. Na visão desta parte da imprensa a solução para este problema seria AUMENTAR ainda mais o crasso assistencialismo das políticas sociais francesas. Isto mesmo, querem aumentar ainda mais as políticas assistenciais. Se Bush também ameaça fazer o mesmo em Nova Orleans- a cidade na qual a obesidade mórbida de assistencialismo transformou seus cidadãos em passivos espectadores da própria tragédia – uma versão acidental de “Esperando Godot” - , imagine na França.

A decisão do governo francês em aumentar ainda mais as políticas assistencialistas terá o mesmo efeito dar pílulas e preservativos à uma adolescente grávida.

Por outro lado, a parte lúcida da mídia revela a que o movimento é na verdade uma “intifada”. Uma proto “jihad” em solo europeu, muitos séculos após a 'reconquista'.

Depois de décadas de políticas coniventes com imigrantes islâmicos que querem gozar do “dolce farniente” do welfare europeu mas não se iintegrar ao novo continente, a Europa percebeu que perdeu o cerne da sua cultura tentando se “defender” do “radicalismo” religioso dos imigrantes (símbolos religiosos – até mesmo os que sforjaraam a própria identidade francesa – foram banidos das escolas) em vão: hoje a cultura européia só existem em seus museus e os descendentes dos imigrantes dizem ao que vieram. Trouxeram a “jihad” ao âmago da Europa. Mas de um jeito legitimamente ocidental, na forma de uma “revolta juvenil” que todos os jornalistas adoram.

Todos os jornalistas engajados gostam de uma “revolta”. Ela faz parte do ideário da esquerda, desde especificamente maio de 68. É a essa ligação que eu quero me aprofundar.

No final dos anos 50, um grupo de poetas criou um movimento – claramente inspirado na visão filosófica existencial – chamado de “angry young man”. Era a revolta do jovem na Europa com o mundo do pós-guerra ainda despedaçado à sua volta. Mesmo nos Estados Unidos, com os beatniks e o cool jazz havia esta mesma tensão, revolta no ar. Era a época do “homem revoltado” de Camus ao lado do “Rebelde Sem Causa” americano, que roubavam carros em gangues tendo dois carros na garagem de casa.

Outra e mais definitiva semelhança da revolta francesa vem do outro lado do Canal: A explosão, ou revolta Punk Rock na Inglaterra dos anos 70. Explico:

Durante os anos 70 a Inglaterra vivia uma grande recessão, impulsionada pela crise do petróleo e pelo welfare state. É . Depois de décadas de política assistencialista-sindical patrocinada pelo partido trabalhista, a Inglaterra convivia com a decadência do partido. E uma decadência que parecia, aos olhos da juventude, a decadência do próprio país. Greves espoucavam em quase todos os setores dos serviços públicos (diziam que os mortos teriam que ser jogados no Tâmisa por causa da greve dos coveiros), o desemprego entre os jovens batia na casa dos dois dígitos.. E aí?

Joe Strummer dava a senha para o movimento “revolta branca – eu quero uma revolta, uma revolta do meu jeito/ Os negros têm muitos problemas mas eles não ligam em atirar tijolos equanto os brancos vão para a escola / Onde lhes ensinam a ser estúpidos”

Este era o sentimento: o de se sentirem-se estúpidos que necessitam de cuidados especiais.

Exatamente o que o âmago do welfare-state acaba provocando: a apatia e a total dependência do indivíduo ao Estado. Contra este estado de coisas, os punks revitalizaram o velho bordão libertário de “faça você mesmo”. Mas no caso deles, a revolta se voltou mesmo à cultura – o punk se transformou numa iinfluência arrasadora em tudo o que foi feito na cultura pop das três últimas décadas – ou melhor dizendo , ao rock´n'roll (ou o que eles achavam que isso era). Então nossos punks se dedicaram aos coqueteés molotovs sonoros de pouco mais de três acordes que vitimaram milhares de tímpanos e qualquer senso de estética musical.

Uma espécie de resposta às causas da revolta punk foi emblemática: em 1979 foi eleita Margareth Thatcher e a Inglaterra começa sua rota de volta ao desenvolvimento e à relevância mundial.

E na França? Se nos anos 60 Mick Jagger cantava “O que um jovem pobre pode fazer senão montar uma banda de rock?”, nos anos 2000 na França, o que jovens islâmicos revoltosos poderiam fazer? Criar a “sua revolta”. Se os negros a tiveram nos anos 60, os hippies nos anos 60, os brancos nos anos 70. então agora era a sua vez.. E lá foram eles, sob os ensinamentos da Jihad, querendo criar um “Iraque na França”, mas com um feeling de “revolta” muito ocidental e pós-moderna na medida exata para diexar os jornalistas de ocasião extasiados..A diferença é emblemática: Como eles não sabem tocar guitarra, optaram por incendiar o carro mais próximo.

Ah, se eles pelo menos escutassem mais rock'n'roll, ou tivéssem um empresário com tino comercial como o de Malcon Mclaren (empresário dos Sex Pistols e inventor do movimento), poderíamos agora, ao invés de fogo e revolta, termos uma versão novo-milênio para “Rock the Casbah”!