sexta-feira, abril 27, 2007

Punk, um movimento paleo-neo-conservador?

Este foi um dos artigos mais acessados na minha página do NowPublic, inesperadamente. Como eu poderia prever que uma despreocupada matéria como essa, estabelecendo links improváveis à primeira vista pudesse ser tão bem recebida? Bueno, aqui está a versão portuguesa. Também está no meu blogue em inglês, o “swimming against the red



Nos anos oitenta eu descobri a música New Wave. Foi como missa para mim. Eu havia curtido muito a onda “discothèque” nos anos setenta por isso perdi a explosão punk inicial. Eu achava aquele bando de vagabundos fazendo ruídos, não música, o fim do mundo... Mas nos oitenta, movido pela “wave” eu finalmente compreendi o que eles realmente eram.



Entendendo isso, o punk/new wave foi uma reviravolta e tanto. Adieu, “discothèque”. Uma forma “revolucionária” de fazer música. “Esqueçam os Eagles, Rod Stewart a todos aqueles hippies sujos!”. O slogan “faça a sua própria música” realmente me empolgou.



Muito mais tarde, eu tive outra percepção, a de que o punk não foi um movimento “revolucionário” mas , ao contrário, um movimento “reacionário”. Assistindo a alguns documentários da época, relatando a primeira geração punk nos setenta (Pistols, Clash, Damned), eu pude conhecer o ambiente, paisagem que criou um movimento como aquele. A Inglaterra nos anos setenta estava quase “acabando”. O partido trabalhista (labour) estava no poder há muito tempo em 1976. Eles implementaram programas de bem estar social (welfare), nacionalizações e aumento de impostos que estavam levando o país à bancarrota: taxas de desemprego muitíssimo altas, especialmente para os jovens, greves do funcionalismo público pipocavam por toda a parte, fazendo serviços essenciais simplesmente cessarem por completo. Na época se dizia que teriam de jogar os defuntos no Tâmisa pois até os serviços mortuários estavam em greve.

O Punk emergiu para reagir a uniformização, igualidade forçada e aos programas sociais. Eles eram individualistas que afirmavam que qualquer um podia ter a sua banda, que poderiam ser quem quisessem serm que cada indivíduo era quem deveria decidir o que era melhor para ele, não o governo. Muito menos a monarquia.

Foi surpreendente que, logo após o a primeira efervescência punk, os britânicos tenham escolhido o conservadorismo, elegendo a “Dama de Ferro” (uma punk em seus próprios termos – ou metaleira?) Margaret Thatcher. Surpreendente? Nem tanto. Os punks tinham posições pessoais completamente anti esquerda e a favor da liberdade. Por isso foi realmente estranho ver, logo depois, todas as bandas que eu gostava aderindo às iniciativas da esquerda. Para mim era insano por que as mesmas pessoas e bandas que gritavam slogans contra “grande estado” e apoiavam a iniciativa pessoal foram parar em baixo das asas da esquerda, que é a favor de “estado grande” e sindicatos ao invés do indivíduo.

Mas eu encontrei este site, chamado “conservative punk” que me fez pensar que, finalmente, meu primeiro pensamento estava correto, afinal: A esquerda “sequestrou” o movimento e o punks são culpados disso também. Aqui estão os principais objetivos da iniciativa:

Abordar e informar os jovens aleitores de hoje que se identificam a cena punk com fatos, ao invés de rumores e teorias conspiratórias.

Alargar a sua percpeção política expondo-os a outras idéias políticas fora da arena o habitual do bi-partidarismo e fazendo-os pensar sobre o que mais há (além do que é ouvido, lido e visto nas várias formas de mídia).

Prover um fórum para todos as idéias do espectro político nas quais as suas vozes, preocupações e dúvidas possam ser apresentadas e subsequentemente resolvidas.

Encorajar a geração jovem e burguesa a registrar-se para votar e se tornar engajada em política.

Encorajar os jovens votantes a tirar as suas próprias conclusões ao invés de doutrirná-los com determinado tipo de pensamento.

Abordar e trazer à luz questões sociais que têm consequências não só para o indiíviduo, mas para a nação inteira.

Abordar e cultivar a importância da individualidade, liberdade pessoal e direitos civil ao mesmo tempo que ressalta a importância do trabalho em equipe.

Abordar e refutar os mitos acerca do exército americano e a proteção à liberdade que ele garante.

Focar no futuro desta nação ao invés de ficar acomodado e submerso em raiva quando as coisas não acontecem do modo que se queria.

Outros links interessantes: A coincidência histórica e de cosmovisão de dois movimentos e os seus líderes nos Estados Unidos: Johnny Ramone e Ronald Reagan; Punk Rock and Conservadorismo

O punk rock pregava a volta ao básico (três acordes) e era um movimento tremendamente heterossexual. Ronald Reagan fazia o mesmo com a sua ortodoxia econômica (reaganomics) em que dizia “a melhor economia é a economia básica”.

A propósito, muitas canções punks são realmente conservadoras. “God Save the Queen” é um hino contra o welfare e governo de mais e “Bodies” é uma canção anti-aborto!

Never mind de bollocks, Here´s the Sex Pistols.




2 comentários:

Gwenyfar disse...

Amei! Gente, que coisa interessante! Eu que curto Ramones, Joy Division (pós-punk), fiquei admirada com essa estória.

Valeu, Luís!

Lele Carabina disse...

Muito interessante. Então já não me sinto tão órfã rsrs Quando tinha uns 7 anos ainda, escutei "Another Brick In The Wall" em disco, gostava da música, mas eu tinha medo dela rsrsrs Mais tarde e hojea ainda gosto dos Ramones, mas essa idéia dos punks ligados à esquerda me afastou um pouco das bandas punks. Abraço.