terça-feira, agosto 22, 2006

Cartas para Zero Hora (Final) -- ZH tenta controlar os danos??

Recebi uma resposta "de luxo" à carta enviada à Zero Hora na semana passada: Direto da seção Cartas ao leitor da edição de 20/08/06, que transcrevo abaixo. Os grifos são meus. Comentários ao final.


Informe Especial

20/08/2006
CARTAS AO LEITOR


Foto Manipulada por Adnan Hajj/ZH

Em nenhum momento da cobertura do conflito Israel x Hezbollah obtive qualquer informação em ZH sobre dezenas de casos de fraudes fotográficas (Reuters), fotos posadas por militantes do Hezbollah abusando das vítimas em Qana (AP) - reclama o leitor Luís Afonso Assumpção, de Porto Alegre.


Caro Luís Afonso,

Sua carta permite esclarecer os critérios de ZH sobre fotografia. Condenável eticamente, a manipulação de imagens não é novidade na cobertura de guerras. Com a facilidade permitida pelo computador, porém, ela se tornou mais comum.


A imagem citada, feita pelo fotógrafo libanês Adnan Hajj, mostra as conseqüências de um bombardeio israelense na periferia de Beirute. Com o auxílio de um programa de computador, Hajj alterou a foto (Veja comparação nas fotos, manipulada esq., original dir.) para mostrar uma fumaça mais intensa subindo dos prédios atingidos. A agência de notícias Reuters, que contratou os serviços de Hajj, só descobriu a distorção da imagem depois de ela já ter sido transmitida para centenas de jornais.


ZH não publicou a foto porque não assina o noticiário da Reuters. Durante a cobertura da guerra, eram despejados nos computadores da editoria de Mundo pelo menos 600 textos diários sobre o conflito. Infelizmente, é uma escala muito grande de informação para o espaço limitado nas páginas do jornal.


No caso específico, abrimos mão de noticiar uma fraude que não foi publicada em ZH para ceder espaço a outras informações de maior relevância jornalística, como a dor das vítimas dos bombardeios tanto do lado israelense quanto do lado libanês.


É importante salientar também que, segundo o Manual de Ética e Estilo da RBS, "os veículos da RBS não manipulam ou distorcem imagens ou áudio no todo ou em parte".

Por fim, vale destacar que imparcialidade é uma preocupação permanente de ZH. Tanto que, no caso específico da crise no Oriente Médio, ZH foi o único jornal brasileiro a enviar o mesmo profissional aos dois lados da guerra. Como repórter que permaneceu 17 dias no Oriente Médio, cobrindo o drama de israelenses e libaneses, posso lhe garantir, caro leitor, que a guerra é feia dos dois lados.


Um abraço. Rodrigo Lopes, editor assistente de Mundo e enviado especial à região do conflito

Comentários:

Pela resposta acima, ficou claro que ZH aproveitou-se de minha carta para - finalmente fazer o que deveria ter feito quando as denúncias de manipulação correram o mundo, duas semanas atrás - INFORMAR aos seus leitores sobre os graves casos de manipulação de fotos divulgadas pela agência Reuters.
Ou seja: Na coluna de resposta a um leitor ZH se dá ao luxo de "informar" o que não havia informado antes.
Minha nova dúvida é se não houvesse a minha carta será que ZH se lembraria de informar aos seus leitores?Mas qual seria a intenção por trás de esconder um fato tão relevante?

Rodrigo Lopes responde à esta pergunta objetivamente no terceiro parágrafo :

" para ceder espaço a outras informações de maior relevância jornalística, como a dor das vítimas dos bombardeios tanto do lado israelense quanto do lado libanês."

Para ZH, carregar mais nas cores dos dramas pessoas dos Libaneses, vítimas civis dos bombardeios israelenses, é muito mais importante do que mostrar que muito desta mesma dramaticidade foi forjada por uma imprensa extremamente anti-israelense e anti-americana, por tabela.

É um exercício de retórica a afirmação de que as vítimas israelenses também são mostradas. Sim, são mostradas. Mas mais na forma de "contagem de corpos" do que a o retrato tão pessoal das vítimas libanesas.

O tom padrão dos relatos de israelenses mortos é dado por este trecho , de 14 de agosto:

"O Hezbollah lançou ontem pelo menos 153 foguetes contra o norte de Israel, matando um homem de 83 anos e ferindo pelo menos 91 pessoas."

Notaram a sutil diferença?


Outro fato que ZH não denunciou - deveria estar muito ocupada entrevistando simpatizantes do "presidente" Fidel - é a onda de crescente ceticismo de leitores e bloggers contra a grande mídia - no caso a Associated Press - e sua ânsia de defender um suposto militante do Hezbollah (conhecido como o "capacete verde") do qual tirou dezenas de fotos, com horas de diferenças entre elas, exibindo os mesmos corpos de crianças vitimas dos bombardeios em Qana.

Aliás, todo o comentado massacre na cidade de Qana tem sido re-avaliado: o número de vítimas caiu para a metade e claros casos de abusos das vítimas para fins de propaganda do Hezbollah têm sido reportados.

Nada disso também foi tido como "importante" para Zero Hora.

Por quê? Por que o mesmo Rodrigo Lopes realizou uma reportagem no dia 31/07/06 onde republicou frases atribuídas ao suposto "funcionário da defesa civil libanesa" [ "- Filmem isso para os europeus e americanos. Isso é a civilização que nos trazem - gritava um homem com uma criança morta no colo".] (o nosso velho conhecido do capacete verde) e até mesmo algumas das famosas fotos "posadas" em Qana.

Veja a foto de nosso famoso personagem publicada em ZH e sua legenda...

Funcionário da defesa civil libanesa carrega o corpo de uma pequena vítima
Foto(s): Nasser Nasser, AP/ZH

A conclusão final é de que minha carta - respondida desta maneira - foi muito mais uma tentativa de "controle de danos" de ZH do que qualquer outra coisa.
Só houve o comentário aberto sobre o fiasco da Reuters por que ZH não publica fotos desta agência.... De forma que "pimenta nos olhos dos outros...".
Mas ZH publicou também inverdades, ou pelo menos fotografias e declarações preparadas para chocar o público. Este é o caso da foto da Associated Press e do comentário reproduzido aqui.
Concordo com o fato de que com milhares de informações/fotos/reportagens é impossível checar a veracidade de tudo o que é publicado, mas neste caso é uma questão de desonestidade com o público
- Não informar seus erros, intencionais ou não
- O fato de ZH ter um reporter na zona conflagrada é ainda mais grave pois o profissional poderia checar a veracidade do que lhe era apresentado por sua própria percepção.
ZH falhou em ambos .
Neste caso ZH acabou com suas mãos sujas. De marrom.

PS.: Um relato honesto da guerra pode ser obtido nesta entrevista do reporter da Rede Globo Marcos Losekan ao "Mais Você" de Ana Maria Braga, em 31/07/06.

Outros Links:

Carta enviada à Zero Hora.

Cartas publicadas em ZH

Post sobre a primeira carta ("Fidel é presidente")

Post sobre Falsificação imagens Líbano (1)

Post sobre Falsificação imagens no Líbano (inglês1)

Post sobre Pallywood

segunda-feira, agosto 21, 2006

Cartas para ZH --- o retorno (1): Fidel é "Presidente!"


Olha aí. No sábado a ZH publicou parte da carta que enviei na semana passada, que postei aqui.
Pois bem, eles publicaram parte da carta - a parte que fala do tratamento vip dado ao Fidel Castro em comparanção ao "ditator" Stroessner.
Sábado, 19/08 foi publicado este conteúdo na página 2 na seção "Sobre ZH".


O RIO GRANDE QUER SABER - Palavra do Leitor

Sobre ZH

Zero Hora tem de decidir como pretende tratar o ditador comunista da ilha de Cuba. Na edição de 14 de agosto, na contracapa, chama Fidel Castro de ditador. Na matéria da mesma edição, se refere a Raul Castro como presidente em exercício. Desde quando o tampão de um tirano, como Raul, pode ser tratado como presidente? Se Fidel é ditador na contracapa, deve sê-lo ainda na página 23. Ou o texto foi finalizado por editores diferentes (um contra a ditadura de Castro e outro mais "simpático") ou ZH leva mesmo às últimas conseqüências o lema "a vida por todos os lados" . O interessante é que na mesma página uma outra nota chama peremptoriamente Alfredo Stroessner de ditador do Paraguai, o que no texto sobre Fidel não aparece uma única vez. Para mim, isto é o que os americanos chamam de "bias".
Luís Afonso A. Assumpção
Engenheiro - Porto Alegre
Reflexão:
Se ZH publica esta opinião, sem nenhuma resposta, é sinal que concorda com a crítica?
Acredito que não.
Se "sim", ela não publicaria na edição de domingo (20/08/06) uma outra matéria sobre Fidel que vai muito além da geradora do meu protesto. A matéria com o  título "Duas Visões sobre a Cuba de Fidel" (de Daniel Rosa e Rodrigo Müzell), entrega justamente o contrário do que seu título promete. Ao invés de visões diferentes ("a vida por todos os lados" conforme promet ZH), mostra duas visões do MESMO lado: admiradores da Cuba Fidelista (um cubano no Brasil - o dono do bar-ode a Fidel chamado "Sierra Maestra", onde já fizemos alguns encontros aqui em POA,  e outro de um brasileiro que estuda em Cuba)  cometem frases de admiração ao "presidente". 
Isto é jornalismo?
Duvi-deo-dó.


sexta-feira, agosto 18, 2006

Desafiando a Nomeklatura Imbecil, Coletiva e (cada vez menos) Científica

Não posso deixar de admirar o trabalho do professor Enézio E. de Almeida Filho.

Se Olavo de Carvalho é um crítico contumaz da tal "comunidade acadêmica" e por vezes da científica também (seu livro "O imbecil coletivo" foi dedicado aos seus desafetos dentro da comunidade), o professor Enézio faz o mesmo trabalho, que é o de desnudar a desonestidade intelectual e até mesmo as mentiras ditadas pela "nomenklatura científica", especialmente pelos cientistas "darwinistas".

Énézio se entitula "pós-darwinista" e
publica suas observações num blog chamado "Desafiando a Nomenkatura Científica"

Este artigo aqui é definitivo: Desmonta um a um os "dogmas" centrais do evolucionismo que reproduzo abaixo.

Divirtam-se!!

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O controle de danos da Nomenklatura científica alerta: o navio 'Darwinic' está afundando, mas tudo vai bem.
A proposição de a seleção natural não ser 'o mecanismo exclusivo ou mesmo o mais importante para a modificação evolutiva dos seres vivos', não é insistência minha, mas dos teóricos do paradigma neodarwinista.

Há mais de 450 'scholars' americanos e estrangeiros, inclusive biólogos de importantes Universidades como Yale, Princeton, MIT, Smithsonian Institution, e até das Academias de Ciências dos Estados Unidos e da Rússia, criticando a evolução darwinista e duvidando da capacidade da seleção natural e das mutações serem responsáveis pela imensa complexidade e diversidade da vida.Eles sugerem um exame criterioso da evidência a favor e contra a teoria darwinista deve ser encorajado. O articulista 'conhece' e troca e-mails com alguns desses especialistas.

Tem sido uma experiência mais do que gratificante. É nos 'ombros desses gigantes' que o presente artigo foi elaborado.
As críticas aqui neste blog são sobre o 'modus operandi' da Nomenklatura científica que distorce, falsifica e suprime as sólidas evidências contra os pilares fundamentais da teoria geral da evolução, mantendo-os nos livros-texto e no ensino da Biologia como 'fatos da evolução'.
Atitude obscurantista contrariando o espírito científico de corrigir e descartar teorias que não se sustentam pelas evidências. Alguns darwinistas honestos, parcialmente, reconhecem e deploram essa atitude.

A experiência de Miller-Urey tentou substanciar o cenário da origem e evolução química da vida proposto pela hipótese de Oparin-Haldane: a abiogênese [eufemismo para geração espontânea] teria acontecido apenas uma vez nos 4.5 bilhões de anos de história biológica.

Os seres vivos [e até uma 'simples' célula] são extrema e irredutivelmente complexos e a seleção natural pré-biológica [???] não poderia agir sobre os compostos químicos 'mais aptos que sobreviveram' da [inexistente] 'sopa protéica', porque compostos químicos, simplesmente, não deixam descendência.

A extrema dificuldade das teorias de origens é que elas não podem ser falsificadas - o evento original não pode ser repetido para podermos falsear ou não nossas teorias. Situação epistemológica Catch-22: as teorias das origens da vida são apenas plausíveis ou implausíveis.
Nestes últimos 50 anos, os pesquisadores da evolução pré-biológica têm encontrado 'em dezenas de laboratórios' [???] segundo Klaus Dose, apenas 'impasse e frustração'. Por quê?


1. A origem da vida foi rápida demais - há uns 3.86 bilhões de anos. MOJZSIS, Stephen J. et al. "Evidence for Life on Earth Before 3,800 Million Years Ago", Nature 384 (1996):55-59. Dados sugerem que a vida se originou não somente uma, mas várias vezes entre 3.86 e 3.5 bilhões de anos. Pelo menos uma delas ocorreu em 10 milhões de anos ou menos - tempo muito abreviado para o surgimento da vida por quaisquer modelos tipo Urey-Miller.

2. Nunca houve uma 'sopa prebiótica'. Em todas as formas de sedimentos carboníferos, de todas as eras geológicas, pesquisadores concluíram: nenhuma 'sopa' ou substrato existiu. LAZCANO, Antonio. "Chemical Evolution and the Prebiotic Soup: Did Oparin Get it Right?", Journal of Theoretical Biology 184 (1997):219-23.

3. O paradoxo oxigênio-raios ultravioletas. A presença de oxigênio molecular impede as reações químicas das quais os modelos Urey-Miller dependem. A ausência de oxigênio permitiria a penetração da radiação ultravioleta na atmosfera da Terra, frustrando novamente as reações químicas necessárias.

4. O sinergismo biomolecular. Sob condições naturais, as proteínas podem agrupar-se somente com a presença de moléculas de DNA e RNA. As moléculas de DNA, por sua vez, podem agrupar-se somente com a presença de moléculas de proteínas e de RNA.
Já as moléculas de RNA podem agrupar-se somente com a presença de moléculas de proteínas e de DNA. Como se não bastasse ser bastante complicada esta interdependência, as moléculas de RNA e muitas moléculas de proteínas e de DNA são estáveis somente se estiverem contidas numa membrana biológica. IRION, Robert. "Ocean Scientists Find Life, Warmth in the Seas", Science 279 (1998):1302-
3.

As membranas biológicas podem agrupar-se somente se as moléculas de DNA, RNA, de proteínas, e de complexos de proteínas de RNA estiverem presentes. WALTER, Peter et al. "SRP - Where the RNA and Membrane Worlds Meet", Science 287(2000):1212-13.; BATEY, R. T. et al. "Crystal Structure of the Ribonucleoprotein Core of the Signal Recognition Particle", Science 287 (2000) p.1232-39.5. A organização de biomoléculas. A função celular exige: a) os números e os tipos exatos de moléculas de proteínas, de RNA e de DNA; b) o posicionamento exato destas moléculas em locais específicos dentro da célula; e c) uma específica proporção de nucleotídeos funcionais e não-funcionais ou seqüências de aminoácidos nas moléculas da célula. BEATON, Margaret J. e CAVALIER-SMITH, T. "Eukaryotic Non-Coding DNA is Functional: Evidence from the Differential Scale of Cryptomonad Genomes", Proceedings of the Royal Society of London, Series B, 266(1999):2053-59; CAVALIER-SMITH, T. "Nuclear Volume Control by Nucleoskeletal DNA, Selection for Cell Volume and Cell Growth Rate, and the Solution of the DNA C-Value Paradox", Journal of Cell Science 34 (1978):247-78.

6. Minimização de erro seqüencial. O seqüenciamento de aminoácidos nas proteínas e nucleotídeos das moléculas de DNA e RNA está estrategicamente fixado para minimizar o dano causado pelas mutações [???].

Esta capacidade incorporada para a minimização de erros é igual ou ultrapassa os melhores esforços humanos em minimizar erros em coisas como programas de computador. FREELAND, Stephen J. e HURST, Lawrence D., "The Genetic Code is One in a Million", Journal of Molecular Evolution 47 (1998):238-48; LUDWIG, Mark A., "Computer Viruses, Artificial Life, and Evolution. Tucson, AZ: American Eagle Publication, 1993.

7. A complexidade da vida mais simples. Os geneticistas têm determinado que a forma de vida mais simples exige um mínimo de 1.400 genes para sobreviver em independência.

Mesmo sob condições químicas ideais, com todas as moléculas pré-bióticas necessárias e a ausência total de moléculas contaminadoras, esta forma 'mais simples' de vida não teria condições de se agrupar sozinha, nem mesmo dentro do tempo da existência do universo! PATTERSON, Collin. Evolution, 2a. ed., Ithaca, NY: Cornell University Press, 1999, p. 22-23.

Os darwinistas afirmam - 'a teoria da evolução por seleção natural não está completa em todos os detalhes, mas vai muito bem'. Contudo, sérias críticas científicas ao neodarwinismo tornaram-se mais evidentes a partir da década de 70, do século 20.

M. Earthy e D. Collingridge, historiadores da ciência, descrevem o neodarwinismo como um paradigma que perdeu a sua capacidade de resolver problemas científicos importantes ['Science Under Stress: Crisis in Neo-Darwinism', in History and Philosophy of the Life Sciences 12:3-26, 1990].

Mais recentemente, David L. Hull, professor de história e filosofia biológica [um 'evolucionista competente'] da Northwest University, diante destas e outras sérias dificuldades, declarou: 'Atualmente, quase todo o aspecto do paradigma neodarwinista está sendo questionado' [verbete Darwinism, in Cambridge Dictionary of Philosophy, Robert Audi, editor, Nova York: Cambridge University Press, 1995, p.179].

O desenho dos embriões de Haeckel permanece nos livros como sendo um 'fato da evolução' de ancestralidade comum, e não para provar sua lei biogenética. Se fraudar é 'o mais grave pecado que um cientista pode cometer', por que ainda aparece nos livros-texto de biologia?

A incompletude do registro fóssil, a 'explosão cambriana' e os antecessores do Homo sapiens são questões muito sérias e precisam também ser abordadas nos livros-texto de biologia como sérias dificuldades à teoria geral da evolução.

Há 530 milhões de anos atrás, numa janela de tempo menor do que 2-3 milhões de anos, mais de 70 filos apareceram 'subitamente' sem nenhuma história evolutiva [Dawkins]. Hoje, somente 30 filos permanecem, e todos estavam presentes no evento cambriano. 'Natura non facit saltum' [Huxley] ou faz? Se não faz, como explicamos este abrupto e perene surgimento de vida?

O melanismo nas mariposas Biston betularia, não é 'exemplo claro' da seleção natural em ação, e 'os fatos válidos' permanecem como hipótese.Jerry Coyne, ao saber da fraude de Kettlewell, disse: "De vez em quando os evolucionistas reexaminam um estudo clássico de experiência e descobrem, para o seu horror, que está defeituoso ou totalmente errado...o cavalo vencedor em nosso estábulo de exemplos [das evidências da evolução] está em más condições, e, embora não esteja pronto para ir para a fábrica de cola, precisa de séria atenção ["Not Black and White", uma resenha do livro "Melanism: evolution in Action", de Michael Majerus, Nature 396 (1998);35-36].

O problema da homologia não é somente questão de que a 'semelhança fenótipa não garante relação filogenética', nem tampouco em diferenciá-la da analogia.

Primeiro, os órgãos homólogos são definidos nos livros-texto de biologia como semelhança devido a um ancestral comum e são apresentados como evidência para descendência comum. Tautologia.

Em segundo lugar, os biólogos sabem que os órgãos homólogos não surgem devidos a genes semelhantes. O mecanismo que os produz permanece desconhecido.

Finalizando, a teoria da evolução das espécies por seleção natural, além de incompleta, não caminha muito bem. Se ainda não sabemos como ocorreu a origem e a evolução da vida aqui na Terra, colocar essa possibilidade fora da Biota da Terra [Marte ainda não foi descartado] é emitir uma nota promissória epistemológica que nunca poderá ser empiricamente resgatada...

O controle de danos da Nomenklatura científica alerta: o navio 'Darwinic' está afundando, mas tudo vai bem!


quarta-feira, agosto 16, 2006

EFEITO BUMERANGUE

Publico um elucidativo artigo da Christina Fontenelle, do site http://christina-fontenelle.blogspot.com/.

Efeito Bumerangue

Christina Fontenelle



 





 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Há duas semanas temos assistido à propaganda intermitente do mais novo lançamento do cinema nacional: Zuzu Angel, com Direção de Sérgio Rezende e Produção Joaquim Vaz de Carvalho. Eu já li dezenas de reportagens sobre o filme, sobre a vida da estilista Zuzu Angel e sobre a prisão e morte de seu filho, Stuart Edgar Angel Jones. Igualmente assisti a mais uma dezena de entrevistas concedidas pelos atores do filme, em trabalho rotineiro de divulgação. Em nenhuma dessas oportunidades eu li, vi ou ouvi absolutamente nada sobre o envolvimento de Stuart Angel com grupos terroristas que praticavam toda a espécie de crimes para fazer a "revolução comunista" no Brasil.
 

Os próprios terroristas, hoje anistiados e muitos deles no Congresso Nacional, admitem publicamente que não lutavam pela liberdade e nem pela democracia, mas pela revolução. Hoje em dia, nem mais novidade isso representa. Mas, nos discursos de divulgação do filme Zuzu Angel, essa verdade é sumariamente omitida. O filho da estilista, Stuart Angel, era um terrorista, membro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), cujo nome faz referência à data em que o guerrilheiro Che Guevara foi capturado pela CIA. O grupo, formado por dissidentes do Partido Comunista Brasileiro do antigo Estado da Guanabara, passou a utilizar este nome depois da execução do seqüestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969 – operação que foi realizada em conjunto com outro grupo terrorista, a Ação Libertadora Nacional (ALN).
 

O episódio do seqüestro do embaixador norte-americano é emblemático porque foi a partir do êxito dessa operação que os terroristas brasileiros passaram a se utilizar dessa modalidade de crime – hoje considerada pela Constituição Brasileira como crime hediondo – para alcançar alguns de seus objetivos. A idéia de seqüestrar o embaixador americano foi do guerrilheiro Franklin Martins (esse mesmo que hoje é comentarista político da BAND), que participou da ação dirigindo um dos carros envolvidos na operação (se não me engano, um volks azul) e escrevendo o texto do comunicado que foi deixado no carro oficial do diplomata seqüestrado, onde se lia que o seqüestro era um ato revolucionário e que o embaixador americano era representante dos " interesses espoliativos norte-americanos no Brasil". No "bilhete", os guerrilheiros também exigiam a libertação de 15 companheiros que se encontravam presos e ainda que se fizesse a publicação ou a leitura daquela mensagem nos principais jornais, rádios e estações de TV do país.
 

Como se pode observar em ações terroristas que acontecem ainda hoje no mundo, principalmente na região do Oriente Médio, a estratégia de seqüestrar pessoas para conseguir desde dinheiro a espaço na mídia não é nenhuma novidade. Novidade mesmo foi essa prática ter voltado ao cenário das ocorrências criminais no Brasil, pelas mãos do mais recentemente conhecido grupo terrorista brasileiro – o PCC. Grupo este, aliás, do qual se suspeita fazerem parte militantes das Farc, do Hezbollah e da Al-Qaeda, bem como também agentes dos serviços secretos de Cuba e da Rússia. Além destes, há hipóteses levantadas a partir de investigações que estão em andamento na Polícia Federal e no Ministério Público do envolvimento do PCC com o Movimento dos Sem Terra (MST), com o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e até com o Partido dos Trabalhadores (PT).

Guilherme de Azevedo Portanova e Alexandre Coelho Calado, respectivamente repórter e auxiliar técnico da TV Globo, foram seqüestrados na manhã de sábado (12/08) na zona sul de São Paulo. O técnico Calado foi libertado na madrugada de domingo, para levar um DVD que deveria ser exibido pela TV Globo como condição para a libertação do repórter.


Em nota divulgada à imprensa, a Rede Globo informou ter sido orientada pela coordenadora do Insi (International News Safety Institute) na América Latina, Luiza Rangel (de Caracas, na Venezuela), a ceder. A emissora também consultou Tim Crocket, chefe do escritório de Atlanta do The AKE Group, uma empresa especializada em gestão de riscos e segurança. Ele deu a mesma orientação que Luiza Rangel e recomendou que a emissora entrasse em contato ainda com Tom O'Neil, consultor do escritório no Líbano e especializado neste tipo de ação. Ele também repetiu as mesmas recomendações. Foi assim que, depois de comunicar o ocorrido e de mostrar o conteúdo do DVD à polícia de SP, a Globo decidiu divulgar o vídeo, somente para o Estado de SP, à 0:28h de domingo (13/08), no intervalo do "Supercine" que costuma atingir mais de dez pontos no Ibope, na Grande São Paulo, o que equivale a mais de 550 mil domicílios. À noite, a emissora exibiu parte do manifesto no "Fantástico".
 

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, tentou evitar que a Rede Globo exibisse o vídeo com o manifesto do PCC. O delegado Osvaldo Nico Gonçalves, coordenador do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), também defendeu a não exibição da fita, argumentando que a exibição abriria um precedente arriscado. Pela sugestão dos policiais, a ação da Globo deveria seguir a negociação de um seqüestro convencional: 1) procurar não ceder "facilmente" às exigências dos seqüestradores e 2) exigir uma prova de que o repórter estivesse vivo. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que a ação demonstra uma " ousadia inaceitável" por parte do crime e considerou "correta" a decisão da Globo de cumprir a exigência feita pelos seqüestradores.
 

Nas imagens exibidas, um suposto integrante do PCC faz críticas ao sistema penitenciário, pedindo um mutirão para revisão de penas (por causa de presos que já cumpriram a pena mas ainda continuam na carceragem), melhores condições carcerárias, e se posicionando contra o RDD, que impõe regras mais rígidas aos presos. A Globo cortou a introdução na qual eram mostradas armas de guerra, dinamites, granadas e coquetéis molotov. Parte do comunicado repete quase na íntegra trechos de parecer do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, de abril de 2003, que apontava aquilo que considerava ilegalidades do RDD.
 

Um DVD com o mesmo conteúdo havia sido enviado ao jornal Folha de SP, na quarta-feira (9), que relatou parte do conteúdo em reportagem publicada na quinta-feira (10). Ainda uma outra cópia foi jogada, na sexta-feira (11), no estacionamento do SBT, que encaminhou uma cópia ao Ministério Público.

O repórter Guilherme Portanova foi deixado numa rua do Morumbi (zona oeste de São Paulo), no final da noite de domingo e chegou à sede da TV Globo, por volta da 1h. Ele disse que permaneceu o tempo todo encapuzado, que não foi agredido nem ameaçado de morte pelos seqüestradores e que foi alimentado durante todo o tempo em que permaneceu no cativeiro.

Duas coisas precisam ficar bem claras antes de completar o meu raciocínio a respeito da relação entre o filme sobre Zuzu Angel, o seqüestro dos dois funcionários da TV Globo e a incoerente postura desta emissora.

Primeiro

As dores de mãe (e elas são muitas e pelos mais diversos motivos) estão acima de qualquer discussão e de qualquer julgamento, mesmo que se suponham razões para as suas reações em relação a atitudes de seus filhos ou a acontecimentos que os tenha vitimado. Desse modo, fazer um filme para contar a agonia de uma mãe em busca de um filho desaparecido – seu desespero, suas dúvidas, suas culpas, seu infortúnio -, ainda que possa ter um componente de sadismo, tem seu valor, na medida em que leva outras pessoas a refletir, entre outras coisas, sobre suas atitudes em relação a seus próprios filhos. Provocar reflexões é uma das belas funções da arte. Aproveitar-se, entretanto, da desgraça alheia para convertê-la em instrumento de manipulação ideológica é hediondo. E é isso que os comunistas fizeram e continuam fazendo com a estória da estilista Zuzu Angel.
 

A estilista, ainda menina, foi morar com os tios em Belo Horizonte. Lá conheceu o caixeiro viajante, Norman Angel Jones, com quem se casou e teve três filhos: Stuart, Hildegard e Ana. Stuart nasceu em 1946, quando a família morava em Salavdor (BA). Em 1947, mudaram-se todos para o Rio de janeiro. Separada do marido, numa época em que separação era tabu e costumava ser muito traumática para os filhos, Zuzu trabalhava muito como costureira para sustentá-los – muito trabalho e pouco tempo para eles. Em 1960 já era famosa e costurava para gente famosa do Brasil e dos EUA, onde fazia desfiles de moda, vendia roupas em lojas de departamentos e saía em jornais como o The New York Times. Em pleno auge da carreira de Zuzu, Stuart Angel entrou para o movimento comunista revolucionário Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), aos 19 anos, em 1965, onde acabou tornando-se um dos homens de confiança do ex-capitão de Exército e guerrilheiro Carlos Lamarca (1). Depois, os dois passaram a fazer parte do MR-8. Mãe e filho ficaram mais afastados ainda e, infelizmente, o futuro não lhes brindaria com a possibilidade de recuperar o tempo perdido.
 

O MR 8 foi uma das principais organizações armadas (assaltos a bancos, fábricas, supermercados e expropriações variadas) dos anos 60 e 70, com grande peso no movimento estudantil, tendo desencadeado um processo guerrilheiro no qual se empenharam centenas de jovens estudantes. Entre suas ações mais importantes está o seqüestro do embaixador dos EUA em 1969 (já acima citado). Num documento do Serviço de Informações do DOPS, de 14/09/71, consta que Stuart participara desse seqüestro e de assaltos, tendo sua prisão preventiva sido decretada. Em maio de 1971, um telefonema anônimo fez Zuzu Angel tomar conhecimento da prisão do filho, que havia sido levado para o Centro de Informação da Aeronáutica. Oficialmente, segundo à Aeronáutica, Stuart teria sido solto e, posteriormente, dado como desaparecido.
 

A outra versão do caso de Stuart Angel tem origem no relato que Alex Polari de Alverga (da VPR) fez sobre o suposto assassinato do companheiro terrorista. Essa versão acabou sendo difundida, anos mais tarde, por Arnaldo Jabor, em sua coluna de 11/07/2002, intitulada "Vale a pena ver de novo a zona geral do país?", onde se lê: "(...) não vi, mas muitos viram meu amigo Stuart Angel morrendo com a boca no cano de descarga de um jipe, dentro de um quartel, na frente dos pelotões". De lá para cá, só um, o Alex Polari de Alverga, viu e apareceu, ficando os "muitos viram" por conta do Jabor. Minto. Apareceu uma outra: o capitão Sérgio Miranda de Carvalho (2) - o "Sérgio Macaco". Porém anos mais tarde, ele confessou, em manuscrito, que forjou as fantásticas histórias da tortura de Stuart Angel Jones, da explosão de um gasômetro, que aconteceria por ordem do Brigadeiro João Paulo Burnier e da venda da Amazônia a um general norte-americano.

Alex Polari de Alverga (3) tinha sido preso na véspera da prisão de Stuart. Ele disse que levou a polícia onde iria encontrar-se com o companheiro, mas que havia trocado o horário: o encontro seria às dez horas e ele disse que seria as oito. Mas, Stuart, por acaso, naquele dia, chegou antes da hora marcada para o tal encontro e acabou sendo preso. Guerrilheiro experiente, Alex talvez devesse ter trocado o horário para algumas horas mais tarde, já que assim Stuart poderia ter tido a chance de perceber que algo saíra errado e ter escapado de ser preso. Algum tempo depois, foi o Alex que, através de uma carta, informou a Zuzu Angel sobre as circunstâncias da morte de Stuart. Nessa carta, ele disse que estava presente quando Stuart foi arrastado por um jipe, pelo pátio interno da Base Aérea do Galeão, com a boca no cano de descarga do veículo: " Na mesma noite fui torturado ao lado de Stuart, na base aérea do Galeão. Stuart foi arrastado de um lado para o outro, seu corpo esfolado, amarrado a um jipe (...) ele forçado a aspirar os gases tóxicos do veículo, o cano de descarga enfiado na boca ". Alex Também ouviu os gritos de Stuart – numa cela ao lado – pedindo água e dizendo que ia morrer e, pouco depois, seu corpo (supostamente morto) foi retirado da cela (4).

Segundo

É preciso que fique claro que, pelo menos para mim, não se pode julgar a atitude que tomaram os responsáveis pela Rede Globo quanto à decisão de divulgar o conteúdo do DVD enviado pelos seqüestradores para assegurar que o repórter da "casa" fosse libertado. Policiais experientes costumam dizer que não convém negociar com seqüestradores sem a orientação da polícia e sem oferecer dificuldades aos criminosos para obterem o que desejam. Mas, quem é que vai aplacar a culpa de quem não obedeceu aos seqüestradores se algo de ruim acontecer com um refém? Afinal, um dos trunfos dos criminosos é não ter nenhum problema em relação à covardia dos próprios atos e muito menos em relação à culpa.
 

Bem, dito isto (e que nenhum dos apontamentos (1), (2), (3) e (4) deixem de ser lidos), não é preciso ser nenhum gênio para perceber a nítida semelhança entre as práticas terroristas do passado e as que hoje vêm sendo praticadas no Estado de São Paulo por esse aglomerado de agentes, ainda pouco decifrado, sob o nome de PCC (Primeiro Comando da Capital). A posição da Rede Globo é que fica um tanto quanto, digamos, "dicotômica", já que a emissora tem sido, há mais de 20 anos, ininterrupta e insistentemente, o maior dos veículos de propaganda de esquerda do país, achincalhando militares que lutaram e derrotaram os terroristas, em todas as tentativas passadas que fizeram de tomar o poder no Brasil, e endeusando ladrões terroristas, ao omitir os crimes que cometeram no passado e ao mentir deliberadamente sobre os motivos pelos quais cometiam estes crimes (que eram os de transformar o país numa ditadura comunista e não de lutar pela liberdade e pela democracia, como costuma-se propagandear pelas telinhas e telonas Brasil afora).
 

Outro dia mesmo o atual (des)governo brasileiro concedeu asilo político a um terrorista das Farc, o falso padre Olivério Medina. E qual foi a reação do jornalismo da Globo? Noticiou o fato como se estivesse da próxima frente fria que se aproxima do litoral nordestino. E sobre o Foro de São Paulo, presidido pelo nosso excelentíssimo senhor presidente da república? Silêncio absoluto. Sobre os crimes hediondos do ditador Fidel Castro: nada, nenhuma palavra – aliás referem-se ao homem como presidente de Cuba. Os ataques e atentados do "PCC" em São Paulo? Reafirmando sempre a certeza que a emissora tem da total e completa "imbecilidade" dos telespectadores, continua a Globo insistindo nas reportagens que falam que "as operações" são comandadas de dentro dos presídios.
 

Ora, pelo amor de Deus! Não há limites para uma emissora com o dinheiro, o potencial tecnológico e os profissionais que a Globo possui, para investigar e contar a verdade sobre o que quer que seja, a não ser a ideologia que pretenda defender ou a ganância pela qual se permita seduzir. Mas, há um outro limite também: o do caráter e o da fidelidade daqueles em que se pensa poder contar e confiar pelos serviços que a eles se tem prestado. A lição insofismável da história é antiga, pública e notória: não se pode confiar em terroristas, porque eles sempre agem em nome da causa; e isto está acima de todo e qualquer limite.
 

Nas atuais circunstâncias do Brasil, e até do mundo mesmo, o óbvio nunca é aquilo que se quer parecer que seja. Nada mais é impossível e o maquiavelismo atingiu as raias do absurdo inimaginável. Portanto, em princípio, fala-se daquilo que parece ser ou daquilo que se supõe ser razoável dentro dos limites de uma "podridão" humana, até certo ponto compreensível, ainda que inaceitável. O que vem depois disso, a gente tem que deixar para aventar por último: primeiro, para não dar idéias a ninguém; depois, para fingir que jamais se poderia ter imaginado algo tão terrível.
 

Bem o filme sobre a vida de Zuzu Angel está em cartaz, endeusando os heróis da guerrilha e do terrorismo – usando, para isso, a dor infinita de uma mãe que perde um filho. No mundo real, um crime gravíssimo – seqüestro com objetivos políticos – atentando contra a vida de dois profissionais da maior emissora de Tv do país, para exigir "espaço na mídia em nome da causa". A Globo cedeu e está aberto um precedente extremamente perigoso. Talvez esteja na hora da emissora começar a repensar seriamente sobre os rumos que tem dado a seus trabalhos.
 

Christina Fontenelle
16/08/2006
 



(1) Para se ter uma vaga idéia de quem era Lamarca. Em meados de abril de 1970, sentindo-se seguro, Lamarca convocou uma reunião ampliada do CN/VPR, numa casa, em Peruíbe, cidade do litoral paulista. Na noite de 18 de abril, já alertado sobre as prisões de companheiros que não teriam comparecido à reunião, Lamarca decidiu evacuar a área. Dois dias depois, chegaram as primeiras tropas da Polícia Militar (Operação Registro) e cercaram a área. Depois de mais de duas semanas, ainda cercados, Lamarca e mais 6 militantes emboscaram cerca de 20 homens da Polícia Militar de São Paulo, chefiados pelo Tenente Alberto Mendes Júnior. O Tenente, então, decidiu entregar-se como refém, para que seus subordinados, feridos, pudessem receber auxílio médico.

Na noite seguinte, 2 guerrilheiros haviam acabaram extraviado-se do grupo. Sem saber disso e não tendo os dois reaparecido, depois de andarem um dia e meio, Lamarca acusou o Ten Mendes de tê-los traído e de ter causado a morte dos dois companheiros. Um "tribunal revolucionário", condenou o Tenente à morte. Um dos terroristas, Yoshitane Fujimore, com a coronha do fuzil, desferiu violentos golpes na cabeça do Tenente que, caído e com a base do crânio partida, gemia e se contorcia de dor. Outro terrorista, Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe mais golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensangüentada, o Ten Mendes foi enterrado. Lamarca responsabilizou-se pelo assassinato. Em 08 de setembro, o terrorista Ariston Oliveira Lucena foi preso e apontou o local onde o Tenente Mendes estava enterrado, relatando o ocorrido. As fotografias tiradas atestaram o horrendo crime cometido. A mãe do Tenente entrou em estado de choque e ficou paralítica por quase três anos.

Quando o crime foi descoberto e divulgado, a VPR emitiu o seguinte comunicado "Ao Povo Brasileiro": "A sentença de morte de um Tribunal Revolucionário deve ser cumprida por fuzilamento. No entanto, nos encontrávamos próximos ao inimigo, dentro de um cerco que pôde ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O Tenente Mendes foi condenado e morreu a coronhadas de fuzil, e assim o foi, sendo depois enterrado."

Nem a mãe e nem nenhum parente do Tenente Mendes receberam um centavo sequer do governo brasileiro pelo seu assassinato. Porém, os descendentes de Carlos Lamarca, bem como de muitos outros terroristas receberam e continuam a receber "gordas" indenizações do Estado pelos serviços que prestaram à nação.
 
EFEITO BUMERANGUE

(2) Sérgio Miranda filiou-se ao PC do B (Partido Comunista do Brasil), em 1985. Foi léder desse partido em 1989-1992, 1996-1997 e 2000. Foi eleito Deputado Federal para a legislatura 1991-1995. Em 2000, filou-se ao PDT e está atualmente cumprindo seu quarto mandato como deputado. Fez bem ao ex-capitão ter saído das FFAA.
 

(3) Alex Polari de Alverga ajudou a planejar e a executar o seqüestro do embaixador alemão , de 61 anos, Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben. Na operação, duas pessoas ficaram feridas e o motorista do embaixador, que era um agente da Polícia Federal, foi morto a sangue frio por um dos seqüestradores - Irlando de Souza Régis estava a um ano de sua aposentadoria e, naquele dia, sua companheira estava internada em um hospital, por ter extraído um rim. É na palavra de gente como Alex Polari – um terrorista e um delator - que a esquerda se fia para reconstruir a história do Brasil.
 

(4) Não sei quanto aos questionamentos feitos sobre o que estava escrito nesta carta, mas, quem já teve a infeliz "oportunidade" de encostar uma perna num cano de descarga de um carro ligado (ou recém desligado) sabe que a queimadura é forte e imediata, de modo que "abocanhar" um cano de descarga de um carro ligado causaria queimaduras tão intensas que a inutilizariam até mesmo para balbuciar qualquer coisa, quanto mais para gritar frases inteligíveis. Outra coisa: uma pessoa arrastada com a boca presa num cano de descarga de um carro em movimento morre precisaria estar com a cabeça bem amarrada para este fim - não tem como sobreviver, tanto por causa da dor como por causa da asfixia. Depois disso, ainda ficar numa cela gritando é totalmente inverossímil. São apenas cogitações que talvez possam ser esclarecidas por pessoas especializadas ou mais bem informadas sobre o assunto.


 

segunda-feira, agosto 14, 2006

Para a seção de "cartas " de Zero Hora

Cartinha enviada hoje para a redação da Zero Hora.
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Prezados :

A Zero Hora tem de decidir como pretende tratar o ditador comunista da ilha de Cuba.
Na edição de 14/08 na contracapa, chama Fidel de "ditador".
Na página 23 da mesma edição se refere a Raul Castro como "presidente" em exercício.
Desde quando o tampão de um tirano como Raul pode ser tratado como "presidente"?
Se Fidel é "ditador" na contracapa , deve sê-lo ainda na página 23.
Ou o texto foi finalizado - evidentemente - por editores diferentes (um contra a ditadura de Castro e outro mais "simpático") ou ZH leva mesmo às últimas consequências o lema "a vida de todos os lados" (ou coisa parecida).
O interessante é que na mesma página uma outra nota chama peremptoriamente Alfredo Stroessner de "ditador" do Paraguai, o que no texto sobre Fidel não aparece uma única vez.
Para mim isto é o que os americanos chamam de "bias".

Take 2:
Em nenhum momento da cobertura do conflito Israel X Hezbollah eu obtive qualquer informação na ZH sobre as dezenas de casos de fraudes fotográficas (Reuters), fotos posadas por militantes do Hezbollah abusando das vítimas em Qana (AP). Estes fatos foram largamente
publicados na internet, a partir da atuação de bloggers como "litte green footballs" e "EU referendum" . Isto é assunto jornalístico do momento.
Menos para Zero Hora.
Apesar de uma resposta do Marcelo Rech negando que ZH tomasse partido ou fosse parcial sobre o conflito, é evidente a postura anti-Israel: Vítimas civis libanesas têm sua vida, seus costumes, seus sonhos impressos integralmente nas páginas de ZH. Às baixas israelenses
somente a simples "contagem de corpos": X "pessoas morreram em Israel".

Reforçando: Isso é que "BIAS", em toda a sua extensão...

Parabéns pelo ótimo trabalho em meia-informação.
Como dizia Mark Twain:
"Se você não lê jornais, és um desinformado.
Mas se lê jornais, então és um manipulado" (versão livre)

LA

Fitas do PCC mostram a organização terrorista mandando votar no petista José Genoíno

Saiu na videVERSUS , ou melhor, na Veja - e reproduzido na VideVersus.


Fitas do PCC mostram a organização terrorista mandando votar no petista José Genoíno
A revista Veja publica extrato de fitas gravadas de conversas do PCC, com referências explícitas da preferência desta organização terrorista narcoguerrilheira pelo PT. A simpatia do PCC pelo PT salta aos olhos. Também fica evidente que o PCC não gosta dos governos do PSDB em São Paulo, com os quais não tem conseguido moleza, especialmente por causa da implantação do Regime Disciplinar Diferenciado. Uma das conversas publicadas por Veja mostra Maria de Carvalho Felício, a "Petronília", então mulher de José Márcio Felício, ex-líder do PCC, transmitindo ao preso José Sérgio dos Santos, a quem chama de "Shel", orientação repassada por um líder da organização sobre as eleições de 2002
Maria de Carvalho Felício - Ele mandou uma missão pro Zildo (piloto-geral de Ribeirão Preto). Vamos ver se o Zildo é capaz de cumprir.
José Sérgio dos Santos - Tá bom. Você quer passar pra mim ou dou particularmente pra ele?
Maria - Não, não. Ele quer festa (ataques) até a eleição. E é pra eleger o Genoíno. E, ser for o caso, ele vai pedir pro pessoal mandar as famílias não irem nas visitas pra votar, entendeu? Ele falou que um dia sem visita não mata ninguém. Ele falou: "Fica todo mundo sem visita no dia da eleição pra todo mundo votar pro Genoíno".
Santos - Não, mas isso... Acho que todo mundo... A maioria das mulher de preso... Vai votar no Alckmin? Nunca.

Maria - Então, é pra pedir isso. Se, por exemplo, a mulher vai, daí a mãe, a irmã tudo vota pro Genoíno. Se só a mulher que vota, então essa mulher não vai na visita e vota no Genoíno. É pra todo mundo ficar nessa sintonia: Genoíno.
Santos - E é dali que vem, né?
Maria - Isso. É o (incompreensível)
Santos - Tá bom.
Maria - Tá bom, então?
Santos - Tô deixando assim um boa-tarde aí. Se cuida agora. Vai descansar.


Comentário: A ligação entre PCC e o PT está cada vez mais clara!!! Existe algo mais a falar?

sexta-feira, agosto 11, 2006

Finalmente parece que alguém resolveu reclamar...

INFO Online - Plantão Info - ONG acusa Google e MS de apoiar censura na China - (10/08/2006)

A Melhor parte é:
"É irônico que companhias cuja existência depende da liberdade de informação e expressão tenham assumido o papel de censoras, mesmo nos casos onde o governo chinês não fez exigências específicas para elas", denunciou o grupo em relatório.


Espero ansiosamente a resposta da Microsoft, do Google, do Yahoo e do Skype...

quinta-feira, agosto 10, 2006

"Massacre" de Qana: Director´s Cut

O site português Blasfêmias envia um link muito interessante: O "capacete verde" de Qana dirigindo - ao vivo - as cenas (fotos) que ficaram famosas na cobertura da imprensa internacional como o "Massacre" de Qana.
Aqui vemos ele dirigindo os cameramen, ajeitando corpos de crianças mortas - numa evidente cena de exploração do fato - para um melhor ângulo.
São cenas tão nojentas que falam por si mesmas.
Foram exibidas por uma TV da Alemanha.
Vejam!!

Milagre no "New York Times": Homem morto por ataque israelense levanta e anda!!

É um milagre!
Deu no "New York Times":
Vítima de ataque israelense - "morto" - levanta, anda e ainda aponta onde fotógrafo deve sacar fotos.
Este realmente é um "furo" de reportagem.
O blog Gateway Pundit: anuncia New York Times Busted in Hezbollah Photo Fraud!
New York Times Busted in Hezbollah Photo Fraud!

** Dead Men Walking! **

** UPDATE: The New York Times makes a correction- details below.

From the New York Times photo essay by Tyler Hicks on July 27, 2006 comes this unbelievable fraud!

Aqui o "morto" - em destaque na reportagem do NYT.

A imagem “http://photos1.blogger.com/blogger/7050/620/1600/new%20york%20times.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Aqui o "morto" anda !!! Vejam: a mesma bermuda e o mesmo boné...



Isto é vendido como "jornalismo Imparcial" por aqui no Brasil. Um modelo a ser seguido.

Mas deve-se lembrar que não é fato isolado.
Tivemos o "massacre" de Qana (de 58 para 28 vítimas) com denúncia de fotos posadas para os fotógrafos.
Tivemos a Reuters maquiando fotos de ataques a Beirute para dar um tom mais dramático às fotos.

Enfim, parece que "Pallywood" anda a todo o vapor.

Última foto: olhem só de onde os militantes palestinos atiram contra os israelenses!! Do meio da população civil!! Se alguém ficar ferido, adivinha quem será considerado culpado? (através do blog http://backspin.typepad.com/)
Qabatiyeh_3

terça-feira, agosto 08, 2006

Novos ataques do PCC em São Paulo

Saiu no Vide Versus de hoje

O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, acusou o PT de ter culpa na nova onda de ataques terroristas que aconteceu em São Paulo nesta segunda-feira. No programa Canal Livre Eleições 2006, da rede de TV Bandeirantes, ele disse que há ligação entre "uma estrutura de poder do submundo e integrantes do PT" que incentivou a onda de ataques terroristas: "Temos um inquérito com duas pessoas presas ligadas a partido político". Para ele, os novos ataques não foram ordenados de dentro dos presídios do Estado: "Esses ataques são para desmoralizar o Governo de São Paulo". Saulo Castro ainda destacou o que para ele é um caráter eleitoreiro na crise. O secretário não vacila em dizer: "Quem serviu de estopim para os ataques foi o PT".


Comentário:

Finalmente começa a ficar público a notória ligação entre os ataques do PCC e integrantes do Partido dos Trabalhadores.
O que mais há para dizer?

Críticas ao filme de Andy Garcia

No Mídia Sem Máscara, Ipojuca Pontes comenta o filme de Andy Garcia, "A Cidade Perdida"  - e das reações que têm provocado - de um modo quase profético:

"Com o filme pronto, García agora se defronta com um outro tipo de ditadura, tão nefasta quanto a tirania de Castro, isto é: a tirania dos festivais cinematográficos, inteiramente dominados pela comunalha; a tirania dos distribuidores acovardados, que a consideram uma "fita especial e de risco"; e dos críticos de cinema, uma corriola em geral ignorante, bloqueada ideologicamente e a serviço do pensamento único esquerdizante."


Pois no Estadão podemos ler um legítimo representante do que Ipojuca fala: O crítico Luiz Carlos Merten comete o texto
Andy Garcia desperdiça material rico em A Cidade Perdida do qual destaco o final:

"O homem que disse que é preciso endurecer sem perder a ternura, como todo mito, pode ter suas fragilidades (morais, inclusive), mas não teria passado à história se fosse o narcisista cínico e brutal, sem nenhuma compaixão humana, retratado por Andy Garcia e Cabrera Infante. Ambos são cubanos e têm direito de amar a sua Cuba, mas até George W. Bush deve achar esquisito um filme como este."


Como vimos, o mito de Che é maior do que sua própria vida. Luiz talvez imaginasse que Garcia tinha a obrigação de retratar Guevara de acordo com os manuais do moderno cinema "independente" , como nos "diários da motocicleta" da vida: um herói romântico.

E recusa de ver a realidade. Para ele, Che não poderia ser um herói se fosse como o retratado no filme. Uma típica reação aos defensores de Stálin quando confrontados com as denúncias de seus crimes.

Luiz, para tirar a "trava do teu olho", sugiro que conheça a obra " Che - Anatomia de um mito" disponível no Google Video (clique no link). Não acredito que alguém ainda acredite nas baboseiras que falam acerca de Che sem um fiapo de desconfiança..
Che é o Stálin da nova geração. Em termos de apoiadores, é proporcional aos defensores de Stálin na década de trinta. E em termos de veracidade, tão falso quanto o conhecido "Uncle Joe".

Israel e os "revisionistas históricos

Victor Grinbaum acaba de publicar um artigo estupendo no MSM, chamado "As Origens do Revisionismo Histórico", que explica como comunistas e neo-nazistas se uniram na negação ao Holocausto e na pregação anti-Israel.

Eis aqui um trecho:
No momento em que vemos o empenho de uma boa parcela da opinião pública mundial em atacar Israel enquanto este país se defende das covardes agressões de grupos terroristas, a emergência do discurso negacionista e sionologista demonstra o sucesso que seus criadores obtiveram e como o Terror se aproveita dele. O fato do negacionismo e da sionologia não serem necessariamente uma criação da extrema-direita não anula o fato de que esta também faz uso deles. Mas a ligação automática que mormente se faz é inexata. A negação do Holocausto é criação dos acadêmicos comunistas e é a esquerda a sua maior useira e vezeira nos dias de hoje.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Revival: Casagrande denuncia a Revolução Comunista Silenciosa

Recebi uma resposta da Assessoria de Imprensa da Rede Salesiana, pois reproduzi a matéria do Diego Casagrande sobre a doutrinação de crianças na matéria " Casagrande denuncia a Revolução Comunista Silenciosa".

Em primeiro lugar clama por um tal de "direito de resposta", como se aqui fosse um jornal. Não é . É um blog. Coloco e retiro o que quero e como quero. Não sou jornalista.

Mas, mesmo assim postei o texto completo nos comentários do artigo em questão, onde destaco a seguinte pérola:

"Como a própria carta de abertura do livro destaca, o objetivo do material didático é apoiar os educandos na superação dos desafios do século XXI, entre eles a arte de 'aprender a conviver, participando dos grupos de que faz parte, reconhecendo e aceitando as diferenças, convivendo pacificamente com os outros e exercendo a cidadania, como personagem atuante na História de seu País e do mundo.'"

Ou seja, crianças de quinta série tem de ser obrigadas a conviver com este marxismo histórico igualmente de quinta categoria como "visão crítica".

Minha pergunta é : As crianças não vão ter direito de resposta???
Do jeito que a coisa vai, na próxima edição - revista e ampliada - sugiro a inclusão de algum depoimento em primeira pessoa do Marcola. Isto sim é que é visão "crítica".

É por isso que este socialismo imbecillizante do país só poderia ter desaguado num Stédile da vida, tido como representante legítimo de "movimentos sociais", quando no máximo poderiam ser  enquadrados no código penal.

PS.: Acho até que a luta do MST pode ser justa: Terra mal utilizada - os tais latífúndios improdutivos - têm mesmo que ser dados a quem possa melhor utilizá-los. Por este mesmo motivo todos os assentamentos do MST deveriam ser re-desapropriados, pois eles são inacreditavelmente mais improdutivos do que quando estavam sob seus antigos proprietários. Em assentamento do MST se aprende a  cantar o hino de Cuba, o ódio à democracia,  a  preparação de novas invasões e a lavagem cerebral de crianças. Produção que é bom, nada!

quarta-feira, julho 26, 2006

Pausa


Em função de uma forte gripe (não a aviária, espero) estou fora de combate por alguns dias.
Também vou mudar de casa, provedor e etc.. Portanto só volto em Agosto.

Até lá!

quinta-feira, julho 20, 2006

Fato Consumado -Olavo de Carvalho

Publicado no Jornal do Brasil, 20 jul. 2006

 

Fato consumado

 

Olavo de Carvalho

 

            Uma revolução não consiste em "tomar o poder". A tomada do poder é apenas um elo numa cadeia de transformações que começa muito antes e termina muito depois dela. Uma revolução é um processo complexo, que se estende por décadas e se desenrola com ritmos desiguais, entre fluxos e refluxos, às vezes simulando ter cessado por completo, às vezes precipitando-se em crises espasmódicas que parecem o fim do mundo. Durante muito tempo, a unidade do processo só é visível aos que o planejaram e a uns poucos observadores qualificados. O restante da população se deixa confundir pela variedade polimorfa dos acontecimentos, sem atinar com a lógica por trás da confusão aparente.

            Uma das linhas de força essenciais que compõem uma revolução é a lenta e gradativa substituição da ordem legal por um novo critério legitimador, injetado sutilmente, de início, mas depois impondo-se de maneira cada vez mais descarada, até que o apelo à antiga norma se torne reconhecidamente impotente, reduzindo-se a objeto de chacota.

            O MST poderia, sem dificuldade, ter-se registrado como ONG e solicitado legalmente a ajuda financeira do Estado. Se não o fez, não foi tanto para escapar à responsabilidade civil e penal, mas por um cálculo estratégico muito preciso: mais importante até do que instituir a violência e o terror como meios válidos de acesso à propriedade da terra era subjugar e usar o próprio Estado como instrumento legitimador do processo. Desde o momento em que o governo federal aceitou financiar com dinheiro dos impostos os crimes praticados por uma entidade legalmente inexistente, inimputável portanto, a antiga estrutura jurídica do Estado cessou de existir. Discreta e impercebida, mas nem por isso menos possante, a nova hierarquia legal que então passou a vigorar baseia-se na imposição tácita da ideologia revolucionária como fonte de todos os direitos e obrigações, revogadas as disposições em contrário. Essa inversão radical do critério de legitimidade é muito mais decisiva do que a subseqüente tomada do poder, que não faz senão dar expressão visível ao fato consumado.

            Não há portanto nada de estranho em que um órgão tão representativo do pensamento das elites nacionais como a Escola Superior de Guerra se disponha a ouvir com humildade e respeito as lições do sr. João Pedro Stedile. O chefe do MST é algo mais do que mera autoridade: como primeiro cidadão oficialmente liberado pelo Estado para passar por acima das leis e remoldá-las à sua imagem e semelhança, ele é a célula-mãe, o símbolo gerador, o modelo vivo da nova ordem. A ESG tem mesmo é de bater-lhe continência e, se possível, beijar-lhe os pés, se conseguir erguer-se para alcançá-los.

            Em contraste com esse auto-aviltamento masoquista, o brigadeiro Ivan Frota, ao tomar posse na presidência do Clube da Aeronáutica, advertia dias atrás contra "grupos paramilitares extremados, travestidos de 'movimentos sociais', desencadeando uma orquestrada programação de vandalismo indiscriminado, ante a inação e até o velado apoio de autoridades governamentais do mais alto escalão". É sinal auspicioso de que nem todos, nas Forças Armadas, estão contentinhos de viver no "mundo às avessas".

Mas, no mundo civil, proliferam os sinais de adaptação feliz à ordem invertida. O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal, por exemplo, induzido pelo governo a soltar os 32 baderneiros do MLST, baixou sentença alegando que a culpa pela depredação da Câmara não foi deles, e sim da própria Câmara, que, advertida da chegada dos militantes, não se preveniu contra o ataque.

Pela lógica do magistrado, se eu publicar aqui um aviso de que vou lhe fazer uma visita e ele não contratar de imediato um segurança para proteger sua cabeça oca, estarei no direito de rachá-la a pauladas com plenas garantias de que semelhante truculência não me será imputada judicialmente. A sorte de S. Excia. é que não há nada na sua caixa craniana que valha o esforço de quebrá-la.     

      

sábado, julho 15, 2006

Comentário de leitor de "O Imbecil Coletivo"


"O Imbecil Coletivo I"
Foi relançado. Encontrei este comentário sobre a obra, de um leitor chamado Pedro Paulo Reinaldin, que não tenho o quê reparar.... Comprem!!
O mais candente libelo contra o esquerdismo
Li o Imbecil Coletivo em 1998. Na época, Olavo de Carvalho não tinha a grande audiência que duramente conquistou, apesar de em recente artigo ele considerar irrelevante sua influência sobre algumas mentes tupiniquins, mormente em razão do avanço do esquerdismo na América Latina. De qualquer sorte, por acidente, me interessei pelo livro e o li. Minha reação foi um misto de espanto e satisfação. Nunca até então - na época era acadêmico de direito - tinha visto um livro tratar de temas contemporâneos, analisando-os tão profunda e logicamente sob um pano de fundo mais vasto: a cultura ocidental. O background cultural de Olavo de Carvlho enche os olhos e fascina o leitor. A leitura é agradabilíssima e o livro é escrito em estilo bem-humorado e prosa refinada. O melhor: os ídolos das Academias Brasileiras são destruídos um a um e expostos ao leitor em sua insignificância moral e intelectual. Qualquer um que conserve dentro de si o desejo sincero de conhecer a verdade não tem como, ao final da leitura, deixar de concordar com com Olavo de Carvalho que os intelectuais brasileiros são um engodo - um caso de defesa do consumidor. Em síntese: o livro é imperdível e, a exemplo do já que se disse sobre o livro Ação Humana de Ludwig Von Mises, tem que estar na prateleira de qualquer pessoa que se ache esclarecida.

quinta-feira, julho 13, 2006

A Filosofia escraviza?

Felipe Sabino, da Confraria Calvinista escreve sobre uma questão bem relevante  - pelo menos para mim: a relação entre a fé cristã e o estudo da filosofia. A conclusão de Felipe é muitíssimo feliz.
Muitos cristãos são admoestados para se manter longe do estudo da filosofia pela errada consideração de uma passagem bíblica de autoria do apóstolo Paulo:
 
Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas...” (Cl 2:8).

Felipe, citando um belo texto de Dr. Greg L. Bahnsen, intitulado “Beware of Philosophy!” conclui:
"Tenham cuidado com a filosofia! A melhor forma de fazer isso é estudando-a".


Não poderia concordar mais!

quarta-feira, julho 12, 2006

"A Verdade" agora na web!

Acabo de receber um e-mail do autor, Coronel Brilhante Ustra, de que website da sua fundamental obra "A Verdade Sufocada" está disponível no endereço "A verdade sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça."

O site tem trechos do livro, notícias relacionadas e onde comprar. Imperdível!

Segue um trecho da matéria de Carlos I. Azambuja publicada no Mídia Sem Máscara por ocasião do lançamento do livro:
"Leiam o livro "A Verdade Sufocada", do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, com prefácio do general Raymundo Negrão Torres. Em suas 541 páginas desmistifica, destrói, desmonta e manda pelos ares, ponto por ponto, as mentiras que, há 40 anos, vêm sendo apresentadas à Nação brasileira a respeito da Revolução de 31 de Março de 1964 e os seus desdobramentos, quando uma esquerda desvairada, constituída por militantes treinados nas academias de guerrilhas de Cuba, Coréia do Norte, Alemanha Oriental, China e União Soviética, utilizaram todos os meios - os seqüestros de autoridades e de aviões comerciais, o terrorismo, os assaltos, as guerrilhas urbana e rural e os assassinatos de cunho político e, já em seu final, os assaltos até a trocadores de ônibus - para implantar em nosso país uma república popular democrática.

Derrotados, a maioria dos que sobreviveram a essa louca empreitada, após uma escala em Cuba, se juntou aos grupos terroristas da Argentina, Chile e Nicarágua, voltando a ser derrotados. Ao final, em agosto de 1979, foram anistiados pela "ditadura militar" e hoje, 27 anos depois, no governo do também anistiado Luiz Inácio Lula da Silva - "anistiado" de quê, se não foi cassado e nem condenado? -, continuam a ser recompensados, agora financeiramente, por uma Comissão de Anistia, criada em agosto de 2001 pelo governo do Sr. Itamar Franco. Recompensados por terem sido terroristas. Somente em atrasados, as indenizações já chegam a R$ 1,44 bilhão. A 38 anistiados foram concedidas indenizações que, a cada um, ultrapassam R$ 1 milhão."