quinta-feira, julho 31, 2003

Quem � o "deus de neon" que criamos ?

"And the people bow and pray to the neon god they made" - Paul Simon

Aquele Deus da b�blia, onipresente e onisciente, que guiava toda a manifesta��o humana durante s�culos teve a sua divindade questionada e destronada no s�culo XX.
Naquele s�culo, por influ�ncia de algumas doutrinas do s�culo anterior - principalmente o manifesto socialista - e o progresso industrial revelado pela revolu��o industrial, o velho Deus foi trocado por um novo deus, um "Cristo escanhoado" segundo os modernistas de 1922: a ci�ncia.
O progresso cient�fico prometia uma era de prosperidade e lazer para todos. O trabalho pesado cada vez mais relegado �s classes menos abastadas - que nem por isso eram socialmente est�ticas, isto �, de alguma maneira todos usufruiam os benef�cios, mas n�o na mesma propor��o. As promessas do para�so celestial foram trocadas pelo para�so tecnol�gico onde o homem criava o seu universo paralelo, simulando ser deus de seu pequeno mundo. Neste pequeno mundo n�o existia a necessidade daquele Deus todo-poderoso, pois o homem criaria tudo o que seria necess�rio para sua felicidade. O deus de "neon" da modernidade era o pr�prio c�rebro humano e sua religi�o a racionalidade, onde n�o havia espa�o para anacronismos como "f�" e "devo��o" .

O reinado do deus da modernidade cient�fica prevaleceu at� a segunda metade do s�culo XX, de onde emergiu a nova divindade: o socialismo hippie.
Chamo de socialismo hippie a jun��o de dois movimentos sociais: o movimento hippie dos anos 60, que foi a nega��o de toda a era "moderna" at� ent�o, por creditar a ela toda a perda dos verdadeiros valores humanos. Como contraponto � sociedade "repressiva" e "massificante"este movimento pregava uma vida simples e comunit�ria, o uso da criatividade, o sexo livre (a "nova moral") e o uso das drogas como elemento libertador.
Nesta ocasi�o foi declarada a morte do deus da modernidade: ele n�o conseguiu libertar o homem de seus grilh�es seculares (trabalho, dinheiro) acrescentando mais algumas voltas no "torniquete" (bombas at�micas, energia nuclear, polui��o).
O que o movimento hippie queria era apenas a nega��o do modelo e abertura a novas realidades. Sua efemeridade foi tanta que em 1970 o movimento era considerado extinto ("o sonho acabou").
Mas n�o acabou. Congelado no tempo, hibernou at� que seus ideais se juntassem ao socialismo reformista que ganhou forma ap�s a derrocada do regime sovi�tico em 1989.
Os anos 90 foram de gesta��o desta nova estrutura de poder - o novo deus socialista - onde cada detalhe foi minuciosamente preparado para permitir sua entroniza��o barulhenta no novo s�culo (durante as manifesta��es de Seattle em 1999).
O poder do deus socialista hoje se manifesta em praticamente todas as frentes e parece ter apenas um inimigo: a democracia capitalista ocidental.
Os ex�rcitos desse deus ocupam todo o espa�o poss�vel, n�o admitindo outra devo��o de seus s�ditos.
Apesar de tudo sua atua��o � mais sutil do que se poderia se supor, escolhendo palavras de ordem que identificam e atraem multid�es (�tica, igualdade, "justi�a social"). Sua pr�tica parece muito correta tamb�m, ocupados em reformar a alma do homem , extirpando-lhe os preconceitos milenares (politicamente correto).
O que se sabe por�m � que suas boas inten��es s�o apenas farisa�smos em que se troca a integridade pessoal pelo mero exibicionismo expl�cito de sinais de corre��o social.
Assim a luta continua, pois apesar de distante dos homens, o verdadeiro Deus - inspirador em �ltima inst�ncia dos valores b�sicos que proporcionaram o advento da sociedade humana - continua a inspirar a a��es de milh�es de pessoas ao redor do mundo.
E aqui estou eu como um rep�rter privilegiado desta guerra santa. E eu a denuncio todos os dias neste espa�o mas devo confessar que ainda tor�o pelo dia em que "f�" seja a palavra mais adequada para retratar minha rela��o com Deus....

Um comentário:

boa morte disse...

Deus Connosco
Tudo nesta vida tem um propósito