quarta-feira, setembro 29, 2004

Socialismo: a Highway to Hell..

Há mais de cem anos o marxisnmo, comunismo & socialismo continuam a exercer o mesmo fascínio, a mesma atração sobre as novas gerações.
Não importa os milhões de seres humanos que foram sacrificados no alter destas ideologias, elas continuam a inspirar os “bons sentimentos”, o humanismo e a solidariedade em milhões de jovens ao redor do mundo.
Qual será a chave deste enigma? Como “abrir os olhos” das novas gerações?

A primeira coisa a ficar clara é que a refutação do socialismo (a partir de agora uso o termo genérico “socialismo” para me referir à trinca) usando argumentos pautados pela racionalidade econômica simplesmente não funcionam. Estes argumentos não fazem o menor sentido em se falando de socialismo. Este “efeito teflon” próprio do socialismo – onde nenhum defeito ou pecado parece grudar nele - tem a origem na própria natureza desta ideologia, conforme o professor Olavo de Carvalho explica em seu memorável debate com Alaor Caffé :

"Vocês vejam que o marxismo é uma filosofia, é uma teoria econômica, é uma ideologia, é uma estratégia revolucionária, é um regime político, é um sistema ético-moral, é uma crítica cultural, é uma organização política da militância: ele é tudo isso ao mesmo tempo."Marxismo, Direito e Sociedade - 1

Não há como fazer frente a todos estes conteúdos de forma adequada. O socialismo acaba por fugir do debate por entre os dedos....

Como se chegou até aqui?
Um boa pista, talvez uma das melhores coisas produzidas sobre o tema vem de John Meynard Keynes (1934):
“Comunismo não é uma reação contra o fracassos do século 19 em organizar a otimização dos ganhos econômicos. É uma reação contra o seu relativo sucesso. É um protesto contra o “vazio” da prosperidade econômica, um apelo ao lado ascético em todos nós. É o “religioso” da literatura de H.G.Wells, que não foi completamente obscurecido pelo “cientista” e que o leva a dar uma espiada no que acontece em Moscou.. A juventude idealista adere ao comunismo por que é o único apelo espiritual que é percebido no mundo contemporâneo” (Hollander- “Political Pilgrims”)

O que Keynes quis dizer é que depois de o século 19 ter matado Deus pelas mãos de Darwin – e com ele toda a esperança associada no “salvamento” da humanidade - os cientistas entraram em cena. E aí começa a grande transfiguração de uma ideologia “científica”, nascida das mãos sujas de sangue destes cientistas sociais na única utopia possível.

A nova visão científica pregava uma nova visão do universo.Segundo o livro "The Sacred Earth" de Brian Leigh Molyneaux o mundo nasceu de uma "grande explosão cósmica" e que ao final - se o homem não a destruir antes - irá "implodir, tornando-se uma bola em chamas".

Do outro lado as utopias - qualquer uma delas - tiveram suas origens na promessa divina de recuperar o "paraíso perdido" para a humanidade. Até o século 19 o mundo tinha sido criado por Deus. E suas promessas para com a raça humana seriam cumpridas, incluindo aí o "paraíso". John Milton (poeta do século 17) acreditava que o "Paraíso Perdido" era mesmo aqui na terra, não nos céus. Para ele, Deus havia criado a Terra para ser um lar paradisíaco para a humanidade. O Paraíso fora perdido, no entanto, mas seria recuperado por um redentor que "premiaria a multidão dos justos", e concluia que "a Terra tem de ser um Paraíso".
Esta esperança de um “paraíso perdido” a ser recuperado aqui mesmo na Terra, de uma nova “idade do ouro” do homem, oriunda da crença em Deus alimentou e deu a segurança necessária a todas as gerações humanas até então.
Após o século 19, não mais. Não havia mais Deus. Não havia mais paraísos a recuperar, pois a Terra se transformaria fatalmente em um planeta frio, árido e sem vida dentro de milhares de anos.

Sem Deus, com apenas a materialidade a lhe cercar e tendo a racionalidade econômica liberal criado umgrande progresso econômico, o homem do século 20 vai buscar o “espiritual” e o “transcendente” exatamente nas mãos dos engenheiros sociais criados pelo materialismo. Assim o comunismo/socialismo passa a ser uma “nova utopia”, substituindo as antigas utopias de apelo religioso. Tudo por causa da promessa "transformadora" do homem. O homem teria uma "nova alma" sob o socialismo. Este era o novo paraíso.
A partir deste momento, não importa quantos gulags, expurgos, fome, genocídios, coletivizações e reeducações forçadas, assassinatos em massa, nada irá tirar a profunda marca do apelo ao humano, do sensível e da solidariedade inerente à utopia socialista.

Sendo a necessidade do utópico, do visionário e da eterna busca do “paraíso perdido” uma necessidade premente do ser humano é que torna a defesa do liberalismo econômico tão desigual na disputa ao socialismo: liberais não sonham.
Liberalismo não é uma cultura, nem tampouco uma religião. Nenhum liberal – mesmo entre os que crêem em Deus – supõe encontrar um “pote de ouro” no fim do arco-íris. A humanidade não será recriada ou “recuperada” com a implantação do liberalismo. Nenhuma, absolutamente nenhuma utopia selará o final do ciclo liberal. O homem continuará o mesmo homem do princípio, nem melhor e nem pior. Este final sem clímax da epopéia liberal acaba sendo a sua tragédia aos olhos da jovem platéia socialista. Mas também é o que a redime e a coloca em sua dimensão humana. Nada criado pelo homem poderá ser maior do que ele mesmo. É o homem, o indivíduo que deve ter o poder de controlar o processo. Nenhum príncipe poderá fazê-lo em seu lugar.

É esta a dimensão do debate entre liberalismo e socialismo que deve ser buscada. Ter em mente a dimensão “pseudo-espiritual” do discurso socialista é a chave para refutar seus enunciados.
Assim poderemos provar – com alguma licença poética - que ao invés de uma “stairway to heaven” o socialismo na verdade é como uma “highway to hell”...

4 comentários:

Anônimo disse...

Você seria capaz de escrever um texto sem entulhar de aspas?

Ninguém nunca matou deus algum! Como é possível matar algo inexistente?! O que existem são simples criações humanas que servem de proteção para seus valores. A realidade, perceptível pelos sentidos naturais humanos, é insustentável para alguns, daí a religião surgiu: procurar respostas, sentido à vida, controlar a mente dos ingênuos, etc. Como fruto de um ato de desespero e incapacidade intelectual, foram pipocando aqui e ali as religiões.

Seu texto está perfeito... para jogar lá no MSM. huahauahaua

Luís Afonso disse...

São comentários rasos como este que tornam mais divertida a vida de blogueiros como eu.
Bravo: em poucas linhas tu confirmas o paradoxo socialista - uma utopia pseudo-religiosa - que renega as próprias origens para se dizer "científica"..
Os maiores charlatães-filósofos do materialismo Sartre e Nietzsche afirmavam textualmente desde o início do século que "Deus estava morto"... Se tu não consegues perceber que é ao conceito de Deus ao que eu estava me referindo - exatamente como os pensadores ateus - então volte aos bancos escolares..
Divertido...

Anônimo disse...

Meu caro, antes de publicar seus pensamentos, reveja seus fundamentos. A boa argumentação é imprescindível ao convencimento. Afasta-te da pseudoconcreticidade!

Saudações Marxistas a você meu jovem neoliberal.

Nadir Tomasini Junior disse...

Belo texto Luís! A ponto de fazer o comunistinha se expressar. Quando eles fazem isso, é porque sentiram o golpe. Plantaste dúvidas na cabecinha oca dele. Pode apostar que ele se atormentou com os fatos e isso desmonta com qualquer um destes coitados perdedores.
Abraços!