quarta-feira, junho 15, 2005

A Derrota da Vontade: uma análise sobre “A Queda”- O Filme

Há uma semana fui assistir ao filme "A Queda"("Der Untergang"/"Downfall"), magistral reconstituição dos últimos dias do regime nazista e de seu criador – Adolf Hitler. Atuações brilhantes de todo o elenco, destacando a performance do suíço Bruno Ganz como o Führer.

Queria ter escrito antes, mas este filme suscitou uma série de considerações – devo dizer "percepções" - que ficaram em gestação em minha mente durante vários dias, até que pudesse dar uma forma adequada a elas. Estas percepções simplesmente espocaram em meu pensamento como hyperlinks mentais, tive de segui-los, cataloga-los e definir o porque de minha mente ter me levado a eles.

Percepções a que me refiro foram "insights" e metáforas que percebi durante a sessão. Então quero dizer que o que escrevo são alusões aos signos e significados do regime nazista. Não procure por aqui causas eficientes ou materiais do nacional-socialismo. Simplesmente ouso escrever sobre, o que me pareceu, o que ele é.

A grande revelação deste filme para mim foi a percepção de que se os regimes socialistas/comunistas eram de alguma forma uma substituição da religião natural pela religião do estado, o nazismo seria a substituição do judaísmo, transformado numa espécie de "judaísmo de estado". Mas este "judaísmo de estado" teria tanto a ver com o judaísmo original como uma missa negra tem em relação à missa católica: de igual valor mas com sinal invertido. Uma contrafação satânica da primeira, como a versão robótica de "Maria" em "Metrópolis" de Fritz lang. E como esta, uma imitação que queria assumir por completo a identidade cultural e religiosa do modelo original, nem que a destruição completa deste modelo fosse necessária.

A Alemanha pós-Primeira Guerra precisava da mesma força que fez Israel se erguer perante seus captores no Egito e na Babilônia, que derrotou Hititas, e outros povos da região; da mesma força que fez Israel, seu povo e sua tradição tão longevo. Era esse o objetivo, com uma diferença fundamental: enquanto Israel tinha o favor de Javé para se manter unido, o deus do Terceiro Reich era o nacional-socialismo. Mas este também era um deus monoteísta, por isso não admitia nenhuma outra crença que não a sua própria. Esta é a chave.

Outro fato notável é que o nacional-socialismo se baseia no conceito de "raça". Tanto quanto se acreditava que os judeus formavam uma "raça" à parte. Se aos judeus foi dado o favor de Deus, somente a outra raça seria dado um favor semelhante. Estaria aí o significado do conceito racial no nazismo?

Nesta nova ordem, Hitler seria o "Führer" (líder). Seria na verdade uma encarnação do "Príncipe" de Maquiavel, pois botou em prática o ensinamento de eliminar os seus inspiradores – no caso os judeus. Este "príncipe" seria diferente, uma versão darwinista de Maquiavel.

Este é um elo quase recorrente. A firme crença nos valores do Darwinismo social dentro do nazismo é repetida a cada momento nas telas, numa prova cabal que tanto o comunismo quanto o nazismo não passam de irmãos siameses. No filme por exemplo, Goebbels condena o povo alemão à própria sorte (o que significava a morte de centenas de civis), pois o povo alemão tinha se mostrado fraco para impedir a invasão aliada, era fraco demais para merecer a glória do nacional-socialismo. Se você pensou na tautologia absurda do darwinismo ("somente os mais aptos sobrevivem, e se sobrevive é por que é o mais apto") , acertou. E frases deste tipo se repetem a cada cena. Com toda este background, não poderia ser diferente o destino dos criadores do nazismo. Estava provado que eles também não eram os mais "aptos" para a empreitada.

O fato de Hitler terminar seus dias num bunker, a dezenas de metros da superfície, longe da luz do sol é mais um signo. Na verdade, o nacional-socialismo viveu sempre dentro de um bunker, isolado da luz. Teve momentos que este bunker ideológico teve o tamanho da Europa, mas não era mais este o caso. Hitler pergunta, face à alternativa de fugir de Berlim "o que o Führer faria escondido numa vila". Claro que ele sabia: não existiria "Führer" num ambiente natural, sem todo o aparato imperial que o cercava. O bunker tinha se tornado real. E aí não havia mais escapatória.

Isto pode ser visto na cena mais significativa do filme – e que remete diretamente ao universo judaico. Falo da cenas relativas a Goebbels e sua família: Se no Gênesis Deus impede Abraão de sacrificar Isaque no último momento, para o deus do nacional-socialismo não havia outra saída senão o sacrifício final.

Uma pena que este sacrifício não serviu para extirpar por completo as raízes do nacional-socialismo do mundo de hoje: elas continuam ainda bem firmes e prestes a dar novos frutos. Diante de tudo isso, não se poder negar a sugestão de Norman Mailer "Sugiro que se aceite a existência do diabo como uma hipótese científica."

segunda-feira, junho 13, 2005

As Raízes do relativismo

O blog do meu amigo Júlio Belmonte teve um bela atualização. A primeira parte de um texto, refutando que a teoria da relatividade seria per se a origem do que se chama "relativismo moral", foi postada. Leiam este trecho: "Paul Johnson, em seu famoso livro “Tempos Modernos”, não hesitou ao falar, logo no primeiro capítulo de sua obra sobre o século XX, ser este o século do relativismo (moral). E sugere a data de 29 de maio de 1919, dia da confirmação da teoria de relatividade de Einstein, como o começo desta era.

Mas o que há de tão especial nesta teoria científica? Simples, a idéia de uma troca de paradigma na ciência. Há de se reconhecer que a ciência alcançou seus mais notáveis avanços práticos e empíricos depois da adoção da matemática como instrumento modelador da natureza. Este foi um pressuposto metafísico feito muito anteriormente, quando Platão, fortemente influenciado pelo desenvolvimento da geometria, especulou no seu livro “Timeu” a possibilidade de a natureza ser composta por agregados de 5 sólidos regulares: cubo, octaedro, tetraedro, dodecaedro e icosaedro. Mas foi somente no século XVII que Galileu deu início a este empreendimento declarando que: “Para entender o universo, você precisa conhecer a linguagem com a qual foi escrito. E esta linguagem é a matemática.”


Comentário: Brilhante. Muito bom. Isso é para aqueles que - por semelhança - acham que a "teoria da relatividade" seria a base teórica do relativismo. Na verdade a origem do relativismo é no psicologismo. Ele é que definiu o ser humano como o centro do universo, criando a idéia que todos os conceitos, crenças, valores e até a ciência são extensões de uma realidade psicológica que não existe de fato. Minha pergunta é : Até Paulo Johnson caiu nessa?
Outra observação é que Platão é uma referência em duplo-sentido, pois se ao mesmo tempo seu apego pela geometria fez incontáveis discípulos na era moderna, sua teoria do mundo das idéias com seus modelos perfeitos, comparativamente ao imperfeitos à nossa volta, o fazia achar absurdo procurar a essência das coisas pela amostragem empírica do universo táctil... O cientificismo de laboratório não teria a menor chance com ele..

Olavo rocks on!

Não sei o que é, mas o fato é que os últimos artigos do Olavo estão indo direto ao ponto. Como os leitores já perceberam, sempre levantei esta questão do discurso liberal ser sempre só econômico.
Olavo dá outra dimensão a esta percepção, como só ele. Este artigo "Debate Assimétrico" é perfeito:
"Como a estratégia socialista jádesistiu faz tempo da estatização total da economia, admitindo a necessidade de reservar pelo menos algum espaço para as empresas privadas, a defesa da economia de mercado é facilmente absorvida e instrumentalizada pelo establishment esquerdista, que pode repetir ipsis litteris cada palavra do ideário econômico liberal sem com isso fazer nenhum mal a si mesmo. Desprovido de sua substância cultural, moral ou religiosa, o discurso liberal pode tornar-se nada mais que uma forma inconsciente de colaboracionismo."

sábado, junho 11, 2005

Sobre a audiência do blog (2)

Outra referência que não poderia deixar de informar é que a Atlas Foundation - fundação que incentiva a liberdade individual e econômica em todo o mundo, tem u blog com uma seleção de "notícias e análises de vozes independentes de todo o mundo".
O "Swimming Against the red Tide" está lá:
"Luís Afonso Assumpção of Porto Alegre offers a blog on the culture and politics of Brazil from a free-market point of iew."

sexta-feira, junho 10, 2005

Audiência do meu blog em inglês

Após eu publicar a versão em inglês do fantástico texto do Olavo "Raízes do Novo Mundo" no meu blog (http://againstred.blogspot.com) percebi um grande aumento de audiência. Outros artigos publicados por lá também tiveram uma grande aceitação na blogosfera.
Aqui alguns dos blogs e páginas que me linkaram:

http://www.no-pasaran.blogspot.com - Página muito critica do euro-socialismo, social-democracia e da União Europeia , da França
http://finnpundit.blogspot.com - Outro crítico da social-democracia , da Finlândia.
http:////www.findory.com - Uma página de clipping.
http://www.theglitteringeye.com - Outro bom blog crítico.

Agradeço especialmente o famoso blogger australiano John Ray, que iniciou isso tudo publicando alguns textos meus e também ajudando na tradução e adaptação ao inglês corrente dos textos em vários de seus sites ou blogs onde escreve:
http://dissectlef.blogspot.com
http://www.theglitteringeye.com/
http://ofint2.blogspot.com/
http://www.majorityrights.com/

Por último , ao apoio de Jeffrey Nyquist, que me enviou a seguinte mensagem::

"Many thanks for writing. I am glad that you are trying to alert people" - JRN

É bom saber que meu trabalho está sendo apreciado por tanta gente. Mas isso também coloca um peso maior de responsabilidade no que é publicado por aqui...

domingo, junho 05, 2005

O Agente Invisível

Este é o artigo publicado no Mídia Sem Máscara como concebido no original...

O agente invisível


A única mão invisível que existe hoje em dia não é do mercado mas do neo-comunismo que sufoca silenciosamente democracia, o capitalismo e a liberdade sem ser notado. (eu mesmo)


Há muito a humanidade persegue alguns objetos mágicos: o santo graal, a pedra filosofal, a arca da aliança. Nos tempos modernos, embalados pela revolução industrial e a "science fiction", novos objetivos são adicionados à lista: viagens espaciais, as viagens no tempo e o dom da invisibilidade.
Dessas novas utopias, muitas acabaram em realidade: viagens espaciais a partir dos anos cinqüenta com o russo Yuri Gagarin; Viagem no tempo nos três episódios de “De Volta Para o Futuro” e finalmente a invisibilidade, em uso pelos soviéticos (principalmente) desde 1991. Afinal para onde vocês acham que foram todos os comunistas desde então?
Desculpem pela introdução “bizantina” ao assunto, mas considero que nos dias que correm, não podemos mais falar da realidade exatamente como ela é. Se assim fizermos, seremos descartados imediatamente como mais um “paranóico delirante” a acreditar em comunistas. “Só falta acreditar que eles comam criancinhas” era uma frase típica destes céticos em resposta aos meus argumentos.
E não estou falando aqui de socialistas, neo-comunistas ou simpatizantes das teses da esquerda não. Falo de pessoas que, pelo contrário, apóiam o sistema capitalista democrático e a liberdade econômica como chaves para a geração de riqueza no mundo.
Então este artigo, antes de qualquer mal entendido, tem uma finalidade objetiva: tentar explicar de maneira lúdica - já que a realidade definitivamente virou “demodée” no Brasil de hoje - o que significou realmente a "queda do muro de Berlim" e a conseqüente dissolução do partido comunista soviético após a tentativa de "golpe" ao governo “democrático” de Yeltsin na URSS em 1991.
Meu público alvo são todos aqueles que não conseguiram entender a real dimensão do que acontece no mundo de hoje. Nada de novo em essência. São fatos, insights e teorias que são discutidas há décadas, e com alto grau de contra-provas positivas . Falo das excepcionais obras de Anatolyi Golitsyn ("True Lies for Old" e "Perestroika Deception"). Falo dos artigos de Nyquist, de outros aqui no Brasil mesmo, no Mídia Sem Máscara.
Qual é o resumo da ópera: a estratégia do mundo comunista mudou radicalmente desde os anos cinqüenta. Motivo: os comunistas reconheceram o fracasso da economia planificada. Diagnóstico: somente com a eliminação/neutralização dos Estados Unidos – e seus aliados – é que o socialismo ou comunismo poderia voltar ao rumo de dominação mundial a que estavam acostumados. Esta guinada no curso estratégico foi muito baseada nos ensinamentos de Lenin ( "New Economic Policy" ou NEP) e foi iniciada nos anos cinqüenta com Kruchev. Pelo cronograma, estamos no que se previu como a “fase final” em que o próprio comunismo se mimetizaria ao ambiente capitalista para destruí-lo por dentro. A estratégia era demonstrar ao mundo uma falsa "derrocada" do comunismo enquanto que, fora do campo visível dos seus oponentes, criava condições para uma vitória inconteste da visão socialista sobre o mundo, até a vitória final.
Agora vamos ao que significa: Esta submersão dos comunistas até seu aparente “desaparecimento” foi na verdade uma simulação. Foi como se os comunistas tivessem descoberto a fórmula da “tinta evanescente”. Se tens mais de quarenta (e menos de 10) deves lembrar de vários episódios de “Tom e Jerry” protagonizados pelo uso da tal tinta evanescente. Esta permite ao seu usuário a obtenção da invisibilidade total. Jerry faz uso dela para atormentar Tom de tal maneira que ele fica completamente maluco.
Como isso acontece? Jerry – invisível – incita o grande buldogue contra Tom. Este sem saber de onde partem os ataques acredita ser Tom o responsável e parte para cima do velho Thomas. É exatamente isso que nossa turma de comunistas-invisíveis executam incansavelmente sob o manto produtor da invisibilidade.

O paralelo é esse mesmo: nossos comunistas, usando os poderes da tinta evanescente, estão criando caos nas sociedades democráticas. E o fazem exatamente como Jerry fazia para atormentar o Tom: eles avançam sobre cada um dos componentes da sociedade de um determinado país e incitam uns contra os outros. O negro, por exemplo, recebe sorrateiramente um sopapo na orelha. Nosso afro-descendente então sem achar o verdadeiro agente provocador, acaba denunciando os “culpados” de sempre – os brancos. Isso acontece também com mulheres, homossexuais, índios e muitos outros que acabam entrando nesta mesma confusão . Até os muçulmanos são chamados para participar dos "rounds" nesta luta.
Então , quando toda a sociedade estiver imersa num ambiente de confronto na busca de seus “direitos” obrigatórios nossos invisíveis comunistas estarão celebrando às gargalhadas os seus feitos.
Esta é a realidade que tentamos explicitar. A recusa em considerar estes fatos faz com que nossos heróis, imaginando debater proposições coerentes com a realidade, acabem desperdiçando energia em assuntos laterais, enquanto estas as forças invisíveis agem livremente no seio da sociedade. Distraídos em seus assuntos, há de chegar um dia em que o barulho ensurdecedor desta sociedade agora em conflito mortal não mais permita a continuidade dos debates. Muito tarde perceberão nossos heróis que ao invés de um mundo livre onde a realização do ser humano dentro de uma sociedade democrática e capitalista é possível, quem estará batendo à porta finalmente não é aquela “mão invisível do mercado” que tanto falava Adam Smith, mas a “mão invisível” dos comunistas, que depois de enfeitiçar toda a sociedade com suas palavras de ordens politicamente corretas, a encaminha para eliminar os seus inimigos imaginários: os defensores do mercado, do capitalismo e de democracia. Exatamente os liberais.
Tudo por culpa da “tinta evanescente”.

terça-feira, maio 31, 2005

Raízes do Mundo Novo

Este artigo do Olavo de Carvalho é obrigatório para entender o "novo mundo".
Fukuyama estava completamente errado. Eis o que enfrentamos...

Raízes do mundo novo - Olavo de Carvalho (O Globo - 26/05)


A primeira metade do século XX presenciou a ascensão da economia planificada; a segunda, a sua queda, seguida do surgimento de um esquema de dominação ainda mais ambicioso: a cultura planificada. A cultura transcende e abarca a economia: inclui o orbe inteiro das criações humanas, a linguagem e a imaginação, os valores e sentimentos, a vida íntima e os reflexos inconscientes. A ampliação do objetivo mostra que a intelectualidade ativista tirou da experiência de oito décadas uma conclusão inversa à dos economistas liberais: estes acreditaram que o fracasso do socialismo provava a loucura intrínseca do Estado gigante; aqueles, que o Estado gigante fracassou por não ser gigantesco o bastante.

O objetivo final do socialismo, como observou Hannah Arendt, é a modificação da natureza humana. A geração de Lenin, Stalin e Hitler imaginou que a economia socialista produziria o novo tipo de homem. Os pensadores socialistas mais profundos Gramsci, Lukács e os frankfurtianos viram nisso um perigoso erro economicista. A alma do ?homem novo? não nasceria do socialismo, mas deveria antecedê-lo e criá-lo. Essa idéia pareceu herética à ortodoxia marxista da época (embora, no outro lado do espectro socialista, não fosse de todo estranha aos teóricos do nazi-fascismo), mas só se disseminou nas últimas décadas, dando margem a uma formidável expansão do esquerdismo internacionalista, que sobreviveu mesmo à derrocada da economia soviética, alcançando seu nível máximo justamente nos anos que se seguiram à dissolução da URSS. O socialismo internacional de hoje busca menos a criação de regimes socialistas do que a implantação de um complexo global de mutações na sociedade civil, na moral, nas relações familiares. À mudança da ordem de prioridades correspondeu uma troca de estratégia e a escolha de novos meios. Antes a ferramenta essencial do movimento revolucionário era o partido ideologicamente monolítico. Hoje, é uma variedade de partidos de esquerda aparentemente inconexos, é a rede internacional de ONGs, são os ?movimentos sociais?, são os grandes organismos internacionais. Sua unidade de ação só pode ser apreendida de fora por quem esteja ciente das sutilezas da luta cultural, infinitamente mais complexa do que o velho confronto aberto de partidos pró-comunistas e pró-capitalistas.

Uma vez captado o fio da meada, torna-se fácil rastrear as forças em jogo, desde a confusão aparente dos debates públicos até a sua origem comum em escritórios de planejamento estratégico invariavelmente ligados à ONU e a certo número de fundações bilionárias que lhe estão associadas, bem como a alguns Estados nacionais que, discretamente e não sem ambigüidades, dão respaldo ao processo. Não há hoje uma só ?causa?, um só slogan de luta revolucionária ou de ?transformação social? que não tenha se originado em comitês técnicos e consultivos fora de todo controle popular e eleitoral, sendo em seguida espalhado pelas várias nações como produtos espontâneos do movimento histórico impessoal, se não da providência divina. Revolta feminista, abortismo, quotas raciais, movimento gay, revolução agrária, indigenismo, ecologismo, antitabagismo, liberação das drogas pesadas todas as bandeiras de luta que se agitam no mundo podem ser rastreadas desde o cenário público até sua origem discreta nos círculos do internacionalismo iluminado. E para disseminá-las não há somente as ?redes?, estendendo-se até o infinito, mas todo um sistema burocrático milionário: a ONU tem mesmo cursos universitários para formar técnicos em ?criação de movimentos sociais? no Terceiro Mundo. Movimentos populares espontâneos, é claro, e por espontâneo milagre harmonizados na concepção integral de uma nova ordem da civilização.

A bibliografia a respeito traz documentação mais que probante, mas, protegida pela indolência intelectual das massas, levará alguns séculos para se tornar objeto de conhecimento comum. E então a Humanidade já não terá interesse em conhecer sua origem: pois será a ?Humanidade nova?, embriagada da ilusão de haver-se criado a si mesma pela força espontânea do progresso e das luzes.

sábado, maio 21, 2005

("I found that essence rare") - Minha descoberta racional do conservadorismo

Novo texto meu no Mídia sem Máscara:

Eis abaixo o texto integral: com o título original - uma citação de música da "Gang of Four" (que se diziam socialistas...) uma homenagem às avessas e mais a citação da paralaxe cognitiva com seu criador, Olavo de Carvalho...
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"I found that Essence Rare" - Minha descoberta racional do conservadorismo

Sempre imaginei o ser humano como resultado concreto e final de um exercício de criação divino.

Isso pode ser um pouco religioso ou metafísico demais para um mundo que se acostumou a nivelar tudo por baixo, que simplesmente finge que o que não entende "não existe", mas é ainda a melhor explicação para o ser humano.


"Melhor" por quê? Oras porque não somos de maneira alguma "animais". Talvez a classificação do ser humano como representante do reino animal – feita pelo próprio ser humano – seja o único caso em que a famosa "paralaxe cognitiva"* Olaviana seria de fato autêntica. Explico: o simples fato do homem ser o único ser que tem a capacidade de classificar dentro de uma estrutura racional de significados todos os outros animais o deveria colocar automaticamente fora desta mesma classificação – afinal, nenhum dos animais analisados é capaz de tal façanha. Então o homem, quando classifica todas as espécies animais em filo, gênero e espécie, se coloca evidentemente numa visão superior a todos os animais. E o faz por estar fora desta mesma classificação. Foi nada menos do que uma tragédia o fato de que ao final do processo tenha ele mesmo se auto-classificado junto aos primatas, com um título nada animador de "animal racional". Nem o cargo de "rei dos animais" nos sobrou.


Pois bem, esta percepção de que estamos acima do reino animal em todos os aspectos, menos no "construtivo", é derivada de um senso comum. E a origem deste "senso comum", descobri agora há pouco, tem a ver com uma tradição conservadora.

Encontrei num dicionário na web uma definição de “conservador” absolutamente perfeita: “é o sujeito otimista com relação ao passado e pessimista com relação ao futuro”. É exatamente isto. E ainda acrescento que o pessimismo em relação ao futuro se dá na exata percepção de avançamos no tempo perdendo a cada dia pedaços ainda maiores de nossa própria humanidade. Num futuro não muito distante talvez nem o título de animais “racionais” possamos usar. O racionalismo é conservador.

Mas de onde surge esta sensação de perda? Não é nostalgia. Para mim é o simples ceticismo que acompanha qualquer análise minimamente racional da atualidade.

Descobri que o meu modo de funcionamento era mesmo este: sempre desconfiar de qualquer explicação inovadora ou "revolucionária", daquelas tipo "esqueça tudo o que você já viu sobre...". O fato é que não dá para esquecer, não podemos partir do zero a cada pseudo revolução. Este é o ponto. Se a “novidade” é inconsistente, prefiro ficar com a última explicação.



Este é o por quê do meu apego pelo capitalismo: não é que eu morra da amores por ele (já escrevi até que o "odeio" em post anterior), mas é o único sistema econômico que funcionou até hoje. E o que mais respeitou a liberdade individual e econômica , quando atrelada ao regime democrático.


O binômio capitalismo (liberal) de um lado e a democracia de outro são dois dos pilares básicos do que eu chamaria de "realismo" político/econômico. Considero como "realismo" tudo o que se pode estabelecer como verdade absoluta ou pelo menos a coisa mais próxima dela. No caso do capitalismo e a democracia ainda têm a vantagem de serem verdades perfeitamente mensuráveis: não há outro regime que possa ser considerado mais justo e mais eficiente em produzir riquezas e gerar satisfação material às pessoas.

O fato de haver milhares de pessoas lutando por ditaduras e pela implantação de alguma forma de comunismo hoje em dia, só me faz ver que existe outras verdades absolutas: a burrice e a apatia mental dos tempos atuais são incontestáveis.


Mas faltava alguma coisa: eu tinha elementos realistas para embasar minha defesa da liberdade política e econômica mas não para um sistema de valores morais ou "humanistas", em que se baseia o conservadorismo.

Mas havia a certeza de que o binômio democracia/capitalismo só pode existir num ambiente social no qual as pessoas compartilhem a mesma visão e os mesmos valores morais. É o que chamam de sociedade de confiança.

Voegelin observou como o “senso comum” era um grande diferencial nas sociedades britânicas e americanas. Um senso comum tão arraigado que "blindou" estes países às influências mais perversas do século vinte: totalitarismo nazi-fascista e comunista. O senso comum é também a minha base de avaliação do mundo. É uma percepção intuitiva de conservadorismo.

A base deste conservadorismo não é só a “nostalgia” do passado ou a manutenção de tradicionalismos. Significa que determinados valores não podem ser colocados de lado em favor de outros "mais evoluídos" simplesmente pela razão de que a "evolução" nunca ter sido provada.


A compreensão de que minha simpatia pelo passado era muito mais do que simples "nostalgia", mas a intuição de que elas abarcavam definições muito mais completas e complexas da própria humanidade, veio com o estudo dos filósofos clássicos.



A isto eu devo imensamente ao meu mestre Olavo de Carvalho: antes de tudo Olavo é um grande divulgador da tradição filosófica conservadora, traçando uma linha que vai dos antigos gregos até o judaísmo-cristianismo. Ao conhecer a história do pensamento filosófico, acabei por conhecer os fundamentos teóricos do conservadorismo.

Com isso pude enfim somar mais um sustentáculo – o mais importante – ao edíficio do capitalismo liberal e democrático. Sem uma base de defesa de valores conservadora, o edifício não se sustenta.

No mundo de hoje, isso é especialmente dramático.pois o curso do pensamento conservador acabou assoreado por toneladas de relativismos, pós-modernismos entre outros, que transformaram a filosofia num grande supermercado de idéias, sem que nenhuma contradiga outra.

Os tempos atuais avançam até para dizer que o conservadorismo, o realismo não passam de mais um relativismo...

Tomo como exemplo a obra do "filósofo" Charles Feitosa "Filosofia com arte" em que sob o capítulo "vantagens e desvantagens do relativismo" afirma que o realismo ( e os realistas) querem impor a "sua" visão a todos os outros. Cita como exemplo de "realista" o nacional-socialismo alemão... Do outro lado temos o relativismo, que é uma maravilha, pois "respeita" a todos os tipos de pensamento..

O autor só não explicou como "realistas" puderam relativizar até mesmo a existência de seres humanos como fizeram nazistas e comunistas...

Para finalizar: a descoberta da tradição filosófica na qual se baseia o conservadorismo foi para mim como se encontrasse, no fundo de uma caverna esquecida, um tesouro, uma essência rara. Nossa obrigação é a de guardar e espalhar esta boa nova às novas gerações.

*- “paralaxe cognitiva” é o fenômeno pelo qual o observador se coloca fora do campo de ação do fenômeno “universal” que pretende explicar. Exemplos: Marx explicando que à classe trabalhadora e não à burguesia pertencia o futuro da humanidade (Marx era um burguês); Maquiavel defendendo que o príncipe deveria em primeiro lugar eliminar os seus apoiadores e influenciadores, dando a entender que ele mesmo, Maquiavel, deveria ser uma das primeiras vítimas de sua invenção.

terça-feira, maio 17, 2005

2+2 são cinco!!!

Marcelo Amorim, num artigo demolidor, compara matematicamente a ditadura castrista e o regime militar no Brasil:
"A ditadura de Fidel, tão defendida pelos intelectuais socialistas brasileiros matou, em 50 anos, aproximadamente 17000 pessoas (segundo organizações que defendem os direitos humanos). Sendo a população cubana de 11 milhões de habitantes, pode-se dizer que a cada 1000 pessoas, mais de 1 foram mortas pelo governo totalitarista da ilha caribenha".

Chega à conclusão:
"Por que, então, os nossos acadêmicos continuam defendendo o regime de Castro? Porque num país de ignorantes como o Brasil, fazer parte da elite intelectual não quer dizer ser inteligente, basta ser menos inepto que a média.(..)Nossos intelectuais são forjados no exterior, e adoram seguir modismos, principalmente europeus. Um continente que, em menos de um século, foi berço do fascismo e do comunismo, não pode ser considerado o nascedouro ideal de idéias libertárias".

Vou ainda mais longe, meu caro Amorim, se a matemática é "reacionária", ainda vão criar uma versão politikamente korreta da mesma. Seria algo como multiplicar é burguês e egoísta enquanto dividir é "do bem", já que presume uma igualdade, uma divisão igualitária...
Imagine então a exponenciação: coisa de capitalista selvagem!!

segunda-feira, maio 16, 2005

Olavo de Carvalho sobre o Fórum da Liberdade

O mais recente artigo do Olavo na ZH, sobre o fórum da liberdade, "Mico Rápido", que reproduzo abaixo, tece o mesmo comparativo entre Oded e Betinho que escrevi no meu post de 04 de maio : uma feliz coincidência de pontos de vista! :)
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"Mico rápido
OLAVO DE CARVALHO/ Filósofo

O 18º Fórum da Liberdade parece ter obtido até mais repercussão do que os anteriores, mas o desequilíbrio continua: nem em recursos financeiros, nem em apoio oficial, nem em espaço na mídia nacional e internacional, o corajoso empreendimento de um pequeno grupo de empresários gaúchos liderados por Jorge Gerdau pode competir com o show bilionário do Fórum Social Mundial.

Também não se compara com ele no espírito e na conduta: o FSM é uma apoteose de autoglorificação socialista que não dá a mínima chance para vozes discordantes, enquanto o Fórum da Liberdade leva a liberdade a sério e, organizado por liberais e conservadores, faz questão de convidar sempre seus adversários esquerdistas para que ali digam o que bem entendam ou - como é de seu costume - não entendam.

Não é de hoje que os pobres repartem seu pão enquanto os ricos lambem até as migalhas para não deixá-las a ninguém. A única novidade é que, na farsa pirandelliana da mídia brasileira, a pletora de dinheiro global do FSM, suficiente para entupir toda uma rede de propinodutos, posa oficialmente como representante dos pobres e oprimidos, enquanto a modéstia dos recursos inteiramente locais do Fórum da Liberdade personifica a odiosa classe dominante internacional que explora e suga os coitadinhos.

Desta vez, por exemplo, coube a mim, cujos bens somam dois hidrolotes na Ilha Comprida e um cartão de crédito estourado, representar o opressor capitalista contra a massa dos humilhados e esfarrapados que ali se materializou na pessoa do senhor Oded Grajew.

O senhor Grajew é aquele empresário que, condoído de que os esquerdistas tivessem de se virar com os lucros das Farc e do MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria, do Chile), com as contribuições da Comunidade Européia, da ONU, das fundações Rockefeller, Ford, MacArthur e George Soros, além dos dízimos do PT e incontáveis subsídios federais, criou o Instituto Ethos para socorrê-los em tão difíceis circunstâncias, juntando para isso o apoio de mil empresas, a quarta parte do PIB, e tornando-se destarte a encarnação viva da bondade socialista no mundo cruel e desumano do mercado.

Com regularidade notável, o Brasil produz a cada geração um novo empreendimento dessa ordem, condensando-o simbolicamente na figura de um benfeitor carismático que, até ser esquecido por completo, consta para todos os fins como o ápice das virtudes humanas. Antes era a Campanha do Betinho. Agora é a Campanha do Odedinho.

A sigla "Ethos" parece que quer dizer, no idioma luliano, "Êu Tamêim Hezíjo Os Subzídiu".

Entre outras iniciativas meritórias, a organização que leva esse nome distribui às empresas brasileiras um educativo formulário que lhes permita avaliar se estão em dia com as exigências da moral politicamente correta ou se permanecem em pecado, distribuindo empregos pela ordem de chegada dos candidatos em vez de fazê-lo, como é decente, pelos critérios odédicos de raça e predileções eróticas.

À estupefata platéia do Fórum, o senhor Oded explicou que as eleições brasileiras são viciadas pelo financiamento privado das campanhas, que favorece os candidatos direitistas. Indagado pela mediadora Ana Amélia Lemos sobre como então o candidato esquerdista apoiado por ele na última eleição presidencial conseguira obter a maior quantia em dinheiro de campanha - não havendo mesmo candidatos direitistas para embolsar contribuições por mínimas que fossem -, o senhor Oded não julgou que isso fosse assunto digno da sua atenção.

Convocado a debater com ele, não pude no entanto explicar ao palestrante o que pensava de seus atos e opiniões, já que, após expor à platéia os méritos inumeráveis da sua campanha e as maldades do capitalismo, o referido se ausentou instantaneamente do plenário do Fórum, alegando compromissos súbitos e optando assim pela forma mais rápida e indolor de pagar o mico".

quinta-feira, maio 05, 2005

O Fórum Social da Liberdade Econômica

Estou escrevendo sob o calor do que vi e ouvi durante os dois dias do Fórum da Liberdade aqui em Porto Alegre. Evento com foco no liberalismo econômico e que se tornou uma espécie de contraponto ao Fórum Social Mundial.

Neste ano – não assisti aos anteriores – tivemos novamente a variedade ideológica como tônica.

No evento de abertura, com o tema “O Futuro do Trabalho”, César Maia, Ricardo López Murphy (ex-ministro da economia da Argentina) e Roberto Freire formavam uma estranha trinca num evento liberal. Quando ouvi Freire afirmar que o “neo-liberalismo já tinha sido implantado sem sucesso em toda a América Latina”, dei meia volta. Compreendi que tinha coisas mais importantes a fazer. César e Freire estavam fazendo o óbvio num ano pré-eleitoral como este, aproveitando todo o espaço disponível para ocupá-lo. Faltou ainda Geraldo Alckmin que acabou não comparecendo no evento de abertura (compensado no dia seguinte).

No segundo dia acompanhei com interesse as exposições de Gianetti e Jorge Gerdau sobre a natureza auto-realizadora do trabalho. Gianetti salientou o estrangulamento pelo excesso de regulamentação e carga tributária em que a iniciativa privada se encontra no Brasil.

Em outra palestra, o embaixador americano John Danilovich, abusando da diplomacia, se derramou em elogios ao governo Lula, acreditando que as negociações da Alca se concretizarão em acordos de promoção efetiva do livre comércio entre todos os países da América Latina e o Estados Unidos.

O próximo painel foi o mais importante para mim: Olavo de Carvalho, Oded Grajew e o economista indiano Suri Ratnapala. O professor Suri surpreendeu com a defesa firme (Lockeana, por assim dizer) dos contratos de trabalho livremente estabelecidos entre empregados e empregadores em contraposição às estruturas estatais ou culturais que privilegiem o “status quo”. Descreveu também como a globalização e a imigração mudaram a face do trabalho na Austrália (onde mora) de modo muito mais positivo do que as preocupações das associações de classe / sindicais poderiam prever. Explicou que tentar manter uma sociedade estática é a pior alternativa à globalização.

Depois disso, tivemos a explanação tati-bitati do criador (auto-intitulado) do Fórum Social Mundial, Oded Grajew, de como os malvados capitalistas deveriam a ajudar a minimizar os efeitos de seu mal dando dinheiro para sua Fundação Ethos implantar o controle externo nas empresas pelo programa de “responsabilidade social”. Ante a perplexidade da platéia com as conclusões primárias que emitia a partir da apresentação de estatísticas sobre a desigualdade social brasileira, comunicou ao final, que não poderia ficar para o debate pois tinha agenda comprometida. Levou na hora uma pergunta de Olavo de Carvalho sobre quais seriam o financiadores do FSM. Ignorada pelo palestrante.

Ao final tivemos Olavo de Carvalho, que desnudou o que as ações e estratégias apresentadas por Grajew são e o que representam na realidade.
Foi o mais aplaudido do dia.

É claro que não há que negar a importância de um evento como este. Como ressaltado pelo Lucas Mendes em sua coluna, existiram muitas coisas positivas nesta edição do Fórum. Como em todas as outras já realizadas.

Mas eu me senti estranho. Alguma coisa não fechava por ali. Aquele ambiente de debates não pertencia ao Brasil real. Se estivéssemos na Inglaterra, seria natural haver um ambiente de debates “plurais” como este, pois estaria inserido numa sociedade democrática na qual as forças em questão têm um equilíbrio.

Não é o caso do Brasil. Os eventos do Fórum aconteceram na mesma semana que o governo federal, por exemplo, divulgou a sua cartilha com os termos da língua portuguesa que devem ser evitados em conversas, jornais , revistas e na mídia em geral por serem “preconceituosos”. Alguns meses antes este mesmo governo federal foi envolvido em denúncia de que as Farc doaram recursos para campanha de Lula publicada em matéria de capa da revista Veja.
Alguma coisa destas foi comentada no Fórum? Não.

O Fórum da Liberdade, desde o seu nascimento , sempre teve como tema principal a defesa da liberdade econômica. Isto deve mudar. Estamos no meio de uma guerra não declarada aos valores tradicionais como moral, ética e até da própria língua, portanto não podemos nos ater somente aos temas econômicos. É preciso fazer a defesa dos valores conservadores.
E tirar da tribuna os esquerdistas. Eles já tem espaço demais em nossa mídia.

Sem isso, o Fórum pode ser classificado como um sofisticado programa de “redução de danos” que o socialismo impinge aos liberais deste país: com o arremedo de debate democrático podemos fingir, durante alguns dias, que o confronto de idéias ainda é possível. Isto nos faz aturar estoicamente a dominação esquerdista do país de modo homeopático. Tal qual o programa de redução de danos original, que não tem o objetivo de livrar o individuo das drogas, mas apenas de minimizar os seus efeitos no usuário, o Fórum da Liberdade não pretende combater o esquerdismo dominante.

A minha opinião é de que esta postura acaba criando um sentimento ambíguo no espectador. Enquanto Grajew saiu de fininho do Fórum, sendo acusado de fugir do debate, na vida real ele é o único vencedor, pois seu instituto leva contribuições das maiores empresas do país. Ao vencedor do debate – Olavo de Carvalho – a realidade brasileira conduz à outro destino: está deixando o país, definitivamente.

quarta-feira, maio 04, 2005

Grajew, o "Betinho" do novo Milênio???


Nos anos 90 dois movimentos tomaram conta do noticiário político e cultural no país: o movimento de “ética da política” e a campanha da fome do Betinho.
Não é necessário dizer que os dois movimentos “espontâneos” tiveram a mesma origem político-partidária. Foi a entrada em cena triunfal do elemento gramsciano de hegemonia cultural dentro da estratégia de tomada do poder pelas esquerdas.

Herbert de Souza, o Betinho, foi o personagem criado especificamente para este fim. Soro positivo e em pleno desenvolvimento da doença, parecia perfeito para liderar a campanha do fome zero. Quem poderia ser contra tal campanha tendo o Betinho à frente? Pois foi exatamente por causa de seus excepcionais atributos que foi destacado pelo partido para esta grandiosa, mas segura missão no ocaso de sua existência.
Por qual outro motivo Herbert, que nunca demonstrou interesse outro que não pela política, teria tomado tanto gosto pelas ações sociais e filantrópicas?

Pois bem, a campanha foi um sucesso. Betinho quase foi canonizado. A vitória do novo partido-príncipe teria sido completa em sua dominação de corações (campanha da fome) e mentes (campanha da ética na política) se este movimento de pinça social tivesse agarrado o seu merecido prêmio em 1994: a presidência da república. Mas aí tivemos FHC...

Corte: 2005. Fórum da Liberdade. Assisto à apresentação de Oded Grajew e suas crias, o movimento da “responsabilidade social das empresas”, o instituto Ethos e seu mais famoso rebento , o “Fórum Social Mundial”.

Com tal currículo era de se esperar alguém com um comentário crítico dos conteúdos econômicos e estruturantes desenvolvidos no fórum , como desregulamentação, flexibilização e mercado de trabalho. Nada disso: Oded levou ao fórum um conjunto de platitudes e declarações bobocas, acompanhadas de conclusões simplórias a partir de dados estatísticos mostrados em telão.
Enquanto no site do Ethos é possível encontrar justificativas mais articuladas a estas políticas (“Falar em pobreza é argumentar sobre a incapacidade de uma sociedade de assumir como tarefas cívicas obrigatórias a redução das desigualdades, o aumento das oportunidades e a redistribuição das riquezas. Hoje o problema não está em descobrir o que causa e está em descobrir o que causa e gera pobreza, mas em identificar os múltiplos fatores, sejam culturais, econômicos ou sociais, que estão impedindo sua
erradicação -- e agir sobre eles" ) é estranho que o “dono” da idéia não possa fazê-lo com mais propriedade.

Mas isso não muda o cerne principal: a tal “responsabilidade social” não passa de um conjunto de ações pretensamente compensatórias, auto-impingidas pelas empresas, para “corrigir” todo o mal que o capitalismo, este malvado, impõe à sociedade.

Novamente aqui temos o mesmo “movimento das tesouras” - articulado exatamente como no caso da ética+fome dos 90: de um lado, após décadas da denúncia de que o capitalismo “selvagem” amplia o fosso social no Brasil, as empresas e empresários acreditam mesmo que são os vilões da história. De outro a tática da “responsabilidade social” faz os mesmos empresário buscar a redenção aos seus “pecados” nas mãos do seu maior algoz: Grajew também é o criador do Fórum Social Mundial. Esta informação final dá profundidade e dramaticidade ao cenário.

Mas algo não fecha: como protagonista principal, Oded parece vacilante demais. Não parece estar à vontade no papel.
Relembrando Betinho, cheguei finalmente a conclusão final: Grajew não “criou” nada disso. Ele apenas foi o escolhido pelo partido para ser o homem de frente de um plano previamente traçado. Digo por que:
O responsável por um programa como o de “responsabilidade social” teria de ser um empresário. Nenhum capitalista iria investir um dólar furado numa iniciativa estatal. Oded foi escolhido por seu perfeito “phisique du role”.
Idem ao Fórum Social Mundial: com a “idéia” partindo de Grajew, o partido “lava as mãos” pela sua criação.

Ou seja, tenho os elementos para acreditar que estamos diante, não de um empreendedor ousado e persistente, mas de um funcionário, um agente destacado pelo partido para desempenhar um papel preciso: emular um capitalista preocupado e dedicado à tarefa de conter a “barbárie” globalizante.

Sua fuga ao término da exposição no evento do Fórum da Liberdade, quando por razões de agenda evitou debater com Olavo de Carvalho, confirmaram minhas suspeitas: Exatamente como Betinho há dez anos, Grajew não passa de mais um “laranja” do PT.

terça-feira, abril 19, 2005

Porque odeio o capitalismo

Hoje eu faço uma revelação bombástica: odeio o capitalismo!!

Reconheço que a crítica da esquerda contra o sistema capitalista é completamente justa.

Realmente, o capitalismo foi um filhote bastardo da escravidão: direta ou indiretamente foi gerado pelos excedentes mercantilistas baseados no tráfico de escravos ou no uso intensivo de mão-de-obra escrava.

Concordo que a gênese do capitalismo se deu com a exploração de seres humanos em trabalhos ultrajantes, que se mantém até hoje ainda em muitos lugares no mundo.

Não nego que a geração de riquezas no capitalismo é sempre desigual, aumentando a distância entre os ricos e os mais pobres.

Tenho consciência de que na essência, o capitalismo acaba por destruir os valores familiares/tradicionais, fazendo as pessoas esquecerem de Deus e -por exemplo - se voltarem a bobagens como celulares com tons polifônicos e TV a cabo com 150 canais;

É inegável que aliado ao seu co-irmão, a democracia ocidental, o capitalismo consegue aumentar ainda mais seu poder de destruição, pois dar a pessoas consumistas e superficiais o poder de escolher os seus próprios governantes é quase suicida.

Além de tudo, o capitalismo deforma os valores culturais, massificando o que é medíocre e eliminando o essencial, em função da uma tal “vontade popular”.

Por fim, o meu ódio ao capitalismo se dá por causa de uma última razão: vamos ter de conviver com ele por muitos e muitos séculos ainda. Sou obrigado a reconhecer que ele é o único sistema econômico que deu certo (até hoje). E não foi por falta de tentativas.

Como teria sido bom que a experiência comunista tivesse dado certo em sua tentação em recriar o ser humano em novas bases. O surgimento do novo homem, o homem social, o homem-coletivo ou qualquer que fosse seu nome, pensando em seus irmãos e em sua espécie mais do que em si mesmo teria sido perfeito. Teríamos acabado com o egoísmo. Nem precisaríamos mais nem de Deus a nos ajudar.

Como teria sido bom também que as ditaduras teocráticas tivessem dado certo em sua luta para obrigar o homem a louvar a Deus. Espontâneamente. Nada pode ser mais ofensivo do que, digamos, um muçulmano exibindo orelhas de Mickey Mouse!!

Como seria bom se tivéssemos ao menos ditaduras onde ao invés de nos queixarmos da programação decadente da tv tivéssemos o poder de proibir o que pudesse ou não ir ao ar.

Enfim tudo isso poderia ter dado certo, e olha que não se pode dizer que não tenhamos tentado o bastante. Cem milhões de seres humanos acredito que seja o suficiente para provar o erro... Posso dizer que tudo poderia ter dado certo... Se não fôssemos simples humanos.

Ah! Os seres humanos, pregando o desapego e a justiça em retórica brilhante, para no momento seguinte proceder exatamente ao contrário em causa própria.

Tudo poderia ter dado certo... Se não tivessem estas coisas gerado injustiças ainda muito maiores do que aquelas contra as quais se levantou. Temos que reconhecer a natureza humana do jeito que ela é. Isto é mais do que um reconhecimento, é uma rendição incondicional. O binômio democracia-capitalismo é o melhor sistema já inventado pelo homem. É desigual sim, mas gerar riquezas ainda é melhor do que distribuir miséria.

O pior desse sistema é saber que nós mesmos somos responsáveis por nossos atos, pela educação de nossos filhos (e não a televisão, por exemplo) e que temos que tomar decisões todos os dias, todas as horas sobre o que é melhor ou não para nós e nossas famílias. Não existem muitas facilidades.

Enfim: a vida sob a democracia capitalista é dura. Tão dura que além de batalhar o nosso pão de cada dia (que não anda nada fácil) e da educação de nossos filhos, temos que zelar para manter à distância aqueles que podem acabar com tudo isso: os estatólatras, que só sabem pensar o estado como o “bem-feitor” e o condutor da sociedade (subtraindo do indivíduo esta qualidade) e os metacapitalistas que querem monopolizar os mercados (e nossas possibilidades de escolha) em troca de benefícios com os primeiros.

Enfim isto é o que mais odeio no capitalismo: temos de tentar salvá-lo até dos próprios capitalistas, que ao tentar congelar sua posição no mercado acabam se aliando estratégicamente aos profetas do estado-grande. Enquanto ficam eles neste fausto convescote, nós ficamos com o desemprego, sub-emprego, os altos impostos e a falta de segurança.
Nossa única esperança é continuar lutando para fazer a democracia-capitalista-liberal ser implantada algum dia, pelo menos em nosso país. E a luta, em face de todas estas dificuldades é longa.

Ah, como eu odeio o capitalismo...

quinta-feira, abril 14, 2005

Ann Coulter, intelectuais democratas e arremesso de tortas à distância

Ann Coulter, corrosiva como sempre, Last October, two liberals responded to my speech at the University of Arizona — during question and answer, no less — by charging the stage and throwing two pies at me from a few yards away. Fortunately for me, liberals not only argue like liberals, they also throw like girls.

Por aqui pelo menos estamos livres de sermos alvos no campeonato de arremesso de tortas à distância.

Para ver como o debate político é distorcido em noss país, afinal a "direita" virtualmente não existe neste país, nossos atiradores de tortas se contentam em escolher seus alvos nos "neo-liberais" petistas.

Achamos engraçado ver o Berzoini, o Genoíno terem suas faces cobertas de chantilly, mas fiquem sabendo que para uma nação saudável o alvo destas tortas deveria ser a direita verdadeira, e não quem está "à direita" dos seus atiradores.

O nome aliás deveria ser alterado de arremesso de tortas à distância para "à direita".

Eu quero as minhas tortas!!! De preferência sem cobertura, please!!

Brasil, março de 1964: mais provas do papel (coadjuvante) dos EUA

Nos meus dois últimos artigos (jogo de intrigas 1 e 2) sobre o "golpe" de 1964, mostrei como e quem da inteligência Soviética e seus satélites (a Tcheca) com o auxílio de jornalistas brasileiros comprados pelo "ouro de Moscou", montou a farsa de que o "golpe" de 1964 foi criado pelos americanos.

Recebi algumas mensagens indignadas indicando que documentos revelados pelo próprio governo americano diziam o contrário.

Lendo os tais documentos , percebi que os autores das mensagens têm problemas sérios de leitura e interpretação de textos.

Meus artigos anteriores foram escritos para provar que a versão de que a contra-revolução de 1964 foi tramada pelos Estados Unidos é totalmente postiça. Foi o povo brasileiro, com o auxílio precioso das Forças Armadas que depuseram João Goulart.

Os Estados Unidos estavam atentos a estes desdobramentos e entenderam que deveriam ajudar os militares, se fosse necessário.
Acabou não sendo necessário até por que nossos bravos "revolucionários" esquerdistas sempre foram muito melhores em retórica do que em ação propriamente dita: não houve qualquer movimento de reação às ações militares...

Os documentos revelados no anos passado só confirmam isso. Leiam o trecho:

"A newly declassified audiotape and documents released here Wednesday, 40 years after the 1964 coup that installed military rule in Brazil, show that then U.S. President Lyndon Johnson was directly involved in the decision to back the coup forces, if necessary".

Notaram o "IF NECESSARY" ao final do texto? Significa uma coisa só: os americanos estavam preocupados com a questão (porque foram os militares brasileiros que informaram sobre a proximidade da operação) e queriam de alguma forma ajudar.

Meus detratores não sabem diferenciar uma simples operação de apoio logístico-militar - mesmo tendo a supervisão do próprio presidente norte-americano, o que mostra a preocupação com os destinos do Brasil - com a responsabilidade na arquitetura, planificação e execução de uma operação de grande escala como desenvolvida em vários estados brasileiros em 1964.

Ainda assim lançam acusações terríveis contra uma pretensa ofensa contra a "soberania nacional" enquanto centenas de agentes cubanos, chineses agiam livremente no país e até mesmo traidores da pátria, como no caso dos envolvidos na operação "semanário", eram (e ainda o são) tratados como "nacionalistas" pelos meios de comunicação. Quem exatamente não respeitou a "soberania nacional"?

Efetivamente, e meus detratores o sabem muito bem, o que os militares fizeram foi devolver os destinos da nação ao seu próprio povo.

Os norte-americanos, como coadjuvantes do plano, nem tiveram que entrar em ação.
O operação 31 de março foi uma criação totalmente nacional, bem diferente das "revoluções" importadas que uma minoria queria submeter à toda população.

quarta-feira, abril 13, 2005

Anos 80: "Papa" was a Rolling Stone!!


O legado do Papa João Paulo II deve ser lembrado pelos seus feitos nos anos 70 e principalmente nos 80.
Nesta época ele foi um gigante, formando com Reagan uma dupla que literalmente mudou o mundo. E é por essa dimensão que deve ser lembrado.

Sua incansável peregrinação pelos países da cortina de ferro contribuiu em muito para a perda de credibilidade e sustentação dos regimes comunistas. Com Reagan na outra ponta perfazendo um ataque retórico contundente contra o “império do mal” o planeta conseguiu se livrar do que se chamou de “socialismo real” com a queda do muro de Berlin, em 1989.
Não quero aqui discutir se o comunismo realmente acabou – o que não acredito – mas na importância da “performance” papal para esta sucessão de eventos.

Outro ponto insuperável do seu mandato foi a defesa do tradicionalismo na igreja católica. Muitos debatem e desejam que a Igreja “avance”, acompanhando a pretensa evolução da sociedade. Mas não percebem que pretender que a igreja católica seja a favor do aborto, sexo fora do casamento ou o casamento entre homossexuais, por exemplo, pressupõe uma visão totalmente mundana da Igreja.

O que está por trás desta assertiva é a visão de que a religião católica – como todas as outras religiões – foi criada pelos homens numa e para uma determinada estrutura de sociedade. Ora, se a sociedade muda, a religião desta sociedade tem de mudar. O erro é brutal: na realidade são as religiões que definem a sociedade e não o contrário, sendo então a tentativa da sociedade querer mudar a Igreja algo como o rabo tentar abanar o cachorro.

Um segundo ponto é que toda a religião considerada verdadeira – como a católica- tem a pretensão de ser o canal entre Deus e os homens. No caso das religiões cristãs o canal, a mensagem, está descrito na Bíblia. Se o cristianismo considera a Bíblia a mensagem de Deus, seguirá a esta mensagem e nenhuma outra. Ora, se a tentativa de atrelar a religião à sociedade é uma consequência da idéia de que as religiões são fruto da sociedade, então se conclui que as religiões também não tem nada a ver com Deus, portanto a Bíblia não é a mensagem divina, mas um livro como outro qualquer.

João Paulo II, contrariando a ala dita “progressista”, manteve-se firme às tradições da igreja católica, mesmo angariando enorme contrariedade mundo afora. Sua defesa ao direito à vida, como no recente caso de Teri Schiavo, foi enfático e emocionante.

Por tudo isso, comparar o legado e a trajetória de João Paulo II ao comportamentos/comentários gerados por ocasião de sua morte, por exemplo, só fazem perceber a distância – e a profundidade – que descemos.

Os episódios envolvendo nosso caótico-católico presidente, sua “falta de pecados” às fofocas ao estilo “caras” sobre o embate entre os “progressistas” e “conservadores” (com torcida da mídia para que os primeiros “vençam”). Tudo isso, além de reportagens equivocadas – como aquela que o mostrava como prestes a “renunciar” no ano de 2000 – mostram em sua crueza a falta que uma figura como João Paulo já está a fazer.

Apesar de não ser católico, não posso me furtar de dizer que João Paulo II foi o papa mais importante que tive o prazer de conhecer.
Durante os anos mais importantes de seu papado pode-se dizer que João Paulo sacudiu o planeta, ficando exatamente onde sempre esteve: no coração da tradição cristã.
Um verdadeiro “rolling stone”...

Anos 90/2000: "Papa", don´t preach...


João Paulo II acertou em muitos pontos, mas não se pode negar que nos anos 90 o comportamento do Papa pode ser considerado no mínimo contraditório. Depois de ter liderado junto com o presidente Reagan uma poderosa frente contra o comunismo, o João Paulo dos anos recentes foi errático:fez uma visita ao ditator Castro que para muitos pareceu simpática ao ex-coroinha no cargo de "comandante" da ilha. Seu discurso na ilha não poderia ter sido mais dúbio.
Se por um lado condenou a falta "liberdade de pensamento" e os estados ateus ou religiosos por outro também condenou o que chamou de "ressurgimento de um tipo de capitalismo neo-liberal, que subordina as pessoas às forças forças cegas do mercado". Como se o tal mercado não fosse uma reunião de pessoas, em última análise.

Outro trecho do discurso foi simplório-socialista:" Vemos um pequeno número de países crescendo em riqueza ao custo do aumento de pobreza de um grande número de países".

Outro ponto baixo foi seu alinhamento automático contra a guerra do Iraque: vejam bem, como cristão o Papa deve ser contra todo o tipo de guerra. Mas também contra todo o tipo de tirania. Como sua condenação específica à intervenção americana no Iraque foi muito maior do que qualquer outra guerra em curso no mundo, pareceu que o Papa fazia distinção entre elas de maneira marcante.

De qualquer maneira, apesar das pregações contraditórias dos últimos tempos, a posteridade deve pensar no Papa João Paulo II como um "Rolling Stone", um "Street Fighting Man" a favor da liberdade.

quinta-feira, março 31, 2005

1964 - Jogo de Intrigas 2 (final): Na trilha do "Ouro de Moscou"

No artigo anterior mostrei algumas das informações que são sistemática e cuidadosamente escondidas de nossa população. Infelizmente, isto não é exceção. E a chave para entender isso é o fato de que a classe jornalística em nosso país tem um longo histórico de serviços à causa esquerdista – seja qual o matiz ideológico. E a afinidade ideológica não explica todos os casos. Muitas vezes os jornalistas simplesmente entregavam o que o “patrão” demandava.

Do texto anterior, me permitam repetir dois trechos fundamentais:

Na época, a inteligência tcheca tinha numerosos jornalistas à sua disposição na América Latina”. - Ladislav Bittmann - The KGB and Soviet Disinformation: an Insider’s View

O serviço de inteligência tcheco tinha canais jornalísticos qualificados à sua disposição na América Latina. Ele influenciava ideologicamente e financeiramente muitos jornais no Uruguai e no México, e mesmo possuía seu próprio jornal político no Brasil até abril de 1964”. - Ladislav Bittmann - The Deception Game

Ou seja: além da ideologia, existia o “ouro de Moscou” a incentivar os arroubos do jornalismo “imparcial” no país.

No Brasil dos dias de hoje, há quem ainda acredite que os meios de comunicação prestam um serviço honesto para construir a “cidadania” em nosso país. A idéia é totalmente ingênua, pois há mais de quarenta anos parte dos serviços do jornalismo “combativo” e “independente” do país são financiados por organizações tão desinteressadas como a KGB, Inteligência Tcheca e até as FARC, mais recentemente.

Mas, como desvendar as ligações perigosas entre o jornalismo “combativo” e o “ouro de Moscou”? Infelizmente existem poucas pistas a seguir. Há fontes de primeira como os Arquivos de Moscou que infelizmente estão fechados no momento. Só para citar a riqueza desta fonte, foi lá que o jornalista William Waack pesquisou as informações contidas no livro “Camaradas” (onde se confirmou que Olga Benário era de fato uma espiã comunista), por exemplo.

Resta o registro de ex-espiões como o próprio Ladislav, citado anteriormente, ou de um Anatolyi Golitsyn – este em seu livro, “New Lies For Old”, cita o caso de um um diplomata brasileiro (“Pedro”) cooptado pelo agente soviético Viktor Zegal em Helsinque, Finlândia em 1961. (página 290)

O problema é que o Brasil é citado apenas de passagem no relato destes ex-espiões. Então, estes livros servem apenas como ponto inicial para uma investigação mais detalhada. E para completar a tarefa é imperativo um contato com estas fontes qualificadas. Foi o que fiz.

Me interessei muito em manter contato com Ladislav para obter mais informações sobre o “affair” brasileiro – a Operação Thomas Mann e sobre os jornais ou jornalistas controlados pela inteligência Tcheca e soviética no Brasil.

Antes de prosseguir, permitam-me um pequeno resumo do autor: Ladislav Bittmann- cidadão tcheco - foi chefe de operações durante parte dos 15 anos em que trabalhou no “Departamento D” da inteligência Tcheca. A especialidade do departamento era criar operações fraudulentas de desinformação, black propaganda e operações de influência contra o inimigo número um do mundo comunista, os Estados Unidos. Ladislav desertou para os Estados Unidos em 1968, pouco depois da invasão soviética em seu país, que acabou com a “Primavera de Praga”.

Em minha jornada atrás de um contato com Bittmann, descobri que ele trocou de nome (para fugir da pena de morte imposta pelos seus conterrâneos em função de sua deserção) e, depois de ensinar durante muitos anos as técnicas de desinformação que tomou parte, aposentou-se, dedicando-se ao hobby da pintura. Depois de alguns contatos iniciais, e muitas negativas da parte do ex-agente tcheco, ele finalmente entrega o ouro:

LA - “Prezado Bittmann, a única informação que necessito saber é: qual era o nome do jornal controlado pela KGB/Inteligência Tcheca no Brasil, citado em seu livro 'KGB....' dentro da 'Operação Thomas Mann' e que foi fechado logo no início do regime militar, em abril de 1964? Era o jornal “O Semanario”?

Bitmann:Prezado Alfonso (sic), como mencionei anteriormente, tudo que sei sobre o envolvimento do bloco soviético no Brasil foi incluído no livro 'Deception Game'. SIM, O JORNAL ERA 'O SEMANARIO'”.

Finalmente uma informação qualificada!

Mas, afinal, que jornal era “O Semanario”?

Os que pensavam se tratar de algum jornal panfletário, totalmente identificado com o socialismo, erraram. A inteligência Tcheca não iria financiar um jornal tão abertamente aliado às suas causas. Para fazer a diferença e realmente valer a pena, o meio de propagação de desinformação tinha de ter uma reputação acima de qualquer suspeita. Era exatamente o caso.

O “Semanário” era conhecido e respeitado como um veículo “nacionalista”. Ou seja, um jornal que defendia o interesse nacional acima de tudo.

Leiam esta transcrição do site da Fundação Getúlio Vargas sobre a imprensa da época (http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jk/htm/O_Brasil_de_JK/Imprensa.asp) :

“A década de 1950 conheceu uma vigorosa imprensa nacionalista, devido, em parte, ao fato de que os jornais de maior circulação e prestígio, os do eixo Rio-São Paulo, não abriam espaço para a divulgação das posições nacionalistas, pois defendiam teses favoráveis à participação de capitais estrangeiros no desenvolvimento industrial do país. Para romper as dificuldades de divulgação de suas idéias, os nacionalistas criaram pequenos jornais, em geral tablóides semanais. O jornal nacionalista ‘O Semanário’ começou a circular no início do governo JK, em abril de 1956, mas sua viabilidade dependia da solidariedade militar, principalmente do Exército”.

Era estranho saber que os comunistas financiavam o jornal mas era noticiado que o Exército era quem bancava a sua “viabilidade”. Que prodígio de desinformação!

A partir do conhecimento de seus verdadeiros patrões, fica fácil entender outros “fatos” narrados pelo jornal (http://www.espacoacademico.com.br/034/34ebandeira.htm):

No princípio de 1963, ‘O Semanário’ revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, "fantasiados de civis", desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território nacional”.

Esta informação é chave para confirmar a farsa da participação americana no “golpe” de 1964, criada posteriormente.

Estes fatos colocam em cheque a versão de que a imprensa “nacionalista” era ideologicamente neutra e lutava pelos interesses do Brasil. Então, se analisarmos em perspectiva, tínhamos na época de um lado a imprensa ferozmente socialista, e do outro, a imprensa “nacionalista”. No fundo financiados pelos mesmos “patrões”.

O paralelo entre aquela época e a nossa é alarmante: se naquele tempo, o fato de uma organização como a KGB ou seus coligados financiarem jornalistas ou até mesmo jornais em nosso país era cuidadosamente escondido, hoje em dia, por mais que fatos assim sejam revelados não há a mínima reação por parte de nossa classe política, nem de opinião pública.

A capacidade do brasileiro se indignar ou reagir é diretamente proporcional aos valores monetários envolvidos. Enquanto isso, a célebre frase de Den Xiao Ping adquire o seu real significado: “Não importa a cor do gato, contanto que cace os ratos”.

quarta-feira, março 30, 2005

Ann Coulter sobre Terri Schiavo (and other things)

Ann Coulter não poderia ser mais precisa:: "So how about a Republican governor sending in the National Guard to stop an innocent American woman from being starved to death in Florida? Republicans like the military. Democrats get excited about the use of military force only when it's against Americans. "

terça-feira, março 29, 2005

Midia sem Máscara invade o CMI !!!

Esta notícia é de dezembro mas é demais!! Leiam no Portal Popular: "Nos últimos tempos, o site fascista 'mídia sem míscara', criado e liderado pelo 'filósofo' e 'jornalista' de extrema direita, Olavo de Carvalho, tem feito uma verdadeira 'invasão' no CMI. Através de suas 'olavetes' (fans e admiradores de Olavo de Carvalho) tais como Luiz Afonso Assumpção, João Luiz Mauad, Gilberto Araújo , editoria MSM, entre outros, o líder máximo do MSM tem nos bombardeado com seus artigos nazi-fascistas disfarçados de 'liberais'."

Hilário: além de ser Olavete, sou um nazi-fascista disfarçado de liberal.
Com certeza, ser difamado por um ser que se auto-intitula de "Leon Lenin" não pode ser considerado menos do que um... elogio!!

Ser criticado por um anônimo leon-trotskyette ou um lenin-ette não pode significar outra coisa.
Longa vida ao MSM....