quarta-feira, março 16, 2005

1964 - Jogo de Intrigas (Parte I) : A fraude da participação americana no “golpe”.

No próximo dia 31/03 completam-se 41 anos da contra-revolução que tirou o Brasil da rota do totalitarismo (leia em http://geocities.yahoo.com.br/la3br/1964_novo.html) mas também de uma cuidadosa e muito bem elaborada fraude. Este artigo é o primeiro de uma série que tem o objetivo de restaurar a verdade a partir de fatos tornados públicos no exterior, mas que nunca foram divulgados suficentemente no Brasil.

Praticamente todos os livros, artigos e estudos sobre o regime militar do Brasil (64-85) apontam com dedo acusador para a CIA e o governo americano como os verdadeiros criadores do golpe.

Um exemplo está em http://www.espacoacademico.com.br/034/34ebandeira.htm onde o cientista político Moniz Bandeira [autor de O Governo João Goulart: As lutas sociais no Brasil (1961-1964)] comenta as operações americanas de “desestabilização democrática” na América Latina: “Essas operações tipificam a técnica do golpe de Estado, que a CIA desenvolveu e aplicou no Brasil e em diversos países da América Latina, nos anos 60 e 70 do século XX, radicalizando, artificialmente, as lutas sociais, até ao ponto de provocar o desequilíbrio político e desestabilizar governos (spoling actions), que não se submetiam às diretrizes estratégicas dos Estados Unidos.”

Tudo o que é publicado no Brasil segue esta linha pré-estabelecida, de culpar os Estados Unidos como o “autor intelectual” do “golpe de 1964”. Nesta versão não existia guerra fria, não existiam ações da inteligência comunista agindo no país. Por quê esta cuidadosa limpeza das digitais vermelhas no local do crime? Simples: os vencidos daquela época agora são a elite intelectual que domina a opinião pública, os “formadores de opinião” e quase a totalidade da mídia. Há décadas. Seu empenho em modificar a história para a obtenção de dividendos eleitorais, morais e até pecuniários (vide o escândalo em que se transformou o caso das indenizações aos “torturados” do regime militar) é espantoso. Mas apesar de tudo ainda é possível obter alguma verdade sobre este período crucial de nossa história.

A “versão oficial” dá conta que o Brasil era um país soberano, com um presidente eleito e que foi desestabilizado e posteriormente deposto pela ação do governo americano através da CIA e financiado por empresas americanas aliadas à burguesia e ao exército contra as “reformas” de Goulart.

Nem parecia que Cuba havia se tornado comunista há apenas cinco anos e que não parecia ser o único alvo do comunismo revolucionário no continente.

A verdade é que havia no Brasil uma sólida operação de propaganda antiamericana extremamente bem-sucedida, pois tirava partido de nossa abissal credulidade a qualquer grosseira falsificação.

A operações da inteligência Tcheca no Brasil rendiam resultados altamente satisfatórios em jogar a opinião pública contra os norte-americanos. Uma destas operações – a mais famosa - foi chamada de Thomas Mann”. Um de seus executores, o espião Ladislav Bittmann, afirmava:

“A operação Thomas Mann, era representativa do que chamávamos de 'operações de papel’, as quais consistiam na produção de falsificações e sua distribuição anônima através do correio – sem o uso de agentes ativos – definiu o modelo para as futuras ações. As 'operações de papel' tinham certas vantagens. O risco operacional era inexistente, os recursos financeiros necessários eram mínimos e o público na América Latina era muito propenso a acreditar nas informações recebidas, até mesmo naquelas recebidas através de canais extremamente duvidosos”.

Explicando um pouco mais os objetivos das operações da inteligência Tcheca, ele prossegue:

“A linhas mestras da inteligência Tcheca definiam o conteúdo e a extensão das 'medidas ativas'- como o departamento de 'operações especiais'- dentro dos seguintes objetivos: enfraquecer seus oponentes por desmoralizar suas forças políticas, militares, econômicas ou morais; Criar novas rupturas / divergências ou exacerbando as divergências existentes no flanco oponente; Desacreditar as políticas e os seus representantes aos olhos de seu próprio país e da comunidade internacional; Influenciar na formulação, conteúdo e extensão das suas políticas através das ações secretas de desinformação e indução; e ao apoio na luta contra o 'imperialismo' nos países em desenvolvimento”.

Explicar tudo o que se passou na época eliminando cuidadosamente toda e qualquer referência às ações da inteligência comunista na América Latina causa um efeito expressionista de tornar as ações americanas completamente exageradas e mesmo truculentas na comparação. Isto é exatamente o que pretendem estes “historiadores”.

Agora, um pouco da verdade.


Depoimento de Ladislav Bittman

[Ladislav Bittman, The Deception Game, New York, Ballantine Books, 1981, pp. 97-104.] - tradução : Olavo de Carvalho.

'O serviço de inteligência tcheco tinha canais jornalísticos qualificados à sua disposição na América Latina. Ele influenciava ideologicamente e financeiramente muitos jornais no Uruguai e no México, e mesmo possuía seu próprio jornal político no Brasil até abril de 1964. Mas, tradicionalmente, a desinformação estava associada em ampla medida a técnicas de falsificação. De 1960 a 1963, o departamento territorial latino-americano da inteligência tcheca tentou escapar dessa tradição estabelecendo uma organização legal de dimensões continentais que arcaria com a tarefa das atividades políticas e propagandísticas antiamericanas. A essa operação, sob o nome de fachada Druzba (“companheirismo”), tanto a inteligência tcheca quanto a soviética atribuíam significação especial, de vez que o seu sucesso significaria uma substancial elevação de nível das atividades de propaganda e desinformação soviéticas na América Latina e, conseqüentemente, maior restrição da influência americana. A propaganda produzida pelas organizações legais existentes deveria sobrepujar as anteriores cartas anônimas estereotipadas e documentos forjados. Moscou deveria fornecer apenas as diretivas políticas básicas e a necessária ajuda financeira, enquanto as ações individualizadas de política e propaganda antiamericana estariam sob a jurisdição das organizações mesmas.

Uma divisão de trabalho foi estabelecida entre os serviços de inteligência tcheco e soviético. Os tchecos deveriam utilizar seus bons contatos com várias personalidades latino-americanas eminentes, que emprestariam seus nomes como uma fachada de respeitabilidade. Os soviéticos assegurariam a coordenação política. O objetivo primário era despertar a simpatia e apoio (mesmo não público) dos partidos comunistas latino-americanos sem o qual a ação prática seria difícil. Os iniciadores do projeto obtiveram realmente sucesso em localizar indivíduos inclinados a colaborar no empreendimento, e no período entre 1961 e 1963 foram realizados vários encontros organizacionais preliminares. No entanto, a operação falhou. O serviço de inteligência soviético não obteve sucesso em negociar o plano com os partidos comunistas continentais; as negociações se arrastaram sem progresso visível, e a operação morreu. De acordo com os regulamentos existentes, os oficiais de inteligência soviéticos não podiam conduzir negociações diretamente; todos os contatos tinham de ser intermediados pelo aparato do partido soviético, o único veículo autorizado a lidar com outros partidos comunistas. O uso desse tedioso canal burocrático provavelmente precipitou o fracasso. Embora esse atraso pudesse ser atribuído diretamente aos soviéticos, os participantes tchecos dessa manobra internacional não podiam criticar abertamente a direção recebida de Moscou.

Após essa experiência abortada, que originariamente prometia novos horizontes nas técnicas de desinformação, a inteligência soviética voltou aos métodos ortodoxos na América Latina. Cheguei lá quando a Operação Thomas Mann estava chegando ao fim. O objetivo desinformacional básico da operação era provar que a política externa americana na América Latina tinha sofrido, após a morte do presidente John F. Kennedy, uma reavaliação e transformação fundamental voltada para uma exploração econômica mais severa e mesmo para uma interferência mais aberta nas condições internas dos países latino-americanos. Segundo a teoria fabricada, o autor da nova política, aprovada pelo presidente Lyndon B. Johnson era o secretário de estado assistente Thomas A. Mann. A impressão que se deveria dar era que os Estados Unidos estavam impondo pressões econômicas aos países sul-americanos que tivessem políticas desfavoráveis aos investimentos do capital privado americano; a Organização dos Estados Americanos (OEA) deveria ser despertada de sua letargia para uma posição anticomunista mais ativa, e as novas ofensivas da CIA deveriam incluir planos para golpes contra os regimes do Uruguai, do Brasil, do Chile, de Cuba e do México. A operação era planejada para alertar o público latino-americano contra a nova linha dura da política americana, para incitar maiores explosões anti-americanas e para rotular a CIA como a autora notória de intrigas anti-democráticas.

A operação, que começou em fevereiro de 1964, iria utilizar somente canais anônimos, disseminando uma série de documentos forjados. A primeira forjicação foi um press release da USIA no Rio de Janeiro, contendo os princípios fundamentais da “nova política externa americana”. O segundo produto desinformacional foi uma série de circulares publicadas em nome de uma organização mítica chamada “Comitê de Luta Contra o Imperialismo Ianque”. Através desse meio, o público latino-americano devia ser alertado para as centenas de agentes da CIA, do Pentágono e do FBI mascarados de diplomatas. O elemento final da seqüência era uma carta forjada, alegadamente escrita por J. Edgar Hoover, diretor do FBI, a Thomas A. Brady. A carta dava crédito ao FBI e à CIA por terem executado com sucesso o Putsch em abril de 1964. O press release forjado da USIA no Rio de Janeiro foi mimeografada e distribuído à imprensa brasileira e a círculos políticos brasileiros seletos, em meados de fevereiro de 1964, num envelope simulado da USIA. Ao press release acrescentava-se uma carta de apresentação supostamente escrita por um empregado local da USIA, o qual afirmava que o chefe americano da missão havia suprimido o documento por ser demasiado franco. Ele revelava ter manobrado para conservar várias cópias, que ele entregava à imprensa brasileira por estar persuadido de que o público brasileiro deveria saber a verdade sobre a situação inteira. Na conclusão, o anônimo remetente desculpava-se por não revelar o seu nome; fazê-lo seria arriscar-se a perder o emprego.

Em 27 de fevereiro, a fraude apareceu no jornal brasileiro “O Semanário”, sob manchetes de página inteira: “Mann fixa linha dura para os EUA – não somos mascates para entrar em barganhas” e o subtítulo: “Ianques só ajudarão o Brasil em troca de concessões”. Um ataque anti-americano acompanhava o texto do press release forjado.

Muitos dias depois, em 2 de março de 1964, Guerreiro Ramos, membro do Partido Trabalhista Brasileiro, fez um discurso no qual comentava a nova política atribuída a Thomas Mann. Ele dizia que, após a morte do presidente Kennedy, os EUA tinham voltado à linha dura de John Foster Dulles. A embaixada americana no Rio de Janeiro publicou uma declaração em 3 de março, assegurando que Mann nunca tinha feito as afirmações atribuídas a ele e que a embaixada nunca tinha emitido tal release. Dois dias depois, o sr. Ramos reconheceu o erro e disse que as afirmações atribuídas a Mann foram baseadas num documento forjado.

Nos meses seguintes, a reação da imprensa e do público às primeiras fases da Operação Thomas Mann mesclou-se às respostas da imprensa às forjicações subseqüentes produzidas pela serviço de inteligência tcheca no quadro da operação. Após algum tempo, o nome Thomas A. Mann tornou-se um símbolo vivente do imperialismo americano para a imprensa esquerdista da América Latina.

Em 29 de abril, o semanário pró-comunista mexicano Siempre estampou um artigo referindo-se ao chamado Plano Thomas Mann Contra a América Latina, acrescentando que no curso de 1964 o plano clamava por uma derrubada dos governos do Uruguai, do Brasil, do Chile e de Cuba, e pelo isolamento do México. O jornal uruguaio Época tratou dessa questão em 20 de maio. Menos de duas semanas depois, o primeiro secretário do Partido Comunista Uruguaio discursou no parlamento, no contexto de uma discussão de problemas de exportação americanos, acusando Thomas Mann de “favorecer cinicamente golpes de estado”. Quando a embaixada americana em Montevidéu publicou no dia seguinte uma declaração, lembrando que o chamado Plano Thomas Mann era uma fraude, o jornal comunista El Popular respondeu em 5 de junho de 1964 com um artigo eloqüentemente intitulado “Mr. Mann: plano de guerrilha para toda a América Latina”. Ainda em 16 de junho de 1965, essa questão reapareceu no jornal mexicano esquerdista El Dia, que estampou um anúncio de quarto de página do “Comitê Nacional Coordenador para Apoio à Revolução Cubana”, no qual se afirmava que em 1964 Mann tinha dirigido a Operação Isolamento, planejada para minar a posição de Cuba como líder da luta anti-imperialista na América Latina.

Para apreender a lógica da Operação Thomas Mann, é preciso recuar vários meses até o momento em que seus iniciadores fabricaram uma série de circulares em nome da organização fictícia “Comitê de Luta Contra o Imperialismo Ianque” que foram distribuídos aos editores de jornais latino-americanos, políticos, administradores públicos e membros de missões diplomáticas. O serviço de inteligência tcheco entregou a primeira dessas circulares logo após o golpe no Brasil, identificando “alguns dos agentes americanos que tomara parte no recente golpe de estado no Brasil”. Circulares adicionais, disseminadas a intervalos regulares, davam “os nomes de vários agentes americanos envolvidos na preparação de um golpe no Chile”. Uma contínua série de circulares sobre a preparação de uma conspiração americana contra o Uruguai apareceu no fim de 1964, de novo especificando agentes americanos alegadamente culpados.

A seleção de candidatos que a inteligência tcheca apresentou ao público como supostos agentes americanos foi assunto comparativamente simples. A indústria editorial americana era abundante de livros e periódicos contendo dados biográficos úteis de diplomatas e empregados de várias instituições oficiais e privadas americanas em operação no exterior. Mesmo sem utilizar material secreto de inteligência colhido por agentes foi possível, pelo simples estudo de material legalmente acessível publicado na América, selecionar candidatos cujos antecedentes biográficos se adaptassem ao propósito do engodo. Apesar de algumas óbvias falhas nas circulares, os editores esquerdistas latino-americanos e as figuras públicas aceitaram-nas como fonte de informação confiável. Em julho de 1964, o público latino-americano recebeu nova “prova” adicional das atividades subversivas americanas, na forma de duas cartas forjadas de J. Edgar Hoover. Ambas eram dirigidas a Thomas Brady, um empregado do FBI. A primeira, uma mensagem congratulatória por ocasião do vigésimo aniversário de serviço de Brady no FBI, datava de 2 de janeiro de 1961. Seu único propósito era autenticar a segunda carta, datada de 15 de abril de 1964, dirigida a mesma pessoa. Nesta carta lia-se:


Washington D.C. , 15 de abril de 1964

Pessoal

Prezado Sr. Brady: uso deste meio para expressar minha apreciação pessoal pelos serviços prestados na realização da “revisão geral”. O que me leva a expressar a minha gratidão é a admiração pela maneira dinâmica e eficiente com que essa operação de larga escala foi empreendida, num país estrangeiro e sob condições difíceis. O pessoal da CIA fez a sua parte bem e obteve uma grande realização. No entanto, os esforços dos nossos agentes foram especialmente valiosos. Estou particularmente satisfeito de que a nossa participação no caso tenha se mantido secreta e de que a administração não tenha sido obrigada a fazer desmentidos públicos. Podemos estar todos orgulhosos da parte vital que o FBI está desempenhando na proteção da segurança da Nação, mesmo para além de suas fronteiras.

Estou perfeitamente consciente de que nossos agentes, com freqüência, fazem sacrifícios pessoais no desempenho dos seus deveres. As condições de vida no Brasil podem não ser as melhores, mas, por lealdade e pela consciência de estar fazendo para seu país a contribuição de um serviço vital senão mesmo fascinante, vocês se apegam à tarefa. É esse espírito que hoje habilita o nosso departamento a desincumbir-se com sucesso de suas graves responsabilidades.

Sinceramente seu,

J. E. Hoover”

Tal como o texto implica, a intenção da fraude era indicar a participação americana direta na derrubada do governo brasileiro de João Goulart. O serviço de inteligência tcheco teria preferido jogar toda a culpa na CIA. A razão para incluir o FBI na conspiração americana era inteiramente prosaica: a inteligência tcheca não conhecia um só exemplar de agente da CIA estacionado no Brasil.

O departamento de [desinformação] dependeu de seus próprios recursos para produzir a falsificação: um arquivo de documentos, cabeçalhos de cartas oficiais, selos e assinaturas de vários órgãos de governo ocidentais, partidos políticos, organizações e funcionários. Os arquivos são constantemente suplementados, mas não são de maneira alguma a única fonte de materiais básicos. Muitos espécimes tornaram-se obsoletos há muito tempo, ou podem não haver material de uma ou várias instituições. Teria sido possível fabricar falsos documentos da CIA sem uma matriz e sem saber os procedimentos administrativos internos da CIA, mas os iniciadores da ação decidiram que tal espécie de forjicação teria aparecido suspeita para o destinatário à primeira vista. A carta forjada de Hoover, no entanto, apresentava outro perigo. As tarefas do FBI como serviço de contra-inteligência dos Estados Unidos são essencialmente defensivas antes que ofensivas na sua natureza; não era plausível que o FBI tivesse tomado parte no Putsch brasileiro. Este contra-argumento foi finalmente afastado com base na consideração de que esses detalhes não eram amplamente conhecidos; a carta de Hoover foi portanto aprovada.

A carta de Hoover apareceu primeiramente em 23 de julho no jornal argentino Propositos (Buenos Aires) junto com uma das circulares produzidas antes. Uma reação em cadeia seguiu-se na imprensa americana, com vários jornais publicando os “fatos” e comentários sobre a nova onda de atividade subversiva americana no continente: última hora, Santiago, 24 de julho de 1964; Vistazo, Santiago, 27 de julho de 1964; El Siglo, Santiago, 28 de julho de 1964; El Popular, Montevidéu, 28 de julho de 1964; Prensa Latina, Montevidéu, 28 de julho de 1964; Marcha, Montevidéu, 31 de julho de 1964; Época, Montevidéu, 1 de agosto de 1964; Combate, Santiago, 1 de agosto de 1964; El Siglo, Santiago, 2, 4 e 6 de agosto de 1964; El Dia, Cidade do México, 17 e 20 de janeiro de 1965; La Gagota, Bogotá, março-abril de 1965; e provavelmente muitos outros.

(...) Pensando sobre a minha missão, percebi que a situação na América Latina não estava madura para nenhuma mudança qualitativa nas nossas atividades de desinformação ali. Um retorno à operação Druzba era impossível. Onde quer que eu mencionasse a Druzba para meus colegas, sua reação vinha acompanhada de comentários do tipo: “bastardos russos”. A Operação Thomas Mann, representativa das chamadas operações de documentos, que consistiam na produção de falsificações e na sua distribuição anônima através do correio antes que por meio de agentes vivos, estabeleceu o padrão para novas atividades. As operações de documentos tinham certas vantagens. Não estavam ligadas a riscos operacionais, o dispêndio financeiro era mínimo, e o público latino-americano estava disposto a acreditar em informação recebida mesmo através desses canais extremamente dúbios.

Repetidas refutações das fraudes Mann e Hoover pelas autoridades americanas foram rejeitadas pela imprensa esquerdista; ao contrário, os desmentidos foram considerados manobras evasivas e novos indícios da validade da informação recebida.

Reportagens sobre a “nova política americana na América Latina” e sobre os “conspiradores na CIA” também penetraram a mídia do leste europeu, da China e de Cuba. Os departamentos de inteligência tcheco e soviético não interferiram nesse processo, mas deram-lhe a mesma rédea livre concedida aos partidos comunistas latino-americanos. É interessante, no entanto, que os comunistas e a imprensa esquerdista latino-americana tenham-se tornado as vítimas primárias da fraude, uma vez que a mídia conservadora não acreditou e não foi ludibriada pela mensagem de desinformação da Operação Thomas Mann'.

Apêndice - Detalhes acrescentados pelo autor no livro The KGB and Soviet Disinformation: an Insider’s View, Washington, Pergamon-Brassey’s, 1985, p. 8:

Muitas vitórias foram obtidas nos países em desenvolvimento perturbados por alto desemprego, complicados problemas sociais, lingüísticos, tribais e econômicos, nacionalismo agressivo, influência dos militares na política e considerável ingenuidade entre os líderes políticos. A América Latina, com fortes sentimentos anti-americanos, foi particularmente fértil e vulnerável às provocações do Leste Europeu. Usando o México e Uruguai como bases operacionais para o resto do continente, a inteligência tcheca enfocou sua atenção primária no Brasil, na Argentina e no Chile, assim como no México e no Uruguai.

Em fevereiro de 1965, o serviço enviou-me a vários países latino-americanos, incluindo Brasil e Argentina, para fazer uma avaliação pessoal do clima político local e buscar novas idéias operacionais. Na época, a inteligência tcheca tinha numerosos jornalistas a sua disposição na América Latina. Ela influenciava ideologicamente e financeiramente vários jornais no México e no Uruguai e mesmo possuía um jornal político no Brasil até abril de 1964. Mas a desinformação estava tradicionalmente associada em larga medida a técnicas de falsificação. A Operação Thomas Mann estava chegando ao fim quando cheguei ao Brasil”.

segunda-feira, março 14, 2005

"Veja" e o Foro de São Paulo

A equipe de "Veja" deve ser leitora assídua de alguns blogs que pululam na internet. Especialmente aqueles que demonstram sua contrariedade com o Olavo de Carvalho toda vez que ele cita o "Foro de São Paulo" em algum artigo. A pregação destes blogs é mais ou menos a mesma: "não agüentamos mais ouvir falar em Foro de São Paulo".

Acho que "Veja" atendeu exatamente a estes leitores na matéria em que pretendeu expor as ligações entre as FARC e o PT.

Este seria a única explicação coerente para que numa matéria que se pretenda "reveladora" destas ligações, seja tão tímida em nomear ao
Foro de Saão Paulo (FSP) como o elo formal de ligação ou contato entre as FARC e o PT.
Tecnicamente Veja cita o Foro, mas sequer o nomeia. Leiam o trecho que pretende informar ao leitor sobre o "affair": "[Os contatos PT-FARC]
começaram em 1990, quando o PT realizou um debate com partidos políticos e organizações sociais da América Latina e do Caribe para
discutir os efeitos da queda do Muro de Berlim".


Pela matéria PT-FARC tiveram um encontro tipo chá-das-cinco num longínquo ano de 1990, falando da queda do muro de Berlim. E nada
mais. Parece que não houve mais nada nestes 15 anos.

Ao contrário, fora do Brasil, transbordam indícios de que os movimentos de esquerda no continente, como a vitória de Vasquez no
Uruguai, Kirchner na Argentina e o próprio Lula no Brasil tiveram seus passos e ações coordenados pelo FSP. Atualmente o seqüestro e
assassinato de Cecília Cubas no Paraguai tem recebido uma série de reportagens do jornal ABC Color de Assunção que
relaciona FARC – FSP e os seqüestradores de Cecília.

A reportagem de Veja, com o objetivo de "denunciar" acaba por colocar o assunto cada vez mais nos subterrâneos, pois sem maiores
investigações, coloca toda a responsabilidade sobre os contatos PT-FARC aos radicais do partido que "serão expulsos se pegaram o
dinheiro das FARC".


Se o próprio presidente do país, Lula é o presidente do FSP, fica claro que durante todos estes anos ele mesmo teve contatos mais que
formais com toda a cúpula das FARC. Uma contribuição de cinco milhões de dólares não poderia ser coisa de pessoa física, tanto do lado das
FARC como do lado do PT.

A conclusão final é de quem "não agüenta mais ouvir falar em Foro de São Paulo" também é o PT . Veja simplesmente atendeu os desejos destes
leitores.
A nós pobres leitores, resta continuar ignorando o assunto "Foro de São Paulo" por completo.

sexta-feira, março 04, 2005

Estatuto do desarmamento, a “détente” cabocla


Cortador de unhas: a arma suprema de defesa pessoal no Brasil, num futuro próximo.

Ao tempo da guerra fria, especialmente nos anos 80 na gestão de Ronald Reagan, vimos um movimento articulado mundialmente em torno do pacifismo e contra a proliferação de armas nucleares. A Europa, ameaçada pelas ogivas nucleares dos países da cortina de ferro, queria impedir a instalação do sistema defensivo Pershing II por conta de tal pacifismo. Erroneamente, demandavam muito mais as reduções dos estoques de armas nucleares do ocidente do que das armas em poder dos comunistas, de modo que acabavam por dificultar sua própria defesa. Este movimento era chamado “détente”.

O "leit-motiv" destas manifestações de aversão à posse ou proximidade com as armas (de fogo e/ou nucleares) era a idéia de que armas têm um poder transformador sobre o ser humano, que elas mesmas acabam induzindo o ser humano a cometer crimes.

Esta mesma idéia básica é o que permeia a polêmica em torno das armas de destruição em massa não encontradas no Iraque. Segundo esta visão, a falta de evidências da presença de tais armas, tornaria Saddam Hussein automaticamente menos culpado ao olhos de boa parte da opinião pública mundial.

É a volta ao conceito de que o ser humano em sua essência é bom e que o torna mau é a sociedade – e as armas.

Tal é o discurso por trás das razões do “estatuto do desarmamento” no Brasil.
O problema são as armas. Elas tem o poder de modificar o ser humano “bom” e torná-lo “mau”. Por isso a necessidade de uma urgente “détente” cabocla para amenizar esta ameaça.

Seguindo o mesmo raciocício lógico – como o estatuto do desarmamento só recai sobre as armas de fogo – podemos concluir que nem todas as armas teriam este poder transformador sobre o ser humano. As armas teriam então qualidades “ativas” (modificariam a vontade do ser humano) e “passivas” (não modificariam esta vontade). As primeiras são as armas de fogo. As segundas são quaisquer coisas usadas como armas – exceto as armas de fogo.

Se o governo pensa que são as armas de fogo em poder da população brasileira as verdadeiras “armas de destruição em massa” que ameaçam a paz no Brasil, então podemos concluir que as ações do nosso ministro Thomaz Bastos em descriminalizar o crime estão corretas.

Sugiro uma opção ainda mais radical: que soltem os criminosos e prendam em seus lugares - de preferência em prisões de segurança máxima, sem direito à atenuentes - as armas "ativas". Estas sim as verdadeiras culpadas pelas altas taxas de criminalidade no país.

E a defesa do cidadão? Bem, de minha parte estou estudando detidamente o uso do cortador de unhas como arma de defesa pessoal. Outro dia mesmo, verifiquei com surpresa que este é um dos ítens que são apreendidos como “armas” nos aeroportos. Deve ser a a escolha correta.

Pelo menos - se não evitar o assalto - vou poder me livrar de futuras arranhadas...

Justiça "social" = injustiça

Paulo Leite, em artigo brilhante no site de Diego Casagranda, cita o livro "America’s Thirty Years War", escrito em 1998 por Balint Vazsonyi. Vazsonyi, pianista e intelectual húngaro que fugiu do comunismo de sua pátria para os Estados Unidos.

Nele o autor define acertadamente o que é a tão falada "Justiça Social":

"As definições de justiça social acabam caindo em um de três pontos principais:

“(1) alguém deveria ter o poder de determinar aquilo que você pode ter, ou

(2) alguém deveria ter o poder de determinar aquilo que você não pode ter, ou

(3) alguém deveria ter o poder de determinar o que tirar de você para dar a outros que vão receber sem ter nenhuma obrigação de ganhar ou merecer.”


Resumo: Alguém (o Estado, ou melhor os burocratas estatais) irão definir o que é JUSTO cada pessoa alcançar ou obter através do seu trabalho e esforço pessoal, para dar aos outros que não teriam esta capacidade por vários motivos.

Isto é comunismo em sua pior vertente.

Pessoas são seres dotados de discernimento para não só lutar por seu lugar ao sol mas também ajudar aos outros em seu caminho.

Ao Estado não cabe o monopólio da caridade. Ela é uma característica inalienável do ser humano.

Alguns ainda vão dizer que Justiça Social é a forma de criar uma sociedade cristã. O capitalismo seria uma forma anti-cristã de sociedade pois colocaria os homens em "desigualdade", diferentemente do conceito de que "todos os homens são iguais".

Lembro que o capitalismo, ou pelo menos a vertente liberal do capitalismo, que prega que cada homem deve desenvolver seu potencial de acordo com suas capacidades, tem mais a ver com o cristianismo do que possa parecer.

Em Tessalonicences 2 capítulo 3 versículo 10 lemos (tradução Almeida) :
"Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também".

Isto é bem distante do conceito de justiça social, welfare state e "teologia da libertação", não é mesmo?

quinta-feira, março 03, 2005

Matéria da ZH sobre a homenagem ao guerrilheiro assassino no RS.

Abaixo carta à ZH, que publicou na edição de hoje 03/03/05 uma matéria
sobre os protestos da comunidade militar (e quem tem algum senso de
justiça) sobre a proposta de dar nome de rua ao assassino covarde do
bravo tenente Mendes Jr. em 1970.
A matéria saiu AQUI (tem de ser cadastrado para ler)

---------- Forwarded message ----------
From: Luís Afonso Assumpção
Date: Thu, 3 Mar 2005 14:59:05 -0300
Subject: Matéria da ZH sobre a homenagem ao guerrilheiro assassino no RS.
To: Atendimento ao Leitor

Prezados Senhores:

Causou espanto a forma enviesada que ZH reportou o caso da homenagem
do guerrilheiro Diógenes Sobrosa - sendo questionada na câmara.
Nem mesmo o autor do projeto de lei, o vereador Ervino Bresson, usou
palavras tão brandas em relação ao Diógenes.
Bresson reportou à ZH que "disseram que ele matou um policial com
porretada na cabeça".
Enquanto ZH, numa covarde crítica ao questionamento da "homenagem"
destilava desdém : "Tudo porque Diógenes esteve envolvido em 1970 na
morte do tenente da Polícia Militar de São Paulo Alberto Mendes
Júnior".

"Esteve envolvido"!!?? Por Cristo!
Diógenes e seus comparsas (Carlos Lamarca incluso) mataram , ou
melhor esmigalharam o crânio do Tenente Mendes - que havia se rendido
amistosamente ao grupo guerrilheiro para poupar a vida dos seus
comandados - à coronhadas!

Parece que a guerra fria ideológica - pelo menos para ZH - não acabou.
O único lugar em que os FATOS são mencionados - de raspão - foi na
entrevista com o criador do monstro, o vereador Besson.

A matéria de ZH reduziu a toda a dimensão do fato de um criminoso
covarde estar sendo homenageado com nome de rua na capital a uma
diatribe ideológica.

O vereador Besson pelo menos admite: "Estou num brete. Se ele foi
torturador de policial, também foi torturado pela polícia. Temos de
analisar os dois lados. Quero me
inteirar do assunto".

Apesar de errar na avaliação - afinal dizer que ele foi "torturador de
policial" chega a ser ridículo. O caso não foi de tortura mas de
extermínio. E Diógenes ser "torturado pela polícia" chega a ser
estúpido , visto que Mendes não só foi torturado, mas veio a falecer
disto. Enquanto nosso assassino curtiu muito bem sua vidinha,
falecendo aos 56 anos em 1999.

Se ZH tiver um pouco de amor aos fatos e não das versões , publique a
história real do tenente Mendes.
Aqui está um dos links disponíveis.
usina
de letras

Apesar da posição do vereador Besson, quem está num "brete" é a Zero
Hora: afinal ela está a cada dia se parecendo com um veículo de
desinformação ideológica do que realmente um jornal.
A campanha "ZH mente" dos tempos do governador Olívio Dutra está
virando uma realidade no final das contas.

Luis Afonso Assumpção
_____________________

luis.afonso@gmail.com
http://againstred.blogspot.com
http://la3.blogspot.com

--
_______________________
Luís Afonso A. Assumpção
luis.afonso@gmail.com
http://againstred.blogspot.com
http://la3.blogspot.com

terça-feira, março 01, 2005

Ilha das Flores: Esta não é a nossa vida

Meu artigo "O Homem que copiava matou um cara na Ilha das Flores", sobre o cinema fake-realista de Jorge Furtado rendeu alguns e-mails de leitores interessados na matéria da Zero Hora citada no artigo.
Pois bem, aqui está a íntegra a matéria intitulada "Esta não é sua vida" publicada no segundo caderno da Zero Hora de 13 de março de 2004, por ocasião dos 15 anos do lançamento do filme.
Tirem suas conclusões.
O interessante é que durante 15 anos a voz dos moradores sequer foi ouvida por algum veículo da grande mídia. Pelo menos nesta ocasião, a Zero Hora cumpriu seu dever de informar e descortinar a realidade, deixando um pouco de lado a os confetes sobre esta obra "fundamental" do "cinema gaúcho" como é a praxe. O rei ficou nú.




Moradores contestam imagem da comunidade apresentada em "Ilha das Flores"

"Não era nada daquilo"

Janaína Gonçalves da Silveira, 25 anos, estava na cena em que os moradores da ilha recolhem comida.

Ela recorda que as crianças realmente corriam atrás dos caminhões que iam até a Ilha Grande dos Marinheiros para descarregar os alimentos rejeitados ou com prazo para vencer.

- Filmar era divertido, era bem diferente, mas a gente estava pensando também no dinheiro que iria receber.

Janaína só conseguiu assistir a Ilha das Flores pela primeira vez no ano passado, e comenta que teve de agüentar os comentários que seus colegas do DMLU faziam sobre o filme.

- Não era nada daquilo. O filme dizia que a gente brigava com os porcos.

"Não vivíamos com os porcos"

Eva Gonçalves Machado, 62 anos, vive desde 1972 na Ilha Grande dos Marinheiros. Diz que é um bom lugar para morar, apesar de não ter água encanada e só contar com luz elétric a há uns 10 anos.

- É bom aqui. Se pode ir a Porto Alegre de bicicleta, de carona, até a pé.

Mas o tom de voz de Dona Evinha muda ao falar do filme Ilha das Flores. Ela participou da cena que mostrava adultos e crianças esperando para entrar num pátio e recolher restos de comida. Ao lembrar como foi a filmagem, ela conta que a produção deu cachorro-quente e refrigerante para quem estava atuando. Ri quando recorda que os câmeras do filme subiam uns na costas dos outros para conseguir um ângulo melhor, mas reclama, irritada:

- Eles nos mandaram entrar no pátio junto com os porcos. A gente não fazia isso, não dividia comida com os porcos. O caminhão da Ceasa vinha no sábado, e o dono da granja, que criava porcos, separava em tonéis o que ele ia doar para o povo e o que ia para os animais.

Sua filha, Maria Solange Gonçalves da Silveira, 30 anos, também figurou na cena. Ela lembra que, naquela época, não havia nada para fazer na ilha.

- Foi uma festa, era novidade. Eu pensei que seria atriz. E eles disseram que iam voltar para mostrar o filme, mas estamos esperando até hoje.

Solange viu Ilha das Flores em 2002, ao lado de colegas do DMLU, e ficou revoltada:

- Eu dizia que não era eu, que não estava no filme.

Dona Eva conta que viu o filme no Cine Avenida, no início dos anos 90. Foi toda alegre, brincando que tinha o papel principal, ela diz que achou o curta "um esculacho":

- O porteiro do Avenida me perguntou o que eu achei. Respondi que não gostei, que estava uma porcaria.

"O filme devia deixar claro que é ficção"

Gineo Silva, 40 anos, era um dos meninos que corria atrás do caminhão. Atual vice-presidente da Associação dos Catadores de Material de Porto Alegre, lembra que na década de 80 caminhões de supermercados distribuíam de porta em porta frutas e verduras machucadas e produtos com validade por vencer. A partir de um momento, os caminhões largavam tudo na granja que aparece no curta Ilha das Flores. Lá, os alimentos eram divididos entre o que iria para os porcos e o que seria doado.

- O filme foi prejudicial para a ilha. Senti que nós, seres humanos, somos inferiores aos porcos. A gozação era na escola, nos ônibus.

Segundo Gineo, os adultos teriam recebido o equivalente a R$ 20 e as crianças, R$ 5 pela filmagem de Ilha das Flores. Ele conta que já aconteceu de universitários visitarem a Ilha Grande dos Marinheiros achando que a população divide comida com animais.

- O filme devia trazer no início uma tarja bem grande, dizendo "Esta é uma obra de ficção".

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

"Nadando" vai para o Rio. E sobrevive!!!



Estive alguns dias no Rio de Janeiro, em fevereiro.
Foi minha segunda visita. A primeira, num longíquo 1988 - ao tempo do governo Moreira Franco ( o prefeito eu não lembro - seria Saturnino Braga?).

Minha percepção, distante 18 anos da primeira visita, é bem diferente do que poderia supor: achei o Rio bem melhor agora do que naquela época.

Minhas recordações de então - fiquei em Copacabana- era de que o centro do Rio era um lugar que não poderia , sob hipótese alguma, transitar fora do horário comercial. Lembro de um pequeno passeio por lá em que os odores de urina, sujeira eram predominantes. Assim como a superpopulação de mendigos e "moradores de rua".

Pois bem, depois desta última visita, confesso que achei o Rio relativamente mais seguro do que Porto Alegre.

No Rio andei basicamente à pé ou de ônibus de linha regular, trajado como um turista típico (ou seja: um alvo fácil). Andei pelo centro velho do Rio num domingo à noite, por exemplo. Uma coisa impensável em Porto Alegre.

Mas o que mais me chamou a atenção foram a limpeza e o baixo número de meninos de rua e mendigos. Porto Alegre seguramente tem mais crianças pedindo nos sinais do que o Rio.

A percepção nacional é de que o Rio é a capital mais violenta do país. A guerra do narcotráfico é um pesadelo para todos os moradores do Rio.
Mas parece que esta triste realidade ainda não contaminou todos os aspectos da vida na Cidade Maravilhosa.

Para tirar esta dúvida, resolvi olhar as estatísticas sobre a taxa de homicídios no Brasil e tive uma surpresa: O Rio ou São Paulo não estão nos primeiros lugares!!!

Segundo o site CRISP - centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública de Minas Gerais lista de cidades com maior número de homicídios por 100.000 habitantes no Brasil (base: 2000) é

1) Recife - PE
2) Vitória - ES
3) Cuiabá - MT
4) São Paulo - SP
5) Rio de Janeiro - RJ

Porto Alegre aparece em 12 lugar.
A capital mais segura é Florianópolis.

Ou seja: as grandes capitais do Brasil como Rio e São Paulo não são os lugares mais violentos do Brasil. São sim os lugares onde a violência é mais noticiada.

Por coincidência Rio e São Paulo são as cidades onde estão localizadas as maiores redes de televisão do Brasil...

Não sei da opinião dos demais mas de minha parte, "o Rio de Janeiro continua lindo"...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Volto dentro de alguns dias

Gente: Quem está estranhando o fato de o blog não estar sendo atualizado desde 01 de fevereiro, divulgo os motivos:
- Trabalho, muito trabalho
- Férias (alguns dias)

Volto somente dentro de uns 7 dias ainda...

LA (direto de Passo Fundo/RS)...

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

A contra-revolução de 1964 – os verdadeiros heróis.

A contra revolução de 1964 – os verdadeiros heróis.


Há alguns dias se encerrou mais um Forum Social Mundial em Porto Alegre. Na imprensa local, somente elogios e opiniões favoráveis aos “lucros” provindos do Forum à cidade.
O contraditório praticamente foi varrido para debaixo do tapete ou perdido nas páginas policiais – que relataram os casos de violência sexual e física entre os integrantes “pacifistas” do evento.

O pior é que as vozes contrárias a invasão das hordas bárbaras do FSM em Porto Alegre também são raras lá fora.

Analisando a situação do Brasil e do mundo neste início de milênio, temos razões para nos preocupar. A sensação de que a sociedade - ou pelo menos aquilo que é vendido como “opinião pública”- está firme num avançado processo "panelização" dos sapos. A água está quase a ferver.

A gloriosa recepção ao proto-caudilho truculento Hugo Chavez reacende as suspeitas de um processo revolucionário não mais sub-reptício: aflora à superfície sem que nenhum dos agentes de alerta da sociedade mostrem alguma vontade de resistir à maré vermelha.

Para um momento como este é necessário e obrigatório lembrar um pouco o passado. Aliás, nem lembrar, mas recuperar a verdade, num tempo em que a versão predomina.


O texto "A Nação que Salvou a Si Mesma" se refere aos verdadeiros heróis da contra-revolução de 1964.
Leiam com atenção. Este relato impressionante não é repetido há muito, muito tempo.
E espalhem.

Aproveito para dispensar as minhas saudações e agradecimentos eternos aos heróis anônimos ou não que puderam mudar o curso da história recente deste país, desviando-nos na última hora do precipício.

Fica para todos nós a mesma sensação de urgência, de necessidade de resistir a este estado de coisas atual, que parece uma cópia do período pré-1964.

Será que teremos em nossa geração a mesma linhagem de heróis para fazer o mesmo?

Eis a lista de alguns heróis que não devemos esquecer:

- Dona Amélia Molina Bastos (dona de casa)
- M F do Nascimento Brito (Jornal do Brasil)
- André Gama (cidadão e pequeno empresário)
- João Calmon (Diários Associados)
- General Humberto de Alencar Castello Branco
- Magalhães Pinto (governador MG)
- General Olympio Mourão Filho
- General Amaury Kruel
- General Justino Alves Bastos
- Carlos Lacerda (Governador RJ)
- Ildo Meneghetti (Governador RS)
- Associações diversas e mais de 1.000.000 de brasileiros que marcharam contra a revolução vermelha.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Forum Social Mundial 2005

Forum Social Mundial 2005


No sábado, fizemos uma excursão exploratória no coração do totalistarismo caboclo: o acampamento da juventude no Forum Social Mundial em Porto Alegre.
Que gente jovem ache tudo uma "festa", tudo bem, o brabo é a celebração de assassinos como Stálin e Che Guevara como paladinos da "justiça social". O pseudo-pacifismo só revela uma raiva quase assassina para todos que se colocam "contra" os seus projetos de revolução....
Vejam o resultado AQUI

quarta-feira, janeiro 26, 2005

O homem que copiava matou um cara na Ilha das Flores

Duas semanas atrás, lendo a coluna de Diogo Mainardi, me deparei com o consagrado estilo ácido do autor agora apontando para um alvo menos gasoso do que o governo brasileiro, os impostos ou a sub-cultura nacional. Voltando a falar de gente que, ou está no governo – como foi o caso do memorável texto em “homenagem” ao Ministro Gil – ou que gravita em torno, Mainardi traçou um demolidor perfil do cineasta-e-bulldogue-do-PT Jorge Furtado.

Minha surpresa ficou na reação do homenageado. Lançou uma “nota oficial” (eles adoram isso) esclarecendo que o assunto das “calúnias” de Diogo serão contestadas uma a uma. Mas o pior foi isso: “Informamos que serão processados também qualquer jornal, site na internet, revistas ou quaisquer publicações que, com ou sem autorização expressa do jornalista e da revista Veja, também publicarem o referido artigo, total ou parcialmente.”

Que exemplo de democracia e de tolerância com o “contraditório” - como o partido do cineasta não cansa de bradar aos quatro ventos...

Apesar de ser uma querela menor, o episódio é um eficiente polaroide do comportamento da esquerda nestas situações.

Vamos lá: Jorge Furtado sempre extrapolou seu talento cinematográfico para comentar absolutamente qualquer coisa, especialmente na política. Nos quatro anos de Olívio Dutra ele agiu como um defensor não-oficial do governo do PT. Não se esquivou de lançar as mais descabeladas acusações para defender o “seu” governo. Uma delas fazia crer num complô da Rede Brasil Sul de Televisão (RBS) para “dar dinheiro” para a Ford no início do governo Olívio Dutra (“Não tem precedentes a campanha movida pela RBS para que o governo do estado entregue o máximo de dinheiro público possível para a Ford” escreveu ele.)
O mesmo governo de Dutra usou dos serviços de Furtado também para abrir fogo lateral contra seus críticos (Denis Rosenfield foi um deles como descrito no artigo de Plínio Zalewski - “Faz um mês o PT resolveu desqualificar o Denis. Primeiro colocou o vice-governador[Rossetto] para atacá-lo. Agora, utiliza-se de um patrimônio gaúcho, como Jorge Furtado.”).

Em suma, Furtado nunca se furtou em defender os governos de quem ajudou a eleger, agindo como um cão-de-guarda zeloso de seu dono.

Mas a manipulação não é só uma qualidade do cineasta quando envereda pela política. Ledo engano.

A maior obra do cineasta até agora, aquele que ele constumava se identificar, que lhe deu reconhecimento internacional foi o filme-documentário “Ilha das Flores”. Segundo o próprio crítico Plinio dizia que “No curta que percorreu o mundo e acumulou prêmios, a miséria e indignidade de um ponto esquecido do nosso Estado globalizou-se. Ainda hoje, não há como não lembrar do cineasta gaúcho, quando passamos os olhos pelas imagens da TV ou fotos dos jornais e que nos deprimem com as cenas dos mais de trinta milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da miséria”. “Ilha das Flores” - que mostrava ao final pessoas disputando comida que nem aos porcos era dada – causava a mesma sensação de revolta com o mundo, com a desigualdade do Brasil e é claro, com o capitalismo gerador destas desigualdades.

Bem, podemos dizer que o capitalismo foi mesmo o gerador desta desigualdade, mas por outros meios. Num artigo publicado na Zero Hora do ano passado, abril de 2004, por ocasião dos quinze anos do curta, foi nos revelado que as cenas que causaram tal consternação eram pura farsa!
Além do fato de que “Ilha das Flores” não ter sido filmado na dita cuja, mas na “Ilha dos Marinheiros”, o cineasta pagou o entre R$ 5,00 a R$ 10,00 reais – mais refrigerantes – para os moradores “interpretarem” as cenas que disputavam comida com os porcos. Eles nunca tiveram de de se alimentar das sobras dos suínos. Os moradores só foram saber como foram retratados no filme muitos anos depois, pois nunca viram ou tiveram acesso à obra no cinema. Opiniões bastante fortes reclamando dos efeitos discriminatório e até de atração turística em que foram transformados por causa do tal filme foram relatadas pelos moradores do local. Na matéria, Jorge Furtado apenas deu um habitual “sem comentários”.

Com sua farsa revelada, não havia mais outro jeito. Então lá foi ele – como um criminoso pego com a mão na botija, quinze anos depois – refazer os pequenos danos (e os grandes lucros) que sua câmera acusadora havia causado: uma matéria do observatorio de imprensa divulga “ Furtado retorna à Ilha das Flores, na verdade, à Ilha dos Marinheiros, em Porto Alegre, onde filmou seu curta de 1989, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Jorge ganhou projeção nacional e internacional - mas o que ocorreu com aquelas pessoas que viviam no limite da exclusão social? Ele destinou parte da verba a melhorias no local - construiu uma quadra de esportes, um prédio com sala de aula e cozinha. E filmou tudo isso, que a comunidade queria (e conseguiu), para expressar a fraternidade.”

Entenderam o que foi descrito com “expressar fraternidade”? Para Furtado, bem como para boa parte da esquerda, o lema de os “fins justificam os meios” ainda é uma realidade. E se os meios forem descobertos? Doe uma cesta básica para os infelizes. Isto ainda pode render divedendos como uma bela reportagem sobre “responsabilidade social”.
Ah! Mas nunca esqueça de processar os desafetos, pois tem de ter ternura, mas sem perder a dureza jamais.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Jogo dos Sete Erros: Comunistas e Nazistas



Reparem nesta passeata neo-comunista em Moscou, Rússia.
O braço levantado, a expressão no rosto destes militantes parecem saídos dos filmes do terceiro Reich.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Até a última bala...

O governo acaba de dar mais uma volta no torniquete.

Se para ser diplomata nem é necessário saber língua estrangeira, bastando ter “caspa nos ombros”, para a segurança pessoal o governo Lula caminha para a mesma linha minimalista-suicida.

Desde o ano passado é proibido à população em geral a posse de qualquer arma de fogo, conforme previsto no “estatuto do desarmamento”. Assim mesmo, foi concedido a possibilidade de posse de armas para casos especiais (militares, seguranças, entre outros). Pois bem, agora nem mesmo os casos em que se libera a posse de armas terão assegurado o seu direito à segurança: foi aprovado um outro decreto que limita a posse de munição a, pasmem, cinquenta projéteis ao ano!!!

Quer dizer que o governo federal definiu o número máximo de bandidos – aos que ainda podem portar armas – contra os quais podem se defender. Aos bandidos, sabendo exatamente quem tem posse de armas, cabe contar. Ao final do quinquagésimo disparo, podem enfim praticar impunemente seus crimes.

Uma notícia tão aterradora, até kafkafiana, para o meu espanto ainda maior, recebe um tratamento completamente amorfo e anódino de nossa imprensa e opinião pública.

Além de impedir a completa possibilidade do cidadão proteger o seu patrimônio, a sua vida e a de sua família,somos brindados ainda com o impossibilidade de usá-las, caso sua posse seja concedida.

Este é ou não é um prenúncio de algo maior? Qual seria a intenção de um governo que impede, primeiro pelos meios constitucionais – não atacando o crime organizado, liberalizando os critérios de concessão de condicionais, descriminalizando o tráfico de drogas, tudo dentro de um rótulo de “debate com a sociedade” em que se faz tudo, menos debater com esta sociedade – depois pelos meios ilegais e de intimidação do indivíduo – estatuto do desarmamento – a possibilidade mínima da sociedade ser defendida e de se defender por conta própria?
As possibilidades de realização de um governo que tem o congresso nas mãos, o controle do judiciário e a garantia de não-reação popular são infinitas.

A nossa última garantia contra um governo autoritário seriam os militares. O problema é que eles estão anestesiados, esperando a Amazônia ser invadida pelos americanos.

O que resta? Se houver mesmo um avanço do governo federal nesta direção – a de um totalitarismo “light” à la Chavez, que vai se endurecendo gradativamente – não há chances dentro de uma estrutura legal. A definição do que é legal ou permitido vai ser continuamente encolhida, até que estejamos fora da sua linha demarcatória. Restarão então três saídas: a resistência compulsoriamente “ilegal” ou a saída do país.
Ah, esqueci da terceira. Esta é mais simples: é uma sugestão a todos aqueles que ainda tem a possibilidade de usar armas de fogo de que não gastem todos os 50 projéteis de sua “libreta de racionamiento” de munições. Guardem esta última bala. Ela pode ser o passaporte para a única saída possível.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Presidente revela nova regra para diplomatas no Brasil: sai o inglês, entra o "caspa? Eu??"

Depois de revelar o seu antiamericanismo infantil tornando o domínio na língua inglesa não mais eliminatório para o ingresso de novos alunos no Instituto Rio Branco, o governo revela o que pode ser decisivo.

O ministro Celso Amorim foi escolhido como titular do Ministério de Relações exteriores do Brasil “porque tem caspas sobre os ombros e isto é povo”, proclamou o Presidente da República.

Recomendo urgentemente aos laboratórios locais que coloquem no mercado o produto definitivo para os aspirantes à carreira diplomática: um xampu "pró-caspa".
Mas sem instruções em inglês, plís!

terça-feira, janeiro 18, 2005

Pedro Bial e Olavo de Carvalho

Pedro Bial , em entrevista no site Brazil-brasil.com:

"Eu gosto de algumas pessoas que até tenho medo de dizer e ser apedrejado... Por exemplo, acho o Olavo de Carvalho da maior importância, ele às vezes diz coisas que têm de ser ditas."

Nunca gostei muito deste cara, ainda mais sendo apresentador da coisa mais chula da TV brasileira que é o BBB.

Mas o cara assumir que gosta de Olavo de Carvalho, tem de ter peito...
Pontos para ele. Mas ainda está no vermelho...

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Quem anda linkando o "nadando"

Depois que instalei uma ferramenta de pesquisa às visitas ao meu site tenho descoberto um pouco sobre a percepção do público ao meu blog.
Uma das coisas que me chamou a atenção é a audiência portuguesa ao meu blog. Muitas páginas dedicadas ao liberalismo de além-mar tem meu blog linkado a elas.
Descobri agora um Site em francês sobre blogs portugueses , que coloca o "nadando" entre os melhores blogs na lingua de Camões.

Segundo eles "Voici le TOP BLOG Portugalmania, dans lequel figurent les blogs portugais jugés de qualité"

Só tem de explicar que o meu blog é em português mas não é de Portugal, ora pois!!!
Mas os co-irmãos do lado de lá do Atlântico são sempre bem-vindos....



Novo Blog: Livre Pensamento

O blogueiro Luiz Simi (um brasileiro residente em Munique na Alemanha) me envia um link para o seu blog, o Livre Pensamento.

Muito bom!

O Luiz faz - na apresentação do seu blog - uma definição bem clara dos assuntos a tratar: nada de assuntos pessoais, somente dissertação sobre o foco de atenção - a disseminação dos conceitos liberais em economia, mais cultura e filosofia.

Admiro quem consegue fazer esta diferenciação: eu fico mais á deriva, assuntando o que me vem à mente.
Como os leitores devem perceber os assuntos pessoais acabam aflorando por aqui de vez em quando.
Mas só a pontinha do iceberg, de modo a torná-los uma pouco mais abrangentes.

Outra coisa que me chamou a atenção é que o meu blog (com as devidas autorizações, certo) está linkado como "Nadando contra a maré vermelha:liberalismo e bom humor"...

Nunca tinha pensado que meus escritos eram bem-humorados.

Eu, que imaginava meus últimos posts meio lima-limão (aquilo que começa docinho e depois deixa um sabor amargo persistente ao final), que bom que alguém tenha encontrado algum bom humor debaixo do ácido....

domingo, janeiro 16, 2005

Novo Blog do Caio Rossi

Caio Rossi botou o seu "evanescências" no ar.

E começa bem!!

evanessenciaS: "
Trechos da primeira aula do Curso de Filosofia do
professor Olavo Carvalho em POA
21 de agosto de 2004, sala 07, sede da Advb, Porto Alegre
Partes removidas: [...]
Meus comentários inseridos: [ ]"

O Cristão e o Tsunami

O blog do André Oliveira - "O esquisito" tem um post interessante, que reproduzo aqui:
No fundo, no fundo, lá no fundinho mesmo, a esperança de todo ateu é de que Deus seja muito mais misericordioso do que admitem os crentes. E é isso que os mantém vivos.

O mais interessantes são os comentários de ateus e cristãos , principalmente sobre o Tsunami Asiático.

Uma delas diz que os cristãos, por força de sua crença, teriam de ser protegido pro Deus da fúria do Tsunami.
Ou que curasse membros amputados de cristãos.

Eu sou menos exigente: se Deus pelo menos concedesse aos cristãos que não tivessem os pneus de seus carros furados numa noite de chuva no meio do nada, estava bom.

Mas o ponto não é este: para mim Deus não é o gênio da lâmpada com pedidos ilimitados. Quantos cristãos foram atirados aos leões durante o Império Romano?

Aliás do que adiantaria salvar alguns cristãos de uma morte trágica se a morte ainda lhes seria garantida, em qualquer ponto no futuro?

O compromisso de Deus para com a vida eterna em quem acredita em suas palavras vai bem mais longe do que isso. A morte não é um obstáculo a ela, para quem a entende. Mas também não é um caminho para ela.

Deus pode estar agindo sim nestas manifestações de ferocidade natural dos últimos dias, mas não terá como "salvar" todos os cristãos de cada parte afetada do globo. A salvação será garantida de outras maneiras...

Então, o jeito é cada um resistir às intempéries como pode...




sábado, janeiro 15, 2005

Língua Inglesa (Editorial Estadão)

Este editorial do Estadão de hoje não deixa dúvidas sobre o nível
infantil do anti-americanismo que domina as discussões sobre a
política externa do governo Lula.
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EDITORIAIS O ESTADO DE S.PAULO

Quinta-feira, 13 de janeiro de 2005


O fator 'senso de ridículo'





O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, diz que a
decisão de excluir o inglês das provas eliminatórias para ingresso na
carreira diplomática pretendeu remover um "fator elitista". Segundo o
chanceler, "foi uma decisão democratizante" porque a exigência
favoreceria candidatos ricos e filhos de diplomatas - como se milhões
de jovens brasileiros que não são uma coisa nem outra não precisassem
estudar inglês, e não o estivessem fazendo, para subir na vida.
Doravante, no exame de admissão para o Instituto Rio Branco (IRB), o
inglês apenas contará pontos, a exemplo do francês e espanhol. Diz
mais o ministro: "Prefiro um diplomata que conheça bem o português e a
história do Brasil a outro que saiba falar bem o inglês. Qualquer um
pode aprender uma língua em três anos."

Se assim é, o conhecimento de idiomas estrangeiros deveria ser
simplesmente banido do vestibular para o curso que forma os quadros do
Itamaraty, transformando-se o IRB numa escola em boa parte dedicada a
ensinar línguas - quando de seu currículo, de nível de pós-graduação,
fazem parte disciplinas que desde logo exigem razoável familiaridade
com os principais idiomas, a começar do inglês, em que está redigida a
literatura a ser dominada. E o que dizer da esdrúxula antinomia, de
duvidosa boa-fé, produzida pelo chanceler? Desde quando os diplomatas
brasileiros se dividem entre aqueles que conhecem bem o português e a
história pátria e os que falam bem o inglês? O que impede que nossos
diplomatas exibam todos esses predicados?

Haja disciplina profissional para considerar tais argumentos
coisa séria antes de rebatê-los.

Este jornal critica freqüentemente o prisma ideológico que
passou a orientar a diplomacia brasileira no governo Lula, a começar
pela diplomacia comercial. Nesse caso, há um confronto de posições
diante de uma questão substantiva. O Estado condena o anacronismo da
linha terceiro-mundista da atual política externa que voltou aos
tempos do "pragmatismo responsável" do governo Geisel, inventado pelo
chanceler Azeredo da Silveira. De todo modo, trata-se de um debate de
idéias. Já em relação ao tema deste comentário, qualquer coisa que se
pareça com uma discussão de fundo é flagrantemente impossível. Pois o
que acabou de fazer a cúpula do Itamaraty, a partir de um
indisfarçável antiamericanismo, movido, por sua vez, a complexo de
inferioridade, foi demonstrar ter perdido o senso de ridículo. É
assustador.

Deixar de exigir dos aspirantes ao serviço diplomático uma base
em inglês, que, antes de mais nada, lhes permita se prepararem
adequadamente para as funções que os esperam, sugere algo
inconcebível: que os responsáveis pela tacanha iniciativa ignoram que
de há muito o inglês substituiu o francês como língua franca das
negociações internacionais - para não mencionar a universalização do
uso do inglês nas ciências e na atividade econômica. Pergunte-se aos
chineses - de quem Lula e Amorim ingenuamente tanto esperam -- qual o
idioma mais exigido de seus diplomatas, profissionais liberais,
pesquisadores e empresários. A China, que sabe muito bem quais são os
seus interesses, não comete patriotadas do gênero. No Chile, o governo
socialista quer que toda a população entenda inglês falado e escrito
no prazo de uma geração.

Essa manifestação de nativismo ressentido não é a primeira na
gestão do chanceler Amorim e do idiossincrático secretário-geral
Samuel Pinheiro Guimarães, cuja aversão a tudo que lembre os Estados
Unidos tem todos os sintomas de uma paranóia. Em 2003, quando
Washington passou a exigir a tomada de fotos e digitais de cidadãos de
numerosos países, entre os quais o Brasil, no desembarque em
território americano, o Itamaraty reagiu como se a Nação tivesse sido
afrontada e levou o governo a dar o mesmo tratamento aos naturais da
América aqui chegados. Amorim previu que isso induziria os EUA a
receber os brasileiros da mesma forma que os portadores de passaportes
cujas nacionalidades os dispensam de visto de entrada (o que não é o
nosso caso). Obviamente, nada mudou - e o Brasil apenas conseguiu
provar a sua desimportância para os gringos.

Mas, o pior é que, à parte o caráter infantil dessa retaliação
e a ridicularia do rebaixamento do inglês no exame do Rio Branco, não
se pode negar a coerência do Itamaraty. Todas as suas decisões estão
impregnadas da mesma visão irrealista das relações internacionais e do
papel que o País será chamado a desempenhar na ordem mundial.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Os Mestrandos "skinheads"

Admiro demais os artigos do Janer Cristaldo. Mas acho que ele foi levado a analisar somente um dos lados desta questão quando escreveu no artigo "Milho aos Porcos" no MSM:
Entre as muitas anomalias da universidade brasileira - escrevi então - estão os mestrandos quarentões. Aquela iniciação à pesquisa, pela qual o candidato deveria optar tão logo terminasse o curso superior, é adiada para uma idade em que do acadêmico já se espera obra consolidada. Pior mesmo, só os doutorados de terceira idade. Marmanjos de cinqüenta e mais anos, em idade de aposentar-se, postulando um título que só vai servir para pendurar junto com as chuteiras. (...) Mestrado não é para carecas.

Tem de se analisar a questão sob um ponto de vista mercadológico. Acredito que nem todas as pessoas que cursam um mestrado pretendem apenas pendurar o troféu numa parede antes de se aposentar.
Situar que somente jovens podem cursá-lo é um exagero em minha visão. Há que situar a questão dentro do universo do mercado de trabalho brasileiro.
Existem pessoas que sempre quiseram fazer determinada especialização, mestrado mas nunca tiveram ou condições financeiras ou tempo disponível para sua consecução. Estas pessoas finalmente conseguem a união destas condições em uma idade avançada. Fazer o quê? Abandonar um objetivo acalentado durante décadas pelo motivo da idade?

Outro questionamento é se a busca pelo conhecimento é um fim em si mesma ou deve gerar obrigatóriamente um retorno para a sociedade? Seria bom que fosse, mas o fato de haver mestrandos em idade provecta não significa que não haverá pesquisa.

As restrições do mercado é que podem produzir aquelas pérolas citadas como o fato de haver motorista de táxi com pós-graduação e ascensorista com ensino superior. A falta de empregos na mesma taxa de crescimento da população gera processos de seleção cada vez mais Darwinistas, cada vez mais excludentes. Isto gera critérios absurdos de desempate na luta pelo emprego, "diferenciais" como "porteiro com conhecimento em word e excel" acabam desempatando os processos de seleção mais acirrados.
A falta de um mercado vendedor de empregos é a "mãe" de todas as distorções. E isto só se resolve com políticas econômicas liberais.

Esta mesma falta de vagas, agora para os recém-formados faz com que inúmeros talentos para a iniciativa privada escolham desperdiçar anos em cursos de pós-graduação e mestrados em que não tem a mínima intenção de se aprofundar, somente para ganhar mais títulos para eventuais critérios de "desempate" numa futura dsiputa por um lugar ao sol no mercado de trabalho.

De qualquer forma, para evitar o rótulo de "mestrando careca" vou providenciar uma peruca quando efetivar minha intenção de complementação curricular...




segunda-feira, janeiro 10, 2005

Uma pérola do Ministro da Educação




Foi reportado que não houve preenchimento até o momento de 14% da 112 mil vagas do programa Universidade para Todos (ProUni).
Um dos impeditivos é que somente são selecionados os alunos que tenham no mínimo 45 pontos (numa escala de 1 a 100) no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

O Sinistro da Educação , Tarso Genro, "se mostrou surpreso com a debilidade estrutural da educação básica no Brasil, cuja consequência direta seria a sobra de vagas no ProUni, em especial dentro do sistema de cotas."

O ministro Tarso faz parte de um governo que já está em seu terceiro ano. Tarso está há muitos meses no ministério também.

Como pode um ministro se mostrar "surpreso" com a situação do ensino médio??
Isto só pode ser uma piada!!!
O quê tem feito nestes meses no ministério?
A incompetência destes elementos só é igualada à sua retórica oca em apoio à qualquer enrolação "politicamente correta". Exatamente como o programa fome-zero se descobre que os reais problemas do Brasil passam ao largo das prioridades do governo.

Este senhor deveria ser imediatamente demitido do cargo, após tal demonstração de ignorância e incompetência.

Tsunami ou "Tsu-zilla": para Al-jazeera maremoto foi causado pelo homem, como o Godzilla



Depois das terríveis ondas de 26-12-2004, uma outra onda varreu o globo: a ajuda humanitária.

Mas para os radicais de sempre isto não conta. Preferem dar vazão à ataques sem propósito, continuando a investir tempo de esforços não na união dos povos - que seria o adequado a uma tragédia tão intensa quanto a verificada na Ásia - mas na distribuição de ódios variados.

O World Net Daily publica duas notícias interessantes nesta linha.


WorldNetDaily: Para a Autoridade Palestina, "os EUA e os Judeus causaram o Tsunami". A relação entre os eventos parece inverossímil mas seus autores conseguem a proeza de dizer que o Tsunami foi um castigo de Allah aos fiéis que se envolvem com os americanos e judeus... Se fosse assim tão simples, por quê Allah não enviou esta tragédia para Israel e os Estados Unidos, diretamente??

Outro artigo chega a ser cômico:
Al-Jazeera's tsunami conspiracy theories: Arab news service reports chatter about plots, India-Israel nuke test implicated

Desta vez o próprio terremoto que originou o Tsunami foi "fabricado" ou por testes nucleares submarinos ou por armas de pulso eletromagnético. Adivinhem que teve participação nisto? É claro, os Estados Unidos e Israel.

O artigo acima refuta uma a uma as tais "teorias" mas leva a uma questão: quando o objetivo é atacar os inimigos de sempre (EUA/Israel) quão longe irão seus detratores?

Não sei, mas lendo esta última matéria, parece-me que a inspiração destas teorias não foram a ciência mas uma outra fonte também americana:Hollywood. Em "Godzilla" de 1998, o lagartão é gerado por uma mutação genética em função dos experimentos nucleares da França no atol de Mururoa (lembram-se disto? Chirac ocupou o posto de inimigo mundial neste ano) . O bicho cresce, aparece e vai atacar.... Nova Iorque.
Estas teorias amalucadas parecem ter sido inventadas por algum roteirista de filme B. O pior é que acabam sendo veiculadas como "verdade" para uma boa parcela da população, já sofrendo o bastante com a tragédia.

Apesar de não ter atacado os Estados Unidos, sugiro que a Al-Jazeera, para ser fiel às suas teorias, se refira ao trágico acontecimento não mais como "Tsunami" mas como "Tsu-zilla"...

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Luísa: 6 anos depois




Seis longos anos se passaram entre a primeira imagem e a segunda. E estes seis anos de experiência como pai me levaram a uma reflexão:
O que seria a vida das pessoas sem a experiência da paternidade?

Encontro muitos amigos ou conhecidos que decretam, no auge da sua juventude, que nunca irão ter filhos. Alguns vão mais adiante, dizendo que nem mesmo irão casar.

Acho tudo muito divertido, a princípio, pois estas opiniões coincidem com as de minha filha Luísa a respeito. Lulu fala que não vai casar, que não quer ter filhos e tudo mais. Para logo em seguida dizer que gostaria de uma "irmãzinha"...
Mas ela tem uma vida toda pela frente e a perspectiva sobre maternidade de uma criança de 6 anos é completamente diferente de um adulto.
Aos seis anos estamos muito preocupados com nosso bem estar imediato, colocando em primeiríssimo lugar como prioridades do dia-a-dia a aversão a qualquer tipo de dor ou mal estar. Por exemplo: estou há dias tentando convencê-la a me deixar arrancar seu segundo dente-de-leite, prestes a cair, sem o mínimo de resultado. "Vai doer papai!!" é o veredito final. Nem a fada dos dentes conseguiu me ajudar nesta empreitada...

Voltando ao ponto: me parece que a preocupação da juventude com seu próprio bem estar imediato é muito semelhante a uma criança de 6 anos. Quando vejo jovens cada vez mais preocupados com seu próprio corpo, com detalhes de sua aparência tomando cada vez mais tempo e atenção de suas vidas, não posso deixar de observar que para esta juventude hedonista, o corpo - seu e dos outros - tomaram o lugar das brincadeiras e folguedos infantis.

Nesta visão a maternidade/paternidade é por definição "deformadora": a mulher deixará de ter a sua aparência usual que poderá retornar ou não. O homem por seu turno deixa de ter o grau de liberdade desejado.

Outra fonte é o próprio trabalho: atualmente a preocupação com uma carreira, um "lugar ao sol" faz com que muitos casais prolonguem, se não eliminem o universo paternal de suas vidas.

Ficamos então entre dois fogos: os muito jovens (ou com cabeça de) não pensam em filhos e evitam a todo o custo a maternidade (mas não a sexualidade, o que torna a opção de não-maternidade abortiva, em minha opinião) já os casados acabam evitando a experiência da paternidade por motivos mercadológicos.

De qualquer forma é uma experiência fascinante. Tenho aprendido muito com a Lulu. O aprendizado que um filho proporciona é tremendo. Para ambas as partes.

O que eu aprendi:
PACIÊNCIA! Acho que é o maior aprendizado que os pais podem obter com seus filhos. O mundo agitado de hoje, a ansiedade de ver resultados rápidos, tudo isso fica em segundo plano no relacionamento pai-filho. Pensar duas, três vezes antes de agir é fundamental.

CONSISTÊNCIA. Este foi mais doloroso. Se tu dizes que vai fazer alguma coisa, tomar uma atitude se a criança desobedecer tu terás que fazê-lo. Então muito cuidado com que vais falar. Pesar muito o tipo de reação prometida. Isto é fundamental. O pior para a criança é os pais dizerem que vai acontecer determinada coisa, dependente do comportamento, e ela não acontecer, não importando o que ela tenha feito.

PAI É PAI. AMIGO É AMIGO. Nunca pensei em ser "amigo" de minha filha. A tarefa que me foi designada por Deus foi a de pai. Pais tem atribuições muito mais dolorosas para com o filho do que um amigo apenas. De uma certa maneira o amigo é como o consultor de empresas. Te dizes o melhor caminho , mas a decisão é sua. Pais não podem agir como "consultores de comportamento" de seus filhos. Educar muitas vezes quer dizer que os pais sabem muito bem como o filho tem de agir em determinada situação e eles não tem de entender todas as razões dos seus pais para agirem de determinada maneira. O diálogo é importante, mas existem coisas e razões dos pais que são "inexplicáveis" para garotinhas de seis anos.

TEMPO. Ninguém consegue ser pai, mãe ou qualquer coisa importante para a criança não dedicando tempo para estar ao seu lado. A experiência de compartilhar o crescimento do seu filho é fundamental. Talvez esteja colocando em alguma medida a necessidade dos próprios pais estarem ao lado dos filhos muito mais do que a necessidade deles estarem com seus pais, mas não dá para delegar a tarefa de paternidade. Pode-se dizer que os pais não precisam estar o tempo todo ao lado dos filhos, somente nos mais importantes. OK, mas quais serão os momentos importantes?? No mundo atarefado de hoje muitos pais - eu mesmo também - acabam querendo compensar a falta de tempo ou disposição com presentes: é necessário evitar isso. Fazer as crianças começar a vê-lo como um Papai Noel ao invés de um simples Pai pode gerar consequências desastrosas.

DIZER NÃO. Este é fundamental. Se não é não, então a resposta é "não". Crianças devem enfrentar as negativas, as frustrações de não ter todos os seus desejos atendidos o tempo todo . Nossa vida não é assim, por quê então criar um mundo virtual?

BRINCAR. Ter tempo, mas não participar do que ela gosta de fazer pode ser desanimador para a criança. Tive estes insights quando levava Luísa religiosamente ao supermercado no fim de semama. Ela achava ótimo, um programa divertido até, mas acabava sendo o único programa infantil do dia. Criança tem de brincar como criança e se possível acompanhe-a nisso. Depois ela pode te ajudar nas outras tarefas do dia a dia...


Ih! Isto aqui acabou parecendo um manual de auto-ajuda...
O objetivo não era isso.
Era só agradecer a Deus a vinda de minha filha Luísa que nesses seis anos (completados ontem) tem me ensinado muito mais coisas do que eu provavelmente ensinei a ela.

Feliz Aniversário Luísa!!

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Breves pinceladas sobre uma coisa chamada "amor"



Às vezes só se pode comentar sobre um assunto a uma distância segura do mesmo. Se este assunto é o amor então, não dá para - estando à beira da praia - achar-se seguro o bastante para arriscar-se nesta seara. Ondas de 20 metros poderão varrer a praia de modo avassalador, jogando por terra toda e qualquer sensação de segurança do provável observador.

Mas aqui estou, sem colete salva vidas e sem protetor solar a provar que os tolos sempre fazem o menos provável. Ou seguro.

Bem, afinal das contas o que é o "amor"?

É o produto mais procurado do mercado das emoções, o mais comprado, mas também o mais subavaliado por seus vorazes consumidores...

Devo desapontar aos poetas, principalmente ao nosso "poetinha", que dizia que o "amor é eterno enquanto dure". Esta frase talvez seja a maior falácia sentimental que alguém possa acreditar pois em minha avaliação ela tem uma incrível semelhança com aquela outra de Andy Warlhol que dizia que no futuro todos seriam famosos....Por quinze minutos. O que Vinícius de Moraes prega é uma espécie de celebração amorosa "eterna" em seus quinze minutos de fama....

Isto não pode ser amor. Não pode haver num ciclo curto de tempo chance alguma do verdadeiro amor florescer. O giro necessário para que ele se revele em sua plenitude passa muito longe do ciclo das paixões avassaladoras. É preciso que a paixão ardente e cega se acomode para que o verdadeiro amor possa então requisitar seu lugar de direito em nossas vidas.

É nestas horas em que se percebe a diferença entre o menino e o homem e da menina e a mulher.

Como disse, o amar vem depois da paixão, vem depois do "tsunami" dos sentidos. É quando o homem e a mulher se descobrem - vitimados por tal maremotos - rotos, nus e solitários em uma praia deserta, não tendo mais nenhum lugar para ir ou para se esconder. Não há mais escolhas nem fugas. É quando tem de olhar um ao outro nos olhos, sem disfarces e decidir a transformarem-se de amantes em amigos, companheiros, confidentes e ...amantes. O homem e a mulher foram feitos para serem "uma só carne" e este é o momento crucial desta decisão.

O que isto significa?
Em uma certa dose, significa a perda de parte de sua identidade individual e grupal para dentro de outra, nova identidade. O homem e a mulher devem abandonar suas familias, seus pais, seus irmãos e até mesmo seus amigos em um determinado grau e assumir uma nova postura perante a vida .

Não, não quero dizer que o casal deve se isolar do mundo, mas quero dizer que haverá uma nova identidade para o homem-mulher perante o mundo.

É o momento em que o homem e a mulher deixam de ser seres-metade (como explicava Platão em "O Banquete") para serem novamente seres completos. Mas isto custa-nos demasiado. E tem de ser de parte a parte.

É neste momento crucial que se definem as diferenças que apontei lá encima.

Muitos garotos correm assustados dessa hora da verdade, voltando à segurança da casa paterna como um guri que quebrou a vidraça da vizinha.

E muitas e muitas mulheres desistem.

Para conhecermos esta coisa chamada amor não há escapatória senão uma entrega incondicional. E devemos estar prontos para isso, pois significa muito mais um "se doar" do que efetivamente receber ou ganhar de outrem.

O problema é que às vezes quando tu pensas que estavas nesta experiência de modo definitivo - "para valer" - o outro lado estava apenas brincando de casinha, e sai, procurando por outro brinquedo mais interessante. Aí nos perguntamos "Vale a pena?".

Não sei mas é esta uma de nossas missões como seres humanos.

A chave, como dizia Valter Franco é que "tudo é uma questão de manter a linha reta, a espinha ereta e o coração tranquilo". Às vezes parece que fraquejamos ou desistimos, e nossa disposição acaba num meia disposição, num olhar meio de otimimismo-bittersweet ou um romantismo-pé-no-chão.
Apesar de tudo a espera (ou esperança) é fundamental...
Enquanto isso

"Smile though your heart is aching
Smile even though it's breaking
When there are clouds in the sky, you'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for yousmile
" (Chaplin/ Turner/Parsons)








segunda-feira, janeiro 03, 2005

Tsunami: um balanço.....



A dor das imagens televisionadas, impressas, "interneteadas", enfim compartilhadas por milhões de pessoas em todo o mundo desde o dia 26/12 têm gerado repercussões que podem ser descritas como um doloroso retrato das falsas percepções introduzidas no seio da opinião pública nestes tempos de manipulação midiática orwelliana.

Em primeiro lugar, aqui vão alguns links para vídeos aterrorizantes das gigantescas ondas que atingiram o sudoeste asiático.

- Vídeo do Eden Resort- Sri Lanka
- Vídeo do Kambala Beach Hotel - Phuket
- Vídeo de Patong Beach
- Vídeo do Sri Lanka
- Vídeo da Indonésia

Os fatos:

Vaticano acusa falsamente Israel em negar ajuda

O Vaticano divulgou um primeiro comunicado acusando Israel de negar ajuda à Sri Lanka alegando uma única preocupação de Israel "com a guerra". Parece que o anti-semitismo reinante fez o comunicado sair antes de ao menos a notícia original ter sido lida com mais atenção: na verdade o Sri - Lanka que recusava ajuda de Israel... Vá entender o por quê ajuda humanitária ser recusada.
Um segundo comunicado do Vaticano corrigiu o primeiro, mas deixou um mal estar generalizado, com a óbvia "partidarização" da notícia.
Hoje em dia, qualquer notícia envolvendo Israel já traz à mente o arquétipo de que sejam sempre "o bandido" na estória.

Contra os Estados Unidos: Foi divulgado com indignação o fato de o sistema de satélite americano ter visto com antecedência os prováveis desdobramentos dos terremotos submarinos e não ter "avisado". É claro que o fato de os países atingidos não terem NENHUMA ESTRUTURA de mobilização ou defesa civil preparada para estes acontecimentos foi devidamente sub-avaliada. Teve uma matéria na Zero Hora de domingo que comparou a tragédia imprevista no sudoeste asiático com as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.... Haja anti-americanismo!!!
Lembram-se do caso do ciclone Catarina, quando nos foi alertado pelos americanos da formação de um furacão e nossa defesa civil e foi desmobilizada pelo anti-americanismo de nossos meteorologistas???

Lula diz que maremoto na Ásia é alerta para que se preserve a natureza

As qualidades de nosso presidente podem explicar esta declaração desastrada, mas não é só isso: o Greenpeace, logo após a tragédia tratou de continuar batendo na tecla de que o Tsunami poderia ser resultado de anos de agressão à natureza.....
A pergunta é : como o homem pôde agredir as placa tectônicas a quilômetros de profundidade da superfície terrestre? Desodorante spray??
Ou talvez as "placas" tenham tomado as dores da atmosfera....

De qualquer modo, isto retrata muito bem a nossa época, em que a burrice maniqueísta parece ter sido elevada à categoria de "conhecimento"....
Pobre de nós...
Antigamente se culpava a Deus pelas tragédias....

segunda-feira, dezembro 27, 2004

::: Madrugada no shopping atrai 500 mil pessoas www.estadao.com.br

Enquanto a pauta da discussão pública aqui no RS era o quanto nós os burros-de-carga-tributária, os pagadores de impostos, iremos retirar de nosso orçamento para pagar as contas de um governo incompetente como o do governador Rigotto, no Rio e São Paulo a inovação capitalista invadiu as manchetes, gerando empregos, renda e desenvolvimento....
::: Madrugada no shopping atrai 500 mil pessoas www.estadao.com.br

Dizem que o RS tem o povo mais politizado. Só se for em política-partidária. Estamos tão afundados em partidarismo que não conseguimos mais pensar racionalmente.
É a vitória final do conceito de estado para os estatólatras e funcionários públicos: nós contribuimos somente na hora das eleições e quando temos que bancar a incompetência de governichos como este do senhor Rigotto.

Dois anos de inoperência e chás-de-banco em salas de espera em Brasília só poderiam dar nisso: não existe alternativa ao trabalho árduo, sr. Rigotto, lembre-se disso.

Eu não esquecerei.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

As duas pragas do Brasil: o nacionalismo e o socialismo. Ou seria "nacional-socialismo"?

Neste fim de ano gostaria de tecer outras considerações. Fazer os habituais votos de Feliz Natal e ano novo. Mas está sendo diferente, e estas datas são apenas dias como os outros no meu calendário.

Nesta semana, por exemplo, Lula contestou a pesquisa do IBGE que mostra que existem mais brasileiros obesos que passando fome. Segundo o presidente, os esfomeados “tem vergonha” de dizer que passam fome. De minha parte também teria vergonha. Teria vergonha de dizer que Lula é nosso presidente.

Mas aí tem um ponto interessante. Olhem só: se for usado na questão obesidade/fome os mesmos critérios usados para discutir a questão da divisão da riqueza/pobreza na economia nacional, em breve os obesos passarão de vítimas da balança a vilões da fome.

Explico: os socialistas acham que a economia é um sistema adiabático (fechado) em que o total de riquezas disponíveis é limitado. Cada vez que alguém ascende na escala social e passa a consumir mais riquezas, o seu lado da balança começa a pender, distanciando do equilíbrio ou “igualdade”. Com isso o outro lado da balança então começa a sofrer uma escassez desta mesma riqueza, gerando a famosa desigualdade e a pobreza.

Se esta concepção for usada para explicar a fome, chegaremos à mesma conclusão: se a riqueza nacional é limitada por que o número de calorias também não o seria? É claro que sim! Neste caso os brasileiros obesos não seriam meras vítimas da gula e da falta de equilíbrio alimentar, mas eles mesmos os causadores da falta de proteínas e calorias dos famélicos cidadãos na outra ponta da escala social. Nesta conta, quanto maior o número de obesos, maior o número de pessoas sub-nutridas.

Este é um paralelo interessante para se discutir a pobreza de idéias que os socialistas trazem ao debate sobre a geração de riqueza e eliminação da pobreza no país. Se for usar para outros aspectos como a inteligência por exemplo, vemos muito bem como o discurso socialista é tão simplista quanto enganador impedindo a verdadeira discussão das causas da pobreza no país.

Outra tragédia nacional é o discurso nacionalista. Enrolar-se em bandeiras, destilar o ódio a qualquer manifestação estrangeira – especialmente se a nação estrangeira for os Estados Unidos – é o esporte nacional. Há décadas, o espírito de inveja ao país da América do Norte tem sido o alvo preferencial de nossa cultura da aversão ao sucesso alheio. Tudo movido pelo mesma explicação “socialista” das desigualdades explicada nos parágrafos anteriores: se existe alguém rico é por que o fez à custa da exploração dos mais pobres.
Este espírito de vingança a tudo o que representa o estrangeiro / americano foi o que empurrou mesmo os mais ferrenhos nacionalistas anti-comunistas nos braços, ou no bolso, dos movimentos socialistas ou secretamente financiados por eles, como fantoches “idiotas úteis” em sua luta contra o capitalismo.

Deixem-se esclarecer que o nacionalismo que combato é aquela coisa infatilizada, radical do tipo “ame-o ou deixe-o”. Amar um país não significa odiar aos outros. Nem deixar de apontar as mazelas de nosso próprio país. E produtos culturais, por exemplo, não tem atestado de qualidade baseado em local de origem. Britney Spears e Amado Batista são tão ruins tanto quanto um pagode “de raiz”, assim como Mozart e Pink Floyd podem ser bons.
O nacionalismo imbecil do “melhor do Brasil é o brasileiro” só prova uma coisa: pior do que o nacionalismo de almanaque e o socialismo rasteiro isolados são os dois juntos. O pior é que temos os dois hoje bem representados no governo de Luís Inácio Lula da Silva....

Pensando bem, Nacionalismo e Socialismo já se encontraram muitas vezes na história. No encontro mais ruidoso, o filhote parido levou o nome dos pais : "Nazismo", ou melhor, vindo do "Partido Nacional-Socialsta dos Trabalhadores Alemães"....

Feliz Natal.... (?)

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Hiper-realidade e normalidade

No antigo seriado do Zorro – para quem se lembra – havia uma situação recorrente. Sempre que algo de importante iria ocorrer, geralmente à noite, era mostrada sempre a mesma cena: o vigilante noturno parado na “plaza” central do povoado de Los Angeles tranquilizava a população avisando que era “Meia-Noite e estava tudo normal”...
Sabíamos que nada estava "normal", pois o Zorro ou algum bandido estava prestes a agir e a aparente tranquilidade do povoado iria sumir em questão de minutos.

Pois é exatamente a imagem que me vem à cabeça quando leio inúmeras manchetes de jornal, reportagens aclamando o “melhor momento” da economia desde 1994, dos índices de aprovação do governo e muitos outros etc.

À luz destas notícias e manchetes, parece que o Brasil nunca esteve tão bem, parece que o país é uma nau navegando em águas tranquilas rumo a um futuro promissor.

O país pensa exatamente isto hoje. Enquanto isso, nós – os paranóicos - continuamos a dizer que, pelo contrário, a situação do país é ameaçadora.

Nossos críticos nos acusam de usar uma lente de aumento, de aumentar ou exagerar fatos e informações que corroborem com “nossas” crenças, ao passo que menosprezamos os fatos que a contradizem. Fizemos então uma leitura hiper-realista dos fatos, uma espécie de visão política “expressionista” acentuando os os traços escuros desta aparente normalidade. Com isso ficamos bem destacados no contraste com o fundo pastel-ensolarado da normalidade “impressionista” da paisagem Brasileira. Somos personagens saídos de um romance “noir” de Dashiel Hammet a assombrar os pacatos cidadãos do fictício “povoado de Los Angeles”.

Será que estamos mesmo dentro de uma hiper-realidade?

Vejamos o que temos.
Uma verdade é inegável: hoje o Brasil sofre de uma censura auto-imposta de informações jamais vista em tempo algum de sua história. Mesmo no tempo do regime militar, em que havia censura sistemática às notícias não havia restrições à circulação de idéias e livros. Ou seja, a censura noticiosa e do entretenimento (cinema, novelas) não impediu o livre fluxo dos livros e idéias principalmente em nosso meio universitário e intelectual.
O que acontece hoje é muito pior: com redações e mentes empapuçadas de ideologia vendida como “senso comum”, os meios de informação auto-mutilam suas mensagens, seja eliminando a notícia completamente seja “interpretando-a” dentro do seu arcabouço ideológico.
Isto causa uma contradição entre a realidade e a ficção nacionais incríveis. Como justificar e entender a vitória de Bush nos Estados Unidos se temos a impressão de que o americano médio (pelo menos os “letrados”) o odeiam? Constatação assegurada pelas próprias matérias dos jornais americanos reproduzidas por aqui como também pelos livros sobre o tema disponíveis no Brasil. A conclusão só pode ser uma: os americanos que elegeram Bush são caipirões iletrados, reacionários, violentos e perigosos. Isto é só um exemplo de muitos outros.

A nossa avaliação (a “paranóica”), por outro lado, é baseada em outros fatos e análises, notícias que não são veiculadas normalmente pela nossa imprensa. Estou falando de informações de sites como World Net Daily (www.wnd.com) , New Max (ww.newsmax.com) e centenas de blogs de diversos países (EUA, Austrália, Iraque, Venezuela). Há também livros de autores vindos por detrás da antiga cortina de ferro como Anatolyi Golitsyn & Ladislav Bittman por exemplo.
Tudo isso nos dá conta da profundidade e extensão dos programas de desinformação implementados pelos países comunistas (ou antigamente conhecidos como comunistas) para enganar o mundo ocidental e as ameaças que pairam sobre o mundo judaico-cristão neste início de milênio.
Nos damos conta da frenética tentativa de maquiar o passado. Também de como políticas como a do desarmamento civil e descriminalização das drogas podem levar. Sabemos da extensão e profundidade da influência do Foro de São Paulo nas ações deste governo. Se analisarmos o que já aconteceu (no exterior, no passado ou presente) quando estas técnicas foram usadas comparando com o que está acontecendo no Brasil, o prognóstico é sombrio.

Será que somos nós os errados? Será que somos tão paranóicos ao ponto de não enxergar o que acontece de verdade – a tal realidade – preterindo-a por uma “hiper-realidade” auto-impingida?

Não acredito. Mas tenho pelo menos a humildade de aceitar esta pecha, pois seria um efeito colateral mínimo e até desejável. Se nossas preocupações ajudarem de alguma forma a desmontar a bomba, então o preço de ser um “paranóico” seria pequeno. A obrigação moral que sobrevêm a todos que tem posse destas informações, é brutal e antecede a todo o resto.
Melhor ser conhecido com o “paranóico” profeta de uma catástrofe que não aconteceu do que o detentor da sabedoria aristocrático-afetada do “não digam que eu não avisei...”

Brasil: Um país rico..... em calorias pelo menos.

O artigo do Rodrigo Constantino no Mídia Sem Máscara está hilário: "Imposto sobre calorias já! Quem foi que teve a estapafúrdia idéia de que um indivíduo tem o direito de ser gordo, comendo o que quiser? Ainda mais enquanto alguns são desnutridos, o que deve ser culpa dos gordos, já que os socialistas nos ensinaram que a riqueza (calorias também) é estética, bastando ser melhor distribuída. Um ultraje o sujeito desfilar com sua proeminente barriga enquanto o vizinho convive com seus ossos à mostra. Vamos lutar por um mundo mais igual. Magros do mundo todo, uni-vos!"

Mas lembro de alguns fatos importantes sobre este novo dado do IBGE.

- Ao invés de provar o fracasso do fome-zero o governo pode alegar o contrário: em menos de dois anos o programa teve um sucesso tão estupendo em resolver o problema da fome que agora temos outro problema: a obesidade...

- Di Calvancanti estava certo! Que Gisele Bundchen que nada. Nosso bio-tipo esteve sempre mais para Preta Gil... Sargentelli já sabia disso há 40 anos....

- Pode ser consequência do sucesso das telas do Fernando Botero ou da Fat Family...

- Papai Noel nunca mais será o mesmo neste país....

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Resposta a um "rebelde" sem pausa

Meu nobre comentarista pediu algumas palavras....

Os jovens brasileiros estão cada vez mais se transformando em cópia caricata da alienada, drogada, idiotizada, consumista, degradada e fútil juventude estadunidente. pequeno-burgueses dos jovens estadunidenses.......Prove com FATOS.


A primeira prova é o seu comentário: exatamente igual à opinião de 99% desta juventude que "atacas".
Segundo: Se os jovens brasileiros pensasem de modo semelhante aos jovens dos EUA, George Bush não teria os maiores índices de reprovação mundial NO BRASIL, ou ele não teria ganho as eleições nos EUA com o recorde de 60 milhões de votos.
O jovem brasileiro pensa exatamente o que a grande mídia americana e brasileira querem que ele pense: “culpem os Estados Unidos primeiro”.
Só que lá não tem tanto sucesso como aqui.
O maior centro de irradiação do anti-americanismo são os Estados Unidos, exatamente os 48% que foram derrotados nas eleições. Os filmes, músicas e tudo o mais aqui reproduzidos são os do lado “anti” dos Estados Unidos.
Os americanos alienados e tudo o mais que tu te referiste são meias-verdades : existem mas não são – graças da Deus – a maioria. Por isso , se existe alguma esperança de algum país reverter a tendência entrópica mundial, este país não será o Brasil: serão os Estados Unidos, que ainda tem a uma porção não apodrecida (melhor dizer “desconstruída”).
A sociedade americana experimentou um renascimento conservador que agora emergiu por completo. O número de pessoas que tem alguma religião e a praticam nos Estados Unidos é igual ao número de votos que GWB teve nas últimas eleições. O quadro que você pinta dos americanos, na verdade são o retrato acabado do que são os europeus neste começo de século: uma embalagem vazia, pronta a receber o recheio ideológico preferido dos controladores de mente...

O fato de brasileiros gostarem de Big-Mac (minha filha adora) e tudo o que de moderno (e foi gerado em sua maior parte nos EUA) demonstra uma esquizofrenia bem marcante: influenciado pelos meios esquerdistas de comunicação ele “odeia” os americanos da boca para fora, mas não consegue viver sem eles. Pois só uma sociedade como a americana poderia ter as condições de crítica a ela mesma...Se os meios de comunicação parassem de orquestrar sua lavagem cerebral, perceberiam no ato a contradição de seu anti-americanismo...

"Depois afirma que nunca aceitou imposições de "grupos" e procurou sempre buscar uma identidade própria. Acreditaremos em você se nos provar que jamais pagou para assistir os debilóides filmes americanalhados, nunca pôs os pés naquela espelunca chamada Mc Donalds, nunca entrou em um "shopping center" para fazer comprinhas de natal, nunca usou tênis ou roupas de grifes estadunidentes, nunca assistiu desenhos de Walt Disney, nunca quis conhecer o Mickey, nunca ouviu músicas de origem inglesa, etc. Se você já vivenciou uma ou mais das situações descritas acima você não é e nem nunca foi "inconformado" mas sim igual a todos os jovens que você mesmo acusa serem mentecaptos! ha ha ha."


Ir ao shopping center or usar a internet me filia a algum grupo? Também uso creme dental, isso me filia a algum outro grupo ideológico, a alguma matilha?

Se creditas ao Olavo de Carvalho o responsável por sua visão de mundo então estás completamente míope!

Sim! Eu sou míope -uso óculos - mas não sou “idiota coletivo”, ehehehe
Com certeza achas que o gramscismo "tomou conta" de nossas universidades, que os jornalistas esquerdistas estão à soldo de Fidel Castro. Que Cuba pretende invadir o Brasil, que existe uma conspiração secreta para instalar uma ditadura comunista no Brasil engendrada por intelectuais, psicólogos e donas de casa; que o Chavez está articulando uma mega-coalização de países "socialistas" na América Latina, que Bill Clintou foi agente do PC da China... Esta é a visão "carvalhesca" que você tem do mundo.


Estás com a razão: quem visita semanalmente Fidel Castro, ajuda Chavez, perdoa dívidas do ditador do Gabão, visitou Kadafhi e prometeu asilo político ao Saddam Hussein foi o .... Olavo!!!


Se você acha a direita no Brasil "outsider" vá morar no Nordeste. Lá você vai obeceder ao "coronél" de direita dono de terras que manda na cidade, conviver com milhões de pessoas que passam fome e ainda agradecem a Deus, pedir bênçãos ao painho direitista ACM, ir à missa todo domingo cercado por beatas velhas direitistas e ter uma imagem de padre Cícero em casa.


Desde quando Coronél é direita? Só é se considerar Maluf, ACM e outros de direita.
Esta é a prova de nosso completo status de outsider: não temos nenhum tipo de representatividade, pois os partidos políticos no Brasil só representam a eles mesmos e não a um ideal ou plataforma política. Tirando os partidos de esquerda, extremamente fiéis a sua ideologia, os partidos de “direita” são facções para tirar dinheiro dos mais incautos!!
Maluf direitista ? Que nada, Maluf é malufista!
ACM direitista? É carlista!
E assim por diante. Os coronéis são “coronelistas” !!!
Nosso caráter outsider é que somos completamente contra o que está aí. Muitas vezes queremos salvar o capitalismo até dos próprios capitalistas, que não fazem nada diferente de vestir a carapuça entregue pela esquerda e reafirmar o modelito Justo Veríssimo.

Sobre os rebeldes, você pode ser considerado um rebelde "sem pausa": atira ao menor sinal do "inimigo" real ou imaginário, SEM PAUSA, nem para pensar. Acaba atirando no próprio pé...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Rebelde Com Causa: Minhas percepções sobre o florescimento da direita sobre o cadáver do socialismo-caviar

No filme “Duro de Matar 3”, Bruce Willis é obrigado pelo vilão a andar pelas ruas do Harlem com um cartaz escrito “Eu odeio negros”. Era severamente xingado e espancado pelos passantes até ser salvo por Samuel L. Jackson.
É exatamente a mesma reação que obtemos quando nos declaramos de direita. A diferença é que o personagem de Willis era obrigado a isso, enquanto nós o fazemos de espontânea vontade.
Por quê disso? Masoquismo?
Seria tão fácil ser mais um da maioria silenciosa, que vê o desenrolar dos acontecimentos deste país como um espectador de alguma uma tragédia grega, sofrendo reservadamente em frente ao seu home teather tomando uisquinho de 12 anos para relaxar...
No meu caso, não poderia me conformar com este papel de espectador. Não quando se está no próprio Titanic sabendo-se de seu desastre iminente.
A razão de escrever - seja na internet seja para as colunas “do leitor” nos jornais - é uma inquietação interior que já não pode ser represada.

Esta inquietação é uma revolta contra a paisagem atual deste país e especialmente da juventude.

A origem disto é que me considero um “outsider”. Desde criança nunca suportei a pressão de turminhas de escola, ditando regras de como se comportar ou como vestir. Decidi ser eu mesmo. Nunca precisei de ninguém para certificar minha própria “identidade”. E este forte sentimento devo a minha família, que sempre foi unida o bastante para que eu não tivesse que buscar esta identidade grupal fora dela. Bem ao contrário de hoje em dia, em que bandos de adolescentes perdidos criam falsas “famílias” enquanto desprezam as suas próprias – usadas como uma espécie de equipe de copa ou cozinha de algum hotel de luxo.

Meu desprezo por “turmas” e mais um forte sentimento de “faça você mesmo” sem esperar por outros é o que me move. E uma curiosidade quase mórbida em conhecer cada vez mais coisas, idéias, arte, cultura e o que há por trás disso. A necessidade desta busca incessante me fez seguir adiante, procurando sempre por respostas não prontas e relações inesperadas entre fenômenos conhecidos.

Devo confessar que minha opção direitista se deve muito mais a um “senso comum” do que a leituras ou estudos mais profundos. Mas a exata percepção da realidade, as várias camadas de sub-realidades que a compõe me foi apresentada há dois anos quando descobri o trabalho do filósofo Olavo de Carvalho.

Seus artigos primeiramente me causavam espanto e acessos de risos. Comecei a aguardar cada novo artigo para ver até onde aquela aparente “paranóia anti-comunista” tão anacrônica - como um filme B de ficção científica americano dos anos cinqüenta - iria chegar. Me intrigava que Olavo entregava o destino mas não o caminho percorrido. Teria de ler mais para chegar aos pressupostos de suas conclusões. O que foi feito quando me caiu nas mãos um exemplar de “O Jardim das Aflições”.

Este livro é para mim um dos mais influentes que já tive o prazer de desfrutar. O coloco na minha galeria de livros que ajudaram a formar a minha personalidade e minha forma de ver o mundo. Nesta fórmula-galeria coexistem nomes e obras como Hermann Hesse (Demian e O Lobo da Estepe), George Orwell, Dostoiveski (Crime e Castigo, O Idiota) e entre outros. O nome de Olavo nela determina o tamanho da pancada, da porrada intelectual que foi a leitura de sua obra.

Tudo isso só me reforçou sentimentos que já eram bastante fortes, mas sem uma base intelectual mais consistente, baseado mais no senso comum do que outra coisa. O principal é o valor do indivíduo, que é a menor e também a maior medida da humanidade possível. Não existem sistemas, regimes, regras ou doutrinas “humanas”. Existem regimes , sistemas, regras e doutrinas criadas por humanos.
Não existe coletivo. E sim um conjunto de individualidades.

Deus nos criou como únicos, com qualidades distintas e potenciais definidos. O desenvolvimento destes potenciais para melhorar nossas vidas e dos que nos rodeiam é a nossa única dívida com o criador.
Cada homem é um artista em potencial. E artistas fazem obras únicas para a admiração de seus pares. A obra do artista também é única. É a expressão de sua individualidade.

Por isso não acredito em coletivismos, coletivistas, socialismo e todos os regimes que tentam capturar a humanidade e a individualidade do homem em favor de uma suposta igualdade que não existe. A igualdade é um totem, um “neon god” que ninguém pode prestar devoção sem subtrair em alguma dimensão à sua própria substancialidade humana.

Mas o discurso coletivo é avassalador. Todas as virtudes que os seres humanos podem ter parece que foram sugadas para dentro da definição do socialismo. Ser contra o socialismo acaba sendo contra a humanidade seqüestrada por ele. E por isso ser de direita é tão outsider no mundo de hoje.

A direita é autenticamente outsider, verdadeiramente contra o stablishment cultural predominante do mundo atual. Somos os verdadeiros “punks” da cultura política. E o “stablishment” de hoje é o socialismo. Falando em “punks” gosto de ressaltar que o que eles fizeram foi uma revolução completamente individualista. O “do it yourself” era um slogan totalmente direitista, decidido e radical. Seu nihilismo os aproximava também de um anarquismo anti-totalitário. Pena que por falta de um mínimo de percepção ao mundo que os rodeava acabaram ajoelhando diante do altar do coletivismo mais raso como vaquinhas de presépio.

O que se vê no Brasil não difere muito: jovens semi-idiotizados por décadas de propaganda anti-capitalista, acabam caindo no apoio ao totalitarismo imbecilizante sem qualquer alternativa..

O choque destes indivíduos quando encontram um direitista na vida real é fatal: Só restam palavras de ordem ocas repetidas ad-nauseam como um mantra, quando não ações mais agressivas. Exatamente o que um “rebelde” receberia do “sistema”. Estes jovens não sabem que eles são o próprio sistema contra o qual tanto se rebelam.

Enfim, os verdadeiros outsiders, os rebeldes dos dias de hoje não são os ícones de butique vendidos pela mídia, mas os muitos “Winstons” (de “1984”) que tem coragem de sair pelas ruas reais ou virtuais mostrando sua identidade direitista à todos – não importando quantas provocações e insultos irão receber – pelo simples dever de mostrar que o rei está nu, ou melhor está morto, apodrecendo e levando uma boa parte da juventude com ele.