quinta-feira, agosto 26, 2004

WorldNetDaily: Alice Cooper: roqueiros Anti-Bush agem como traidores idiotas


WorldNetDaily: Alice Cooper: Anti-Bush acts treasonous morons
Neste artigo do Worldnet daily Alice Cooper desce uma lenha nos roqueiros comprometidos na campanha pré-Kerry:

"Se você está escutando um rock-star para saber em quem votar, você um idiota muito maior do que nós. Por quê somos rock-stars? POr que somos uns idiotas. Dormimos o dia inteiro, tocamos todas as noites e muito raramente temos tempo de sentar e ler o Washigton Journal"

"Além disso," ele diz, "quando vejo a lista de pessoas apoiando Kerry.. Se eu não era um apoiador de Bush eu imediatamente trocaria de lado. Linda Ronstadt? Don Henley? Por favor... é uma boa razão para se votar em Bush."

Comentário: O velho Alice ainda não teve o cérebro totalmente derretido pelos excessos... Bravo, Alice!!!


segunda-feira, agosto 23, 2004

Curso Filosofia - Prof. Olavo de Carvalho 21/08 - Porto Alegre


Depois de muitas dificuldades, correrias, atropelos e muita, muita ansiedade, finalmente no dia 21/08 tivemos a aula inaugural do Curso de Filosofia com o professor Olavo de Carvalho em Porto Alegre.

Olavo é o pensador com a visão mais lúcida e abrangente sobre a realidade político-cultural brasileira.

Visão que infelizmente nos é negada pelo ensino oficial neste país. Em país de cegos quem tem olho é rei ?
Pois está na hora de acabar com esta monarquia absolutista...

Se a guitarra do compositor socialista Woody Guthrie era uma "máquina de matar fascistas", o curso do Olavo pode ser comparado como uma motoniveladora pronta para derrubar nosso "Muro de Berlim" ideológico/cultural.

quinta-feira, agosto 19, 2004

The Modern Library - Os 100 melhores romances

A Random House divulga lista dos 100 melhores romances do século vinte, de autores de língua inglesa. Do lado dos leitores, Ayn Rand ganha de goleada:
- Atlas Shrugged e The Fountainhead estão em primeiro (Para quem não sabe, Atlas foi lançado no Brasil como "Quem é John Galt?").

No lado da comissão , ficam:
1) Ulysses - Joyce
2) O Grande Gatsby - Fitzgerald.

Até mais...

terça-feira, agosto 17, 2004

O coletivismo e a razão

Neste fim de semana tive a oportunidade de conhecer a extensão do pensamento coletivista no Brasil.

Participei de um evento sobre liberdade e livre iniciativa onde os conceitos e teses coletivistas disfarçados de "justiça social" foram os mais ouvidos e debatidos.

Isso me levou a pensar que nós, os liberais, temos um trabalho árduo a fazer. Costumamos pensar que as teses e os conceitos liberais por si mesmos, pela simples apresentação de sua base conceitual e de suas premissas poderiam realizar a grande transformação alquímica de transformar e converter coletivistas em aliados. Pensávamos que ideais tão elevados como a liberdade humana em toda a sua extensão fossem por si próprios auto-explicáveis.

Ledo engano.

O coletivismo já penetrou tão fundo na psique nacional que as pessoas com naturalidade já começam a defender até mesmo o fim da liberdade e do livre-arbítrio como necessárias para a obtenção da tão sonhada "igualdade".

Ultrapassamos um ponto perigoso. Os bons sentimentos originais já justificam medidas totalitárias com a maior desfaçatez do mundo. Coisas como "imposto progressivo", "limitação do consumo de supérfluos", "controle de preços" saem da boca das pessoas da forma mais natural e singela possível. E não falamos de militantes. Falamos de pessoas comuns expostas à doutrinação incessante da mídia, ensino e até de setores religiosos.

A simples demonstração de um egoísmo pessoal, de querer e ter o direito de desfrutar os benefícios do próprio trabalho sem que ninguém interfira é visto como uma coisa "condenável".

Ou seja: preferimos entregar ao governo de forma compulsória os recursos para ele "praticar o bem" mesmo prejudicando toda a população enquanto condenamos qualquer demonstração de egoísmo pessoal que não prejudica ninguém, pelo contrário - como já dizia Adam Smith - pode se transformar em bem comum quando satisfaz as necessidades da população.

Nosso grande trabalho é então mostrar sempre que possível a face amarga desta terrível doença nacional que é o culto ao estado.

Aqui vai a minha contribuição a este debate. Se refere a coisas que ouvi ultimamente. Vejam só:

"A utopia socialista é melhor do que a utopia capitalista" - este é uma inversão completa da realidade. O capitalismo aqui parece que foi urdido em meio a reuniões secretas de alguma seita obscura com o intuito de explorar e subjugar as pessoas. Exatamente o que foi o socialismo. Séculos de evolução tecnológica, mais as oportunidades surgidas de um mundo cada vez menor levaram ao refinamento da prática capitalista. Ela nunca foi "utópica". Ela é a realidade. É um erro pensar que o capitalismo seja utópico. Sobre o ponto de que o socialismo seja "melhor", basta estudar o que foi feito, ou melhor, o número de vítimas inocentes do socialismo para tentar descobrir no que ele pode ser melhor.

· "Só devemos adotar o liberalismo depois que as desigualdades forem minimizadas" - este discurso é geralmente associado a quem se diz liberal, mas acha que sua prática impossível no Brasil sem algumas premissas básicas. As premissas estão dentro do conceito liberal ao meu ver e não fora. O conceito Estado Mínimo não significa a ausência de regras e o "cada um por si". O acesso à saúde, educação e manutenção da segurança nacional são tarefas do Estado. Que deve continuar a mantê-las. Achar que o liberalismo só poderá ser implantado sem as desigualdades atuais da sociedade brasileira leva a pensar que alguma outra coisa que não o liberalismo, irá fazer a mágica de diminuir as desigualdades. O que seria? Não consigo pensar em nenhum outro sistema econômico que comprovadamente faça de forma competente a distribuição das riquezas dentro de uma sociedade do que o liberalismo. Ou existe?

· "O imposto progressivo é a solução para distribuir renda" - Tenho uma aversão de berço para com tudo o que tenha "progressivo" no nome: Igreja "progressista", Partido "progressista" e até mesmo o rock dito "progressivo" são tudo, menos progressistas. Eles na verdade escondem práticas caducas, totalitárias até (rococó no caso do rock) como sendo "modernas". Imposto progressivo então é o símbolo da pilhagem que os coletivistas querem fazer sobre aqueles que tem alguma competência para gerar riquezas. Seria o símbolo da parasitagem tributária em sua mais perversa versão. Parte da premissa falsa de que só se consegue sucesso no Brasil tirando de alguém. Os impostos seriam uma forma justa de devolver o que foi tirado indevidamente a alguém. Quer dizer: se eu trabalho muito e consigo com isso uma boa renda, devo ser penalizado por isso. Outra premissa embutida é de que se tirando dos mais ricos se poderia dar aos mais pobres. Nem uma coisa nem outra: o estado não consegue dar aos pobres nada diferente do que assistencialismo. O que os pobres necessitam é de desenvolvimento, acesso ao mercado, empregos. Que os mais ricos poderiam prover, se tivessem lucros suficientes para investir no próprio negócio. Ou mesmo parado num banco, possibilitando alguém obter um empréstimo para gerar mais emprego e desenvolvimento. Na realidade o que se consegue ao invés de dar aos pobres, é tornar todos mais pobres.

· "Os preços devem ser fiscalizados" - esta é antiga e o Brasil a praticou com resultados desastrosos por mais de duas décadas. Controlar os preços é mais ou menos como tentar tratar da febre colocando o termômetro na geladeira. Preços não são um sintoma de desajuste, são o ajuste possível para normalizar o mercado. Pela lei da oferta e da procura (incrível mas esta lei é a única que nunca foi regulamentada em nossa constituição "cidadã"), quando um item se torna escasso ele adquire um valor maior. Com o aumento natural de seu preço, esta escassez seria ajustada. Pois o preço por si mesmo faria esta mágica. De modo natural, sem intervenções. Numa sociedade com real competição não faltarão agentes que aproveitaram a ocasional alta de algum produto como uma oportunidade de negócios para outras alternativas. O mercado não ficará sem uma solução por muito tempo.

· "O governo deve confiscar mesmo, pois com dinheiro de sobra ninguém doaria mesmo" - é o sofisma mais cruel. Digamos que eu não seja caridoso nem tenha boas intenções. Por isso não faço caridade mesmo que tivesse os recursos para isso. E então delego ao estado/governo que o faça de modo compulsório. Quer dizer: eu não confio nem em mim, mas confio plenamente nas mãos do estado para fazer "o bem"... É um paradoxo brutal. O estado - formado por pessoas - tem qualidades superiores ao conjunto das pessoas que o forma.... Citei este caso como sendo uma espécie de "terceirização do altruísmo" em um comentário anterior.

Enfim, o que fica no final é que mesmo confrontadas com a razão as pessoas acabam radicalizando o modelo "social" e até justificando medidas ditatoriais e totalitárias em troca de um utópico - e mentiroso - "bem comum". O custo? Perder o próprio conceito de humanidade no trajeto...

É. Estamos bem piores do que eu imaginava....

terça-feira, agosto 03, 2004

Auto-definição dos liberais democratas americanos

Desolados grupos de democratas acharam o por que da falta de novas idéias nas fileiras dos "progressivos" americanos:

"Você aprende como se tornar a favor de qualquer assunto : pró-aborto, trabalhista, a favor dos advogados (em função de John Edwards). Você aprende a se tornar ambientalista. E você termina, neste processo, com nenhuma base filosófica mais abrangente. Você acaba sem idéias sobre segurança nacional. Você acaba sem idéias sobre história americana e sobre teoria política. Você acaba, falando francamente, sem idéias sobre macroeconomia ou política econômica, nada mais do que assustador"
Leia em Dissecting Leftism:

Ativistas Obesos protestam contra a "ind�stria da magreza"

Estava demorando para acontecer. Mas aconteceu.
E s� poderia ser nos Estados Unidos, onde a luta pelos "direitos" ganhou dimens�es �picas.

Ou seria mais um efeito contr�rio ao "politicamente correto"?

Talvez os dois: a luta pelos direitos de express�o dos politicamente incorretos...
N�o sei bem como enquadrar este fato.
Leia na �ntegra FOXNews.com - U.S. & World - Fat Activists Lash Out at Thinness Industry

Trecho: ""We're living in the middle of a witch hunt and fat people are the witches," said Marilyn Wann of San Francisco, a militant member of the National Association to Advance Fat Acceptance (search). "It's gotten markedly worse in the last few years because of the propaganda that fatness, a natural human characteristic, is somehow a form of disease."

No Brasil algu�m poderia imaginar os "movimentos" que poderiam surgir?

segunda-feira, agosto 02, 2004

O que ando ouvindo... "Tudo a ver"

"I'm the living result
Of a man who's been hurt a little too much
And I've tasted the bitterness of my own tears
Sadness is all my lonely heart can feel
I can't stand up for falling down"

"I can't stand up for falling down"(H. Banks & A. Jones)
Elvis Costello and The Attractions (1981- "Get Happy!")

Tudo O Que Voc� Queria Saber Sobre Amor e Casamento e Nunca Teve Coragem de Perguntar - Li��o 1

Amor e Casamento s�o como l�quidos imisc�veis: n�o se misturam...



sexta-feira, julho 30, 2004

Desinforma��o na ZH sobre o Sud�

Na edi��o de hoje - 30/07/04 - finalmente ZH abre espa�o para uma mat�ria sobre o genoc�dio no Sud�o.
Mas, como � t�pico em esquemas de desinforma��o, o faz pela metade. Em nenhum momento � comentado o fato de que os civis que est�o sendo assassinados covardemente s�o crist�os e seus algozes mu�ulmanos.
� o tema mais importante sobre o que acontece no Sud�o.

Na mesma edi��o no caderno de variadades � feita uma resenha sobre o novo filme de Philip Noyce ("Gera��o Roubada") denunciando uma tentativa governamental australiana da d�cada de 30 em eugenia - que consistia em segregar crian�as abor�genes para que aprendessem ingl�s e a cultura ocidental. Toda a �nfase foi dada pelo fato de o algozes terem sido "freiras" e "guardas".

N�o se trata de mentir. Simplesmente omitir fatos importantes e destacar outros. O efeito � o mesmo: o cristianismo � um "radicalismo" perigos�ssimo.

Ali�s a edi��o est� caprichada: "Kerry discursa como l�der"....Haja torcida.

segunda-feira, julho 26, 2004

Considera��es sobre Filantropia e Caridade

Uma das coisas que aprecio � a liberdade de pensamento.E noto que o livre pensar tamb�m leva ao livre-criticar . Principalmente quando a sua opini�o se contrap�e a alguma verdade "estabelecida".
Por verdade estabelecida hoje em dia significa simplesmente o que a maioria pensa. Mas contrapor ao estabelecido em face de conhecimentos novos adquiridos n�o � o dever de quem verdadeiramente quer entender as coisas como elas s�o e n�o o que elas representam? Acredito que sim. Este � o dever de quem se prop�e a buscar a verdade.
Mas �s vezes o conflito � inevit�vel. E se revela em coisas impens�veis.

Noto rea��es violentas sobre minhas opini�es sobre "caridade" e "filantropia", por exemplo. Est�o assim mesmo, entre aspas, pois h� muito deixaram de ter a motiva��o para as quais foram criadas.

Hoje em dia, estes termos s�o vistosos chamarizes de capas de revista tipo "Quem" ou "Caras". Um simples adendo - ou melhor um "adere�o" - adequado ao social-fashion deste in�cio de s�culo. Para qualquer um engajado a entrar no seleto rol do "beautiful people" � absolutamente obrigat�rio a participa��o em eventos e a��es de fundo social.
Antigamente os rich and famous disputavam com glamour o posto de dono do "maior iate do mundo" ou maior diamante, ou qualquer coisa do g�nero. Hoje em dia o t�tulo parece ser sobre quem poderia ser "o maior filantropo" do mundo. Disputa acirrad�ssima entre Gates e Turner.
Triste �poca em que os bons sentimentos se medem pelos cifr�es envolvidos.

Mas a verdade � que a diferen�a entre a primeira disputa e a segunda para os donos do dinheiro n�o assim t�o relevantes: a meta � gastar dinheiro da forma mais vis�vel poss�vel. E se hoje a notoriedade � dada para os filantropos, que se obtenha ent�o o t�tulo de o maior deles, o �nico t�tulo que vale a pena.

� claro que existem pessoas que o fazem por bons motivos - aqueles h� muito j� esquecidos como solidariedade, humanismo e genu�no amor fraternal - mas, esses via de regra n�o tem nenhuma necessidade publicit�ria sobre estes fatos.

Outro componente perverso deste sistema � que a caridade e a filantropia passam a ser quase compuls�ria - ou tu �s considerado um p�ria; Ou melhor um "ego�sta desprez�vel que s� pensa em suas nas suas necessidades e em acumular riquezas"

Sob esta �tica posso ser considerado um "ego�sta" que s� "pensa em suas necessidades e desejos". Pena n�o ser assim t�o simples. Criticar a filantropia-fashion n�o � ser contra ela. O problema no Brasil � que as pessoas pensam de forma bin�ria: ou � "1" ou � "0".

Em minha vis�o muitas vezes os que estas celebridades-filantr�picas fazem � o oposto: no intuito de "incluir" os necessitados, acabam por sufoc�-los ainda mais mais sob o r�tulo de uma pobreza irresolv�vel.

E erram o alvo duplamente, pois com suas atitudes acabam passando a id�ia de que a pobreza e a doen�a no terceiro mundo s�o chagas que o capitalismo nunca ir� resolver. Ou at� o contr�rio: eles acabam refor�ando a id�ia de que o capitalismo GERA A POBREZA. Ent�o se pode ler estes arroubos filantr�picos tamb�m com liberadores e absolvedores da "culpa" capitalista por ser respons�vel pelo aumento da pobreza do mundo.
Como se os pa�ses do terceiro mundo fossem capitalistas. E que a pobreza fosse o resultado natural deste processo.
Ledo engano.
O pior � que o filantropo-celebridade acaba se transformando em um Midas de sinal invertido. Quando ele resolve ajudar em algum assunto, por sua dimens�o midi�tica rouba tal assunto para si e acaba com qualquer chance de um debate honesto sobre o tema e a sua solu��o - afinal qualquer cr�tica ao filantropo-fashion acaba colocando seu autor contra os pobres exclu�dos.

Outra consequ�ncia � transformar problemas complexos em problemas totalmente insol�veis - tipicamente o tipo de problema suavizado pela filantropia. Na minha escala de resolvibilidade dos problemas , eles tem o seguinte ciclo : passam da solu��o emp�rica para a solu��o desp�tica ("fa�am do meu jeito" para depois passar pela fase racional - onde a maior parte dos problemas s�o resolvidos. Quando todo o racionalismo � esgotado, ent�o se pode tentar resolver pela ajuda humanit�ria. O problema � que muitos problemas acabam sendo "resolvidos" pela via humanit�ria sem ter nunca tentado uma solu��o racional - e justa - para o assunto. Mas quando chega ao n�vel humanit�rio n�o h� mais volta. Se o problema est� sendo resolvido na base da caridade e da filantropia, est� feito. Para que desenvolver outros programas, fortalecimento do mercado, da democracia e da educa��o se "n�o funcionaram"?

Insisto no tema que o maior bem que os capitalistas podem fazer ao mundo � levar as suas obras e seus neg�cios aonde eles s�o necess�rios.

A explos�o da filantropia-fashion ent�o tem duas vertentes: o narcisismo de seus praticantes e a isen��o da "culpa" pelos pecados do capitalismo.

A primeira � moralmente reprov�vel a segunda � resultado de uma doutrina��o gramsciana totalmente enganadora que efetivamente acaba atrapalhando a verdadeira solu��o: a institui��o de livres mercados acompanhados de democracia onde sejam necess�rios, pois capitalismo e livre mercado geram riqueza sim.

Ah! Mas n�o pensem que eu seja contra a caridade e a filantropia. Sou a favor. Mas � decis�o e a��o a ser tomada pelos indiv�duos. E de prefer�ncia de maneira discreta (caridade midi�tica n�o passa de "investimento em imagem" e n�o verdadeiro altru�smo).
Tudo bem, v�o dizer mas Bill Gates n�o tem o direito de gastar o seu dinheiro da maneira que bem lhe aprouver? Sim. Pode.
Mas, pelo amor de Deus, que isto n�o sirva de modelo nem uma obriga��o n�o escrita de "expia��o de culpa" capitalista.

Como dizia Oscar Wilde "Charity creates a multitude of sins."




quarta-feira, julho 21, 2004

Suécia, Welfare e eugenia

Fui acusado recentemente de ter "mentido" no artigo publicado no MSM sobre o welfare sueco. Na verdade o que houve foi um problema de tradução apressada e errada.

Onde se lê: "Nenhum novo emprego tem sido criado no setor privado sueco desde 1950." troque por "Nenhum novo emprego líquido tem sido criado no setor privado sueco desde 1950." Onde se lê: "...mais de 1 Milhão de pessoas estão sem trabalho e por volta de 4 milhões não tiveram emprego em 2003.." troque por "...mais de 1 Milhão de pessoas de um total de 4 milhões não tiverem emprego em 2003.."

Feito o registro, fica claro que o sentido do texto não foi alterado ou seja, a Suécia sofre com alto desemprego e baixa criação de novos empregos "líquidos".

Pesquisando sobre o modelo sueco e mais abrangentemente o conceito do welfare state, descobri uma notícia publicada em 1997 mas que foi aparentemente "esquecida" pelos meios de comunicação: a denúncia de um longo programa de esterilização em massa na Suécia, baseado na pseudo-ciência da eugenia. De 1935 até 1975 mais de 60.000 mulheres foram compulsoriamente esterilizadas.

A palavra eugenia nos remete diretamente à campos de concentração, Auschvitz e nacional-socialismo, não é mesmo?

Mas vamos aos fatos:

A denúncia - em 1997 era tornada pública a informação sobre o extendo programa de esterilização sueco "O painel dos investigadores determinou que 63.000 pessoas, a maior parte mulheres foram esterilizadas entre 1935 e 1975. Muitas das quais foram objeto deste procedimento por que foram consideradas racialmente inferiores ou mentalmente deficientes. Menores de idade, mentalmente retardados, epiléticos e alcoolizados estavam entre aqueles que foram submetidos à esterilização.." (fonte)

O autor - o autor da denúncia foi o jornalista Maciej Zaremba, que após um extenso estudo sobre o caso publicou a história no maior jornal sueco o Dagens Nyheter . ".. Zaremba leu tudo o que pode sobre esterilização na Suécia e em outros países (uma obra de referência foi "Eugenics and the Welfare State" do sueco Gunnar Broberg nunca editado em seu país de origem) - incluindo os EUA, onde esterilização forçada de pessoas mentalmente desabilitadas, certos tipos de criminosos entre outros foi legalizada em diversos estados desde 1907 e continuados até os anos 60. Na Suécia, no entanto, Zaremba aprendeu que o programa de esterilização foi baseado no estudo da eugenia, uma pseudo-ciência devotada a criação de uma 'raça superior'. Mas o programa foi expandido em 1941 para incluir qualquer sueco que exibisse um comportamento julgado pelo estado como 'anti-social'" (fonte)

As conseqüências - no mesmo ano de 1997 o caso foi oficialmente reconhecido pelo governo sueco e - depois de alguma hesitação - foi instituido um programa de compensação às vítimas. Na ocasião a ministra do social affairs, Margot Wallstrom , primeiramente fez pouco caso das denúncias: "Não havia nada de secreto sobro o programa de esterilização. Ele foi conduzido à luz do debate público num tempo que o suecos acreditaram que estivessem criando uma sociedade que seria objeto de inveja ao olhos do mundo". Suas declarações - depois da repercussão da história - mudaram para "O que aconteceu foi uma barbárie e os Sociais Democratas são parte de uma culpa coletiva que inclui a todos".

A extensão - Pela pesquisas, apesar de diversos países terem adotado a eugenia - especialmente a esterelização forçada -, é fato se notar que nenhum outro regime, com exceção da Alemanha Nazista tenha implementado um programa que tenha afetado um percentual tão alto da população como na Suécia. Ou seja, em termos per capita o programa eugênico sueco só perdeu para o modelo nazista. Se considerarmos no entanto somente a prática da esterilização forçada - uma vez que o regime nazista usou ainda de outros métodos como abortos, eutanásia além da simples eliminação dos "mais fracos" - vemos que o caso Sueco em termos percentuais é o maior de todos. Vejam:

Suécia - 0,70% da população afetada (62.000 de uma população de 8,9M)
Alemanha - 0,49% da população afetada (400.000 de uma população de 82M)

Estados Unidos - 0,02% da população afetada (64.000 de uma população de 288M)

Social-democracia e eugenia - foi alegado que o programa iniciou em 1935 na Suécia e que SOMENTE em 1950 os sociais democratas subiram ao poder. Errado. Os sociais-democratas tomaram a maiorias das duas casas no parlamento sueco em 1932. A participação dos outros partidos foi minoritária. O componente eugênico era parte fundamental do programa de governo social-democrata, pois apenas dois anos após sua subida ao poder o programa foi implementado.

Welfare e eugenia - Outra alegação é de que outros países adotaram a eugenia e não eram sociais-democracias. Certo. Mas o que está em questão não é exatamente o social-democracia , mas seu componente central o welfare. Todos os países que adotaram algum tipo de controle eugênico mantinham algum tipo de benefício ao estilo welfare. Incluindo os Estados Unidos, por exemplo.A explicação é brilhantemente explicada por Nick Gillespie , editor do "Reason magazine" no artigo "O Alto Custo do Bem Estar Social" "[As recentes revelações] mostram como um supostamente estado de bem-estar social, em que a Suécia tem sido longamente considerada como o exemplo primordial, ao final acaba criando uma sociedade fechada que deve se livrar de qualquer um que possam representar um gasto inútil de recursos públicos. De fato, a simples lógica explica por que a social-democracia sueca pôde ao mesmo tempo construir um modelo de estado de bem estar social e executar um programa de esterlização em massa".

As diferenças - diferentemente das práticas eugênicas em outros países - que receberam apoio científico e popular, este último em grande parte como uma forma de proteger os laços de família e tradições da invasão pela imigração e que eram basicamente aplicadas em casos criminais e deficiência mental - a eugenia dentro do welfare tinha o componente de engenharia social. Nos casos levantados durante os quarenta anos de sua prática foram catalogados como alvo da prática de esterilização forçada os considerados ou portadores dos "males" de inferiores, indesejados, portadores de deficiências (como falta de visão lateral), psicopatia, vagabundagem, baixo Q.I.( jovens que não tinham bom desempenho escolar poderiam ser objeto do programa de esterilização), aborto (em alguns casos a esterilização era obrigatória para se obter permissão da execução de um aborto "legalizado"), "criminosos" (gurias de 15 anos foram esterilizadas pelos crimes de ir a bailes ou pertencer a grupos de motociclistas bem como jovens rebeldes também entraram na lista por não terem "boa capacidade de julgamento"), orfãs (muitas foram esterilizadas sob a promessa de liberação das creches comunitárias ou de escolas especiais , num evidente caso de chantagem oficial).

Num outro programa, notável pela sua bizarrice e perversidade, o governo forçou centenas de deficientes mentais a consumir balas e outros tipos de doces de modo a estudar seus efeitos na progresssiva deterioração dos dentes ("Pensávamos que estávamos fazendo uma boa ação", um dentista explicou).

O motivo - além das razões pecuniárias existia outro motivo para a aplicação da eugenia como o fator chave no modelo do welfare state: a reforma total da sociedade. Outro dos objetivos laterais da eugenia era a supressão dos traços burgueses na formação da família sueca. Moldar um país com apenas 8,9 milhões de habitantes parecia uma tarefa visionária a ser obtida com as políticas do welfare. O governo em todos os seus níveis assumiu então um caráter paternalista da sociedade. Allan Carlson, citando um oficial do governo sueco (escrito em maio,1990) "Eu gostaria de abolir o conceito de família como um meio de sustento e de convivência das pessoas, deixar os adultos serem economicamente independentes um dos outros e dar à sociedade um maior responsabilidade pelas crianças". Carlson em "The Myrdals and the Interwar Population Crisis" (Transaction Books, 1990).

Abrangência - somente países não católicos implementaram políticas eugênicas. A reprovação à eugenia entre os católicos tem a mesma raiz na condenação do aborto e ao uso de técnicas abortivas de interrupção da gravidez dos dias atuais.

Conclusão: A prática da eugenia era um componente estrutural nas políticas de welfare implantadas em qualquer lugar do mundo. Como na Suécia e nos países nórdicos a aplicação "conceitual" do welfare foi conduzida de modo mais longevo e profundo, a consequência notável foi a aplicação em sua total extensão das ferramentas e programas "científicos" que o embasaram.

Concluindo novamente com Nick Gillespie: "Os apoiadores do welfare state gostam de dizer que 'impostos são o preço a pagar pela civilização'. Eles argumentam que a única maneira de criar uma sociedade justa é financiando os gastos com saúde, educação, aposentadorias e deve ser feito através de dinheiro público.

Mas com as recentes revelações da Suécia, isto nos lembra que o tal 'preço' a pagar é frequentemente muito alto. De fato, às vezes custa a própria civilização".

quinta-feira, julho 15, 2004

As aventuras de um pai de fim-de-semana

Hoje vou escrever sobre um assunto um pouco diferente dos habituais.
Estou passando por algumas transforma��es pessoais sendo que a
consequ�ncia maior delas foi a altera��o da minha condi��o de pai
"full-time" para pai "part-time".

Nesta nova condi��o comecei a encontrar algumas dificuldades sobre
temas que at� ent�o eram resolvidos com a ajuda de terceiros (ali�s
"de primeiras") e agora tive que come�ar a resolver all-by-myself.
Especialmente se tu �s pai de uma garotinha de cinco anos.
Os temas em quest�o, com escala de complexidade crescente e que at�
agora nunca tinha prestado a devida aten��o, s�o de aplica��o complexa
e exigem uma abordagem adequada. Participa��o em festas infantis e a
compra de uma botinha infantil feminina exigem aten��o e t�cnicas
compat�veis com os resultados desejados.

No mundo de hoje, com manuais de auto-ajuda (que devem servir para
quem tem autom�vel, em minha parca experi�ncia "t�cnica"), livros
sobre t�cnicas gerencias (encontrei at� um novo sobre
"trash-management": ensinamentos do "Jornada nas Estrelas" aplicadas
aos neg�cios) e outros tantos que eu pensei que houvesse algum que
pudesse ensinar t�cnicas de gerenciamento e coordena��o de projetos
para esta nova classe de de "part-time fathers".
Infelizmente n�o encontrei...

Portanto resolvi escrever o meu pr�prio livro, o "part-time father -
uma abordagem pr�tica" ou "como ser respons�vel SOMENTE nos fins de
semana"...

Os primeiros cap�tulos est�o aqui....

Atividades de dif�cil conclus�o:

1) Compra de botinhas infantis - para menina: A m�e de minha filha me
deu a seguinte miss�o - comprar uma nova botinha para minha filha. Mas
teria que ter algumas carater�sticas especiais: solado baixo e cano
baixo, pois minha filha queria poder correr e brincar livremente com
elas. A princ�pio n�o entendi mas decidi enfrentar a tarefa...
Quase uma hora depois, depois de passar por "N" lojas descobri o
seguinte: a ind�stria cal�adista acha que gurias de 5 anos s�o
vocalistas de bandas teen estilo "Spice Girls" ou tem algum talento
inato para equilibrismo circense. Todos os modelos que achei tinham
mais de 8 cent�metros de salto e cano alto at� o joelho. Dificuldade
de tirar e colocar alt�ssima, sem chance para poder correr e brincar
livremente. Gurias de 5 anos devem ter interesses diversos... Mas n�o
a minha!
Sempre achei que os capitalistas pudessem preencher os desejos do
mercado (meus desejos) com produtos compat�veis. Descobri que neste
mercado os fabricantes fazem produtos para atender os desejos da...
Xuxa, Sandy e Ang�lica.
Quase tive que recorrer a uma botinha masculina.... Mas fui salvo por
uma santa lojista. Que por acaso tem filhas da mesma idade que a minha
e a mesma dificuldade em encontrar produtos compat�veis...
Primeira miss�o cumprida.

2) Festinha infantil - fatalmente elas acontecem no fim-de-semana. E
ter� de ser voc� o respons�vel para comprar o presente para o
aniversariante e de levar sua filhota na festa. Na hora de comprar o
presente, n�o d� bola para os conselhos de terceiros: entre na
primeira loja de 1,99 (supermercado tamb�m vale) e compre o presente
mais pr�ximo dos R$10,00 pelo limite inferior: o aniversariante vai
ganhar muitos e melhores presentes de parentes. O importante � ele n�o
se desmanchar antes da abertura do pacote.
Outro ponto muito importante � ler DETALHADAMENTE o convite de
anivers�rio, se poss�vel decorar o endere�o.
No fim-de-semana �ltimo quase aconteceu uma trag�dia.
Tive que levar minha filha a um evento social deste tipo e n�o me
detive a estes detalhes. A festa em quest�o era de uma colega de van -
companheira de viagem de minha filha ao col�gio - que estava de
anivers�rio. O resultado foi que ao inv�s de ir ao endere�o oficial eu
fui num alternativo - na mesma rua s� que a umas 10 quadras do local.
O pior � que s� fui me dar conta depois de mais de meia hora no local.
Neste meio tempo eu entrei no local, cumprimentei uma senhora na
entrada ("Eu sou o pai da Lu�sa"), entreguei o presente assinado pela
minha filhota, que foi colocado num cesto gigante na entrada e
finalmente cpassamos �s brincadeiras: cama el�stica, depois pula
pula.. Neste meio tempo fui conseguir um refrigerante e um
cachorro-quente. Como sabia que n�o ia conhecer ningu�m na festa
estava tudo bem.
Quando ent�o, de mini hot-dog e "refri" na m�o passei em frente � mesa
com o bolo de anivers�rio e toda decorada.... com motivos dos
"Super-Amigos"... Isto � decora��o de anivers�rio de guri!!!
Puxei o convite de anivers�rio. O motivo era "Hello Kitty"....
Houston, temos problemas.
Mas nada de p�nico. Li a rua e o n�mero no convite. Chamei um
funcion�rio e perguntei qual era o n�mero daquele local: totalmente
diferente!!
Imediatamente chamei a Lulu: "Venha aqui r�pido!" disse "P�e as tuas
botas e teu casaco e n�o fa�a barulho algum". "Este n�o � o
anivers�rio de tua amiga"... Ela disse: "OH! Bem que eu vi que este
era anivers�rio de guri!".
Calcei sua botinha, coloquei o seu casaco e fomos para a sa�da. Uma
d�vida me atormentava: o que diria para a senhora que estava na
recep��o (tia? Av� do aniversariante?).
Felizmente a recep��o estava VAZIA. Barra limpa!!
Ops! E o presente? Se deixasse, o aniversariante seria brindado com
uma boneca, que ele nem usaria, e a verdadeira aniversariante ficaria
sem presente algum...
Humm, observei que a cesta de brinquedos estava l�, intocada...
Olhei para os lados e observei que o pacote do nosso brinquedo se
destacava negativamente dos outros (pacote feito por mim e assinado
pela minha filha: "�nico"). Depois de outra olhada em volta, meti a
m�o fundo no cesto e consegui tirar nosso pacote sem despertar aten��o
alguma. Escondi o pacote em meu casaco e conseguimos nos safar da
festa.
Dez minutos depois est�vamos na festa certa. Pena que perdemos o bolo
de anivers�rio. Mas tudo bem.
Na sa�da uma promessa: "Lu�sa, tu N�O contas para a tua m�e sobre
isso, ok?" "Certo, papai!!!"
Ufa! Miss�o cumprida.
Pelo menos at� o pr�ximo fim-de-semana...

quarta-feira, julho 07, 2004

Olavo de Carvalho, Lobos e Rinocerontes

F�lix Maier, em artigo publicado em 2002 tratou Olavo como "Denisovich" Carvalho - relacionando-o � obra de Alexandr Solzhenitsyn "Um Dia na Vida de Ivan Denisovich" - e terminava com a cita��o "dize-me o que pensas de Olavo de Carvalho e eu te direi quem �s".

Pois aqui fa�o minha humilde vers�o, reconhecendo a refer�ncia direta da den�ncia na obra do nosso fil�sofo com os "Rinocerontes" de Eugene Ionesco.

A similaridade da den�ncia social de Ionesco - baseada no espanto provocado pela convers�o generalizada de tantos pensadores livres aos ideais fascistas antes, durante e depois da segunda guerra mundial- e da den�ncia Olaviana de que vivemos num pa�s em que a elite intelectual de livre e espont�nea vontade tamb�m escolheu o mesmo caminho � impressionante.

O processo de imbeciliza��o coletiva preconizado nos artigos e livros de Olavo - principalmente no "Imbecil Coletivo", de 1996 - tem o seu precursor na not�vel obra teatral de Ionesco "Os Rinocerontes".

Nosso imbecil coletivo pode ser descrito como um primo muito pr�ximo dos rinocerontes Ionesquianos. Minha desconfian�a � que o imbecil seja o estado larval imediatamente anterior ao rinocerantismo. Com o mesmo teor absurdo.

A obra de Ionesco era baseada no sentimento do absurdo al�m da compreens�o sobre como a ra�a humana, especialmente a elite da elite - os intelectuais da Europa - pessoas livres e bem pensantes poderiam se dedicar a defender atrocidades totalit�rias em nome e em troca de abstratos "bons sentimentos".

A mesma situa��o se aplica ao cen�rio nacional. Mas Olavo n�o teve a mesma recep��o de sua plat�ia. Enquanto a obra de Ionesco at� hoje � cultuada como um vigoroso protesto contra os totalitarismos e o processo de boviniza��o do seres humanos, tal qual "1984", a den�ncia de nosso "Imbecil Coletivo" n�o teve o mesmo destino. Ao inv�s de desnudar o processo de imbeciliza��o �s massas, de modo cristalino e factual, o que se seguiu aqui foi a eleva��o de seu autor � categoria de celebridade com sinal invertido.

Se visitarmos alguns sites na internet ou f�runs de discuss�es iremos encontrar toneladas de palavras vazias e iradas contra a obra de Olavo. Muitas opini�es baseadas em outras opini�es, que s�o ainda criadas em laborat�rio pelos nossos engenheiros sociais.

Algumas vezes nosso fil�sofo parece ter se tornado n�o uma figura de carne e osso, mas mais uma "lenda urbana" que infestam a internet ("Olavo n�o existe" � um dos temas recorrentes nestes f�runs). Outras vezes � pintado como uma vers�o daquilo mesmo que est� a denunciar: um fascista, um nazista....

Quando as emo��es, os tais "bons sentimentos" vazios, destitu�dos de sentido mais amplo, dominam os argumentos de quem se pretende mudar o pa�s, s� posso chegar a seguinte conclus�o: Olavo, chegaste tarde demais!!

A imbecilidade coletiva j� se elevou ao "state of the art" neste pa�s. � quando o imbecil, encontrando seus pares em tal elevado n�mero se acredita poderoso o suficiente para definir o que seja "verdade". Para eles, a verdade n�o se revela no rec�ndito secreto de sua pr�pria consci�ncia. N�o, a verdade � o consenso do grupo. A vers�o atual de realidade, neste contexto pode ser definida como uma grande vota��o num reality show: o importante � "acertar" o que a maioria ir� decidir. Ficar com a maioria. Fazer parte do grupo. That�s reality...show.

Aos poucos que conseguem enxergar o processo - ao longe, tais como lobos solit�rios (pois � necess�rio uma dist�ncia profil�tica desta manada para evitar o cont�gio)- verificam a transforma��o do nosso jovem em imbecil, e finalmente de imbecil em rinoceronte.

A figura do rinoceronte � muito feliz nesta analogia: contra uma manada de rinocerontes enfurecida n�o h� nada que possa ser feito.

Chegamos tarde: os imbecis j� est�o em franco processo de rinoceriza��o. S� resta a n�s solit�rios lobos da estepe, o momento certo de correr....

terça-feira, julho 06, 2004

A trai��o de Hollywood aos valores americanos

O site Dissecting Leftism traz uma contribui��o valiosa �s causas da moderna Jihad e ao anti-americanismo:
"Estou t�o contente em conhecer sua fam�lia" disse uma mulher isl�mica a um visitante americano. "'N�s pens�vamos que os americanos n�o tinham valores, que eles eram materialistas e s� pensasem neles mesmos. Pens�vamos que n�o havia compromisso com as crian�as e suas fam�lias, que todos viviam na imoralidade. � t�o maravilhoso ver que estas coisas n�o s�o verdade!' E de onde vem esta imagem da Am�rica? Se algu�m planejasse criar uma poderosa estrat�gia de propaganda para desacreditar completamente os valores americanos, n�o teria pensado em nada t�o efetivo quanto os produtos made in Holywwod mostrados � bilh�es de pessoas todos os dias".

Realmente se pode dizer que a ind�stria do cinema e da m�dia em geral Norte-Americana � o maior promotor do anti-americanismo e at� da Jihad, pois promovendo os valores que s�o o contr�rio dos verdadeiros valores da sociedade americana, atraem a ira dos fundamentalistas para com os n�o-fi�is.

N�o tinha me dado conta, mas o fato de que Holywood tenha sido o primeiro (e maior) foco de "invas�o" e coopta��o do Partido Comunista Sovi�tico dentro dos Estados Unidos n�o pode ser por acaso.
Leio alguns textos que a estrat�gia da tomada de Hollywood s� foi tentada ap�s a primeira e fracassada investida direta no meio sindical americano.

Olhando deste ponto de vista, � fundamental ter um servi�o de propaganda negativa funcionando e financiado inteiramente pela pr�pria "v�tima"...

segunda-feira, julho 05, 2004

Socialismo: a "terceiriza��o" do altru�smo...

Estive pensando longamente por que um modelo falido como o socialismo
ou o comunismo - ou qualquer outra ideologia coletivista - t�m tanto apelo no subconsciente coleti�vo nacional.

Por exemplo: o 'novo' partido do rebeldes do PT. � claro que tinha que ter 'socialismo' obrigatoria�mente no nome, e se sa�ram com um nome digno de Ionesco:'Partido do Socialismo e da Liberdade', ou simplesmente P-Sol. Parece nome de doen�a capilar.. 'Livre-se da 'P-Sol'-r�ase!'

Retornando: A causa primordial � a estrat�gia gramsciana de ocupar os espa�os, emulando uma
sociedade "socialista" em toda a sua express�o cultural. Isto explica o atual estado das coisas e � percebido pelo uso da linguagem como arma de transforma��o social. Este esquema mental � t�o poderoso que at� not�rios pensadores liberais e conservadores acabam, em algum ponto, escorre�gando no discurso f�cil de "justi�a social" e cidadania, por exemplo.

Mas isso n�o poderia por si s� exercer tanta atra��o sobre por��es t�o grandes de nossa popula��o.
Por qu� o socialismo agrada tanto aos ouvidos das massas?

A minha opini�o � por que existe um outro componente: o discurso do desapego "material" e da caridade, contrabandeados sorrateiramente do universo crist�o para dentro do socialismo.

O altru�smo e a caridade s�o fortes elementos nas doutrinas crist�s, s� que o ator principal - dentro de sua concep��o - � o indiv�duo. A responsabilidade por tais atos pertence ao indiv�duo. Os conceitos de caridade e altru�smo n�o podem ser coletivizados. Mas isso n�o � considerado ou levado em conta e como o discurso se casa com o do igualitarismo, acaba projetando �s massas que a responsabilidade por ajudar os mais pr�ximos N�O � de responsabilidade do indiv�duo, mas do 'MODELO ECON�MICO'.

Dentro desta vis�o, a maldade impl�cita do modelo capitalista fica evidente, pois os elementos ou o 'mercado' n�o pensa no coletivo.Ent�o o modelo socialista � '�ticamente' superior ao modelo capitalista.

Com o socialismo como 'mocinho' e o capitalismo como 'bandido' neste tele-catch farsesco montado pela esquerda, n�o � de estranhar que a plat�ia tor�a entusiasticamente pelos primeiros.

Isto � particularmente atraente, principalmente entre a popula��o mais jovem, que acabam associando as responsabilidades pela caridade ou altru�smo ao Estado. O socialismo da "inclus�o social" e do igualitarismo seria ent�o a solu��o ideal para aqueles que se preocupam com os mais necessitados mas n�o querem perder tempo com tarefas relacionadas a isso. Como o igualitarismo � uma tarefa do Estado, eu - pessoa f�sica - n�o precisaria me preocupar com tais detalhes.
O Estado faria a sua parte, levando o bem-estar e os "direitos sociais" �s faixas mais carentes da popula��o. Simples, sem envolvimento pessoal, sem obriga��es .
O pre�o a pagar, na forma de altos impostos (embutidos em todos os bens e servi�os obtidos ou contratados pela popula��o) seriam uma justa medida, haja visto o n�mero aberrante de pessoas vivendo "abaixo da linha da pobreza" e a brutal desigualdade social neste pa�s.

O efeito colateral seria ainda mais ben�fico: resolvidas as responsabilidades sobre quem deve agir - no caso, o Estado - as pessoas, tranquilizadas (eu diria "entorpecidas") de que "algu�m"
estaria fazendo "a sua parte", estariam liberadas ent�o para se dedicarem ao que lhes � mais caro e importante - segundo a �tica dos formadores de opini�o deste pa�s - o seu pr�prio umbigo.

Na sociedade brasileira atual isto � terrivelmente vis�vel. Enquanto se espera do governo que gere o desenvolvimento, que resolva os problemas da "fome", da sa�de, da educa��o de toda a popula��o,
o que se espera dos indiv�duos?
Aos indiv�duos, resta o conforto de se preocupar com o que o Estado permite que sejam decis�es pessoais, que se resumem no que consumir, em que quantidade ou que frequ�ncia. Com o que sobrar.

Resumindo: O socialismo representa uma esp�cie de "terceiriza��o do altru�smo", no qual as pessoas acreditam por que a contrapartida tamb�m � vantajosa: libera as pessoas de terem de se preocupar com seu semelhante, afinal tal 'tarefa' caberia ao Estado. Mesmo a um pre�o alt�ssimo.

Esta tamb�m � uma das raz�es do sucesso do discurso coletivista em nosso pa�s.

Artigo: Olavo de Carvalho - Evolu��o e Mito

Segue artigo de Olavo de Carvalho (jornal da tarde - 06/05)

"As discuss�es correntes sobre evolucionismo e criacionismo, ci�ncia e f�, espiritualismo e materialismo, s�o em geral bem pobres de compreens�o filos�fica, em compara��o com a riqueza de dados e argumentos que p�em em jogo. Se eu metesse minha colher no assunto, seria apenas no intuito de chamar a aten��o para algumas precau��es b�sicas que t�m sido a� bastante negligenciadas.

� que o ser humano s� tem tr�s linguagens para dar forma ao que apreende da realidade: o mito, que expressa compactamente impress�es de conjunto; a ci�ncia experimental, que descreve e explica grupos particulares de fen�menos segundo um protocolo convencional de m�todos e aferi��es; a filosofia, que faz a transi��o entre as duas anteriores. Qualquer conhecimento satisfat�rio das origens escapa necessariamente �s possibilidades da ci�ncia, j� que a descoberta delas seria apenas mais um cap�tulo do mesmo processo c�smico que se pretende explicar e n�o um miraculoso arrebatamento da mente cient�fica para fora e para cima do processo. Um evolucionismo conseq�ente teria de explicar-se a si mesmo como etapa da evolu��o, mas para isso seria for�ado a abdicar da pretens�o de veracidade literal e consentir em ser apenas mais um s�mbolo provis�rio depois de tantos, sujeito, como todos eles, a converter-se no seu contr�rio mais dia menos dia. A �nica verdade do evolucionismo � a de uma contrapartida dial�tica do criacionismo, assim como nenhum criacionismo pode existir sem deixar aberta alguma brecha evolucionista.

A intelig�ncia humana tende na dire��o de um conhecimento explicativo das origens e dos fins e sente por ele uma atra��o que � elemento constitutivo e essencial da sua estrutura; mas uma tend�ncia n�o � e n�o ser� jamais uma realiza��o. O ideal da ci�ncia como conhecimento universal apod�ctico � ao mesmo tempo uma miragem inalcan��vel e o princ�pio efetivo que d� estrutura e validade ao esfor�o cient�fico. � algo simultaneamente real e irreal ? exatamente como o significado dos mitos, que brilha na dist�ncia mas se furta a uma decifra��o cabal. Toda ci�ncia, nesse sentido, � ritual: cont�nua reencarna��o c�nica de um sentido inaugural (e ao mesmo tempo �ltimo) que nem pode desaparecer por completo do cen�rio vis�vel nem manifestar-se por inteiro dentro dele, pela simples raz�o de que o abarca e transcende. ?Nele vivemos, nos movemos e somos?, dizia o Ap�stolo.

Por isso a busca incoerc�vel e insaci�vel do conhecimento apod�ctico, tal como o conhecimento potencial que nela j� se insinua, s� � apropriadamente expressa na linguagem mitol�gica, e isso � tanto mais verdade quanto mais essa tend�ncia se amplia para abarcar a ?totalidade?. Toda teoria cient�fica ou especula��o filos�fica das origens desemboca, em �ltima inst�ncia, no mito, e acus�-la de mito n�o �, por isso, uma obje��o s�ria. Tanto o evolucionismo quanto o criacionismo s�o mitos, isto �, narrativas anal�gicas, insinua��es finitas de um conte�do infinito, separadas do seu sentido por um hiato t�o imensur�vel quanto esse mesmo sentido.

Todos os mitos giram em torno de dois modelos b�sicos: o criacionismo b�blico e o casualismo epicuriano. Entre esses dois, n�o se trata de escolher o mais "cient�fico", o que seria apenas uma confus�o de planos, uma "met�basis eis allo gu�nos" (troca de g�neros), e sim de averiguar qual o mais apropriado � express�o da estrutura da realidade existencial e portanto ao adequado posicionamento do homem no processo c�smico. Como esta estrutura � observada desde dois pontos de vista -- a confian�a dos crentes num Deus bondoso e o sentimento gn�stico de abandono --, sem que um possa suprimir o outro, de vez que ambos constituem elementos estruturais da mesma condi��o humana que se desejaria expressar, o debate deve ser transferido do terreno das pretens�es cient�ficas para o da adequa��o existencial. � no autoconhecimento, e n�o em especula��es cosmol�gicas despropositadas, que se descobre, quando se pode, a efic�cia maior e a maior legitimidade intelectual do criacionismo, o que n�o nos d� evidentemente os meios de "refutar" o casualismo, mas apenas o de desmascar�-lo como mentira existencial. Menrira existencial porque, n�o podendo explicar-se a si mesmo como etapa do processo, n�o reconhece essa sua impot�ncia constitutiva e em vez disso se refugia num arremedo de transcend�ncia, a pretens�o de certeza cient�fica final habilitada a exorcisar para sempre todos os mitos. "


Olavo de Carvalho � professor de filosofia,
diretor do Semin�rio de Filosofia do Centro Universit�rio da Cidade (RJ)
e autor de "O Imbecil Coletivo:Atualidades Inculturais Brasileiras"
Link para o artigo olavodecarvalho.org

sábado, julho 03, 2004

Evolucionistas e criacionistas

Eis abaixo um artigo do Olavo de Carvalho falando sobre o assunto:
Talvez não haja mais eloqüente sinal da miséria mental dos nossos tempos do que o debate entre o evolucionistas e anti-evolucionistas. Nunca tanta informação científica foi usada a serviço de idéias tão simplórias e filosoficamente insustentáveis.

Invariavelmente, a questão toma aí a direção de um confronto entre a combinatória espontânea e a idéia de um “propósito” da criação. Se for possível provar que o homem como espécie biológica nasceu de adaptações oportunistas às exigências do meio-ambiente físico, acreditam os materialistas, estará derrubada a hipótese de um plano inteligente na engenharia da criação. Inversamente, para sustentar essa hipótese, será preciso reduzir cada passo da história natural a uma etapa lógica de um longo silogismo cosmogônico cuja premissa maior seriam as metas fixadas por Deus antes da criação do mundo.

Em termos aristotélicos, é uma disputa entre causas eficientes e causas finais. O método consiste portanto em examinar as primeiras para saber se elas se bastam a si mesmas ou se exigem uma explicação suplementar finalística.

O papa atual do evolucionismo, Richard Dawkins, simplifica ainda mais a fórmula do problema: trata-se apenas de saber se “organizações complexas”, como homens e computadores -- e homens que fazem computadores -- podem ser explicadas a partir de meros arranjos bem sucedidos ou se requerem um plano inteligente. Se a sucessão de arranjos não deixar nenhum hiato para as causas finais, adeus causas finais. Os adversários do evolucionismo, por isso, são pertinazes buscadores de hiatos na sucessão de arranjos oportunistas (ou causas eficientes).

Ninguém aí parece se dar conta de que a finalidade de qualquer coisa transcende, por definição, a existência material dessa coisa. Nenhum ente, examinado nas minúcias da sua constituição imanente, revelará jamais sua finalidade, porque esta, se existe, só pode realizar-se para além dele. Sinais que insinuem uma finalidade podem-se talvez encontrar no corpo do imanente, porém sempre juntos com indícios contraditórios que ao menos pareçam desmenti-la. Se a finalidade estivesse explícita, manifesta, nítida na atualidade corporal do ente, ao ponto de poder ser provada empiricamente como um dado sensível, ela estaria, por isso mesmo, plenamente realizada na existência atual, sem qualquer necessidade de um salto para o transcendente.

Mais ainda, nenhum fato, por mais simples que seja, pode produzir-se sem o encadeamento completo de suas causas eficientes, acidentais inclusive. Se por explicação se entende a reconstituição intelectual desse encadeamento, todo e qualquer ato ou acontecimento pode ser inteiramente “explicado” por suas causas eficientes, sem qualquer necessidade de uma causa final. Esta só aparece pelo sentido total do resultado último, que se estende para além da materialidade do fato mesmo.

Por exemplo, toda a sucessão causal de gestos que um marceneiro realiza para construir uma mesa tem de poder ser explicada pelas causas psicofisiológicas e processos mecânicos postos em movimento durante a operação. Se um só desses elementos falhar, a mesa não chegará a existir. Logo, a sucessão das causas eficientes não pode ser incompleta. Se dependêssemos disso para poder apostar numa causa final da mesa, jamais as mesas teriam qualquer finalidade ou utilidade. A finalidade -- portanto a intenção -- só se revela no sentido da forma final tal como este se revelará no uso que alguém possa vir a fazer da mesa. Este sentido evidentemente está para além da sucessão de gestos do construtor, portanto também além da operação total de construção da mesa. Nenhum exame das operações realizadas pelo marceneiro, bem como das transformações sofridas pela madeira durante essas operações, nos dirá jamais para que serve uma mesa ou o que o marceneiro tinha “em mente” ao construí-la. É verdade que o uso previsto determina a forma essencial da mesa; mas a conexão entre a forma essencial e a seqüência da construção é meramente acidental, já que há muitas maneiras de construir uma mesa. Logo, o conhecimento dessa seqüência, por si, não pode mostrar o propósito final senão a quem o conheça antecipadamente.

Se isso é assim para a simples fabricação de um artefato, quanto mais não o será para a totalidade operante da natureza universal!

No entanto, os evolucionistas não cessam de tentar completar a descrição em detalhes do processo originante dos seres da natureza, na esperança de suprimir as causas finais, e os anti-evolucionistas não cessam de buscar hiatos nesse processo, na esperança de salvá-las.

A dose de canhestrice filosófica necessária para se empenhar em qualquer dessas linhas de argumentação é formidável.

A rigor, seria inconcebível, metafisicamente, um mundo criado que mostrasse claramente, nos lineamentos da sua construção material, a prova da sua finalidade. A razão disto é simples. Nenhuma realidade concreta pode consistir somente de seus traços essenciais, reveladores da sua natureza. Tudo o que existe requer, para existir, a concorrência de um número ilimitado de acidentes que preparam, acompanham e sustentam sua existência. A possibilidade de localizar, na malha de acidentes, a linha nítida de uma “finalidade”, é praticamente nula. Sinais, indícios da finalidade, certamente existirão, mas sempre de mistura com uma massa obscura de acidentes fortuitos que ao menos parecerão desmenti-la e que a desmentirão mais ainda se, na esperança de encontrá-la, revirarmos cada um em busca de descobrir as causas eficientes que os produziram; pois nada acontece sem causa eficiente e a descoberta das causas eficientes que produziram os acidentes pode prosseguir indefinidamente, sem que jamais se reconstitua a lógica do todo.

Por exemplo, a execução de uma sinfonia consiste de uma grande número de gestos corporais e efeitos mecânico-acústicos que, rastreados um a um, dissolverão cada vez mais a forma final da sinfonia num caos de processos fisiológicos e físicos nos quais será impossível encontrar o menor sinal de uma “idéia musical”. É deplorável o esforço com que os anti-evolucionistas se empenham em demonstrar a existência da Quinta Sinfonia de Beethoven mediante a revelação de hiatos causais na fisiologia dos músicos e na mecânica dos instrumentos. É grotesco o ar de triunfo com que os evolucionistas, preenchendo esses hiatos, crêem ter demonstrado a inexistência de Beethoven.

Nem o evolucionismo nem o anti-evolucionismo são teorias científicas, porque nenhum dos dois pode ser validado ou impugnar o outro exceto por uma acumulação ilimitada de provas e contraprovas.

A discussão só prossegue porque é possível alguém conhecer muita biologia ignorando ao mesmo tempo os princípios da lógica científica, enquanto seu adversário conhece muita teologia sem ter a menor idéia de quanto ela depende de pressupostos metafísicos.

05/03/02

terça-feira, junho 29, 2004

Darwin: o autor intelectual dos crimes do Nazismo e do Comunismo

Se alguém se dedicar com afinco ao tema, pesquisando as raízes dos fenômenos mais assassinos do século XX - o Nazismo e o Comunismo - vai encontrar uma figura central efetuando o link entre os movimentos: Charles Darwin.

Apesar de todas as críticas que tais afirmações possam levantar, não posso deixar de compartilhar alguns dados.

Hitler era Darwinista. Apesar de várias insinuações de que Hitler era cristão e levou ao cabo uma interpretação psicótica dos desígnios divinos, a verdade era o contrário. "(Hitler)acreditava decididamente e também era um adepto do evolucionismo. Apesar da profunda gravidade e complexidade de sua psicose, é certo que seu livro 'Mein Kampf', claramente lista uma série de idéias evolucionistas, particularmente aquelas enfatizando que a luta, sobrevivência do mais forte e o extermínio dos mais fracos produzem uma sociedade melhor" 1983; Jerry Bergman, "Darwinism and the Nazi Race Holocaust,"

Marx e Engels usaram os conceitos demonstrados nos escritos de Darwin para tecer o paralelo econômico na obra "O Capital".

Mas resta um senão: Darwin não poderia ser responsável pelo que seus discípulos fizeram. Assim como até mesmo os crimes cometidos por cristãos não podem ser atribuídos a Jesus Cristo.

Aí se encontra, não em "Origin of Species" mas em "Descent of Man" (1875) a defesa dos seguintes pontos de vista:
" At some period, no very distant as measured by centuries, THE CIVILIZED RACES WILL ALMOST CERTAINLY EXTERMINATE, AND REPLACE, THE SAVAGE RACES THROUGHOUT THE WORLD....The break between man and his nearest allies will then be wider, for it will intervene between man in a more civilized state, as we may hope, even than the Caucasian, and some ape as low as a baboon, instead of as now between the NEGRO or Australian and the Gorilla"

Leiam este trecho no mesmo livro:

"With savages, the weak in body or mind are soon eliminated; and those that survive commonly exhibit a vigorous state of health.We civilized men, on the other hand, do our utmost to check the process of elimination: we build asylums for the imbecile, the maimed, and the sick; we institute poor-laws; and our medical men exert their utmost skill to save the life of everyone to the last moment... Thus the weak members of civilized societes propagate their kind. No one who has attended to the breeding of domestic animals will doubt that this must be highly injurious to the race of man... excepting in the case of man himself, hardly anyone is so ignorant as to allow his worst animals to breed"(Darwin, 1871, 1896, p.133-134).

Ou seja: Darwin pregava que a supremacia das "raçaas mais favorecidas" não deveria ser considerada só no âmbito animal, mas também no humano. "Até mesmo os mais fracos elementos das sociedades civilizadas propagam sua linhagem. Ninguém que tenha auxiliado animais domésticos
a parir duvidará que isto é altamente prejudicial à raçaa humana...Exceto no caso do próprio homem, dificilmente alguém seria tão ignorante em permitir que os piores animais proliferassem".

A frase é cortante demais para permitir uma "distorções" dos conceitos Darwinistas...Hitler e Stalin simplesmente os colocaram no sistema de "produção em série". Ou seja: Darwin foi o autor "intelectual" dos crimes destes regimes.

É claro que nem todos os darwinistas se tornaram comunistas ou nazistas, mas o contrário não pode ser negado.

Além de tudo o paralelo com Cristo é igualmente falacioso: Cristo nunca ensinou nada diferente de "amar o outro como a si mesmo", "dar a outra face" e "atire a primeira pedra quem nunca tiver pecado". Isto é muito distante de considerar qualquer crime cometido por um cristão - ou pretenso cristão - como inspirado pelo próprio Jesus Cristo.

Resumo: se serviram como justificativa moral e científica para o barbarismo assassino do nazismo e do comunismo, que frutos virtuosos podemos esperar de sua doutrina?


quinta-feira, junho 24, 2004

Muito al�m de Golytsin: as revela��es do "Viajante do Tempo"

"Apoio inusitado parte de um l�der que se op�s � invas�o - Putin corrobora
argumento de Bush:
Presidente russo diz ter advertido a Casa Branca sobre potenciais ataques de
Saddam Hussein aos EUA" (correio do povo- 20/06/04)


Aviso: Este � um texto totalmente paran�ico. Como o t�tulo diz, � um exerc�cio de criar um
cen�rio prov�vel das consequ�ncias da estrat�gia de desinforma��o e mentiras
delineadas e detalhadas por Golytsin em "New Lies for Old" e "The Perestroika
Deception"
.

Para atualizar os leigos no assunto: Anatoli Golytsin, desertor da KGB nos
anos 60, escreveu "New Lies For Old" em 1983 e "The Perestroika Deception" em
1995 antecipando todas as altera��es futuras no mundo sovi�tico, a ascens�o
de Gorbachev Glasnost e a Perestroika, incluindo at� a queda do muro de
Berlim, como uma estrat�gia para desarmar o Ocidente, fazendo-o acreditar que
tinha vencido a Guerra Fria e o regime comunista de modo triunfal.
Tudo n�o passou de jogo de cena para fazer o inimigo acreditar em ?paz? e
progresso globais. O real objetivo � a vit�ria final sobre o inimigo e o
atingimento do socialismo global.

A novidade com rela��o ao passado foi a incorpora��o dos elementos da pol�tica
NEP de L�nin num grau in�dito: fazendo de conta que o comunismo morreu, a
id�ia � que se acredite que os antigos pa�ses da cortina de ferro est�o
firmemente comprometidos com reformas liberais e democr�ticas em seus pa�ses.
Enquanto o primeiro est� correto ? estes pa�ses, incluindo a China, est�o
adotando realmente pol�ticas liberais de apoio � liberdade econ�mica. Mas
pelo singelo motivo que necessitam rapidamente acesso e dom�nio de novas
tecnologias e gera��o de riquezas, de modo a obter financiamentos � nova
investida global contra os pa�ses democr�ticos.
Deste ponto de vista, as viradas democr�ticas s�o apenas desinforma��o: todos
os l�deres ex-comunistas est�o de volta ao poder ?democraticamente? em seus
pa�ses de origem.

A outra frente de batalha, talvez a mais bem sucedida at� agora, � criar e
apoiar o mais inacredit�vel movimento pacifista que o mundo j� viu. � claro
que conjugado com a maior campanha mundial de desinforma��o contra os
presidentes dos Estados Unidos e de Israel. De fato, George W. Bush e Sharon
s�o os l�deres mais odiados pela opini�o p�blica mundial.

Outro elemento est� em influenciar
nas elei��es dos Estados Unidos. Claramente China e R�ssia alimentam a
contradi��o nos EUA, apoiando ma�i�amente os democratas em sua cruzada contra
os Republicanos e a guerra anti-terror. A jogada � fazer que as contradi��es
cheguem a um ponto pr�ximo de ruptura. Para isso o apoio log�stico e material
para terroristas isl�micos perpetrarem suas a��es contra os americanos no
Iraque � fundamental.

Pois bem. Estabelecido os pontos principais desta estrat�gia, chegamos ao
objetivo deste coment�rio, que � obter a vis�o mais clara das conseq��ncias
poss�veis destas a��es, de modo a estabelecer os objetivos de longo prazo.

Para isso , chamo a aten��o a um relato que � considerado uma ?lenda urbana?
da internet, mas que a leitura atenta se mostrou completamente coerente com
as a��es estrat�gicas do plano sovi�tico. O grau de consist�ncia dos relatos
� impressionante e pode-se ent�o definir toda a tese de Golytsin como o
?antes? e este como o ?depois?.
O relato que me chamou a aten��o trata-se do caso do ?viajante do tempo?
chamado John Titor (de "TIme TRaveller").

O caso de JT tem um site www.johntitor.com com as descri��es detalhadas, mas
quero resumir: um homem intitulado John Titor postou v�rias mensagens em
grupos de discuss�o na internet entre novembro de 2000 e fevereiro de 2001
relatando que viera do futuro, mas exatamente de 2036. N�o quero discutir
detalhes de f�sica qu�ntica e outras especula��es sobre viagens no tempo. O
que me interessa � sua descri��o sobre o que aconteceu no mundo at� aquela
data: os Estados Unidos sofrem com uma guerra civil de longa dura��o e o
mundo assiste a uma curta mas fulminante nova Guerra Mundial.

O relato destes dois acontecimentos guarda uma semelhan�a muito grande com as
a��es descritas por Golytsin que na minha opini�o deduzem ou que o autor
conhecia os conte�dos dos livros (editados em 1983 e 1995) e os usou para
forjar a sua est�ria. Ou ele conhece mais a fundo a estrat�gia e se permitiu
a mandar um aviso em forma de fic��o. Ou...

Bem. Vamos aos casos.

JT explica com alguns detalhes o ponto central da mudan�a do mundo em 2036: a
guerra civil nos Estados Unidos. Ela come�aria em 2005. "O conflito se
estender� por 10 anos. Em 2015, R�ssia lan�a um ataque nuclear contra as
maiores cidades americanas (que representam 'eles' na minha perspectiva de
guerra civil), China e Europa. Os Estados Unidos contra-ataca. As cidades
americanas s�o destru�das junto com o 'AFE' (American Federal Empire)...
apesar de tudo, n�s (os moradores do interior) sejamos os vencedores. A Uni�o
Europ�ia e a China tamb�m s�o destru�das. R�ssia � agora nosso maior parceiro
comercial e a capital dos EUA se mudou para Omaha, Nebraska"
.

"Os eventos mais violentos no mundo come�am com a desestabiliza��o do ocidente
como resultado da degrada��o da pol�tica externa dos EUA. Isto se torna claro
por volta de 2004, quando rebeli�es civis se desenvolvem pr�ximos � elei��o
presidencial. A popula��o de Israel n�o est� preparada para uma guerra
realmente ofensiva. Eles est�o preparados para um guerra realmente defensiva.
O fraco apoio ocidental � Israel d� aos seus vizinhos a confian�a necess�ria
para atacar. O �ltimo recurso de Israel contra a ofensiva de seus inimigos �
o uso de armas de destrui��o em massa. Num esquema geral, os acontecimentos
no Oriente M�dio s�o parte da coisa, n�o a sua causa".


Bem apesar de tudo, as v�timas n�o olham para os seus algozes (R�ssia e China)
com raiva. Eles acreditam que a culpa � deles mesmos, os americanos e seu
governo. Leia esta passagem : "Eu observo todos os dias o que voc�s fazem
com sendo parte de uma sociedade. Enquanto voc�s ficam a�, parados e sentados
enquanto observam sua constitui��o ser desconsiderada e destru�da, voc�s
cheios de orgulho comem comida envenenada, compram produtos manufaturados que
ningu�m necessita e viram de lado para n�o ver os milh�es de pessoas sofrendo
e morrendo � sua volta. Esta � a 'Lei Universal' que voc�s aprovaram?"


Waal, como diria Paulo Francis.
A estrat�gia tem como ponto inicial a promo��o de uma Guerra Civil nos Estados
Unidos. Com uma longa guerra civil, os inimigos das democracias ocidentais, a
China e a R�ssia tem todo o tempo do mundo para preparar o seu ataque final.
A lideran�a americana come�a a ser corro�da por dentro. A progressiva
desordem nos Estados Unidos d� a senha para ataques expansionistas da China e
dos inimigos �rabes dos Judeus. Ali�s a Europa tamb�m fica desprotegida.
E a� se revela que as estrat�gias da R�ssia e da China s�o de competi��o entre
si pela hegemonia global, com vantagem para a R�ssia , afinal. Cai a m�scara.

Notem que o evento mais importante para tudo acontecer, o evento que define o
grau de sucesso de todos os outros � o estabelecimento de uma longa guerra
civil nos estados unidos, enfraquecendo-o.
Claramente esta � uma estrat�gia da R�ssia. Por qu�? Por que na corrida contra
a China esta leva vantagem de j� possuir um n�vel tecnol�gico muito mais
avan�ado, al�m de ogivas nucleares. A China tem uma estrat�gia diferente,
ainda parecida com a antiga dos russos, que � colocar um presidente democrata
no governo que n�o ameace ou facilite seu acesso � tecnologias.
Na vis�o Russa, pelo contr�rio � imperativo estabelecer as bases para uma
longa guerra civil. Para isto � fundamental dois pontos: que o presidente
americano CONTINUE SENDO GEORGE W. BUSH!!!!
O sucesso retumbante do pacifismo anti-bush realmente foi muito maior do que o
esperado. Acabou colocando em xeque a at� ent�o segura re-elei��o de Bush.
Por isso, apesar de Putin ser , junto com a China, contr�rio � invas�o do
Iraque desde a primeira hora, era necess�rio uma mudan�a de postura. Ent�o ,
desde h� alguns dias � poss�vel encontrar as seguintes manchetes nos jornais:
?Bush agradeceu a Putin o apoio dado pela Russa a esta resolu��o (daONU).
�Aprecio a vossa ajuda, Vladimir�, disse o presidente norte-americano. O
presidente russo disse, por seu lado, que a aprova��o da resolu��o era �um
grande passo em frente� (09/junho/04).

"Bush e Putin 'de bra�o dado': Os presidentes dos EUA, George W. Bush, e
russo, Vladimir Putin, est�o dispostos a trabalhar em conjunto em quest�es
fundamentais iraquianas, como a nova resolu��o da ONU ou a prepara��o de
elei��es".(04 de maio/04)


"Putin diz que R�ssia alertou EUA sobre Saddam : R�ssia alertou os Estados
Unidos, por diversas vezes, sobre planos de "ataques terroristas" do
ex-ditador iraquiano Saddam Hussein contra o territ�rio americano, declarou
nesta sexta-feira o presidente russo, Vladimir Putin."(18/06/2004)

Ou seja: Putin est� apoiando Bush por que sabe que se deix�-lo sucumbir diante
de Kerry nas elei��es, as chances de criar uma ruptura nos Estados Unidos
ser�o nulas.
Os democratas v�o enfraquecer a guerra contra o terror, podendo at� se retirar
definitivamente do Iraque. Os ativistas isl�micos n�o ter�o tanto motivo para
ataques terroristas, o que n�o provocaria tanta pol�mica na opini�o p�blica
americana que propiciasse uma ruptura do tecido social.

Efetivamente, a extens�o da estrat�gia pode ser muito maior do que se pensa,
numa escala apavorante. N�o sei exatamente o que fazer contra tudo isso, mas
penso que a tornar p�blica as minhas divaga��es � a �nica forma de esclarecer
o ponto.
E acompanhar muito atentamente as pr�ximas elei��es americanas.

quinta-feira, junho 17, 2004

Primeira Leitura e a retomada americana: Mordendo a L�ngua!

Estes sociais-democratas n�o tem jeito mesmo...

Sua �nsia em denunciar que qualquer medida de corte de impostos � intrisicamente ruim e s� "beneficia os mais ricos" o site "Primeira Leitura" cumpre um sil�ncio obsequioso quando as suas profecias furadas n�o se concretizam.

Quando eles denunciam uma situa��o, prevendo coisas que efetivamente acontece, orgulhosamente isto � exibido em seu conte�do anal�tico como um grande feito. No caso do governo Lula, temos que concordar que o PLeitura n�o caiu no Lulismo Paz e Amor desbragado em que toda a m�dia acabou entrando.

J� na quest�o da retomada americana a coisa � bem diferente:

Leia o trecho anal�tico dos belos n�meros de crescimento dos EUA em outubro de 2003:
http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=2756

"O crescimento nos pr�ximos trimestres n�o ser� t�o vigoroso quanto no per�odo que passou; O crescimento que houver gerar� poucos empregos. Dois grandes pontos de interroga��o sobre o futuro.

Ademais, h� outros fatores que refor�am a id�ia de um ponto fora da curva, de um per�odo de crescimento n�o-org�nico, por assim dizer. O primeiro, e mais forte deles, � que o terceiro trimestre concentrou um pesado movimento de devolu��o impostos para os contribuintes, dentro dos tr�s grandes programas de redu��o dos tributos aprovados durante o governo Bush. Estima-se que isso significou uma inje��o de mais de US$ 100 bilh�es num per�odo consideravelmente curto de tempo. Seria literalmente imposs�vel que tal est�mulo n�o produzisse resultados positivos.

Evidentemente, n�o � isso que Bush disse nesta quinta. Para ele, a redu��o cambial aprovada em seu governo est� funcionando. N�o � nada isso. Cortes de impostos mal-dimensionados e feitos de maneira a privilegiar apenas as classes mais ricas do pa�s produzem, sim, algum barulho. Mas s� isso. O dinheiro do cheque assinado por Tio Sam uma hora acaba. � gasto com consumo ou para pagar d�vidas. E depois? Depois, n�o h� nada."

Agora, compare com a not�cia de hoje http://www.primeiraleitura.com.br/auto/leia.php?id=28137:

"A produ��o industrial dos EUA subiu 1,1% em maio, a maior expans�o desde agosto de 1998, de acordo com o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Em abril, a produ��o havia crescido 0,8%. O uso da capacidade instalada avan�ou para 77,8% no m�s passado, maior alta desde maio de 2001. Analistas esperavam alta de 0,8% na produ��o e aumento para 77,5% no uso da capacidade.
Para o Fed, o crescimento da atividade industrial, aliado ao aumento nas contrata��es, confirma a retomada da economia dos EUA"

Alguma palavra para entender o crescimento americano?
Nenhum...

Este � o jogo dos economistas socias-democratas de plant�o (entre outros coletivistas): As a��es de Bush na economia (redu��o de impostoso) n�o produzem resultados vigorosos. E quando os resultados vigorosos acontecem, s�o assim como um "fato da vida". N�o tem paternidade. O mais citado na mat�ria foi o FED - nenhuma palavra sobre a pol�tica econ�mica do presidente BUSH.

Nosso dever como liberais � denunciar este tipo de mistifica��o econ�mica.
Justamente h� uma semana do falecimento do saudoso presidente Reagan vemos que sua escola - que n�o � o NEO-liberalismo, mas o velho e simples liberalismo econ�mico - n�o morreu como muitos articulistas querem nos fazer acreditar.
O vigor da economia americana prova que as li��es de Reagan quando bem aplicadas ainda rendem resultados altamente positivos.

N�o podemos deixar esta grande oportunidade para botar na pauta da m�dia este novo renascimento americano...