sexta-feira, março 02, 2018

A Grande Divisão

Das operações matemáticas, a multiplicação é a mais opressora, pois é o símbolo do acúmulo. Já a divisão é uma metáfora a "justiça social". O problema é que dividir por "zero" só dá resultado "zero". Ainda mais que "zeros à esquerda" nada acrescentam de valor ao número, pelo contrário. Ah, a divisão... A divisão pode ser justa ou apenas fracionária, sectária, fraturante.

Podemos usar também uma metáfora fisico-química para caracterizar a nossa  "direita" e a esquerda.

A esquerda pode ser comparada aos elementos definidos como "líquidos imiscíveis" e a nossa direita como "sólidos". A esquerda, tal qual os tais líquidos imiscíveis, reage da mesma forma quando aplicada uma força externa, unindo-se de forma mais ou menos atabalhoada e que, imediatamente, ao cessar o vetor da força externa, retomam à estratificação hierárquica pré-existente (líquidos mais leves acima, mais pesados abaixo).
A direita, por sua vez, é como um sólido - uma rocha -  ao reagir às forças externas: começa por sofrer pequenas fissuras que, avançando em grau proporcional à força aplicada, acabam por fractura-la e dividi-la totalmente. Mesmo que a fractura não seja completa e mesmo que o vetor externo cesse, não há a volta ao normal.  É completa a impossibilidade de voltar à união inicial. Ficamos reduzidos ao pó.

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Verdades trocadas.

A solução seria as pessoas falarem a verdade, mas não só isso, dizerem as "verdades" (no sentido de opinião, crítica, censura) à quem as merece e não "verdades trocadas".
"Verdades trocadas" são aquelas verdades (geralmente negativas) que sabemos sobre uma pessoa, mas que dissemos à outras: Quando estamos com "A", falamos de "B" e quando estamos com "B", falamos de "A". 
No final, não dissemos nenhuma verdade à ninguém, somente espalhamos fofocas. 

Solidrão e Espera

A Solidão e a Espera forjam a alma do homem. Se as considerar tuas amigas, te recompensarão com sabedoria e prudência, mas se as considerar tuas inimigas, te perderás na ansiedade, desespero e insensatez.

quarta-feira, outubro 25, 2017

A Revolução Alternativa e Revolução das Massas.

Toda e qualquer "Revolução" prescinde da liberdade, menos uma, a total liberdade aos revolucionários.

Uma "Revolução Silenciosa", diferentemente de uma revolução armada, não precisa de terror, mortes e intimidação para se impor. Necessita apenas fingir-se de "democrática" e obter a passividade dos seus críticos e detratores por meio de ferramentas de controle mentais ou engenharia social.

O Brasil, desde há muito é um campo de provas por excelência destas ferramentas.  A "ditadura militar", por exemplo, se alguém propor-se a estudar sem ranço ideológico, constatará que o movimento de 31 de Março de 1964 não foi um arranjo totalmente decidido pelo exército contra um "governo democrático" mas a reação a um movimento revolucionário de esquerda que já atuava no Brasil em duas frentes bem definidas e simultaneas: a frente da  guerrilha armada e a sua vertente "institucional", no comando do executivo do país no comando de João Goulart. A primeira frente usava a tática do terror e da guerra no campo, a segunda a via institucional, queria criar a "revolução" a partir do governo. O exército decidiu agir quando a população demonstrou sua contrariedade em manifestações com centenas e milhares de particpantes. Mas. voltando ao ponto inicial, o processo revolucionário foi, o causador de seu próprio fim e da falta de liberdade política advinda do regime militar por duas décadas.

A título de parêntesis, o próprio movimento inaugurado em 1964 não foi um movimento típico de "restauração", como seria de esperar num quadro similar. Pela falta do que "restaurar" (a política café-com-leite?; O fascismo da era Vargas?) o próprio movimento auto-proclamou-se "Revolução de 64". Também o que seria um movimento "redentor" possuía dentro de si um outro germe revolucionário. O movimento de 64 tentou implantar , de um lado  um regime "apolítico" de fundo "positivista", e de outro lado uma economia centrada numa espécie de planificação central, firmada em recuperação da infraestrutura e expansão do controle do Estado sob a economia. Do lado político, o lema era mais ou menos de que "esquerda e direita estão ultrapassados" que se materializava com cassações dos principais representantes da direita política no país enquanto que ao discurso de engagamento político de esquerda dominavam as universidades. Este samba-do-criolo-doido, deu luz ao, em termos culturais ao seu movimento mais representativo, direto da boca-de-lixo paulistana: as pornochanchadas, que não passavam de uma releitura das "chanchadas da Âtlantida" com pitadas de nudez e palavrões, bem no meio da uma época tida como de repressão moralista. Claro que para isso existia a omnipresente "censura federal" que proibia algumas obras aqui e ali para efeito disciplinar, ao mesmo tempo que o regime dava pleno apoio à Rede Globo para que seu "padrão" se tornasse produto de exportação ("Gabriela" e "Escrava Isaura" como os dois exemplos de estimulação contraditória clássica).   

Mas toda a revolução, como o que aconteceu nos anos 60, acaba por consumir-se a si própria. A própria mãe de todas as revoluções - A Revolução Francesa - acabou por dar à luz a uma monarquia absolutista, ao fim e ao cabo. Então a revolução cultural que por ora passamos, está, paradoxalmente, próxima do seu ápice e da sua morte, por assim dizer. Uma revolução cultural, se é engendrada inicialmente como uma contradição ao que é normal, não pode virar o "normal", pois fará que o seu contrário seja a nova "revolução", o novo "alternativo".

É exatamente o que acontece no Brasil de hoje. A revolução cultural apenas como uma crítica ao tradicional tem seu efeito multiplicador aumentado quando a maior parte das coisas aparentam ou seguem seus cursos tradicionais, mas, a partir do momento que o discurso principal de todos os meios de comunicação de massa passam a ser o "revolucionário" ou o "contraditório", ele mesmo passa ser o discurso dominante e não mais poder ser o "alternativo". Acaba por ser a própria representação do "status quo", o que é fatal para qualquer "revolução".
O Brasil, aparentemente, vive um momento único: o discurto revolucionário é ao mesmo tempo o próprio "mainstream" e o "alternativo". Vai cair.





quinta-feira, setembro 21, 2017

Como ser um Libertário

Libertário, que eu defino como um individualista e não como um coletivista - por que há sim, libertários que se dizem coletivistas-  pode ser definido em um plano de coordenadas cartesianas x-y ("propriedade"-"liberdade"), ou seja, a única barreira à liberdade é a "propriedade".
Deve-se esclarecer que "propriedade" a que se referem é somente a "propriedade privada". Então, neste contexto, a liberdade só é limitada ao tocar ou interferir na "propriedade privada" de outrem.

Com este plano de ação e atuação básico, definem-se "à favor" ou "contra" a tudo que interfira na "propriedade privada" ou na "liberdade".

Neste universo, o jogador começa com alguns dados adquiridos (na categoria "propriedade") que se pode enumerar, pela ordem: seu corpo, as coisas que herdou por herança familiar e tudo mais que conseguir obter a partir daí. No outro quesito "liberdade" não há limites, desde que referente às suas "propriedades", sem prejuízo à liberdade ou propriedade de outrem.

Dentro deste estreito universo de referências, tudo mais parece excessivo.  Para que "leis", se não para "tirar a liberdade" ao indivíduo? Para que  "impostos" se todo o imposto é "roubo"? Para que "Estado" se não para destituir a propriedade privada ou a liberdade por meio da aplicação das leis?

Toda e qualquer outra necessidade pode ser provida pela criação de "serviços ou instituições privadas": necessitas de segurança? Contratas um segurança privado. Precisam limitar a liberdade aos criminosos? Criem um serviço judicial privado e construam um presídio (privado, obviamente). E assim por diante.


 









terça-feira, agosto 29, 2017

Um resumo de minha visão de mundo.

Não acredito que tudo acabe com a morte, muito menos que tenhamos mais vidas para gastar: fico em algum ponto entre estes dois pólos.

Não acredito que o homem seja somente um animal, muito menos que seja completamente espiritual: é parte um e parte outro, onde não sabemos onde termina um e começa outro - temos somente pistas.

Acredito no "livre arbítrio", só duvido da capacidade do homem em praticá-lo.

Não creio que o Estado deva ser tolerado, mas tolero menos ainda o Estado de um homem só.



  

quarta-feira, julho 20, 2016

Criando Raskolnikovs

O resultado de décadas de  doutrinação ideológica no Brasil é que hoje nem existe mais - como havia até os 2000 - a intenção de disfarçar  que os cursos de formação intensiva de revolucionários "bucha-de-canhão" disponíveis em versão pública e privada sejam "educação". É descarado.
Os cursos são profissionalizantes e oferecem um leque variado, de acordo com a suas inclinações , confiram:

  • Depilação Transgressora
  • Como Agasalhar Objetos em Orifícios Variados de Seu Corpo como Forma de Protesto
  • A  Arte da Defecação Revolucionária
  • Como Destruir uma Sala de Aula para Salvar a Educação
  • 1001 Maneiras de Usar Fotos de Jair Bolsonaro 


Fora o humor, é tão evidente a decadência total do ensino brasileiro que as soluções que vislumbro são as seguintes:

  1. Tentar, via parlamentar, leis que protejam as crianças de se tornarem "drones" ou "Raskolnikovs" - acredito que ainda exista, no parlamento brasileiro, gente preocupada com as famílias e os rumos desta educação. Esta é a iniciativa onde o "Escola Sem Partido" se encaixa.
  2. Oficializar o home schooling de modo que cada família possa educar seus filhos longe dos verdadeiros hospícios nos quais se transformaram as escolas do Brasil. 


terça-feira, março 15, 2016

Da Ingenuidade à Cumplicidade...



Perdôo tudo o que gostavam nos anos 90: Snap!, Corona, Rozalla, Spin Doctors, Nirvana, The Cranberries, menos o "Ética na Política"....

Três dias dias depois de ter aterrissado de volta em Porto Alegre (depois de um hiato de mais de um ano e alguns meses) e dois dias depois das manifestações gigantescas de 13-03, ao invés de falar do presente, resolvo rebuscar o passado. Por que o presente é apenas uma das alternativas possíveis do passado que deu certo. Ou "serto".

Tudo por que o que aqui vi e sigo vendo causa-em espanto e o meu instinto de investigação clama por uma explicação racional.

Por quê , aqueles que tanto lutaram pela "ética na política" nos anos 90, hoje dizem que "todos somos corruptos"??

Que trajetória é esta em que alguém parte de uma quase declaração a de auto-santidade para uma outra em que todos são "ladrões" como ele?

Como disse, ninguém pode ser culpado pelos gostos e preferências políticas dos anos 90, que começaram com a posse de Fernando Collor - candidato no qual voltei e até fiz campanha aberta! Tudo por que achava que Lula era um sindicalista metido demais a marxista e já estava cheio de marxistas depois dos meus anos na faculdade.

Aliás, a faculdade (de engenharia) me fez ficar cheio de comunas e marxistas. De "convergências socialistas" e tudo isso. Quem me influenciou não foram nem Marx & Hegel (ops!) e muito menos Lenin & McCarthy: foram Herman Hesse e Fiódor M. Dostoievski. Mas isso é outra conversa.

Pois bem, os anos 90 viram o impeachment de um Presidente acusado de corrupção, mas que foi retirado do poder por um processo eminentemente político, uma vez que o simples fato de haver acusações e alguma evidência já eram motivos para minar a credibilidade de um governante. O processo efetivou-se pelo clime de "ética na política" vigente, que cobrava uma moralidade quase santa aos governadores e políticos.

Pois bem, o movimento "ética na política" - que inflou o PT nos anos 90 - era desde o princípio uma isca para apanhar incautos.

Idealistas são ingênuos como crianças e como elas sempre disponíveis para serem utilizados como massa de manobra.

Quem lembra dos estudantes enviados à morte na Guerrilha do Araguaia enquanto que o seu líder-mor João Amazonas (PCdoB) ficava na segurança do seu bunker?

Mas vamos o que interessa: "ética" segundo o google é "conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade." O termo, portanto, nunca significou uma "moralização" da política, mas simplesmente a aplicação de um conjunto de valores de um grupo - no caso o PT - à política brasileira. Quem entendeu "ética" como sinônimo de "moralidade" (auto)enganou-se: a "ética" era a do partido e não os valores morais aos quais a maioria do povo brasileiro concorda.

A veracidade desta afirmação foi comprovada na prática que o partido desenvolveu ao longo de suas administrações locais, culminando com as administrações nacionais de Lula e Dilma.

Mas como nossos pobres idealistas reagiram quando perceberam a a distância da "ética" do partido com a "ética" pela qual acreditaram lutar? Depois da fase de auto exame e crítica, com o aparecimento do mensalão em 2005, acreditei que muitos cairiam na realidade e rejeitariam por completo aquele engodo, abandonando a "causa" do partido. Devo dizer que muitos abandonaram o barco nesta altura. Outros criaram o PSOL ou migraram para outras partidos de esquerda, o que dá no mesmo -devem ter feito apenas por "desencargo de consciência" inútil, como tomar anticoncepcional depois de ter relações. Finalmente há os que permaneceram em estado de "suspensão" da capacidade de raciocinar por algum tempo, até que as novas "ordens" do partido chegaram.

Depois do advento do mensalão, a tática do partido foi a de começar a produzir dossiês com acusações falsas e outras nem tanto, para que pudessem a partir daí passar a circular a mais hipócrita "defesa" que alguém já pensou em criar: "todos são corruptos", que passou rapidinho para "todos somos corruptos", no que foi absorvido pelos antigos militantes.

Há muita gente enganada que se recusa a admiti-lo e que pelo contrário passa a defender o que port tanto tempo odiou simplesmente para não dar a outra face; para não dizer que abandonaram a causa, pois natimorta era desde o início, acabam por se tornarem-se parte do tecido morto. Ao se manterem agarrados ao cadáver insepulto de uma causa morta, acabam por deterioram-se a si mesmo.

Eu sei que "todos somos corruptos", que todos fazemos pequenas patifarias. Que somos imperfeitos. Mas é mesmo no reconhecimento de quão ruins somos é que nos faz amar cada vez mais a verdade e a justiça. É por que ela nunca terá na espécie humana a sua completa realização. Mas é a sua busca que nos torna melhores. A busca da verdade e da justiça com desapego a causas, bandeiras e antigas crenças é o processo alquímico final, é ele que poderá tornar nosso ferro oxidado por tantas mentiras e auto-engano em ouro. E mesmo que não consigamos, é sempre melhor morrer na tentativa do que pela desistência.



quarta-feira, julho 01, 2015

O Futuro do Pretérito


Há muita gente que acredita mesmo em "evolução" social. Eu sou cético a respeito.

Só podem acreditar em "evolução"  (que seria a progressão infinita de tudo e todos , a começar pela "matéria", em novos e desconhecidos desenvolvimentos espontâneos  e que trariam sempre "um benefício" a todos, não importa o quê ) os que nada sabem sobre o passado.

Aliás a própria ideia de futurismo pressupõe uma negação total ao passado. Mas como podemos saber se "avançamos" sem nada saber do passado? Como ter uma medida de comparação ? Resposta: Não é para ter certeza. Devemos "acreditar" e ponto final. Marinetti, o "papa" do movimento futurista, propunha exatamente isso como a base do seu movimento paródico : o total despego ao exame da história ou outra evidência externa. E é assim mesmo que reagem os devotos da fé progressivo-futurista: Se é moderno é bom e é bom por que é mais novo.

Pois bem, aos que propõe sua "certeza absoluta" no progresso e evolução da humanidade - eu leio estas expressões em obras datadas desde o século XIX, no mínimo - não conseguem responder o porquê, depois de dois séculos de "progressivismo", o que vemos em volta é barbárie, não civilização.

Assim, ao analisarmos a história, pelo menos duas referências saltam-me aos olhos: Primeiro, o comportamento das massas hodiernas parece o dos personagens centrais de "Satyricon" de Petrônio. Obra que retratava a decadência romana. (Oh! "Decadência"?! Os arautos do progressivismo não pensam que na mesma trilha da "evolução" , podemos enunciar "extinção em massa"....); Segundo, a "decadência" é mesmo resultado da opulência, segundo Ibn Khaldun. O germe da decadência situa-se nas mesmas origens que possibilitaram o "progresso". Para falar de algo mais exato, Ibn Khaldun explicava a "decadência" numa tragédia de três atos-gerações, sendo a primeira a "criadora" ou conquistadora seguida de uma estável e onde o ímpeto original fenece rapidamente e a terceira geração, chamada de "destrutora" que passa a desfazer, pedra por pedra tudo o que foi construído anteriormente. Até que todo o edifício desmorone.

O mundo de hoje situa-se na terceira geração, a "destrutora". Que nada tem de original na sua "modernidade", como vimos, a não ser os meios de ação.

A situação atual poderia ainda ser descrita com alguns elementos adicionais, como o descrito por José Ortega y Gasset no seu profético "A Revolução das Massas" de 1926. A representação teatral perfeita disso podemos ver  Eugène Ionesco com sua obra "O Rinoceronte", de 1959.

Mas se é uma "decadência", o que virá depois? Toda a ideia de declínio também encerra em si mesmo o germe dos "novos tempos". O que podemos esperar?

Novamente, vivemos o futuro do pretérito. Este novo "futuro" já foi descrito em Orwell  - "1984" - no diálogo de Winston ( o último "ser humano") com o ideólogo partidário O'Brien, que revela o "novo mundo" ao incrédulo Winston:

O'Brien: "Controlamos a matéria por que controlamos a mente. A realidade está dentro de cada cabeça. Aprenderás aos poucos, Winston. Não há nada que não possamos fazer. Invisibilidade, levitação... Tudo. Eu poderia flutuar no ar, como uma bolha de sabão, se quisesse. Mas não quero por que o Partido não o deseja... Devias abandonar estas ideias do século dezenove sobre as leis da Natureza. Nós fazemos as leis da natureza!!!"

Winston:"Não fazeis! Não sois donos do planeta! O homem é minúsculo. Há quanto tempo existe?"

O`Brien: "Tolice. A terra é tão velha quanto o homem e nada mais. Como poderia ser mais velha?  Nada existe exceto pela via de consciência humana."

Winston: "Mas o universo inteiro está fora de nós (...)"

O'Brien: " (..). E daí? Imaginas que não podemos produzir um sistema dual de astronomia? As estrelas podem estar longe ou perto, conforme precisarmos. Supões que os nossos matemáticos não dão conta do recado? Esqueceste o 'duplipensar'???"

Resumo de nossa pequena pesquisa ao passado:

  • O progressivismo é uma espécie de fé. Mas da qual nunca se obtém "provas".Sabe-se. Se o cristianismo precisou da morte e ressurreição de Cristo, para provar-se verdadeiro, o progressivismo nada necessita a não ser o esquecimento seletivo do do passado.
  • Como tal, o progressivismo é uma crença "religiosa", e é por isso que se opõe à crença religiosa que moldou a própria civilização ocidental: a crença de um Deus exterior e na própria realidade exterior.
  • A religião do progressivismo é baseada na crença de que nós somos deuses. É por isso que o progressivismo não pode conviver ao mesmo tempo com a religião tradicional, por que ela não só se opõe à "agenda oficial" como mostra sua origem.

  • A história do homem, pela religião tradicional, diz que a primeira grande mentira foi contada ao homem e consistia em dizer-lhe que ele poderia ser "um
  • deus"!!! . O que veio a seguir é mais ou menos como Baudelaire dizia : "O truque mais esperto do Diabo é convencer-nos de que ele não existe."





sexta-feira, janeiro 09, 2015

Ibn Khâldun sobre os povos árabes



Segundo a "Wikipédia", "Abu Zayd 'Abd al-Rahman ibn Muhammad ibn Khaldun al-Hadrami ou Ibn Khaldun (Norte da África, atual Túnis[1] , 27 de Maio de 1332/ah732 — Cairo, 17 de Março de 1406/ah808) foi um polímata árabe[2] [3]astrônomo, economista, historiador, jurista islâmico, advogado islâmico, erudito islâmico, teólogo islâmico, hafiz, matemático, estrategista militar, nutricionista, filósofo, cientista social e estadista."


Aqui, suas considerações sobre seu próprio povo.


IBN KHÂLDUN – Historiador e Humanista
(J. Laginha Serafim) Pp. 57-58


(...) Pelas suas leituras da história sobre a evolução do mundo islâmico (desde a Hégira) e pela sua própria observação, Ibn Khâldun convenceu-se, quiçá sem toda a razão, vista hoje as coisas, da enorme degradação que se verificou nesse vasto mundo. 

É ele próprio que o diz (numa crítica, desajeitada e injusta, ao seu povo e à sua civilização); "Todas as terras conquistadas pelos Árabes rapidamente se arruínam" (M, I,302.) "A maioria dos homens cultos entre os muçulmanos é de nascimento estrangeiro." "De todos os povos, os Árabes são os menos hábeis para governar e têm a menor disposição para as artes; a maioria dos seus edifícios caem aos pedaços", e, finalmente, para os conquistadores: “São os povos menos civilizados que fazem as maiores conquistas”, ou ainda esta seleção: 

“Em todos os países que os Árabes conquistaram, desde os séculos mais remotos, a civilização desapareceu, assim como a população; até o próprio solo parece ter mudado de natureza.” 
“No meu país de origem (o Iêmen) todos os centros de população estão abandonados, com excepção de alguma grande cidade. O Iraque árabe sofreu a mesma ruína e todas as belas culturas que os Persas lhes cobriram as terras desapareceram. Em nossos dias, a Síria está arruinado; a Ifrigiyah (Tunísia e Líbia actuais) e o Magrebe (o Oeste do Egipto, mais especificamente o Norte da Argélia e o Marrocos de hoje – Maghrib al-Agsa e a Espanha muçulmana, ou Al Andalus) padecem ainda das devastações cometidas pelos Árabes.” 

“No quinto século da Hégira (século VI da era crista), os Banu Hilal e os Sulaim (das mais importantes tribos árabes tradicionais) invadiram estas províncias (do Oeste) e, durante três séculos e meio, obstinaram-se em devastá-las, reduzindo-as à mesma sorte miserável das outras, a tal ponto que as suas planícies tornaram-se desertos até hoje. Antes desta invasão, toda a zona que se estende desde os países dos Negros (Sudão) até ao Mediterrâneo (ocidental) era habitada; os vestígios da sua antiga civilização (fenícia, cartaginesa, grega e romana), os escombros dos edifícios e monumentos, as ruínas das cidades e das aldeias, ficaram sendo testemunhas das grandezas do passado.” (P, I, 264)..

Ibn Khâldun, alias, vai ainda mais longe nas suas acusações à maneira de ser dos Árabes, que talvez sejam exageradas, por não ter, quiçá, tida em conta outros aspectos muito positivos do seu esforço na expansão do islão, que ainda hoje se processa de uma forma pacífica – talvez única na história das expansões religiosas. Assim é que diz :(P, I, 265): 

De todos os povos da Terra, os Árabes são os menos dispostos à subordinação.” (P, I, 265) 
“De todos os povos da Terra [eles] são os menos capazes de governar um império”, e nenhum “forneceu tantas dinastias como a raça árabe” (isto é, foi o povo que mais se dividiu). (P,I,266)

quarta-feira, setembro 11, 2013

O Sucesso do "Mínimo": A Volta do Exílio da Alta-Cultura

Em 1979 o governo João Figueiredo promulgou a Lei da Anistia. Durante um debate que estendeu-se à toda a nação a tal "Anistia Ampla, Geral e Irrestrita" virou realidade.

Decantada em verso e prosa (como Elis Regina "O Bêbado e a Equilibrista " de Bosco e Blanc, ou a versão de "No Woman, No Cry" de Gilberto Gil) a anistia do governo militar permitiu a volta de centenas de exilados e auto-exilados ao país.Todo o país aguardou, festivamente e recebeu mesmo de braços abertos todos aqueles que "partiram num rabo de foguete" de modo a fechar de uma vez a chaga da divisão havida nos anos 60 e seguir em frente.

Infelizmente não aconteceu nada disso, pelo contrário. Começava aí o capítulo mais marcado da decadência da cultura no País. Decadência que foi não foi somente cultural, mas política e econômica.

Economicamente, o modelo adotado durante o regime militar, de cariz fascista/socialista em que um Estado forte "comanda" a economia criando toda a infra-estrutura e sendo dono de boa parte da indústria de base, dava sinais de esgotamento. A inflação comia o poder dos salários, como Beth Carvalho anunciava "depois que inventaram o tal cruzeiro, eu trago um embrulhinho na mão, e deixo um saco de dinheiro" (Saco de Feijão). Nos 80, década tida como "perdida", a inflação atingiria os dois dígitos mensais.  Na política, o modelo de bi-partidarismo, com Arena e MDB também se esgotava. Com a volta dos anistiados chegaria mesmo ao fim, dando lugar a um pluripartidarismo de araque, em que somente as legendas  de esquerda proliferaram.
Nada disso poderia ter tido êxito se não houvesse uma desconstrução cultural cuidadosamente planejada em ação.

O motivo era simples: nem todos que voltaram como o Fernando Gabeira, por exemplo, o fizeram para retomar suas vidas, viver e redescobrir o país. Nada disso, voltaram mesmo para "acertar contas" com seus algozes dos anos 60. Começava aí a guerrilha cultural - um dos flancos mais "modernos" da causa esquerdista, herdada diretamente dos protestos de Maio de 1968 (por isso Zuenir Ventura refere-se a ele como "O ano que não terminou") - em que o "movimento" se reagrupava e entrava num momento de análise dos erros e acertos.

Desta auto-análise saíram as conclusões do fracasso dos anos 60:
- O movimento foi elitista e intelectual, nunca atingiu o povão.
- O conservadorismo, principalmente da classe média, que obrigou o exército a  agir para resguardar a democracia.
- O exército, claro, a instituição que tirou-os do destino quse alcançado.


Para o primeiro caso, os "intelectuais" do partido escolheram um menino do povo - Luís Inácio da Silva, o Lula, líder de um movimento grevista inédito desde os anos 60 - a quem poderiam doutrinar para ser seu agente.

Para o terceiro, a única alternativa seria criminalizar os que impediram a vitória nos ano 60. Para isso mesmo a própria Lei da Anistia teria de ser revogada. Mas isso só poderia ser feito com o poder nas mãos...Por isso nada foi feito durante algum tempo.


Para o segundo, a tarefa era mais árdua e de longo prazo. Teria de ser combatida seguindo os passos de Antonio Gramsci. Desarmar os inimigos por dentro. Deslocar o eixo do senso comum. Para isso teriam de dominar os "formadores de opinião" do país. Nada que os manuais de tomada comunista já não conhecessem: obter o apoio do "beautiful people", dos intelectuais, promover os amigos, companheiros de viagem e idiotas úteis a formadores de opinião. Criar o "primeiro casal de coelhos", enfim, depois a coisa se reproduziria por si mesma.

As décadas seguintes correram céleres a partir destas premissas. A "queda" do comunismo em 1989 forneceu a cortina de fumaça ideal. Não se lutava mais a favor do comunismo, mas contra uma potência mundial hegemônica e perigosa. A formação do Foro de São Paulo, fortaleceu ainda mais os "vingadores" do continente, unindo-os a partir de Cuba. Ao meio da década dos 90, com a adoção do "politicamente correto", introduzido sob os auspícios do governo FHC, a dominação acelerava-se.

Mas eis que em 1996, alguém consegue perceber o que se passa lança o seu "J'accuse": "O Imbecil Coletivo" de Olavo de Carvalho.  "Fomos descobertos", devem ter pensado. Olavo foi combatido, debatido e sobreviveu incólume. Em terra de cego quem tem olho é rei? Não no Brasil.

À surpresa inicial e ao primeiros anúncios de primeira página sobre os debates acerca do livro ou de seu autor - que já proliferavam nos cadernos de cultura dos principais jornais do país - foi lançada uma "fatwa" (parecida com aquela lançada contra Salman Rushdie pelos "Versos Satânicos"): Ninguém poderia debater com Olavo, ninguém deveria citar Olavo, muito menos respondê-lo. Olavo de Carvalho deveria ser solenemente ignorado.

Olavo tentou, neste meio tempo, unir o que poderia ser a resistência contra a tomada avassaladora da esquerda no país, como setores do exército, dos liberais e dos conservadores. Não resultou.

Ao mesmo tempo, mesmo com a proliferação dos cursos que promovia em diversos locais no país (tenho o privilégio de ter sido um dos organizadores do curso em Porto Alegre, em 2004 e 2005)  , Olavo começou a ser combatido "por dentro", perdendo seu lugar como colunista em vários veículos importantes do país. Em 2005 deixa o país para um auto-exílio nos Estados Unidos.

A esta aparente vitória de seus retratores, começa uma tímida reação: Curso On-Line de Filosofia e o True-Outspeak. Com este último, Olavo conseguiu expandir a sua influência a niveis imagináveis.

Em 2013 um "olavette" de peso foi incluído à lista, e causa furor: João Woerdenbag, o Lobão. Ex-Blitz, famoso apoiador de campanhas do PT, Lula e etc, descobre a pólvora e lança um petardo. Com o nome de "Manifesto do Nada Na Terra do Nunca", espanta aos próceres da esquerda pelo conteúdo e enfurece-os pelas entrevistas onde cita Olavo de Carvalho.

Neste mesmo ano de 2013, enfim, é lançado um livro - que nem é inédito, pois trata-se de um "the best of" do Olavo, com os melhores textos publicados em diversos jornais e revistas do país entre 1997 e 2012 - "O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota", organizado pelo jovem aluno Felipe Moura Brasil. Sem publicidade, sem investimento em divulgação, é alçado aos primeiros lugares em vendas em todos as listas importantes do país.

À isso , somem-se as dezenas de entrevistas que o autor concedeu aos mesmos veículos que tentaram ostracizá-lo no passado, para imensa satisfação do seu público.

Estas reações, por espontâneas e marcantes, fazem concluir-me duas coisas:
- O Brasil ainda tem esperança, apesar de tudo. Há uma nova geração que percebe a verdade, mesmo depois de décadas de doutrinação, e que vai em sua busca.
- E sim, a Cultura parece ter voltado de seu exílio ao país.







segunda-feira, setembro 09, 2013

Provocações ao nosso colunista?

Na coluna "Provocações ao nosso colunista", publicada hoje no Diário do Comércio, a repórter Victoria Grotto resolveu fazer auto-imolar-se, mas nem tanto. O que era para ser uma simples entrevista, acaba tornando-se um exemplo mesmo acabado do que o Olavo de Carvalho tenta descortinar com seu "O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota".
Olavo de Carvalho, afirma há anos que, como Salman Rushdie após publicar "The Satanic Verses", a esquerda, cansada de apanhar fragorosamente com a série de debates despoletados pelo "O Imbecil Coletivo" (1996), lançou uma fatwa de silêncio sobre seu nome: "não comentem Olavo de Carvalho".
Com o fato de que o "Mínimo" é o quarto mais vendido na lista da Veja, o mínimo que se poderia fazer é entrevistá-lo, mas isso foi feito de uma forma enviesada e acusatória.
A entrevista não foi publicada na íntegra. Para simular a "provocação" a repórter cortou várias perguntas absurdas proferidas por ela, para que a resposta do Olavo: "Talvez um dia você se arrependa destas perguntas" soasse como quase uma ameaça.

Para terminar,na última pergunta ela comete um "escolhes-te" inacreditável!!!

Em negrito, o que foi suprimido.

- Na primeira coluna do livro, do JT de 1988, fala-se em imbecil jovem, que está sempre um passo à frente do pior e que são, dos reacionários, os maiores. O que dizer do movimento Passe- Livre, liderado por jovens, e que  conseguiu, por protestos, não aumentar o preço da passagem do transporte em SP?

Eu não disse que os jovens são os maiores reacionários, mas que todos os movimentos políticos mais violentos e destrutivos, seja revolucionários ou reacionários, colheram na juventude o grosso da sua militância. Quanto ao preço das passagens, foi o mero pretexto encontrado pelo governo federal para tentar desestabilizar o governo de São Paulo com uma encenação de protesto popular, usando até mesmo gente treinada em guerrilha urbana para produzir violência e depois jogar a culpa na “direita”. Aconteceu que a coisa escapou do controle quando o movimento se espalhou por todo o país e uma vasta massa hostil ao petismo ocupou mais espaço nas ruas do que a militância teleguiada que havia começado as manifestações, e então o PT deu marcha-a-ré, mandando seus empregadinhos voltarem para casa. Todo mundo sabe que foi isso.

- O senhor fala em seu livro que a revolta do jovem contra os pais é uma revolta fácil, porque o seu grupo aceita isso. Hoje, tendo em vista os jovens protestando contra os políticos, poderia-se entender que eles trocaram a revolta contra os pais pela revolta contra a política?

Essa é uma visão muito mecânica, simplória mesmo. A revolta contra alguma coisa vem sempre acompanhada de obediência a alguma outra coisa. Militantes comunistas esbravejam nas ruas contra “o capitalismo”, mas, dentro do Partido, se curvam à autoridade dos dirigentes com um servilismo canino. No exemplo que dei no primeiro capítulo do meu livro, o jovem se rebela contra a autoridade dos pais porque se curva às imposições muito mais pesadas do seu grupo de referência, a massa dos seus coetâneos, não raro guiada por líderes muito mais tirânicos do que qualquer pai ou mãe jamais poderia ser. Eu mesmo observei isso quando era militante de esquerda. Dos dirigentes, os meninos aceitavam ordens humilhantes que jamais aceitariam dos pais ou da Igreja. A revolta em estado puro, solitária e independente, que obedece apenas à própria consciência, sem respaldo num poder dirigente, é coisa rara. Ela produz os heróis genuínos, um Soljenítsin, um Richard Wurmbrand ou um Armando Valladares, muito diferentes dos heróis estereotipados, fabricados pela propaganda, como um Che Guevara ou um Fidel Castro. Em geral os heróis verdadeiros só se tornam conhecidos na velhice ou depois de mortos. Os falsos já são badalados desde a juventude e a badalação é um componente essencial da sua simulação de heroísmo.

- É fácil se revoltar contra a política?

Facílimo, quando se tem pelas costas alguma organização bilionária e armada até os dentes, como a KGB, o Foro de São Paulo, a ONU, as fundações globalistas ou o governo cubano. Dificílimo, quando tudo o que se tem é a força do coração humano e a fé em Deus.


- O senhor usa muito termos como “imbecis”, “mongoloides”, “idiotas” – o seu livro lançado em 1996 traz o termo imbecil se referindo ao povo brasileiro. O “homem cordial” de Sérgio Buarque de Hollanda seria o seu “o homem imbecil” ou “o homem idiota”?

Nunca usei esse termo com relação ao povo brasileiro, se por “povo”  você entende a massa trabalhadora. Usei-o com relação às classes falantes, aos intelectuais, aos homens da mídia. Não é uma categoria da psicologia dos povos e sim da sociologia dos grupos. Você deveria ler o meu livro com mais atenção.


- O senhor usa muito termos que evocam uma quantidade absoluta – “nada”, “tudo”, “os brasileiros”, “todas as pessoas” – ao usá-los não seria também um indício do que o senhor tanto combate – “ a ausência de análise e reflexão” – por reduzir ao generalismo?

De onde você tirou essa idéia? Esses termos não aparecem nos meus escritos com mais freqüência do que “relativamente”, “mais ou menos”, “senso das proporções”, “por outro lado”, “em compensação” e similares.


- Qual seria o próximo passo depois do mínimo [ “O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota?]

Meu livro sobre René Descartes já está em fase de publicação. Creio que depois virá o meu curso sobre a modernidade, editado e revisto pelo Rodrigo Gurgel. Fora isso, tenho mil planos, mas não posso dizer qual vou conseguir realizar primeiro.


- O “O Mínimo...” aparece em 10º lugar na lista dos “Mais Vendidos”, na categoria “Não-Ficção”, na VEJA desta semana. Isso lhe parece que existem mais idiotas ou mais inteligentes do que o senhor imaginava?

Está em décimo na lista da Veja, mas em primeiro na Amazon e em quarto no Globo. Idiotice e inteligência não são qualidades estáticas grudadas de uma vez para sempre numa pessoa. Se não houvesse a possibilidade de transitar de um desses estados ou outro, nem o meu livro poderia ter sido escrito nem haveria utilidade nenhuma em escrevê-lo.


- Cinco coisas que diria para um filho seu de 18 anos ( que por um acidente do destino acabou de conhecer) para ele não ser um idiota.


 Se eu acabasse de conhecer o meu filho naquele momento, não creio que teria autoridade para lhe dar conselho nenhum. Provavelmente diria apenas “Oi”.


- O senhor acha que seu sucesso como articulista se dá mais pelo conteúdo de seus artigos ou pela acidez com que os escreve?


A pergunta é de certo modo autocontraditória. Quem gosta dos meus artigos é porque aprecia o conteúdo. Quem reclama da “acidez” é porque não gosta. Livros e artigos alcançam sucesso por causa de quem gosta, não de quem não gosta.


- O senhor se arrepende de alguma ideia que já tenha escrito? Ou ideal que tenha praticado ao longo de sua vida? Já se considerou um idiota?


Com certeza. Minha vida pode ser resumida no título – embora não necessariamente no conteúdo -- daquela peça do Plínio Marcos, “A longa jornada de um imbecil até o entendimento”. Goethe dizia: “Contra nada somos mais severos do que contra os erros que abandonamos”. Se eu não tivesse me contaminado de várias imbecilidades de grande sucesso na nossa cultura, se não as conhecesse por dentro, não teria cacife para falar contra elas. Talvez um dia você se arrependa destas perguntas.


- Seriam os teus textos e tuas ideias ácidas e polêmicas a razão pela qual os Estados Unidos deram ao senhor o Green Card muito mais facilmente do que se dá a qualquer outra pessoa?


Você está insinuando um favorecimento ideológico? Você acha mesmo que o governo americano é favorável às minhas idéias? Nunca ouviu falar em Barack Hussein Obama?


- Reinaldo Azevedo, em post em seu blog sobre o livro “O Mínimo...”, falou que Olavo de Carvalho provoca silêncio. A quem – ou a quê – o senhor atribui este silêncio?


É o silêncio dos cretinos que não têm resposta, que ficam desorientados e intimidados ante uma argumentação que transcende o seu horizonte de consciência, e então preferem fazer de conta que não ouviram nada. Muitos professores e líderes intelectuais da esquerda nacional reagem assim mesmo: ficam quietinhos no seu canto e mandam seus alunos passarem vergonha em seu lugar escrevendo idiotices contra mim, que se autodesmoralizam no ato mesmo da publicação.


- Dá-se para contar nos dedos os não idiotas? Quantos dedos precisaríamos?


Na grande mídia e nas cátedras universitárias, creio que chegam quase a duas dúzias. Talvez isso seja excesso de otimismo.


- Felipe Moura Brasil,  organizador do livro “O Mínimo...” é bem jovem. Por que escolhes-te, tendo em vista o seu posicionamento de “juventude imbecil”, um rapaz tão jovem para compilar tuas colunas e ideias?


Não escolhi ninguém. A idéia foi dele e ele a realizou como quis, aliás com muito brilho e destreza. Não dei o menor palpite. E é evidente que todo o meu trabalho visa justamente a salvar da imbecilização ao menos uma pequena parcela da juventude brasileira, o que subendente que ninguém é imbecil por ser jovem, mas porque alguém mais velho se aproveitou da sua inexperiência juvenil para imbecilizá-lo. Você está me confundindo com o Nélson Rodrigues, que tinha birra da juventude enquanto tal. 



 
 

quarta-feira, agosto 07, 2013

O Estado das Coisas: O Brasil visto de Portugal

Não escrevo desde Maio. Muita coisa aconteceu desde então.
Neste meio tempo estive fora também de Portugal, portanto duplamente "por fora". Antes de comentar a crise portuguesa, mais longeva, vou falar sobre a nova crise brasileira iniciada com os manifestos populares (ou nem tanto) e a sua percepção em Portugal.
A percepção média dos portugueses em relação ao Brasil até há um mês era de que estávamos "em pleno" crescimento, que o país estava "pacificado" e que tudo corria às mil maravilhas. Sempre perguntavam-me o que eu fazia aqui em Portugal se o Brasil é que estava bem.
Muito desta postura vem mesmo da admiração (meio contraditória) que a maioria dos portugueses têm pelo Brasil. Se for perguntar qual país gostariam de visitar, o Brasil vem em primeiro lugar. "Contraditória", por que, mesmo sob este panorama de fundo, muitas vezes o tratamento a um brasileiro de carne-e-osso é bem diferente.
Na verdade, os portugueses amam (ou odeiam, pois não há meio termo) não o Brasil real, mas o Brasil "para inglês ver". Também nós brasileiros conhecemos o Portugal caricato de Roberto Leal (o português que mais discos vendeu no Brasil) ou pouco mais. Mas os portugueses nos conhecem muito mais. Sabem quase todas as músicas sertanejo-forró-axé; conhecem todas as novo(a)s mus(o)as da MPB, muito mais do que eu (eu sou acusado de não ser "brasileiro" por nada conhecer de Maria Gadu, por exemplo....). Isso torna mais intrigante de como, nos conhecendo "melhor", tenham uma visão distorcida do Brasil real.Esta visão distorcida foi agudizada com a adição da propaganda oficial ao mito do Brasil que já vicejava por conta das novelas e músicas (país liberal, povo feliz, etc).
Pois o mito foi violentamente desmascarado com as manifestações. Me perguntavam o por quê, pois estava tudo "bem" no Brasil. O português sabe do Brasil pelas estatísticas de crescimento de 2010! E acham que tudo está igual desde então.
A todos até então dizia eu que o Brasil tinha e tem muitos problemas e que o que liam sobre o país não passava muito de propaganda oficial. Me olhavam de lado. Muitos desavisados vinham ao meu encontro para louvar Lula e o governo petista, pois afinal como brasileiro...

A queda do mito serviu para dar um choque de realidade ao que se passava do lado de baixo do Equador, à Leste. O noticiário daqui reflete muito mais, a partir destas manifestações, o humor real do Brasil com relação ao seu governo (ou desgoverno).

No fundo, serviu para confirmar que o caminho que o Brasil trilhou nestes anos (bolsa família, incentivo à crédito desmesurado, gastos públicos sem controle) é o mesmo que levou Portugal à crise. Com uma diferença: como Portugal não emite moeda, a inflação não teve qualquer abalo durante os anos de falsa expansão, muito ao contrário do Brasil, que enfrenta uma inflação muito acima de qualquer previsão.

Sobre os manifestos? De tudo o que ocorreu, de positivo foi a volta ao enfoque principal, como o movimento contra o Foro de São Paulo, por exemplo.  O Brasil visto de fora é uma mocinha sendo mantida refém pelo bandido de mil braços. Muitos protestos foram apenas contra os braços do vilão, não seu cérebro.


segunda-feira, maio 06, 2013

A Culpa de Todos Nós

Segundo a Bíblia, o homem tornou-se imperfeito e veio mesmo a morrer por conta de sua desobediência a Deus. Este é o pecado original. Todos os outros não passam de cópias made in China.

Uma das mais batidas teclas da modernidade é o conceito que o homem não deve ter culpa de nada. Tudo é “bom” e nada do que fazemos é “errado”. Culpa é algo que devemos nos livrar para ter uma vida realmente livre. Culpa foi algo criado pela Igreja para controlar a sociedade.

Com o surgimento da psicologia , na virada do século XX, estas teses – que já existiam – ganharam ainda mais aceitação. À luz da nova ciência, “culpa” era o grande obstáculo a impedir o homem de atingir a felicidade e mesmo a causa de neuroses causadas por sentimentos reprimidos.

Dos anos 60 em diante, tudo ficou mais e mais selvagem. “Não existe pecado ao sul do Equador”, música dos 70 parecem uma profecia auto-realizada nos 2000. Ora, se não existe culpa é por que, igualmente, não existe pecado.
Mas isso não era suficiente. Não bastava somente “descriminalizar” a culpa ao acabar com todo e qualquer resquício moral na sociedade. Para enfim terminar o trabalho, era necessário que a culpa voltasse ao cenário, mas numa nova roupagem.

Depois de eliminar qualquer traço da culpa pessoal, da psiqué humana, a culpa “de classe” foi reintroduzida nos anos 90 pelas mãos do politicamente correto e pelo multiculturalismo. O objetivo era claro: criar ondas de ódio artificiais contra os mantenedores da ordem, ou da sociedade.

Assim, o branco de hoje seria “culpado” retroativo pela escravidão e portanto, os negros teriam prioridade em vagas em universidades para “compensar”; A “culpa” pela homofobia seria ainda mais aloprada: a Bíblia ou mesmo a própria família tradicional seriam as culpadas!! Deve ser mesmo ultrajante para um homossexual ter como pais um homem e uma mulher!!!

Para terminar, mesmo os criminosos, bandidos & assassinos não tem culpa alguma pelas suas ações. Os mais de 50 mil assassinatos que ocorrem no Brasil anualmente não podem ser atribuídos aos seus perpetradores. Eles não são “culpados”. São, pelo contrário, vítimas de um sistema iníquo que os levam ao crime. A culpa é de quem ? Nossa. As “vítimas” na verdade são as culpadas pelos crimes. E provavelmente merecem o que lhes ocorreu.

Como, no espaço de menos de uma década aceitamos como carneirinhos, de um lado a “supressão” da culpa pessoal para nossa “felicidade” , e do outro aceitamos que nos fosse inflingida uma “culpa de classe” para justificar todas as ações contra as bases da sociedade?

Ora, por que somos cobaias de um novo tipo de sociedade. Cobaias compulsórios num admirável mundo novo em que o que realmente importa nunca é debatido em “eleições” democráticas. Eleições que centram-se em propaganda e lavagem cerebral, nas quais os “debates” passam longe do que realmente interessa.

Tudo isso aconteceu em plena era de domínio da razão. Nada inédito. A Renascença foi outro período onde o ocultismo voltou com força total, apesar de toda a propaganda sobre a vitória da “ciência”. 

O que acontece ao mundo atual não pode ser explicado racionalmente, pois pertence a outro domínio. Há um obscuro filme de 1919 que já previa o que aconteceria num futuro breve. O filme chama-se “O Gabinete do Doutor Caligari” e pode ser visto aqui. Há também um livro que explica o filme e o que ele desvendava -  “De Caligari à Hitler” de Siegfried Kracauer...

sexta-feira, março 29, 2013

Mensagem de Páscoa

Sexta-feira Santa, 29/03/2013
Neste dia que é o segundo dia mais importante para os cristãos, quero partilhar alguns pensamentos soltos.
A sexta-feira representou o hiato entre a aparente derrota e a fulgurante Vitória de Jesus Cristo.
Assim mesmo acontece com nossas vidas. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, "abandonados" (mesmo com centenas à nossa volta) e à beira da "morte"?
Às vezes , com todo o nosso esforço, amor e dedicação, tem coisas que simplesmente não dão certo.
Nossos filhos não vão nos amar incodicionalmente.
Nossas esposas podem decidir não mais passar o resto de suas vidas ao nosso lado.
Alguém muito querido da sua família pode vir a faltar, de uma hora para outra.
Amigos podem desaparecer de sua vida sem o menor aviso.
Vai haver momentos em que a solidão bate forte à nossa porta...
Mas devemos lembrar para cada Sexta-Feira da Paixão, haverá sempre, à nossa frente o Domingo Pascal.
Uma feliz e Santa Páscoa.

sábado, dezembro 22, 2012

Dante, uma inspiração atemporal

Gosto de admirar as diversas interpretações que o poema maior "A Divina Comédia" de Dante Alighieri tem inspirado.

Aqui, algumas interpretações do Inferno, Canto VII,  quando Dante e Virgílio são interpelados por Felipe Argenti em meio à travessia do Estige.

Ilustração de Gustavo Doré (1850)






Ilustração de William Blake ""Virgil Repelling Filippo Argenti from the Boat of Phlegyas" (1827)




Pintura de Eugéne Delacroix "A Barca de Dante" (1822)




My (Wasted) Generation

Aqui , um mea culpa.
Não por mim exatamente, mas por minha geração.
Aquela que nasceu jé depois da ditadura e que viu o processo de abertura e redemocritazação do país.
Se a década de 80 foi considerada a década perdida em termos econômicos também poderia ser dito que a geração que passou de adolescente a adulta nesta década também foi igualmente perdida.

"Meuis heróis morreram de overdose ,meus inimigos estão no poder" (Cazuza)
"Somos os filhos da revolução , somos burgueses e sem religião" (Legião Urbana)

"Com tanta riqueza por aí onde é que está a minha porção?" (Plebe Rude)

Rebeldia sempre foi uma característica da juventude, mas render-se a um discurso político bocó socialista, justamente quando a origem da onda rock no Brasil foi o britânico "do it yourself" é um pouco demais.
Mas o pior mesmo foi a adesão automática ao maior golpe partidário-midiático, a do Partido dos Trabalhadores como o partido da ética na política e Luis Inácio da Silva como seu supremo sacerdote.

O exemplo mais vexaminoso da subserviência do "rebelde" rock a uma associação partidária, é este "Hino" ao Lula, lançado em 1995... Será que eles ainda cantam isso nos shows???

Em 1989 todos embarcaram na campanha petista, todo o "beautiful people".. Mas os sertanejos ficaram com Collor... Já uma década mais tarde.. já não havia quem pudesse ser contra... Todos se venderam ao PT-ético-mas-com-conta-na-Suiça..



quinta-feira, dezembro 13, 2012

Capitalismo e Cristianismo - Olavo de Carvalho

Olavo explica a contradição fatal da Igreja Católica em condenar o capitalismo.

Capitalismo e Cristianismo: "Uma das causas que produziram o trágico erro católico na avaliação do capitalismo do século XIX foi o trauma da Revolução Francesa, que, roubando e vendendo a preço vil os bens da Igreja, enriqueceu do dia para a noite milhares de arrivistas infames e vorazes, que instauraram o império da amoralidade cínica, o capitalismo selvagem tão bem descrito na obra de Honoré de Balzac. Que isso tenha se passado logo na França, "filha dileta da Igreja", marcou profundamente a visão católica do capitalismo moderno como sinônimo de egoísmo anticristão. Mas seria o saque revolucionário o procedimento capitalista por excelência? Se o fosse, a França teria evoluído para o liberal-capitalismo e não para o regime de intervencionismo estatal paralisante que a deixou para sempre atrás da Inglaterra e dos Estados Unidos na corrida para a modernidade.."

(...)
"Arrancar da nossa alma essa sugestão hipnótica, restaurar a consciência de que o capitalismo, com todos os seus inconvenientes e fora de toda intervenção estatal pretensamente corretiva, é em si e por essência mais cristão que o mais lindinho dos socialismos, eis o dever número um dos intelectuais liberais que não queiram colaborar com o farsesco monopólio esquerdista da moralidade, trocando sua alma pelo prato de lentilhas da eficiência amoral."