terça-feira, março 15, 2016
Da Ingenuidade à Cumplicidade...
Perdôo tudo o que gostavam nos anos 90: Snap!, Corona, Rozalla, Spin Doctors, Nirvana, The Cranberries, menos o "Ética na Política"....
Três dias dias depois de ter aterrissado de volta em Porto Alegre (depois de um hiato de mais de um ano e alguns meses) e dois dias depois das manifestações gigantescas de 13-03, ao invés de falar do presente, resolvo rebuscar o passado. Por que o presente é apenas uma das alternativas possíveis do passado que deu certo. Ou "serto".
Tudo por que o que aqui vi e sigo vendo causa-em espanto e o meu instinto de investigação clama por uma explicação racional.
Por quê , aqueles que tanto lutaram pela "ética na política" nos anos 90, hoje dizem que "todos somos corruptos"??
Que trajetória é esta em que alguém parte de uma quase declaração a de auto-santidade para uma outra em que todos são "ladrões" como ele?
Como disse, ninguém pode ser culpado pelos gostos e preferências políticas dos anos 90, que começaram com a posse de Fernando Collor - candidato no qual voltei e até fiz campanha aberta! Tudo por que achava que Lula era um sindicalista metido demais a marxista e já estava cheio de marxistas depois dos meus anos na faculdade.
Aliás, a faculdade (de engenharia) me fez ficar cheio de comunas e marxistas. De "convergências socialistas" e tudo isso. Quem me influenciou não foram nem Marx & Hegel (ops!) e muito menos Lenin & McCarthy: foram Herman Hesse e Fiódor M. Dostoievski. Mas isso é outra conversa.
Pois bem, os anos 90 viram o impeachment de um Presidente acusado de corrupção, mas que foi retirado do poder por um processo eminentemente político, uma vez que o simples fato de haver acusações e alguma evidência já eram motivos para minar a credibilidade de um governante. O processo efetivou-se pelo clime de "ética na política" vigente, que cobrava uma moralidade quase santa aos governadores e políticos.
Pois bem, o movimento "ética na política" - que inflou o PT nos anos 90 - era desde o princípio uma isca para apanhar incautos.
Idealistas são ingênuos como crianças e como elas sempre disponíveis para serem utilizados como massa de manobra.
Quem lembra dos estudantes enviados à morte na Guerrilha do Araguaia enquanto que o seu líder-mor João Amazonas (PCdoB) ficava na segurança do seu bunker?
Mas vamos o que interessa: "ética" segundo o google é "conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade." O termo, portanto, nunca significou uma "moralização" da política, mas simplesmente a aplicação de um conjunto de valores de um grupo - no caso o PT - à política brasileira. Quem entendeu "ética" como sinônimo de "moralidade" (auto)enganou-se: a "ética" era a do partido e não os valores morais aos quais a maioria do povo brasileiro concorda.
A veracidade desta afirmação foi comprovada na prática que o partido desenvolveu ao longo de suas administrações locais, culminando com as administrações nacionais de Lula e Dilma.
Mas como nossos pobres idealistas reagiram quando perceberam a a distância da "ética" do partido com a "ética" pela qual acreditaram lutar? Depois da fase de auto exame e crítica, com o aparecimento do mensalão em 2005, acreditei que muitos cairiam na realidade e rejeitariam por completo aquele engodo, abandonando a "causa" do partido. Devo dizer que muitos abandonaram o barco nesta altura. Outros criaram o PSOL ou migraram para outras partidos de esquerda, o que dá no mesmo -devem ter feito apenas por "desencargo de consciência" inútil, como tomar anticoncepcional depois de ter relações. Finalmente há os que permaneceram em estado de "suspensão" da capacidade de raciocinar por algum tempo, até que as novas "ordens" do partido chegaram.
Depois do advento do mensalão, a tática do partido foi a de começar a produzir dossiês com acusações falsas e outras nem tanto, para que pudessem a partir daí passar a circular a mais hipócrita "defesa" que alguém já pensou em criar: "todos são corruptos", que passou rapidinho para "todos somos corruptos", no que foi absorvido pelos antigos militantes.
Há muita gente enganada que se recusa a admiti-lo e que pelo contrário passa a defender o que port tanto tempo odiou simplesmente para não dar a outra face; para não dizer que abandonaram a causa, pois natimorta era desde o início, acabam por se tornarem-se parte do tecido morto. Ao se manterem agarrados ao cadáver insepulto de uma causa morta, acabam por deterioram-se a si mesmo.
Eu sei que "todos somos corruptos", que todos fazemos pequenas patifarias. Que somos imperfeitos. Mas é mesmo no reconhecimento de quão ruins somos é que nos faz amar cada vez mais a verdade e a justiça. É por que ela nunca terá na espécie humana a sua completa realização. Mas é a sua busca que nos torna melhores. A busca da verdade e da justiça com desapego a causas, bandeiras e antigas crenças é o processo alquímico final, é ele que poderá tornar nosso ferro oxidado por tantas mentiras e auto-engano em ouro. E mesmo que não consigamos, é sempre melhor morrer na tentativa do que pela desistência.
quarta-feira, julho 01, 2015
O Futuro do Pretérito
Há muita gente que acredita mesmo em "evolução" social. Eu sou cético a respeito.
Só podem acreditar em "evolução" (que seria a progressão infinita de tudo e todos , a começar pela "matéria", em novos e desconhecidos desenvolvimentos espontâneos e que trariam sempre "um benefício" a todos, não importa o quê ) os que nada sabem sobre o passado.
Aliás a própria ideia de futurismo pressupõe uma negação total ao passado. Mas como podemos saber se "avançamos" sem nada saber do passado? Como ter uma medida de comparação ? Resposta: Não é para ter certeza. Devemos "acreditar" e ponto final. Marinetti, o "papa" do movimento futurista, propunha exatamente isso como a base do seu movimento paródico : o total despego ao exame da história ou outra evidência externa. E é assim mesmo que reagem os devotos da fé progressivo-futurista: Se é moderno é bom e é bom por que é mais novo.
Pois bem, aos que propõe sua "certeza absoluta" no progresso e evolução da humanidade - eu leio estas expressões em obras datadas desde o século XIX, no mínimo - não conseguem responder o porquê, depois de dois séculos de "progressivismo", o que vemos em volta é barbárie, não civilização.
Assim, ao analisarmos a história, pelo menos duas referências saltam-me aos olhos: Primeiro, o comportamento das massas hodiernas parece o dos personagens centrais de "Satyricon" de Petrônio. Obra que retratava a decadência romana. (Oh! "Decadência"?! Os arautos do progressivismo não pensam que na mesma trilha da "evolução" , podemos enunciar "extinção em massa"....); Segundo, a "decadência" é mesmo resultado da opulência, segundo Ibn Khaldun. O germe da decadência situa-se nas mesmas origens que possibilitaram o "progresso". Para falar de algo mais exato, Ibn Khaldun explicava a "decadência" numa tragédia de três atos-gerações, sendo a primeira a "criadora" ou conquistadora seguida de uma estável e onde o ímpeto original fenece rapidamente e a terceira geração, chamada de "destrutora" que passa a desfazer, pedra por pedra tudo o que foi construído anteriormente. Até que todo o edifício desmorone.
O mundo de hoje situa-se na terceira geração, a "destrutora". Que nada tem de original na sua "modernidade", como vimos, a não ser os meios de ação.
A situação atual poderia ainda ser descrita com alguns elementos adicionais, como o descrito por José Ortega y Gasset no seu profético "A Revolução das Massas" de 1926. A representação teatral perfeita disso podemos ver Eugène Ionesco com sua obra "O Rinoceronte", de 1959.
Mas se é uma "decadência", o que virá depois? Toda a ideia de declínio também encerra em si mesmo o germe dos "novos tempos". O que podemos esperar?
Novamente, vivemos o futuro do pretérito. Este novo "futuro" já foi descrito em Orwell - "1984" - no diálogo de Winston ( o último "ser humano") com o ideólogo partidário O'Brien, que revela o "novo mundo" ao incrédulo Winston:
O'Brien: "Controlamos a matéria por que controlamos a mente. A realidade está dentro de cada cabeça. Aprenderás aos poucos, Winston. Não há nada que não possamos fazer. Invisibilidade, levitação... Tudo. Eu poderia flutuar no ar, como uma bolha de sabão, se quisesse. Mas não quero por que o Partido não o deseja... Devias abandonar estas ideias do século dezenove sobre as leis da Natureza. Nós fazemos as leis da natureza!!!"
Winston:"Não fazeis! Não sois donos do planeta! O homem é minúsculo. Há quanto tempo existe?"
O`Brien: "Tolice. A terra é tão velha quanto o homem e nada mais. Como poderia ser mais velha? Nada existe exceto pela via de consciência humana."
Winston: "Mas o universo inteiro está fora de nós (...)"
O'Brien: " (..). E daí? Imaginas que não podemos produzir um sistema dual de astronomia? As estrelas podem estar longe ou perto, conforme precisarmos. Supões que os nossos matemáticos não dão conta do recado? Esqueceste o 'duplipensar'???"
Resumo de nossa pequena pesquisa ao passado:
- O progressivismo é uma espécie de fé. Mas da qual nunca se obtém "provas".Sabe-se. Se o cristianismo precisou da morte e ressurreição de Cristo, para provar-se verdadeiro, o progressivismo nada necessita a não ser o esquecimento seletivo do do passado.
- Como tal, o progressivismo é uma crença "religiosa", e é por isso que se opõe à crença religiosa que moldou a própria civilização ocidental: a crença de um Deus exterior e na própria realidade exterior.
- A religião do progressivismo é baseada na crença de que nós somos deuses. É por isso que o progressivismo não pode conviver ao mesmo tempo com a religião tradicional, por que ela não só se opõe à "agenda oficial" como mostra sua origem.
- A história do homem, pela religião tradicional, diz que a primeira grande mentira foi contada ao homem e consistia em dizer-lhe que ele poderia ser "um
- deus"!!! . O que veio a seguir é mais ou menos como Baudelaire dizia : "O truque mais esperto do Diabo é convencer-nos de que ele não existe."
sexta-feira, janeiro 09, 2015
Ibn Khâldun sobre os povos árabes
Segundo a "Wikipédia", "Abu Zayd 'Abd al-Rahman ibn Muhammad ibn Khaldun al-Hadrami ou Ibn Khaldun (Norte da África, atual Túnis[1] , 27 de Maio de 1332/ah732 — Cairo, 17 de Março de 1406/ah808) foi um polímata árabe[2] [3] — astrônomo, economista, historiador, jurista islâmico, advogado islâmico, erudito islâmico, teólogo islâmico, hafiz, matemático, estrategista militar, nutricionista, filósofo, cientista social e estadista."
Aqui, suas considerações sobre seu próprio povo.
IBN KHÂLDUN – Historiador e Humanista
(J. Laginha Serafim) Pp. 57-58
(...) Pelas suas leituras da história sobre a evolução do mundo islâmico (desde a Hégira) e pela sua própria observação, Ibn Khâldun convenceu-se, quiçá sem toda a razão, vista hoje as coisas, da enorme degradação que se verificou nesse vasto mundo.
“Em todos os países que os Árabes conquistaram, desde os séculos mais remotos, a civilização desapareceu, assim como a população; até o próprio solo parece ter mudado de natureza.”
“No meu país de origem (o Iêmen) todos os centros de população estão abandonados, com excepção de alguma grande cidade. O Iraque árabe sofreu a mesma ruína e todas as belas culturas que os Persas lhes cobriram as terras desapareceram. Em nossos dias, a Síria está arruinado; a Ifrigiyah (Tunísia e Líbia actuais) e o Magrebe (o Oeste do Egipto, mais especificamente o Norte da Argélia e o Marrocos de hoje – Maghrib al-Agsa e a Espanha muçulmana, ou Al Andalus) padecem ainda das devastações cometidas pelos Árabes.”
“No quinto século da Hégira (século VI da era crista), os Banu Hilal e os Sulaim (das mais importantes tribos árabes tradicionais) invadiram estas províncias (do Oeste) e, durante três séculos e meio, obstinaram-se em devastá-las, reduzindo-as à mesma sorte miserável das outras, a tal ponto que as suas planícies tornaram-se desertos até hoje. Antes desta invasão, toda a zona que se estende desde os países dos Negros (Sudão) até ao Mediterrâneo (ocidental) era habitada; os vestígios da sua antiga civilização (fenícia, cartaginesa, grega e romana), os escombros dos edifícios e monumentos, as ruínas das cidades e das aldeias, ficaram sendo testemunhas das grandezas do passado.” (P, I, 264)..
Ibn Khâldun, alias, vai ainda mais longe nas suas acusações à maneira de ser dos Árabes, que talvez sejam exageradas, por não ter, quiçá, tida em conta outros aspectos muito positivos do seu esforço na expansão do islão, que ainda hoje se processa de uma forma pacífica – talvez única na história das expansões religiosas. Assim é que diz :(P, I, 265):
“De todos os povos da Terra, os Árabes são os menos dispostos à subordinação.” (P, I, 265)
“De todos os povos da Terra [eles] são os menos capazes de governar um império”, e nenhum “forneceu tantas dinastias como a raça árabe” (isto é, foi o povo que mais se dividiu). (P,I,266)
quarta-feira, setembro 11, 2013
O Sucesso do "Mínimo": A Volta do Exílio da Alta-Cultura
Decantada em verso e prosa (como Elis Regina "O Bêbado e a Equilibrista " de Bosco e Blanc, ou a versão de "No Woman, No Cry" de Gilberto Gil) a anistia do governo militar permitiu a volta de centenas de exilados e auto-exilados ao país.Todo o país aguardou, festivamente e recebeu mesmo de braços abertos todos aqueles que "partiram num rabo de foguete" de modo a fechar de uma vez a chaga da divisão havida nos anos 60 e seguir em frente.
Infelizmente não aconteceu nada disso, pelo contrário. Começava aí o capítulo mais marcado da decadência da cultura no País. Decadência que foi não foi somente cultural, mas política e econômica.
Economicamente, o modelo adotado durante o regime militar, de cariz fascista/socialista em que um Estado forte "comanda" a economia criando toda a infra-estrutura e sendo dono de boa parte da indústria de base, dava sinais de esgotamento. A inflação comia o poder dos salários, como Beth Carvalho anunciava "depois que inventaram o tal cruzeiro, eu trago um embrulhinho na mão, e deixo um saco de dinheiro" (Saco de Feijão). Nos 80, década tida como "perdida", a inflação atingiria os dois dígitos mensais. Na política, o modelo de bi-partidarismo, com Arena e MDB também se esgotava. Com a volta dos anistiados chegaria mesmo ao fim, dando lugar a um pluripartidarismo de araque, em que somente as legendas de esquerda proliferaram.
Nada disso poderia ter tido êxito se não houvesse uma desconstrução cultural cuidadosamente planejada em ação.
O motivo era simples: nem todos que voltaram como o Fernando Gabeira, por exemplo, o fizeram para retomar suas vidas, viver e redescobrir o país. Nada disso, voltaram mesmo para "acertar contas" com seus algozes dos anos 60. Começava aí a guerrilha cultural - um dos flancos mais "modernos" da causa esquerdista, herdada diretamente dos protestos de Maio de 1968 (por isso Zuenir Ventura refere-se a ele como "O ano que não terminou") - em que o "movimento" se reagrupava e entrava num momento de análise dos erros e acertos.
Desta auto-análise saíram as conclusões do fracasso dos anos 60:
- O movimento foi elitista e intelectual, nunca atingiu o povão.
- O conservadorismo, principalmente da classe média, que obrigou o exército a agir para resguardar a democracia.
- O exército, claro, a instituição que tirou-os do destino quse alcançado.
Para o primeiro caso, os "intelectuais" do partido escolheram um menino do povo - Luís Inácio da Silva, o Lula, líder de um movimento grevista inédito desde os anos 60 - a quem poderiam doutrinar para ser seu agente.
Para o terceiro, a única alternativa seria criminalizar os que impediram a vitória nos ano 60. Para isso mesmo a própria Lei da Anistia teria de ser revogada. Mas isso só poderia ser feito com o poder nas mãos...Por isso nada foi feito durante algum tempo.
Para o segundo, a tarefa era mais árdua e de longo prazo. Teria de ser combatida seguindo os passos de Antonio Gramsci. Desarmar os inimigos por dentro. Deslocar o eixo do senso comum. Para isso teriam de dominar os "formadores de opinião" do país. Nada que os manuais de tomada comunista já não conhecessem: obter o apoio do "beautiful people", dos intelectuais, promover os amigos, companheiros de viagem e idiotas úteis a formadores de opinião. Criar o "primeiro casal de coelhos", enfim, depois a coisa se reproduziria por si mesma.
As décadas seguintes correram céleres a partir destas premissas. A "queda" do comunismo em 1989 forneceu a cortina de fumaça ideal. Não se lutava mais a favor do comunismo, mas contra uma potência mundial hegemônica e perigosa. A formação do Foro de São Paulo, fortaleceu ainda mais os "vingadores" do continente, unindo-os a partir de Cuba. Ao meio da década dos 90, com a adoção do "politicamente correto", introduzido sob os auspícios do governo FHC, a dominação acelerava-se.
Mas eis que em 1996, alguém consegue perceber o que se passa lança o seu "J'accuse": "O Imbecil Coletivo" de Olavo de Carvalho. "Fomos descobertos", devem ter pensado. Olavo foi combatido, debatido e sobreviveu incólume. Em terra de cego quem tem olho é rei? Não no Brasil.
À surpresa inicial e ao primeiros anúncios de primeira página sobre os debates acerca do livro ou de seu autor - que já proliferavam nos cadernos de cultura dos principais jornais do país - foi lançada uma "fatwa" (parecida com aquela lançada contra Salman Rushdie pelos "Versos Satânicos"): Ninguém poderia debater com Olavo, ninguém deveria citar Olavo, muito menos respondê-lo. Olavo de Carvalho deveria ser solenemente ignorado.
Olavo tentou, neste meio tempo, unir o que poderia ser a resistência contra a tomada avassaladora da esquerda no país, como setores do exército, dos liberais e dos conservadores. Não resultou.
Ao mesmo tempo, mesmo com a proliferação dos cursos que promovia em diversos locais no país (tenho o privilégio de ter sido um dos organizadores do curso em Porto Alegre, em 2004 e 2005) , Olavo começou a ser combatido "por dentro", perdendo seu lugar como colunista em vários veículos importantes do país. Em 2005 deixa o país para um auto-exílio nos Estados Unidos.
A esta aparente vitória de seus retratores, começa uma tímida reação: Curso On-Line de Filosofia e o True-Outspeak. Com este último, Olavo conseguiu expandir a sua influência a niveis imagináveis.
Em 2013 um "olavette" de peso foi incluído à lista, e causa furor: João Woerdenbag, o Lobão. Ex-Blitz, famoso apoiador de campanhas do PT, Lula e etc, descobre a pólvora e lança um petardo. Com o nome de "Manifesto do Nada Na Terra do Nunca", espanta aos próceres da esquerda pelo conteúdo e enfurece-os pelas entrevistas onde cita Olavo de Carvalho.
Neste mesmo ano de 2013, enfim, é lançado um livro - que nem é inédito, pois trata-se de um "the best of" do Olavo, com os melhores textos publicados em diversos jornais e revistas do país entre 1997 e 2012 - "O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota", organizado pelo jovem aluno Felipe Moura Brasil. Sem publicidade, sem investimento em divulgação, é alçado aos primeiros lugares em vendas em todos as listas importantes do país.
À isso , somem-se as dezenas de entrevistas que o autor concedeu aos mesmos veículos que tentaram ostracizá-lo no passado, para imensa satisfação do seu público.
Estas reações, por espontâneas e marcantes, fazem concluir-me duas coisas:
- O Brasil ainda tem esperança, apesar de tudo. Há uma nova geração que percebe a verdade, mesmo depois de décadas de doutrinação, e que vai em sua busca.
- E sim, a Cultura parece ter voltado de seu exílio ao país.
segunda-feira, setembro 09, 2013
Provocações ao nosso colunista?
Olavo de Carvalho, afirma há anos que, como Salman Rushdie após publicar "The Satanic Verses", a esquerda, cansada de apanhar fragorosamente com a série de debates despoletados pelo "O Imbecil Coletivo" (1996), lançou uma fatwa de silêncio sobre seu nome: "não comentem Olavo de Carvalho".
Com o fato de que o "Mínimo" é o quarto mais vendido na lista da Veja, o mínimo que se poderia fazer é entrevistá-lo, mas isso foi feito de uma forma enviesada e acusatória.
A entrevista não foi publicada na íntegra. Para simular a "provocação" a repórter cortou várias perguntas absurdas proferidas por ela, para que a resposta do Olavo: "Talvez um dia você se arrependa destas perguntas" soasse como quase uma ameaça.
Para terminar,na última pergunta ela comete um "escolhes-te" inacreditável!!!
Em negrito, o que foi suprimido.
- Na primeira coluna do livro, do JT de 1988, fala-se em imbecil jovem, que está sempre um passo à frente do pior e que são, dos reacionários, os maiores. O que dizer do movimento Passe- Livre, liderado por jovens, e que conseguiu, por protestos, não aumentar o preço da passagem do transporte em SP?
Eu não disse que os jovens são os maiores reacionários, mas que todos os movimentos políticos mais violentos e destrutivos, seja revolucionários ou reacionários, colheram na juventude o grosso da sua militância. Quanto ao preço das passagens, foi o mero pretexto encontrado pelo governo federal para tentar desestabilizar o governo de São Paulo com uma encenação de protesto popular, usando até mesmo gente treinada em guerrilha urbana para produzir violência e depois jogar a culpa na “direita”. Aconteceu que a coisa escapou do controle quando o movimento se espalhou por todo o país e uma vasta massa hostil ao petismo ocupou mais espaço nas ruas do que a militância teleguiada que havia começado as manifestações, e então o PT deu marcha-a-ré, mandando seus empregadinhos voltarem para casa. Todo mundo sabe que foi isso.
- O senhor fala em seu livro que a revolta do jovem contra os pais é uma revolta fácil, porque o seu grupo aceita isso. Hoje, tendo em vista os jovens protestando contra os políticos, poderia-se entender que eles trocaram a revolta contra os pais pela revolta contra a política?
Essa é uma visão muito mecânica, simplória mesmo. A revolta contra alguma coisa vem sempre acompanhada de obediência a alguma outra coisa. Militantes comunistas esbravejam nas ruas contra “o capitalismo”, mas, dentro do Partido, se curvam à autoridade dos dirigentes com um servilismo canino. No exemplo que dei no primeiro capítulo do meu livro, o jovem se rebela contra a autoridade dos pais porque se curva às imposições muito mais pesadas do seu grupo de referência, a massa dos seus coetâneos, não raro guiada por líderes muito mais tirânicos do que qualquer pai ou mãe jamais poderia ser. Eu mesmo observei isso quando era militante de esquerda. Dos dirigentes, os meninos aceitavam ordens humilhantes que jamais aceitariam dos pais ou da Igreja. A revolta em estado puro, solitária e independente, que obedece apenas à própria consciência, sem respaldo num poder dirigente, é coisa rara. Ela produz os heróis genuínos, um Soljenítsin, um Richard Wurmbrand ou um Armando Valladares, muito diferentes dos heróis estereotipados, fabricados pela propaganda, como um Che Guevara ou um Fidel Castro. Em geral os heróis verdadeiros só se tornam conhecidos na velhice ou depois de mortos. Os falsos já são badalados desde a juventude e a badalação é um componente essencial da sua simulação de heroísmo.
- É fácil se revoltar contra a política?
Facílimo, quando se tem pelas costas alguma organização bilionária e armada até os dentes, como a KGB, o Foro de São Paulo, a ONU, as fundações globalistas ou o governo cubano. Dificílimo, quando tudo o que se tem é a força do coração humano e a fé em Deus.
- O senhor usa muito termos como “imbecis”, “mongoloides”, “idiotas” – o seu livro lançado em 1996 traz o termo imbecil se referindo ao povo brasileiro. O “homem cordial” de Sérgio Buarque de Hollanda seria o seu “o homem imbecil” ou “o homem idiota”?
Nunca usei esse termo com relação ao povo brasileiro, se por “povo” você entende a massa trabalhadora. Usei-o com relação às classes falantes, aos intelectuais, aos homens da mídia. Não é uma categoria da psicologia dos povos e sim da sociologia dos grupos. Você deveria ler o meu livro com mais atenção.
- O senhor usa muito termos que evocam uma quantidade absoluta – “nada”, “tudo”, “os brasileiros”, “todas as pessoas” – ao usá-los não seria também um indício do que o senhor tanto combate – “ a ausência de análise e reflexão” – por reduzir ao generalismo?
De onde você tirou essa idéia? Esses termos não aparecem nos meus escritos com mais freqüência do que “relativamente”, “mais ou menos”, “senso das proporções”, “por outro lado”, “em compensação” e similares.
- Qual seria o próximo passo depois do mínimo [ “O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota?]
Meu livro sobre René Descartes já está em fase de publicação. Creio que depois virá o meu curso sobre a modernidade, editado e revisto pelo Rodrigo Gurgel. Fora isso, tenho mil planos, mas não posso dizer qual vou conseguir realizar primeiro.
- O “O Mínimo...” aparece em 10º lugar na lista dos “Mais Vendidos”, na categoria “Não-Ficção”, na VEJA desta semana. Isso lhe parece que existem mais idiotas ou mais inteligentes do que o senhor imaginava?
Está em décimo na lista da Veja, mas em primeiro na Amazon e em quarto no Globo. Idiotice e inteligência não são qualidades estáticas grudadas de uma vez para sempre numa pessoa. Se não houvesse a possibilidade de transitar de um desses estados ou outro, nem o meu livro poderia ter sido escrito nem haveria utilidade nenhuma em escrevê-lo.
- Cinco coisas que diria para um filho seu de 18 anos ( que por um acidente do destino acabou de conhecer) para ele não ser um idiota.
Se eu acabasse de conhecer o meu filho naquele momento, não creio que teria autoridade para lhe dar conselho nenhum. Provavelmente diria apenas “Oi”.
- O senhor acha que seu sucesso como articulista se dá mais pelo conteúdo de seus artigos ou pela acidez com que os escreve?
A pergunta é de certo modo autocontraditória. Quem gosta dos meus artigos é porque aprecia o conteúdo. Quem reclama da “acidez” é porque não gosta. Livros e artigos alcançam sucesso por causa de quem gosta, não de quem não gosta.
- O senhor se arrepende de alguma ideia que já tenha escrito? Ou ideal que tenha praticado ao longo de sua vida? Já se considerou um idiota?
Com certeza. Minha vida pode ser resumida no título – embora não necessariamente no conteúdo -- daquela peça do Plínio Marcos, “A longa jornada de um imbecil até o entendimento”. Goethe dizia: “Contra nada somos mais severos do que contra os erros que abandonamos”. Se eu não tivesse me contaminado de várias imbecilidades de grande sucesso na nossa cultura, se não as conhecesse por dentro, não teria cacife para falar contra elas. Talvez um dia você se arrependa destas perguntas.
- Seriam os teus textos e tuas ideias ácidas e polêmicas a razão pela qual os Estados Unidos deram ao senhor o Green Card muito mais facilmente do que se dá a qualquer outra pessoa?
Você está insinuando um favorecimento ideológico? Você acha mesmo que o governo americano é favorável às minhas idéias? Nunca ouviu falar em Barack Hussein Obama?
- Reinaldo Azevedo, em post em seu blog sobre o livro “O Mínimo...”, falou que Olavo de Carvalho provoca silêncio. A quem – ou a quê – o senhor atribui este silêncio?
É o silêncio dos cretinos que não têm resposta, que ficam desorientados e intimidados ante uma argumentação que transcende o seu horizonte de consciência, e então preferem fazer de conta que não ouviram nada. Muitos professores e líderes intelectuais da esquerda nacional reagem assim mesmo: ficam quietinhos no seu canto e mandam seus alunos passarem vergonha em seu lugar escrevendo idiotices contra mim, que se autodesmoralizam no ato mesmo da publicação.
- Dá-se para contar nos dedos os não idiotas? Quantos dedos precisaríamos?
Na grande mídia e nas cátedras universitárias, creio que chegam quase a duas dúzias. Talvez isso seja excesso de otimismo.
- Felipe Moura Brasil, organizador do livro “O Mínimo...” é bem jovem. Por queescolhes-te, tendo em vista o seu posicionamento de “juventude imbecil”, um rapaz tão jovem para compilar tuas colunas e ideias?
Não escolhi ninguém. A idéia foi dele e ele a realizou como quis, aliás com muito brilho e destreza. Não dei o menor palpite. E é evidente que todo o meu trabalho visa justamente a salvar da imbecilização ao menos uma pequena parcela da juventude brasileira, o que subendente que ninguém é imbecil por ser jovem, mas porque alguém mais velho se aproveitou da sua inexperiência juvenil para imbecilizá-lo. Você está me confundindo com o Nélson Rodrigues, que tinha birra da juventude enquanto tal.
quarta-feira, agosto 07, 2013
O Estado das Coisas: O Brasil visto de Portugal
Neste meio tempo estive fora também de Portugal, portanto duplamente "por fora". Antes de comentar a crise portuguesa, mais longeva, vou falar sobre a nova crise brasileira iniciada com os manifestos populares (ou nem tanto) e a sua percepção em Portugal.
A percepção média dos portugueses em relação ao Brasil até há um mês era de que estávamos "em pleno" crescimento, que o país estava "pacificado" e que tudo corria às mil maravilhas. Sempre perguntavam-me o que eu fazia aqui em Portugal se o Brasil é que estava bem.
Muito desta postura vem mesmo da admiração (meio contraditória) que a maioria dos portugueses têm pelo Brasil. Se for perguntar qual país gostariam de visitar, o Brasil vem em primeiro lugar. "Contraditória", por que, mesmo sob este panorama de fundo, muitas vezes o tratamento a um brasileiro de carne-e-osso é bem diferente.
Na verdade, os portugueses amam (ou odeiam, pois não há meio termo) não o Brasil real, mas o Brasil "para inglês ver". Também nós brasileiros conhecemos o Portugal caricato de Roberto Leal (o português que mais discos vendeu no Brasil) ou pouco mais. Mas os portugueses nos conhecem muito mais. Sabem quase todas as músicas sertanejo-forró-axé; conhecem todas as novo(a)s mus(o)as da MPB, muito mais do que eu (eu sou acusado de não ser "brasileiro" por nada conhecer de Maria Gadu, por exemplo....). Isso torna mais intrigante de como, nos conhecendo "melhor", tenham uma visão distorcida do Brasil real.Esta visão distorcida foi agudizada com a adição da propaganda oficial ao mito do Brasil que já vicejava por conta das novelas e músicas (país liberal, povo feliz, etc).
Pois o mito foi violentamente desmascarado com as manifestações. Me perguntavam o por quê, pois estava tudo "bem" no Brasil. O português sabe do Brasil pelas estatísticas de crescimento de 2010! E acham que tudo está igual desde então.
A todos até então dizia eu que o Brasil tinha e tem muitos problemas e que o que liam sobre o país não passava muito de propaganda oficial. Me olhavam de lado. Muitos desavisados vinham ao meu encontro para louvar Lula e o governo petista, pois afinal como brasileiro...
A queda do mito serviu para dar um choque de realidade ao que se passava do lado de baixo do Equador, à Leste. O noticiário daqui reflete muito mais, a partir destas manifestações, o humor real do Brasil com relação ao seu governo (ou desgoverno).
No fundo, serviu para confirmar que o caminho que o Brasil trilhou nestes anos (bolsa família, incentivo à crédito desmesurado, gastos públicos sem controle) é o mesmo que levou Portugal à crise. Com uma diferença: como Portugal não emite moeda, a inflação não teve qualquer abalo durante os anos de falsa expansão, muito ao contrário do Brasil, que enfrenta uma inflação muito acima de qualquer previsão.
Sobre os manifestos? De tudo o que ocorreu, de positivo foi a volta ao enfoque principal, como o movimento contra o Foro de São Paulo, por exemplo. O Brasil visto de fora é uma mocinha sendo mantida refém pelo bandido de mil braços. Muitos protestos foram apenas contra os braços do vilão, não seu cérebro.
segunda-feira, maio 06, 2013
A Culpa de Todos Nós
sexta-feira, março 29, 2013
Mensagem de Páscoa
Sexta-feira Santa, 29/03/2013
Neste dia que é o segundo dia mais importante para os cristãos, quero partilhar alguns pensamentos soltos.
A sexta-feira representou o hiato entre a aparente derrota e a fulgurante Vitória de Jesus Cristo.
Assim mesmo acontece com nossas vidas. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, "abandonados" (mesmo com centenas à nossa volta) e à beira da "morte"?
Às vezes , com todo o nosso esforço, amor e dedicação, tem coisas que simplesmente não dão certo.
Nossos filhos não vão nos amar incodicionalmente.
Nossas esposas podem decidir não mais passar o resto de suas vidas ao nosso lado.
Alguém muito querido da sua família pode vir a faltar, de uma hora para outra.
Amigos podem desaparecer de sua vida sem o menor aviso.
Vai haver momentos em que a solidão bate forte à nossa porta...
Mas devemos lembrar para cada Sexta-Feira da Paixão, haverá sempre, à nossa frente o Domingo Pascal.
Uma feliz e Santa Páscoa.
terça-feira, janeiro 22, 2013
sábado, dezembro 22, 2012
Dante, uma inspiração atemporal
Aqui, algumas interpretações do Inferno, Canto VII, quando Dante e Virgílio são interpelados por Felipe Argenti em meio à travessia do Estige.
Ilustração de Gustavo Doré (1850)
Ilustração de William Blake ""Virgil Repelling Filippo Argenti from the Boat of Phlegyas" (1827)
Pintura de Eugéne Delacroix "A Barca de Dante" (1822)
My (Wasted) Generation
Não por mim exatamente, mas por minha geração.
Aquela que nasceu jé depois da ditadura e que viu o processo de abertura e redemocritazação do país.
Se a década de 80 foi considerada a década perdida em termos econômicos também poderia ser dito que a geração que passou de adolescente a adulta nesta década também foi igualmente perdida.
"Meuis heróis morreram de overdose ,meus inimigos estão no poder" (Cazuza)
"Somos os filhos da revolução , somos burgueses e sem religião" (Legião Urbana)
"Com tanta riqueza por aí onde é que está a minha porção?" (Plebe Rude)
Rebeldia sempre foi uma característica da juventude, mas render-se a um discurso político bocó socialista, justamente quando a origem da onda rock no Brasil foi o britânico "do it yourself" é um pouco demais.
Mas o pior mesmo foi a adesão automática ao maior golpe partidário-midiático, a do Partido dos Trabalhadores como o partido da ética na política e Luis Inácio da Silva como seu supremo sacerdote.
O exemplo mais vexaminoso da subserviência do "rebelde" rock a uma associação partidária, é este "Hino" ao Lula, lançado em 1995... Será que eles ainda cantam isso nos shows???
Em 1989 todos embarcaram na campanha petista, todo o "beautiful people".. Mas os sertanejos ficaram com Collor... Já uma década mais tarde.. já não havia quem pudesse ser contra... Todos se venderam ao PT-ético-mas-com-conta-na-Suiça..
sexta-feira, dezembro 21, 2012
quinta-feira, dezembro 13, 2012
Capitalismo e Cristianismo - Olavo de Carvalho
Capitalismo e Cristianismo: "Uma das causas que produziram o trágico erro católico na avaliação do capitalismo do século XIX foi o trauma da Revolução Francesa, que, roubando e vendendo a preço vil os bens da Igreja, enriqueceu do dia para a noite milhares de arrivistas infames e vorazes, que instauraram o império da amoralidade cínica, o capitalismo selvagem tão bem descrito na obra de Honoré de Balzac. Que isso tenha se passado logo na França, "filha dileta da Igreja", marcou profundamente a visão católica do capitalismo moderno como sinônimo de egoísmo anticristão. Mas seria o saque revolucionário o procedimento capitalista por excelência? Se o fosse, a França teria evoluído para o liberal-capitalismo e não para o regime de intervencionismo estatal paralisante que a deixou para sempre atrás da Inglaterra e dos Estados Unidos na corrida para a modernidade.."
(...)
"Arrancar da nossa alma essa sugestão hipnótica, restaurar a consciência de que o capitalismo, com todos os seus inconvenientes e fora de toda intervenção estatal pretensamente corretiva, é em si e por essência mais cristão que o mais lindinho dos socialismos, eis o dever número um dos intelectuais liberais que não queiram colaborar com o farsesco monopólio esquerdista da moralidade, trocando sua alma pelo prato de lentilhas da eficiência amoral."
A influência da Igreja Católica no pensamento conservador norte-americano
Eastern Right | The American Conservative: Since the Second World War, Roman Catholicism has had enormous influence on American intellectual conservatism. The postwar rebirth of conservatism had two sources: libertarianism—a reassertion of classical liberalism against statism—and cultural traditionalism. For Russell Kirk and other leading traditionalists of the era, the Roman Catholic church, with its soaring intellectual edifice and unitary vision of faith and reason, matter and spirit, was the natural conservator of Western civilization and the sure source of its renewal after the catastrophes of the 20th century.
domingo, outubro 07, 2012
O Inferno de Dante
Dante Aleghieri parece que escreveu seu Inferno pensando na época atual. Não há descrição mais apurada do típico "señorito satisfecho" de nosso tempo. E também de muitos cristãos de fachada....
"O poeta horrorizado com o espetáculo , que ante seus olhos se desenrolava, quis saber quem eram aqueles que, sob ferroadas, eram punidos por seus pecados.
O eminentissímo Virgílio, com solicitude, explicou :
- Acham-se encerrados neste recinto aqueles que viveram sem infâmia, mas também não fizeram jus ao menor louvor.
Che visse senza infamia e senza lodo
( Que viveram sem infâmia e sem louvor)
São egoístas que só cuidaram se si, só viveram para si. Não feriram diretamente a ninguém com mal; mas negaram-se sempre, a praticar o bem. Entre este e aquele partido mantinham-se alheios e indiferentes; não eram pelo Pecado, mas nunca se declararam a favor da Virtude. Do bom não foram amigos, nem do mal mostraram-se inimigos.Por comodismo, por amor-próprio, faziam-se neutros em todas as controvérsias e contendas. Não lutavam pelo justo oprimido com receio de melindrar o opressor injusto; mostravam-se indiferentes às iniquidades, pois qualquer atitude, em prol dos infelizes, poderia acarretar incômodos e dissabores. As almas desses vis egoístas acham-se confundidas com o negregado coro dos anjos que, ao referir-se a grande revolta de Lucifer, nem foram rebeldes, nem fiéis a Deus pois só pensaram em ai, só de si cuidaram."
-A Divina Comédia (O Inferno) - Dante Aleghieri
Tradução anotada e comentada sob forma de narrativa por Malba Tahan
1947
quarta-feira, outubro 03, 2012
Vida é um projeto?
Nada é feito para durar. "No futuro, todos serão famosos por 15 minutos", dizia Wahrol, numa evocação à Wilde, acertadamente. Não que Wahrol fosse um gênio, mas simplesmente que ele sabia para que lado o vento soprava, e deixou-se levar.
Tudo à nossa volta é efêmero. Os assuntos são efêmeros. Os produtos são efêmeros. O sentido de eternidade da raça humana parece ter sido varrido da existência. Não buscamos o eterno, o belo em si mesmo, o sublime, mas o "up-to-date", o que é "trendy" e todos os termos racionalmente ocos que enchem as vitrinas culturais da atualidade.
A explicação oficialmente aceita para este estado é que o homem percebeu no Séc, XIX que não era mais um reflexo da imagem de Deus, mas simples produto de uma "evolução" (ou upgrade de fábrica) da matéria, igualzinho aos ratos, chimpanzés e tatus-bola. A partir deste ponto o homem deixa de olhar para a eternidade como seu porto de chegada e passa a combater os ponteiros do relógio contra seu curto reinado temporal.
A modernidade centra-se nestas duas vertentes: O conceito de "evolução", concluindo que o que é mais novo é melhor, pois é mais avançado em termos evolucionistas. O conceito de evolução é transportado sem filtros para dentro da cultura e pronto. As bases da alta cultura foram derrotadas.
A técnica passa a ser a base "cultural" da modernidade. A ciência é o novo Prometeu que roubou para o ser humano o dom do conhecimento, e com o conhecimento o homem pode construir sua própria felicidade, sem intercessão divina. Não mais interessa conceitos antigos e demodeés como "moral" ou "justiça", o que é mais novo é o melhor. Ponto final.
Segunda fase: passa-se às gerações mais jovens o controle da cultura. Na metade dos anos 50, surge nos Estados Unidos o protótipo da cultura jovem que irá estabelecer-se pelo resto do mundo. Nos anos 60 é radicalizado ao máximo. "Não confio em ninguém com mais de trinta anos" é o mote da época.
Terceira fase: o modernismo "morre". Afinal a ciência não pode, ela mesma, garantir "paz e segurança". O século inaugurado pelo signo da modernidade encerra com o saldo de duas guerras mundiais seguidas. Mas o homem não desiste. Ao invés de voltar e reconhecer o erro, inventa a "pós-modernidade", que é simplesmente a negação da racionalidade e da própria existência por assim dizer.
O resultado disso é que a Vida agora é simples vida. Efêmera e volátil, sem grandes esperanças, caóticas, darwiniana luta do mais forte, agora transfigurada pelo "mais moderno": Vença quem tiver o I-Phone 5.
Mas eu não concordo. O ser humano não é uma mosca drosófila gigante. Viver para simplesmente sentir o que pode ser sentido, "aproveitar" o que cada época nos proporciona, não deve ser nosso único objetivo.
Nosso real objetivo é a eternidade. Por que somos eternos, no sentido de que nada, nem ninguém que tenha existido pode virar "nada". Mesmo que não estejamos mais aqui para testemunhar, nossa história estará.
Por isso que a Vida tem de ter um projeto. E ela tem. A nossa grande missão é aprender sobre ele.
sexta-feira, setembro 14, 2012
Primavera Árabe: quando o Islamo-Comunismo é vendido como "democracia"
Sim, já vimos (eu vi, meninos!) em 1979, quando o mundo apoiou a derrubada do tirano Xá Reza Pahlevi pelo líder popular Ayatolah Khomeini. Vimos isso ainda mais longe (esta eu não vi, meninos!) em 1959 quando os EUA e mais um bando de países, saudou a queda de Fulgêncio Batista em Cuba, pelas mãos de uma revolução "legítima" liderada pelos barbudos.
Pois a mesma receita, de novo e de novo alcança os mesmos efeitos:A casca de "revolução" autóctone faz com que os idiotas úteis do Ocidente acabem até por ajudar tal movimento.
Mas sabemos que, uma vez a "revolução" estabelecida, os primeiros a cair são os "idiotas úteis". Pois foi exatamente isso que aconteceu no assassinato do embaixador americano na Líbia.
Não foi obra do "acaso", muito menos causado por um obscuro filme. Tudo foi planejado para acontecr no dia 11-09.
Lamento a morte do embaixador, mas isso era expectável. Christopher Stevens ajudou ativamente a destituição do regime Kadhafi. Acreditava que a "Primavera Árabe" iria trazer democracia enfim à Líbia. Achava que por ter este papel "especial", era "amigo" do regime.
Ledo engano.
Como o famoso vídeo de Yuri Bezmenov , sabemos que os idiotas úteis, geralmente são os primeiros a "cair" quando o novo regime que ajudaram a criar obtém o poder. E foi isso o que aconteceu, como está no artigo da Front Page Magazine:
Christopher Stevens Feeds the Crocodile | FrontPage Magazine: The only reason Christopher Stevens had lasted this long is that the jihadist fighters had known a useful man when they met him. And Stevens proved to be very useful, but his usefulness ended with Gaddafi’s death. Once the US successfully overthrew Gaddafi and began focusing on stabilizing Libya, Stevens ceased to be a useful idiot and became a useless nuisance.
sexta-feira, setembro 07, 2012
A In-dependência do Brasil
O Brasil só é o Brasil que conhecemos, não pela obra dos brasileiros, mas de duas personalidades ímpares: José Bonifácio de Andrada e Silva e Pedro de Alcântara (Pedro I - Brasil e Pedro IV - Portugal).
A engenharia da independência criada por estas personagens permitiu de uma só vez, a indepedência de Portugal e a manutenção do Brasil de proporção continentais como nos habituamos.
Se fosse obra dos brasileiros, hoje teríamos
- no mínimo uns cinco países de fala portuguesa na América do Sul,
- em eterna rixa com os vizinhos, como acontece na América espanhola,.
- e várias repúblicas de fachada com caudilhos a comandá-las.
Não estou aqui também a elaborar cenários sobre qual seria o presente do Brasil se não fosse colônia de Portuguesa nem um país com tradição católica.
E não acho que o país tenha tido qualquer "pecado de nascença" que impeça sua maturidade como nação.
Tenho simpatias pelo conservadorismo liberal, o velho laissez-faire, mas o modelo inglês (ou seu similar estadunidense) não seria possível implantar ipsis literis no país, como muitos liberais apregoam.
Tão difícil e alheio às características do Brasil como à tralha do politicamente correto que assola o país.
Este tipo de atitude, um ajoelhar para as medidas arrotadas pela ONU e pelas suas filiais internacionais não passam de revisitar "a troca de espelhos por ouro" dos tempos coloniais. Ou seja, dar soberania a grupos estrangeiros em troca de uma pretensa "democratização" é o inverso da independência. Hoje as decisões tomadas no país pelo governo atual nada tem a ver com interesses legítimos do seu povo, que quer, em termos gerais, mais saúde , educação e principalmente segurança.
Não foi o povo quem pediu
- liberação do aborto,
- casamento homossexual,
- liberação das drogas.
Foi a ONU, Foro de São Paulo, além de outras organizações que mandam no governo e que nunca foram eleitas para tanto.
O governo quer implatar à força uma "revolução internacionalista" (um golpe administrado de fora, em outras palavras) , enquanto o que o país simplesmente precisa de uma verdadeira in-dependência.
Comemorem enquanto ainda dá.
sexta-feira, agosto 31, 2012
Carlos Ramalhete, "A Perversão da Adoção"
Um artigo de Carlos Ramalhete (A Perversão da Adoção"),- simplesmente aludindo ao óbvio: de que as crianças tem direito a ter um pai e uma mãe e que o estado brasileiro não pode instituir na certidão de nascimento uma impossibilidade biológica, ou seja, uma criança ter dois pais ou duas mães-causou uma torrente histérica de adjetivos "homofóbicos".
Tal reação histérica tomou proporções enormes, a ponto de ameaçar a continuidade da coluna do Sr. Ramalhete. Até uma petição pública apoiando a Carlos Ramalhete (a qual já assinei) foi criada.
Parece que democracia não mais existe no país. Parece não, é verdade.
Para mim, democracia é onde todos podem falar à vontade sobre tudo. No Brasil não é possível. O governo foi tomado de fúria desconstrutivista da família brasileira e quem ousa falar mal é punido ou relegado ao degredo.Isso não é democracia.
Reparem a diferença com Portugal.
Abaixo um vídeo humorístico de um programa veiculado na TV estatal (RTP). Isso sim é democracia.
Na ditadura politicamente correta gay do Brasil um programa assim é impossível.
terça-feira, julho 24, 2012
A Farsa do "Crescimento" Brasileiro
Comentário:
Toda vez que falo a um Português sobre o Brasil, lá vem os chavões sobre o "calor", "povo mais liberal", "mais feliz" e nos últimos anos "pacificado" e de "crescimento contínuo".
Infelizmente tenho de corrigí-los:
- Calor: Estou agora escrevendo estas linhas desde Porto Alegre-RS aos 6 graus centígrados. Sério.
- Povo mais liberal: Portugal é mais "conservador" mas tem mais praias de naturismo tolerado, as mulheres fazem mais topless na praia e artistas de tv gays não escondem sua condição.
- Mais feliz. Leiam essa notícia" Mapa da depressão: Brasil é o país com mais casos no mundo".http://www.africa21digital.com/comportamentos/ver/20000645-brasileiros-tem-medo-da-violencia-e-consideram-policia-mal-preparada-mostra-pesquisa-do-ipea
- "Pacificado" : Leiam as manchetes abaixo.



