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quinta-feira, abril 15, 2010

O conceito Estético Na Cultura Brasileira - Uma Análise



No outspeak desta semana, Olavo de Carvalho fala de um autor,
Mário Vieira de Mello, que em "O Problema do Estetismo no Brasil" (1963) - há mais de quarenta anos - identificou um problema-chave em nosso desenvolvimento civilizacional: O estetismo.

Na internet, encontrei um resumo desta obra. Em sua leitura, principalmente, nos "sintomas" do estetismo nós, brasileiros, temos um raio-x de nossa miséria intelectual.

Também responde de maneira certeira à indagação sobre o motivo de um debate tão relevante ter sido silenciado desde os anos 80. Coincidentemente, durante o período de "redemocratização" do país.
Claro, a guinada à esquerda e a ascenção do politicamente correto no país, fizeram a análise de Mario parecer "reacionária".
O silêncio (dos inocentes?) só foi quebrado oficialmente em 1996 com a publicação do "Imbecil Coletivo".
Abaixo reproduzo o texto de Sergio Pereira da Silva (grifos meus).

Por quem e por que foi silenciado o debate sobre o estetismo, na cultura brasileira?
"Mas, afinal, o que é o estetismo?

Algumas coisas nos vêem à mente para caracterizá-lo: seria fazer para inglês ver; seria o grande empenho retórico no ponto de partida dos projetos e perda desse empenho ao longo do mesmo, até culminar o tempo do projeto, sem que os objetivos tenham sido alcançados; seria um grande empenho na aparência (primeira capa) dos trabalhos e fragilidade ou superficialidade no conteúdo e extensão dos mesmos; seria excessiva ornamentação nos projetos de estudo, de ensino e improviso na sua implementação; seria leitura superficial e panfletária, assim como ausência de aprofundamento nas questões polêmicas, sejam políticas, culturais ou científicas, em função da crença de que a ornamentação do enfoque (o fazer-de-conta-que-se-faz) e intenção alardeada, bastam; seria a presença física em sala de aula, ou através da assintura no trabalho em grupo, como condição suficiente (ornamentação) e legitimadora da aprovação no curso, na disciplina; seria ainda o cristalizado “ethos” de que a intenção é suficiente e de que a não conclusão dos empenhos é devido às determinações, quase sempre macro e, portanto, alheias à força de vontade do indivíduo etc..


Esse estetismo não aparece somente nas práticas discentes. Para cada ação do discente há uma correlação estimulante nas práticas docentes e conivência dos gestores da educação. É, portanto, um fenômeno cultural, não há culpados individualizados no ponto de chegada desse fenômeno cultural. Como fenômeno cultural, não há uma consciente intencionalidade que organiza e implementa essas posturas e atitudes.

De onde vem esse estetismo? Regis de Morais (Cultura Brasileira e Educação,2002); Mário Vieira de Mello(O conceito de uma Educação da Cultura1980 e Desenvolvimetno e Cultura – O problema do Estetismo no Brasil,1986) culpam os portugueses, sua colonização de exploração e sua superficial acolha do estetismo renascentista italiano. Os portugueses teriam se apropriado do estetismo via França, não beberam direto das fontes italianas. Além disso, são famosas a incompetência e superficialidade lusitanas na compreensão e apropriação da densa filosofia européia.

Para estes autores, nossos primeiros acadêmicos, na “República dos Bacharéis”, foram os juristas, formados em Portugal, inclusive estes juristas eram responsáveis pelas primeiras aulas de Filosofia no Brasil. Ora, com o brilho retórico e espetaculoso, que tem sido o timbre das escolas e grupos jurisconsultos no Brasil, não é de se admirar que nossos primeiros professores universitários trouxeram, de Portugal, os germes do estetismo no interior de suas boas intenções formativas. Para esses juristas, o belo antecedia em valor moral ao verdadeiro, o empolgante ao idôneo, o brilho à seriedade, a complacência ao rigor. O conceito de estética de Mello e Morais é inspirado em Kierkegaard, filósofo dinamarquês e difere da versão nietzschiana correspondente.


Essa cultura educacional estetizante, segundo Morais e Mello, recebeu o reforço de uma emergente nação sem consistentes bases éticas. Esses autores acusam o catolicismo brasileiro de fragilidade ética enquanto os protestantes de outras colônias eram mais rigorosos nesse quesito. De fato, são famosas as diferenças entre a ética protestante e a católica no que diz respeito ao modo de lidar com as coisas desse mundo, com os valores de conduta, com a interferência nos desafios cotidianos de subsistência, de produção, de colonizar para construir uma nova pátria (em vez de explorar e pilhar a colônia em proveito da “Metrópóle”), dentre outros desafios imanentes.

Desse modo, nosso Brasil “ocidental”, rescém-emancipado de Portugal, nasceu num contexto imoral, habituado a exemplos de pilhagem, superficialidade, descontinuidade e fragilidade nos projetos sociais. Nasceu sem raízes fincadas nos mananciais éticos forjados pelas grandes e seculares culturas européias. De lá prá cá, modismos e descontinuidade se alternam e somos cada vez mais espetaculosos, histriônicos e superficiais. Nosso empenho e rigor tem fôlego curto porque o espetáculo da nossa retórica já nos satisfaz; nossa catarse, numa cultura estetizante, já basta por si só.


A argumentação desses autores não pode ser resumida nessas breves linhas sem que contradigamos ou superficializemos suas idéias, mas o essencial é isso: não somos sérios, somos superficiais em quase tudo que fazemos e o motivo é nossa colonização cultural, sem a vontade/intenção do colonizador de projetos a longo prazo, sem consistência ética na cultura de exploração desse colonizador.

Pôxa!! Que banho de pessimismo desses autores em relação à nossa brasilidade! É quase uma difamação. Difícil é afirmar que eles não têm alguma razão no que dizem e, mais difícil ainda, é ignorar ou negar que, nos trabalhos acadêmicos e científicos e demais atividades na universidade, agimos tal qual descrevem.


Inspirados nesses autores, concluímos que carecemos de um “choque cultural”, uma espécie de quimioterapia cultural, porque seria algo arrojado, com danos colaterais, mas imprescindível. Nos mais diversos espaços sociais: família, igreja, sindicato, escola, universidade, nas ruas, nos shopping centers, na tv, no rádio, na internet etc.., precisamos fazer a catequese ética dos cidadãos. Mostrar, com exemplos concretos, que precisamos mais ser éticos do que estéticos, na perspectiva que foi descrita.


Finalmente, cabe indagar: por que esse debate relevante e pertinente, da década de sessenta e setenta foi calado, ignorado nas décadas de oitenta e noventa do século passado?
Uma resposta provável e plausível é a de que o marxismo emergente, nos debates acadêmicos na segunda metade do século XX, profundamente estetizante na sua versão brasileira, aliado ao poder do catolicismo na vertente tradicional tanto quanto na “Teologia da Libertação”, também impregnado de práticas estetizantes, estigmatizaram as análises de Mello (em quem se inspira Morais especificamente nesse tema) como sendo “moralistas e reacionárias” e lograram o êxito político de expulsá-las do debate cultural, pedagógico e político hegemônicos. Qualquer que seja a resposta à pergunda que intitula esse breve texto, urge recuperarmos esse debate como mais uma perspectiva a contribuir na compreensão da nossa brasilidade e sua implementação nas práticas educacionais."


Prof. Sérgio Pereira da Silva - UFG- Catalão









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quarta-feira, abril 14, 2010

Desinformação e Influência Vendida como Notícia: Movimentos "Católicos" Pedem o Fim do Celibato

Dedico este artigo a todos os meus amigos empenhados em resistir contra a nova ordem mundial, especialmente contra o movimento gayzista, como Julio Severo & Olavo de Carvalho.

Um exemplo, aqui em Portugal.

A reportagem a seguir, de autoria de Ana Bela Ferreira é um primor. O título da matéria é "Movimentos católicos pedem fim do celibato".
Pelo seu título imagina-se movimentos católicos típicos - aqueles já enraizados e tradicionais dentro da Igreja, como famílias, associações de caridade et caterva - é que estão pedindo o fim do celibato, por acreditarem (mesmo erroneamente ) que o "celibato" seja a causa dos casos de pedofilia.

Ao ler a reportagem no entanto, deparamo-nos, logo em seguida com a frase : "O grupo de homossexuais católicos Novos Rumos e o Movimento Nós Somos Igreja pedem o fim do celibato dos padres".

Então é o seguinte, se um grupo de pedófilos gays auto-entitular-se como "católico" e pedir o fim da proibição de manter relações sexuais com jovens, teremos uma notícia com a manchete "Católicos Pedem a Liberalização da Pedofilia"??

É de rir.
Ainda mais sabendo que a "notícia" é uma pretensa refutação de uma afirmação do Cardeal Bertone - completamente verdadeira - que reproduzo : "Demonstraram muitos sociólogos, muitos psiquiatras, que não há uma relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram, e disseram-mo recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia". É claro, nada do que os pregadores da destruição da Igreja engolem.

A associação entre pedofilia e homossexualismo é notória. Não é o celibato que faz um pedófilo convicto. O celibato, junto com a moral verdadeiramente cristã, podem impedir mais casos. E não o contrário.
Para os que não acreditam que homossexuais possam ser pedófilos, aqui um relato chocante, mostrando que o maior ativista homossexual brasileiro, Luiz Mott, é também um apologista da pedofilia:

No artigo O Ativismo Pedófilo do Professor Luiz Mott, podemos ler:

"Descobri que os pedófilos identificam a si mesmos como "homens que amam meninos". À repulsa que experimentamos diante de tal idéia, eles chamam depreciativamente de 'pânico moral' ou de 'histeria da opinião pública'.

O desembargador Luiz Mott descreve com detalhes chocantes a verdadeira natureza desse "amor" que domina a mente perversa dos pedófilos.
"


Mott conta aspectos também de sua transformação de seminarista em homossexual assumido:

"Como sentia atração homoerótica ... fui vendo como o cristianismo era intolerante, repressor e equivocado em relação a isso. Neste sentido, o materialismo histórico poderia ... resolver as minhas angústias existenciais".

"Com o tempo deixei de acreditar em Deus". "Portanto, deixei de ter qualquer tipo de consciência pesada, no que refere a essa forma de relação".

Mott ainda escreveu um artigo apologista da pedofilia "Meu Moleque Ideal" (já indisponível na net depois de denúnicia) onde descaradamente declarava:"
Adoraria encontrar um moleque maior de idade, mas aparentando 15-16 anos".


Olavo de Carvalho também comentou outro aspecto terrível: como o movimento gay é encorajado à práticas pedófilas no artigo Cem Anos de Pedofilia do qual reproduzo um trecho:

"A pretexto de combater a discriminação, representantes do movimento gay são autorizados a ensinar nas escolas infantis os benefícios da prática homossexual. Quem quer que se oponha a eles é estigmatizado, perseguido, demitido. Num livro elogiado por J. Elders, ex-ministro da Saúde dos EUA (surgeon general — aquele mesmo que faz advertências apocalípticas contra os cigarros), a jornalista Judith Levine afirma que os pedófilos são inofensivos e que a relação sexual de um menino com um sacerdote pode ser até uma coisa benéfica. Perigosos mesmo, diz Levine, são os pais, que projetam “seus medos e seu próprio desejo de carne infantil no mítico molestador de crianças”.


Estes mesmos psicólogos que acusam a Igreja, são os mesmos que dão declarações como esta e que tentam salvar a pele de um Roman Polanski ou mesmo de um Danny o Vermelho (Daniel Conh Bendit, famoso por suas memórias pedófilas). Como se pode entender?

Como diz o colunista português Henrique Raposo:
"Para os media, há duas pedofilias: a pedofilia não muito grave, cometida por gente boazinha como Roman Polanski ou por malta (pessoal) do Maio de 68 (Cohn Bendit). E depois há a pedofilia mesmo má, a dos padres."



Com isso demonstro que realmente o movimento homossexual tem uma forte vertente de pedofilia, apoiada por muitos "educadores" e outros engenheiros sociais. Resta saber se os casos de pedofilia são mais numerosos dentro da Igreja Católica do que em outros grupos sociais.

Estranho, para já, a falta de comparações percentuais entre os casos de pedofilia na Igreja Católica e de outros grupos sociais.
Aliás, não estranho. Como Olavo de Carvalho já comentou em seus programas, se viessem ao público, ficaria claro que a maior parte dos casos envolvem, não a Igreja, mas outra instituição muito mais prosaica: a escola, este santuário sagrado da políticas de experimentação relativista do nosso tempo.
Pois é na escola onde nossos filhos sofrerão os maiores riscos de assédio sexual, seja na relação aluno-professor como na de funcionários de escola e alunos.

Como exemplo, cito um estudo da American Associatin of University Women (EUA) com 2064 estudantes da 8ª a 11ª série:
  • 83% das meninas já foram assediadas sexualmente
  • 78% dos meninos já foram assediados sexualmente
  • 38% dos estudantes foram assediados sexualmente por professores ou funcionários da escola
  • 36% dos funcionários de escola foram assediados sexualmente por estudantes
  • 42% dos professores ou funcionários de escola já foram mutuamente assediados sexualmente.
Você confiaria o seu filho à uma instituição na qual o seu filho / filha fatalmente será assediado sexualmente, para dizer o mínimo?

O caso do apologista pedófilo Luiz Motta é emblemático, pois foi seminarista e tornou-se homossexual assumido ( não por consequência de ser seminarista, mas apesar disso) , faz apologia do amor de homens e meninos e é professor.

Você deixaria o seu filho nas mãos desta pessoa?

Então, o caso da Igreja, é exceção e não regra. E é usado pela mídia, ao lado de outros relativistas ateus, para atacar a Igreja num de seus dogmas principais.
Eu mesmo sou contra o celibato, mas a Igreja é livre para pode exigí-lo. Quem não gosta, vá para outra igreja protestante, por exemplo, nas quais não há este dogma. O celibato é uma regra a cumprir-se a quem verdadeiramente queira seguir a vocação.

Eu me pergunto por que há tantos pedófilos entrando na Igreja, sabendo destas regras "opressivas" ? Para mim só há uma explicação: para que casos como estes apareçam e sirvam para desmoralizar ainda mais a Igreja Católica, a única das instituições religiosas que se dispôs a enfrentar comunistas e socialistas. Veja o artigo sobre os anti-padres.

Concluíndo, se psicólogos, jornalistas, e outros grupos, querem o bem de nossas crianças e sabendo que a escola é o lugar onde há mais casos, poderiam começar por ali.

Fica claro que a escola virou um antro de iniciação sexual precoce. Por que transformou-se em campo de provas de políticas relativistas, tais como sexo seguro, distribuição de camisinhas, além do palavreado sexualmente estimulante.
Ora, se conteúdos como este não estimulam a precoce sexualidade das crianças, não sei o que não poderia. Onde andam as aulas de moral e cívica e religião?
Devo dizer que estas "aulas" é que jogam as crianças sobre temas que elas não conseguem defender-se. É muito fácil um adulto (professor ou funcionário) aproveitar-se da situação e a posição para assediar estas crianças e adolescentes.
Mas é isso o que acontece: quanto mais transformam as escolas em quase casas de tolerância, mais acusam a Igreja de o sê-lo. O esforço concertado para desacreditar a Igreja é bem maior do que o de informar ao público.
Em resumo: outra peça de propaganda lamentável.



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segunda-feira, setembro 29, 2008

A Turma do Chavez

No Brasil, um programa de grande sucesso entre as crianças (desde os anos 80) foi o "Chaves" (uma adaptação de um original mexicano chamado "Chavo").
No início, Chavez na Venezuela foi considerado um comediante.
Mas que tipo de comédia seria possível para um ditador sentado sob reservas incomensuráveis de petróleo, com armas russas e que hoje já comanda dois países (Bolívia e Equador) além de ser amigo de terroristas como as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia?
Pois em Portugal, tal líder é recebido como um "amigo" pelo primeiro ministro português, José Sócrates.
Nem mesmo Lula da Silva no Brasil - que é amigo de longa data de Chávez, tendo usado o seu cargo como presidente do Brasil para ajudá-lo durante sua destituição em 2003 - teria coragem de recebê-lo com os rapapés com que foi recebido por aqui.

Muitos portugueses comentam que não se pode levar em conta a ideologia nestes casos. Que é puro pragmatismo político.

Será que o mesmo Sócrates daria a mesma recepção à George W. Bush?
Duvido.
No link abaixo, reportagem da SIC.
SIC Online

E aqui, um sketch do grupo "Gato Fedorento" sobre um encontro anterior da dupla, com participação especial de um conhecido treinador brasileirto..



Gato Fedorento - Sócrates e Hugo Chávez (subtitled)

quinta-feira, setembro 18, 2008

Minhas Férias

Pequena Revisão das Férias


Nas férias (agosto) pude conhecer o sul de Portugal e depois voltei ao Brasil por algumas semanas. Aqui as minhas impressões:


Portugal - Algarve


Fiquei cinco dias no extremo sul de Portugal, a região mais ao sul do país. A diferença entre o norte e o sul deste pequeno país é gritante. Saí do norte (Porto) com 24 graus no máximo. Cheguei ao sul (Albufeira), 400 km depois, sob africanos 37 graus. A paisagem também é radicalmente diferente. Saem o verde do norte e entram os tons amarelados, calcáreos, semi-desérticos do sul.


A paisagem humana também não poderia ser mais diferente, a começar pela língua. Saem portugueses e entram, de sola e Daily Star debaixo do braço, os ingleses. Aí temos vantagem: consegui encontrar minhas adoráveis Guiness e Old Specked Hen nos supermercados mais próximos e a bom preço. E, de quebra, quase nenhum axé music ou similar (com a exceção de Vanessa “tudo o que quer de miiiim”da Matta e Ben Harper, disparado a pior música da estação). No hotel que hospedei-me, os únicos falantes de português eram eu, minha filha e o pessoal do hotel.

Muitos portugueses desdenham dos turistas ingleses que por aqui aportam por que não são ingleses “chiques”. O Algarve não é um destino “cool”, ao contrário, é destino barato para trabalhadores (do tipo blue collar) em férias. Ninguém famoso realmente vem para cá, com exceção do casal McCann, mas estes tornaram-se tragicamente famosos somente após a sua estada no Algarve.


Este desdém pelos ingleses classe-média-baixa que aqui chegam para mim é um pouco contraditório, pois os mesmos portugueses que os criticam com ar de superioridade, tecem loas de admiração quando falam do seu candidato de estimação: Barack Hussein Obama. Ora, Obama é tão “povão” quanto os seus pares ingleses que refestelam-se nas praias portuguesas no verão. Se Obama fosse inglês provavelmente poderia ser visto no Algarve usando os indefectíveis tamancos croc, a beber Guiness e a bisbilhotar a vida dos famosos pelo “Daily Star” ou o “The Sun”.


E as praias? Ótimas. Quase quentes.


Porto Alegre


Passei uma temporada no Brasil, quando levei minha filha de volta. Em Porto Alegre, percebo que é época de eleições municipais. E o que definiu o tom desta campanha foi a candidatura da Manuela, ícone do PC do B. Já escrevi sobre ela. É um rostinho bonito sem nenhuma substância. Passou de vereadora a fenômeno eleitoral como deputada federal nas últimas eleições. Com ela, subitamente todos os partidos investiram em seus mal-ajambrados clones de Manuela. Se o modelo já é intragável, imagina as imitadoras.

Tiraram até o bolor da Luciana Genro (a filha do Tarso), a eterna candidata-poodle: deram um banho (acho que de verdade), tosaram e alisaram as madeixas num trabalho que só pode ter sido obra de algum Pet Shop de pedigree. O problema é que agora as pessoas conseguem ver seu rosto. Nunca ninguém conseguiu ver o rosto de Luciana Genro. Só a cabeleira. Ninguém irá reconhecê-la. Ainda mais que a candidatura foi sabotada com o aporte de doações de odiosos meta-capitalistas como Jorge Gerdau Johanpeter.

Outra que deu o seu retorno dos Mortos Vivos foi Maria do Rosário. Tudo na onda Manuelina.

Todas parecendo bonitinhas mas sendo ordinárias. A decadência do debate e das estratégias políticas no estado do Rio Grande do Sul, um estado tido como “altamente” politizado é notável.


Outra surpresa desagradável foi abrir os jornais e deparar-me com notícias como “Milésimo assassinato do ano em Porto Alegre”.

A nota positiva era de que notei menos “sem teto”a vagar a esmo pelas ruas da capital. O que não é pouco, se compararmos com 16 anos de administração do partido hegemônico.

Em Passo Fundo

Também fiquei alguns dias na cidade onde cresci : Passo Fundo. Terra de Teixerinha (onde há uma estátua em sua homenagem, de gosto duvidoso). Ah, ainda é conhecida como a cidade da “Jornada de Literatura” e do “Festival Internacional do Folclore”. Minha mãe e minhas irmãs moram por lá. Além do mais tive um sério compromisso como padrinho de crisma de meu sobrinho de 13 anos.

Aproveitei para atualizar-me com o maior jornal da cidade, “O Nacional”.

Pois na primeira página já tenho a notícia que Passo Fundo enfrenta o 40 assassinato no ano.. Que coisa horrível. Obviamente, os crimes são todos ligados ao tráfico de drogas. Em todo o lugar, a mesma notícia.

Lendo o jornal, algo chamou-me a atenção: Num anúncio de duas páginas , a coordenadora da “Jornada de Literatura” , Tania Rösing, convidava à leitura de jornais (com um exemplar de “O Nacional” em mãos, obviamente) com a seguinte frase : “A leitura diária do jornal oportuniza o (sic) leitor contato com diferentes gêneros textuais e imagens com informações que difundem o conhecimento e provocam transformações no entorno social”.


É ou não é desanimador?


O Brasil de hoje parece perfeito para encenações do tipo “Ensaio Sobre a Cegueira”. Parece que as pessoas perderam um senso crítico básico, o norte magnético natural que todos recebemos ao nascer e que deve ser aprimorado, com educação e conhecimento, para que possamos avançar na vida. E não digo materialmente, mas como seres humanos que somos - à imagem e semelhança do Criador.


Já disse para muito amigos que o Brasil de hoje é uma imensa arena de lutas cada vez mais encarniçadas entre grupos de interesse que, ainda que minorias, tomaram cultura brasileira como refém. Todo e qualquer diálogo está tomado pela denúncia oca dos politicamente corretos que, finalmente, ao cabo de uma década, fizeram todas as minorias “excluídas” lutarem por seus “direitos”, imaginários ou não, sejam gays, mulheres, índios, negros, sem-terra, sem-teto lutam contra o brasileiro médio, ou aquele indivíduo que ainda considera-se homem, heterossexual, católico e – pior de tudo – conservador.


Aqui encerra-se a minha pequena viagem de Redescobrimento do Brasil.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A pedido de várias famílias: entrevista a Olavo de Carvalho



Bruno Garschagen entrevistou Olavo de Carvalho para a "Atlântico" (a melhor revista portuguesa em idéias) de Janeiro!


Abaixo, o link com a entrevista completa. O trecho escolhido é importante pois Olavo, de uma forma mais detalhada do que o costume, explica exatamente qual o "conservadorismo" que defende ( "a ordem espontânea) e a diferença da defesa desta "oprdem espontânea" e a defesa de um conservadorismo por si e em si mesmo. Neste último caso, o conservadorismo como uma regra formal, pode transformá-lo em algo tão "revolucionário" e totalitário quanto ao que (somente superficialmente) combate. Este seria o caso de Portugal sob o comando de Salazar e do Salarazismo.


Ainda não tenho qualquer bagagem de conhecimento para julgar se tais afirmações são ou não pertinentes , mas o que interessa mesmo é a definição do conservadorismo como a defesa da "ordem espontânea". Os revolucionários podem estar dos dois lados: no lado "progressista", acelerando artificialmente o seu desenvolivmento natural para que chegue aos fins antecipademente previstos e do lado "conservador", a tentativa vã de travar por completo o movimento natural, de modo a congelar a sociedade num determinado período de tempo.


O interessante é que, no Brasil, muitos acusam Olavo de ser um defensor deste tipo de conservadorismo, uma "revolução estática". Por isso este trecho é importante.


Aproveitem...



"Que é ordem espontânea?

É o conjunto de soluções aprendidas ao longo do tempo. É uma ordem espontânea porque não foi imposta por ninguém. É ordem porque tem um senso arraigado da própria integridade e rejeita instintivamente toda mudança radical. Mas é também aprendizado, isto é, absorção criativa das situações novas por um conjunto que permanece conscientemente idêntico a si mesmo ao longo dos tempos, por meio de símbolos tradicionais constantemente readaptados para abranger novos significados.
Examinem bem e verão que ordem democrática é precisamente isso e nada mais.

Se, ao contrário, um grupo imbuído do amor a valores tradicionais tenta deter a mudança, ele está introduzindo na ordem espontânea uma mudança tão radical quanto o grupo revolucionário que deseja virar tudo de pernas para o ar, pois o que esse alegado conservadorismo deseja é imortalizar no ar um momento estático de perfeição hipotética. Se esse momento, na imaginação dele, expressa os valores do passado, isso não vem ao caso, porque na prática política esse ideal será um “projecto de futuro” tanto quanto o ideal revolucionário.

Uma sociedade só embarca no projecto revolucionário quando perdeu todo o respeito por si mesma. Um respeito que, entre outras coisas, implica o amor aos valores do passado como instrumentos de compreensão e acção no presente, não como símbolos estereotipados de uma perfeição ideal no céu das utopias."




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quarta-feira, abril 25, 2007

Ao 25 de Abril

Como imigrante não tenho muito o que dizer, objectivamente, sobre esta data tão importante para Portugal. Posso simplesmente dizer das minhas impressões sobre o assunto. E minhas impressões notam uma dicotomia, uma "fractura" na opinião pública.

Perguntei a muitos jovens sobre o que era a data de 24 de abril. A maior parte disse que era o dia da "independência" de Portugal ("independência?" Ué, não sabia que Portugal tinha sido colónia), ou melhor , "Dia da Liberdade". Depois eu li que em 25 de abril de 1974 o regime Salazarista (pois Salazar, ele mesmo, não estava mais no poder) foi derrubado por um golpe de estado. O maior motivo? Parece que foi mesmo a guerra nas colónias, especialmente em Angola.


Leio os jornais. Todos celebram a data e reclamam que os jovens não lhe dão valor. Sei que os jornais daqui sofrem da mesma síndrome esquerdista do Brasil, portanto não são uma fonte fidedigna para entender. Podem explicar a metade da história não o todo. O outro lado, parece que foi muito ouvido na recente eleição do "Maior Português de Sempre" em que o ditador Salazar foi eleito por grande maioria, em votação popular.


Qual foi o verdadeiro Salazar? O dos jornais, que criou a polícia política (PIDE) , que manteve a ferro e fogo as colónias na África quando todos os países europeus se retiravam dali? Que proibia Coca-Cola?
Ou o economista que soube conduzir a nação à um período de crescimento e prosperidade? Para os jornais, a primeira figura é a mais citada.; Para os jovens, a segunda. Parece que o tema económico é o mais importante no momento. Que momento? A revista "The Economist" acaba de citar Portugal como o novo "doente da Europa" .


Para um brasileiro, como eu, ver esta dicotomia, esta diferença de opiniões é algo bastante positivo pelo fato de haver. No Brasil, por exemplo, sobre os vinte anos de ditadura, para os jovens só se ouvirá a mesmíssima opinião da media: "porões da ditadura", "anos de chumbo", "tortura" e nenhuma discordância. Discordar é preciso.


Portugal, pelo que sinto, está num momento de decisão e isto é evidente pela opinião pública. Espero poder acompanhar isto de perto. Parabéns Portugal!